LITERATURA SUSTENTÁVEL SOB DEMANDA

Por Leandro Bertoldo Silva

Há tempos venho construindo uma identidade literária que seja realmente minha, e venho buscando isso com muita dedicação, escrita, leitura, pesquisa, experimentos. Com a publicação do meu terceiro livro – Relicário Pessoal – haicais – pela Alforria Literária, através da máquina “Paula Brito”, consegui alcançar uma independência de trabalho que justifica essa busca pelo que venho chamando de publicação sustentável sob demanda.

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Associar um estilo próprio a uma linha editorial ecológica, dando ao livro uma outra “cara” e função é um grande desafio. O trabalho é gigantesco, do tamanho do prazer de criar este outro lugar e estabelecê-lo como uma nova forma de fazer e consumir literatura.

Gratidão a todos que acompanham o meu trabalho! E que a literatura nos aponte caminhos, sempre!

Saiba mais sobre a Alforria Literária clicando AQUI!

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Forte abraço!

 

LIVRARIAS, NÃO LOJA DE LIVROS…

Dermeval 7 Arte

Por Leandro Bertoldo Silva

“Leem muito, sabem o que estão a falar, gostam de conversar e criam um ambiente familiar…”

Sim, estes são os livreiros, muito mais do que vendedores de livros que, muitas vezes, não conhecem do seu ofício, são apenas funcionários de livrarias, quer dizer, livrarias não, loja de livros… É bem diferente!

Pois eu conheci o Sr. Demerval, da livraria 7 Arte, no lendário Ed. Maleta, em Belo Horizonte, palco de encontros memoráveis, como Carlos Drummond e Mário de Andrade, Fernando Sabino, Tarsila do Amaral e muitos outros… O Sr. Demerval não é um vendedor de livros, é o verdadeiro livreiro, às antigas, aquele que entende de literatura e do mundo dos escritores.

A diferença entre livrarias e loja de livros, ou megastores, vai muito além do retorno financeiro a curto prazo, pois estas não dependem supostamente da venda de livros. As vendas alternativas de CD’s, presentes, produtos de informática, proporcionam a tão procurada segurança, mas a troco de quase deixar os livros – o principal – em segundo plano.

A consequência disso é um misto de decepção e desilusão quando o vendedor não conhece aquele escritor ou escritora que você tanto ama, que para você é um ícone da literatura. Para quem acha que o vendedor não tem a obrigação de conhecer tudo desse universo, saiba que o livreiro conhece… Ele sabe exatamente quem é quem e jamais tomaria um escritor por escritora e vice-versa… Foi o que me aconteceu ao procurar numa dessas megastores um livro de Mia Couto…

Por isso que ao invés de me embrenhar neste mundo da disputa de egos, onde os destaques ficam para a mídia nas gôndolas bem arrumadas ou na parte dos “mais vendidos”, enquanto outros tão grandes quanto, ou mais, ficam em meio à escuridão das prateleiras – quando ficam – prefiro os Srs. Demervais, aquela conversa em meio aos livros que pulsam vida, história, variados encontros de vozes e figuras das mais simples até grandes intelectuais.

A vida é assim, tudo são escolhas…

A GATA INARA

Por Gabrielle Alves de Oliveira

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Hoje eu quero apresentar a Gabrielle Alves de Oliveira, essa estrelinha da foto que tem 10 anos. Ela é aluna do curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita, da Árvore das Letras e faz parte da turma Alaíde Lisboa.

Depois de uma aula em que falamos de vários gatos e gatas, de como eles se parecem e manifestam personalidades e características humanas, como o heroísmo, a esperteza, a persistência e até a preguiça… (o gato Garfield que o diga…), a Gabrielle escreveu uma releitura da música História de uma Gata, de Chico Buarque de Holanda. E só ficou satisfeita depois de ilustrar a prórpia história… Quer conhecê-la? Leia abaixo!

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(Gabrielle Alves de Oliveira)

                Era uma vez uma gata chamada Inara. Ela vivia num apartamento comendo só filé mignon ou filé de gato. A família de Inara sempre dizia a todo momento:

— Fique dentro de casa, não tome vento!

Mas quando chegou a noite, todos os gatos saíram cantando:

“Nós gatos já nascemos pobre!

Porém, já nascemos livres!

Senhor, senhora, senhorio,

Felino, não reconhecerás!”

Então, Inara voltou para casa depois dessa noite inesquecível. Mas a gatinha foi barrada na portaria. O porteiro chamava-se Luís Felipe, e falou:

— Ah, essa não é a gata do prédio, pois ela está muito suja!

Então a gata falou:

— Ah, sem filé, sem almofada por causa da cantoria? Mas agora o meu dia a dia vai ser bem melhor com meus novos amigos fazendo muitas coisas boas, tipo virando latas, pulando de telhado em telhado e muito mais! Toda noite, eu e todos os meus amigos sairemos cantando assim:

“Nós gatos já nascemos pobre!

Porém, já nascemos livres!

Senhor, senhora, senhorio,

Felino, não reconhecerás!”

Mas vocês pensam que acabou? Ainda tem a moral da história e ela é mais ou menos assim…

“É melhor ter amigos para se divertir do que ter filé, almofada e muito mais… Agora que eu tenho amigos, posso brincar de montão a hora que eu quiser!”

E assim, Inara ficou feliz para sempre!

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E você, quer conhecer mais sobre o curso, saber como escrever melhor gradativamente e com mais prazer, com mais leveza e com muito mais resultado? Clique AQUI e conheça o curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita.

Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.

COMO SÃO FEITOS OS LIVROS DA ALFORRIA LITERÁRIA

Os livros da Alforria Literária são feitos num verdadeiro processo de “artesania” e sustentabilidade. Como bem disse uma leitora (Valéria de Oliveira Alves – Belo Horizonte), “o lado estético é lindo, mas a forma de voltar a um contato mais artesanal e simples da vida é o mais maravilhoso. Como o ser humano precisa entrar em contato com a simplicidade para se reconhecer como elemento da natureza”. É o que também disse Angelo Pereira Campos – leitor e um dos revisoes do livro Janelas da Alma, também de Belo Horizonte: “é o antigo processo preservado”.

Fico feliz, como escritor e como o idealizador da Alforria Literária, pois é exatamente essa a proposta, é essa a percepção que desejo que as pessoas enxerguem nesse trabalho como caminho possível. E aqui publico também um comentário maravilhoso que, perdoando os exageros do grande amigo Jair Jr, membro da Academia de Letras de Teófilo Otoni, soube imaginar o meu sentimento:

“Leandro… Que maravilha! Viajei no tempo e me veio, num lampejo, o castelo de Veneza (?), e em uma das torres do lado sul o grande salão que servia de ateliê e oficina ao mestre Leonardo da Vinci, é bem ali, sozinho, dava asas à sua genialidade inventiva! Daqui posso imaginar as feições dele, idênticas às que penso ver em seu rosto feliz e sorridente como nesse instante de explosivo prazer ao dizer: ‘funciona… Funciona!!!’

ALFORRIA LITERÁRIA: UMA NOVA FORMA DE PENSAR LITERATURA!

Por Leandro Bertoldo Silva – escritor

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Começo esta apresentação com um penamaento de Mia Couto…

“O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar, a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro”.

O meu nome é Leandro Bertoldo Silva e eu sou escritor independente. Sou o criador da Árvore das Letras – um espaço de linguagem, leitura e escrita – e do selo Alforria Literária pelo qual publico os meus livros.

Durante o ano de 2017 e já início de 2018, recebi alguns contatos de leitores interessados em adquirirem os meus livros “Janelas da Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno” e “Entrelinhas Contos mínimos”. Curioso que todas as pessoas, e isso já vêm acontecendo há algum tempo, querem comprar os livros diretamente comigo, embora estejam disponíveis para venda na maioria das lojas online espalhadas pela internet e em plataformas de autopublicação. Isso é totalmente compreensível, uma vez que no final o livro sai a um preço muito alto para o leitor, e estamos falando do livro físico, que é a preferência de 10 a cada 10 leitores que me procuram…

Isso reforçou o meu posicionamento e a minha escolha de ser um escritor independente, a partir do momento que, por outro lado, eu recusei a proposta de contrato de duas editoras por não achar vantagem ao analisar todas as condições, e me ver preso simplesmente ao ego de ter os meus livros expostos em livrarias.

Foi assim que ganhou força a ideia da “Alforria Literária”, um selo criado por mim e pelo qual publico os meus livros, decidido a trilhar um caminho diferente, onde eu possa assumir todas as etapas do meu trabalho – da escrita à distribuição dos livros.

Nada tenho contra as editoras e as plataformas de autopuplicação; apenas acredito em outras possibilidades, ainda mais na realidade de hoje em que a vida exige mais consciências. Por isso, na minha natureza de enxergar propósito em tudo o que faço, estou desenvolvendo a minha própria publicação sob demanda, na qual os meus livros são impressos em papel ecológico, primeiramente a capa personalizada com tinta feita de fibras de material orgânico, mas já com o pensamento para que o miolo do livro siga o mesmo padrão – tudo a seu tempo.

Esse processo já está sendo desenvolvido através da aquisição de uma verdadeira “máquina de fazer livros”, em que a sintonia entre literatura e ecologia está presente, como se verá.

MEU PROPÓSITO LITERÁRIO

Vivemos no Brasil uma crise editorial muito grande, e essa crise não é somente financeira, mas mercadológica, eu diria, até, midiática. Isso porque a maioria das editoras tradicionais valoriza apenas o que é “vendável”. Não há problema nisso se entendermos que são empresas e, como tais, privilegiam o lucro. Mas a troco de quê? O que elas devolvem ao consumidor-leitor é que é um grande questionamento, pois basta entrarmos em livrarias para nos depararmos com uma imensa quantidade de livros traduzidos e os chamados “best-sellers”. E os novos escritores? Quase sempre ficam sem espaço. Ou escrevem o que as editoras querem vender ou possuem um alto poder de investimento, o que nem sempre é possível. As consequências são terríveis, pois isso contribui, entre outras coisas, para o sumiço de uma literatura genuinamente brasileira que ficou no passado.

MiaO escritor moçambicano Mia Couto, em uma entrevista recente, diz que até às décadas de 60/70 a literatura brasileira ainda era vista como referência para os próprios brasileiros e para outros países, como em África, por exemplo. Ele cita Jorge Amado e todo o seu universo místico, de religiosidade, capoeira, que tem raízes africanas. Cita, ainda, em outro contexto, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, entre outros. Hoje já não há mais essas referências. Segundo ele, “chegam as novelas, mas não chegam os livros”. Ora, se não chegam os livros, não chegam os autores. E para um momento em que, através das inúmeras plataformas de autopublicação existentes, surgem a cada dia tantos “escritores”, onde eles estão? É claro que quantidade não é sinônimo de qualidade, mas em meio a tantos há de ter alguém, e esse alguém não é um só, são muitos.

É neste contexto que surge a Alforria Literária com o claro propósito de liberdade.

POR QUE ALFORRIA LITERÁRIA?

Alforria Literária é mais do que um selo ou uma marca editorial, é um caminho que eu escolhi para mim enquanto escritor. E sabe por quê? Porque escolhi ser livre! Porque decidi assumir que eu sou, assim como você também é, criador da sua própria realidade. Se há uma expressão que possa definir a Alforria Literária, é: POR QUE NÃO?

Por que aceitar o que boa parte das pessoas diz sobre o caminho que a escrita e a carreira literária deveriam trilhar? Não posso ser o criador da minha própria experiência? Não posso eu definir o que eu quero e “como” eu quero? Sei que muitos pensarão: “porque é assim! Porque se você estiver fora das editoras e das lojas você estará fora do jogo”. Será?

‘Se milhares de pessoas estão indo por aqui, então vá por ali…’

 Não me recordo onde eu li essa frase, mas ela tem para mim muito mais sentido, além de dialogar com a minha pergunta: POR QUE NÃO?

Ouço e leio constantemente variações de uma mesma versão que é a seguinte pergunta: ‘o que as editoras querem?’ É incrível como que o sistema com suas redes gigantescas nos pressionam e tenta nos convencer de que a maneira delas é mais do que a melhor, mas a única. E mais impressionante ainda é como boa parte das pessoas acreditam nisso e vai abandonando o prazer de guiar a própria vida e a própria escrita num verdadeiro desejo mimético. Passam a achar que é mais fácil adaptar ao que os outros consideram bom para elas do que tentar descobrir por si mesmas e abrir novas possibilidades e caminhos. E com isso, quantos escritores vão abdicando de um fundamento básico, ou pelo menos deveria ser, que é a total e absoluta liberdade de criar, não apenas o conteúdo, mas a forma…

Deixa eu dizer uma coisa: não há satisfação maior do que ser criador da nossa própria experiência, e a pergunta que eu faço através da Alforria Literária é absolutamente o contrário em relação à variação acima. Mais importante do que pensar de que há lugar para todos, é saber que esse lugar nunca será o mesmo.

O SIGNIFICADO DA MARCA ALFORRIA LITERÁRIA

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O desenho representa um pince-nez, modelo de óculos utilizado até início do século XX, que utilizava uma pinça para prender na ossatura do nariz (nez = nariz).

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De modo mais direto e objetivo faz referência, ao mesmo tempo homenagem, ao grande escritor Machado de Assis (1839-1908), que utilizava um pince-nez, presente em quase todas as usas fotografias.

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Indica a perspicácia característica do observador do mundo, que transcreve sua visão em forma de letra. Indica o olhar profundo que enxerga a realidade além das aparências. Enfatiza mesmo o olho, janela para o mundo, espelho da alma. Neste caso, Machado de Assis é um escritor que enxerga longe, lança luz onde havia sombras. Este é um ótimo sentido para melhor compreender a Alforria Literária.

Mas há uma complementação dessa ideia trazida pelo filósofo e psicanalista Angelo Pereira Campos que enriquece muito a Alforria Literária através de uma antiquíssmia simbologia: o Olho de Hórus.

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Símbolo da divindade egípcia, Hórus, filho de Osíris.  Hórus é o deus com cabeça de falcão. Não por acaso, o falcão encontra-se entre os animais de maior acuidade visual. Sua visão alcança uma pequena presa em até dois quilômetros de distância.

Os olhos de Hórus, na mitologia egípcia, sinalizam o Sol e a Lua. Trata-se de uma metáfora da luminosidade, do dia e da noite. Em batalha contra Set, Hórus perde o olho esquerdo, símbolo da Lua.

Neste caso, o olho representado na imagem da Alforria Literária é o direito, símbolo do Sol. Portanto, uma referência direta à luz, à claridade, logo, ao esclarecimento que a literatura nos ajuda a construir ao longo de nossa formação, que, claramente, dura a vida inteira. Desse mesmo modo, encontramos nestas metáforas literárias um sentido maior para a clarividência, que está a nos impulsionar para a liberdade, para a alforria.

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A MÁQUINA DE LIVROS “PAULA BRITO”

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O aspecto fundamental da Alforria Literária é eu ser a minha própria produção sob demanda, ou seja, eu mesmo editar e publicar os meus livros e poder enviá-los para qualquer lugar do Brasil. Para isso, foi confeccionada a minha primeira “máquina de livros”, que carinhosamente chamei de ‘Paula Brito’, em alusão a Francisco de Paula Brito, proprietário de uma livraria no antigo Lago do Rocio no século XIX, atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Mulato, autodidata e oriundo de meio humilde, Paula Brito trabalhou como tipógrafo, impressor de livros e jornais, fundando a Marmota Fluminense numa época em que o analfabetismo era gigantesco em nosso país. Além disso, sua importância foi fundamental para acolher um mocinho acanhado, também mulato, brilhante e que faria história: Machado de Assis…

Máquina de livros

Essa máquina foi cuidadosamente feita com madeira de Ipê reaproveitada de sobra de demolição e guardada por muitos anos. As mãos talentosas que a moldaram são de Egídio Souza, um luthier que, para quem não sabe, é um termo derivado do francês ‘luth’, que significa ‘alaúde’. Ele dá nome ao profissional especializado em construir instrumentos de corda, tudo feito de forma artesanal, um a um. Trata-se de uma das profissões mais antigas e que já está em extinção, mas que eu tive a sorte de conhecer um e de ter se tornado um amigo. Ainda sobre o propósito das coisas, não poderia ser maior uma vez que se institui uma parceria entre a literatura e a música, sendo eu um escritor inteiramente musical.

Isso vem mostrar que quando as coisas estão em sintonia com nossos desejos elas ganham força! A “máquina Paula Brito” está linda e já estou pronto para distribuir diretamente os meus livros que guardam outras surpresas… Um dos meus objetivos é que o livro em si, além do seu conteúdo literário — que é o meu trabalho de escritor — seja um objeto de arte digno de ser admirado e guardado.

PROCESSO DE COLAGEM

Teste de colagem

Foi realizado com muito sucesso o primeiro teste com a máquina de livros. A capa é de papel ecológico (ver detalhe) e faz parte da proposta da Alforria Literária. O projeto das capas ainda está sendo estudado para se chegar a um padrão de letras e tamanhos para a melhor apresentação possível, primando pela beleza, irreverência e elegância do exemplar. Para o teste foi utilizado no miolo o papel sulfite 75g. O utilizado no livro será o Off-set A5 75g. Utilizei uma cola especial de luthieria para fixar as folhas na lombada, o que torna o livro muito resistente.

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Papel ecológico

 ABORDAGEM EM ESCOLAS, EMPRESAS E FEIRAS LITERÁRIAS

Para o ano de 2018 e subsequentes farei apresentações gratuitas em escolas (públicas e particulares), empresas e feiras literárias apresentando os meus livros já dentro da proposta da Alforria Literária. Para isso, levarei, além dos livros que podem ser adquiridos no local e encomendados, a máquina “Paula Brito” para que todos conheçam o seu funcionamento a partir de uma palestra/demonstração ao vivo, seguindo o seguinte roteiro:

  • Minha história de como e quando aprendi a ler e a minha experiência com os primeiros livros em cima de um pé de ameixa na casa de minha avó;
  • Como descobri os escritores e como decidi ser um deles;
  • O porquê da minha escolha em ser um escritor independente;
  • O sonho, o porquê, a história e a confecção da máquina “Paula Brito”;

(demonstração da colagem de um livro)

  • Apresentação dos meus livros.

Bem, é isso! Estou pronto para fornecer os meus livros com muita qualidade e segurança, enviando-os a qualquer lugar do Brasil a um valor justo e acessível. Saiba sobre eles acessando MEUS LIVROS! E lembre-se:

O surgimento de novos talentos passa pela sua permisão de experimentar. Permita-se! Leia escritores independentes.

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Quer saber mais, falar diretamente comigo, agendar uma palestra gratuita em sua escola ou empresa, ou mesmo uma roda de conversa com alunos falando sobre literatura?

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TEMPO? É VOCÊ QUEM FAZ! PLANEJAMENTO É TUDO, ATÉ PARA LER!

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Por Leandro Bertoldo Silva

Com o que você se identifica?

Antonia mora em São Paulo; Paulo, em Belo Horizonte, assim como Luzia e Angelo, diferente de Geane e Yasmin, que moram em Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha. Marlene, Elisa e Jair estão em Teófilo Otoni, Bianca em Campinas, Ana Paula em Governador Valadares, e ainda temos Guilhermes, Letícias, Alices, Mauros, Franciscos, Rosilenes e Alexandres espalhados por todo o Brasil!

Você sente aquela vontade de ler um livro; um não, vários! Você sente que aquelas histórias irão mexer com suas emoções. Você sabe que ali, nos livros, existe um pluriverso a ser desvendado, que há mais informações do que as simples letras impressas nas folhas de papel; existe um mundo, uma época, um contexto que caracteriza a existência de cada um deles. E você quer lê-los, conhecer os seus autores.

Mas você não tem tempo…

Não tem tempo pelo trabalho que é muito. Não tem tempo pela família que precisa da sua atenção. Não tem tempo pela escola, onde você já tem que ler tantas coisas para seus trabalhos e provas. E tantos outros motivos que vão se juntando.

E principalmente?

Você sente que tirar o seu tempo para ler, irá lhe fazer perder tempo…

Talvez essa vontade de ler seja apenas uma bobagem. Talvez essas histórias sejam péssimas. Talvez você seja apenas um tolo ao achar que livros mudam pessoas e podem mudar você mesmo e fazê-lo feliz.

Então, você não lê.

Você acredita nesses pensamentos. Você se sente bem quando seu amigo do trabalho diz, estressado, que está muito ocupado – ufa, não é só você, mesmo dizendo sempre que gostaria que com você “fosse diferente”. Você se identifica com a situação de que os afazeres domésticos lhe tomam toda disposição para fazer o que tanto gosta, assim como os compromissos que sempre existem. E você passa dias, semanas, meses… falando para você mesmo que está certo, que gostaria tanto de ler, mas não tem condições.

Será mesmo?

“Não”! Uma voz dentro de você, meiga e amável, cochicha em seus ouvidos: “Não, isso tudo está muito, muito errado…!” E você revigora a sua vontade primeira. Você acredita na leitura e, acima de tudo, você acredita em você! Sabe que o tempo é você quem faz, que a falta dele não existe, existe é a falta de prioridade, e que se colocar entre as suas prioridades a leitura, ela terá a sua hora, como a novela das sete, o bate-papo com os amigos, o futebol no fim de semana, até o banho do cachorro…

Então você começa de novo!

Antonia mora em São Paulo; Paulo, em Belo Horizonte, assim como Luzia e Angelo, diferente de Geane e Yasmin, que moram em Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha. Marlene, Elisa e Jair estão em Teófilo Otoni, Bianca em Campinas, Ana Paula em Governador Valadares, e ainda temos Guilhermes, Letícias, Alices, Mauros, Franciscos, Rosilenes e Alexandres espalhados por todo o Brasil!

Você sente aquela vontade de ler um livro, e pensa… “ler é tão maravilhoso! E outra voz pergunta…

“E se existisse uma forma de ler de uma maneira mais organizada, relacionando as leituras por critérios de objetivos e importância em determinado momento da vida? E se essas leituras pudessem ser compartilhadas ao mesmo tempo sem que uma se sobreponha à outra?”

Um sorriso se estampa em seu rosto…

“Uma incentivando a outra numa atitude contagiante que fosse se espalhando naquele sentimento gostoso de vitória e objetivo concluído, cujo investimento fosse somente a certeza de que o mundo necessita de mais leitores como você e, como consequência, de mais cultura, de mais refinamento?”

Você está feliz, porque percebe que literatura não é matéria didática, é arte, e das maiores, o que proporciona a elevação moral, social e espiritual das pessoas, pois nela encontramos nossas histórias, nossas origens, anseios, valores, desejos e uma infinidade de coisas que nos levam às conquistas que sempre sonhamos. Nela, nos tornamos seres humanos construtores de pensamentos e produtores de novas sempre possíveis realidades.

E sua alma se abre…

Porque essa possibilidade EXISTE! E não é uma só… Através dela você pode criar a sua e se transformar no leitor ou na leitora que sempre quis ser! Você se sente bem porque acaba de se tornar um(a) NOVO(A) LEITOR(A)!

Achou interessante? Então veja este recado!

Viu? Mas continue a ler para conhecer uma maneira muito prática de repartir o seu tempo de leitura de forma a ler muito, muito mais, dentro das suas possibilidades.

Isso por quê?

Bem, se você também é um amante da leitura deve ficar meio em dúvida às vezes com tantos livros que gostaria de ler, mas que o tempo castiga nosso adorado desejo de viver em meio às páginas.

Mas, olha! Planejamento é tudo, e é o que devemos fazer, pois ele é muito necessário, ainda mais nos dias corridos de hoje. Devo dizer que não existe um método ou uma cartilha a ser seguida. Cada qual é cada qual e cada um sabe, melhor do que ninguém, onde os calos apertam, ou melhor, do seu dia a dia.

O que vou escrever aqui funciona comigo dentro da minha rotina e escolhas. Sou escritor e professor e a leitura é matéria-prima do meu trabalho. Tenho tantos livros para ler quanto são as estrelas no céu…! Por isso, faço uma divisão de três modalidades de leitura:

  • LEITURA DE ENTRETENIMENTO;
  • LEITURA DE PESQUISA;
  • LEITURA DE REFERÊNCIA.

Funciona mais ou menos assim:

LEITURA DE ENTRETENIMENTO

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É a que eu faço pelo meu bel prazer (não que as outras não sejam). É a leitura do divertimento puro, do deleite, sem maiores compromissos do que a apreciação da arte literária. Aqui incluo contos, romances, poesias, etc. Costumo realizar essa leitura de segunda à quinta-feira logo após o horário de almoço, mais especificamente de 13h:00 até 13h:45, que é quando estou em sala de aula esperando meus alunos chegarem. Obviamente, a sala está pronta, matéria preparada, equipamentos checados e, assim, posso me entregar e desfrutar dos personagens e versos…

LEITURA DE PESQUISA

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É a que eu realizo quando estou escrevendo um livro, seja ele de contos ou romance. Um escritor é um contador de histórias e precisa estar atento a tantas histórias já contadas por aí. Isso nos ajuda a estarmos mais presentes, sintonizados com a nossa época, com os gostos e preferências do nosso tempo, sem dizer que um escritor é antes de tudo um pesquisador da sua própria arte. Essa leitura eu a faço às sextas-feiras na parte da tarde, que é o dia de planejar toda a semana que virá, inclusive minha escrita diária.

LEITURA DE REFERÊNCIA

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É a leitura dos grandes autores, daqueles que me dizem mais profundamente, seja em termos de estilo, seja em termos de ideias. Aqui estão os escritores da literatura clássica e contemporânea. Como diz Mia Couto (um dos meus escritores de referência), “os escritores nascem de outros escritores”, e é exatamente assim que acontece. Para essa leitura eu reservei os fins de semana, não todo, claro, pois também tenho uma vida social e familiar que é tão importante quanto. Mas para um leitor sempre sobra um tempinho…

Bem, como disse, não há um modelo a ser seguido. O importante é que cada um encontre o seu jeito, seja ele qual for, pois deixar de ler é algo que não devemos, tanto porque, como disse Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e livros”.

Se você gostou, aproveite para divulgar este artigo para aquele amigo ou amiga que, como você, ama a leitura e tem vontade de ler muitas coisas, mas, no entanto, esbarra na “falta de tempo”.

Vamos lá?

Ah, e já que estamos em companhia de leitores, aproveito para indicar os meus dois livros – um romance e um de contos curtos. “Janelas da Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno”, e “Entrelinhas Contos mínimos”. Saiba sobre eles clicando AQUI

 

Desejo a todos Boas leituras!

A PROPÓSITO D’O MENINO DO DEDO VERDE

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Por Leandro Bertoldo Silva

Você já leu O Menino do Dedo Verde, do acadêmico francês Maurice Druon?

Se sim, para você é uma obra infantil ou adulta? Se não, tanto para você quanto para quem leu vale muito a pena a reflexão publicada na orelha da 57ª edição – Rio de Janeiro, da José Olympio, de 1996.

Bem, a edição vem demonstrada como literatura infanto-juvenil, mas posso lhe assegurar que este é um dos deliciosos casos que a classificação pouco importa, pois tanto crianças, quanto jovens ou adultos são arrebatados para um mundo onde Tistu, o personagem dessa história, nos coloca de frente a uma enxurrada de pensamentos…

Nessa referida edição é onde se encontra a reflexão mencionada que o crítico José Geraldo Nogueira Moutinho (1933-1991), uma das grandes personalidades literárias do Vale do Paraíba, publicou na Folha de São Paulo em junho de 1973.

Na época, estando eu com então 1 ano de idade, não podia sequer imaginar que 44 anos depois iria encontrar, tanto nestas palavras quanto na obra em si de Maurice Druon, um livro que é exatamente, sem pôr nem tirar, tudo o que Moutinho diz.

Na verdade, acredito que ele traduz exatamente o que os que leram a obra tiveram a oportunidade de conferir. E para aqueles que ainda não tiveram essa oportunidade, transcrevo aqui o que lá se foram tantos anos e ainda se mantém absolutamente atual…

Vamos lá…

Um acontecimento a destacar

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A propósito d’O MENINO DO DEDO VERDE o crítico paulista Nogueira Moutinho escreveu na Folha de São Paulo a seguinte crônica:

Trata-se de um dos acontecimentos, não direi literários, mas poéticos, do ano, o lançamento deste livro de Maurice Druon, traduzido por um dos mais completos conhecedores da linguagem lírica no Brasil, Dom Marcos Barbosa. O fato do monge beneditino, recriador em nosso idioma do Pequeno Príncipe, haver se dedicado a verter esse outro texto, já é uma espécie de garantia prévia no tocante à sua qualidade, ao seu lirismo, à sua lição de poesia e de verdade. Maurice Druon, embora acadêmico e autor de romances históricos, nada perdeu de flexibilidade, de gratuidade lírica, não se deixou esclarecer nem emburguesar pelos títulos, lauréis e outras prendas da velhice. É capaz de articular um relato nesse dificílimo idioma que adultos e crianças entendem, os primeiros, é claro, se não matarem em si o espírito de infância, isto é, o espírito de poesia.

Livro para reler ao longo dos anos, se termos a sorte de descobri-lo na idade cronológica certa; livro para meditar em toda a sua riqueza, se já o recebemos adultos.

O paralelo com o récit hoje clássico de Saint-Exupéry não é exagerado. Dom Marcos, que verteu a ambos para o nosso idioma, confessa que só deu pela semelhança quando terminou o trabalho e se pôs a refletir criticamente sobre o livro. De fato, o Pequeno Príncipe pertence a uma mitologia; Tistu, o menino do dedo verde está, ao contrário, preso às contingências sociológicas do mundo em que existimos. O primeiro é intemporal, o segundo é filho da era da poluição, de agressividade e do desentendimento. Sua missão é justamente despoluir, humanizar, reintroduzir a poesia num universo do qual ela se encontra exilada.

Sobre um mundo cinza e enlutado, Tistu deixa impressões digitais misteriosas que suscitam o reverdecimento e a alegria. Tão apaixonante quanto o Pequeno Príncipe, sua tarefa é mais urgente e mais original. Druon foi capaz de criar um símbolo rico de conotações e de apelos, um significante símbolo cujo significado jaz um pouco em cada leitor, capaz de florescer ao descobrir-se também possuidor de um polegar verde.

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Segundo a explicação do velho jardineiro, Bigode, ao menino, “o polegar verde é invisível. A coisa se passa dentro da pele: é o que se chama um talento oculto. Só um especialista é que descobre. Ora, eu sou um especialista. Garanto que você tem polegar verde”. E à pergunta atônita de Tistu o jardineiro prossegue: “Ah! é uma qualidade maravilhosa, um verdadeiro dom do Céu. Você sabe: há sementes por toda parte. Não só no chão, mas nos telhados das casas, no parapeito das janelas, nas calçadas das ruas, nas cercas e nos muros. Milhares e milhares de sementes que não servem para nada. Estão ali esperando que um vento as carregue para um jardim ou para um campo.”

A simbologia quase evangélica deste pequeno livro faz dele realmente um acontecimento a destacar entre a massa dos lançamentos literários. Cremos estar presenciando o retorno do Pequeno Príncipe: como nas fábulas antigas, se disfarça como Tistu, para só revelar sua verdadeira identidade aos que como ele possuem o polegar verde.”

(Folha de S. Paulo, junho de 1973)

Maravilhoso, não?

Então é assim: se você é um dos felizardos que já leu este livro de verdades e encantos, de flores e cheiros, não importa quanto tempo tenha, se muito ou pouco, se dê a oportunidade de reler agora com ainda mais atenção no momento atual que estamos passando, não apenas no nosso país, mas em toda humanidade…

Se você ainda não leu, nem é preciso dizer, um mundo de emoções, descobertas e verdades o espera…

E não se esqueça! Adoraria saber o que você achou da obra. Entre em contato, comente, recomende…

UM, DOIS, TRÊS… ESTÁ COM VOCÊ! O RESGATE DA ARTE DE BRINCAR

Por Leandro Bertoldo Silva

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Como é gostosa a brincadeira…

Andar, correr, saltar, sorrir…

Ser livre para imaginar,

Ser tudo o que quiser: gigante, herói, donzelas, mocinhos…

Meninos e meninas, toda a gente, se dando as mãos,

Se juntam e formam uma só brincadeira.

Nas rodas de rua, no rouba-bandeira, menino-escondido, menina-é-quem-acha,

Vira o jogo e vamos vencer…

Cabra-cega, pula-corda, passa-anel, joga-peão,

Cata-vento, arco-e-flecha, tamborzinho de caixinha e bolinha de sabão.

Ah, que saudade, que saudade, que saudade!

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Brincar é um processo criativo que chama à diversão. Diversão, que do latim — diversificare — traduz em diversificar, ou seja, divertimentos diversos. Hoje em dia, a diversificação quase não existe dentro do nosso contexto infantil e até adulto quando o que está em jogo é a brincadeira. Nossas crianças — da geração eletrônica —perderam, infelizmente, a criatividade e até mesmo a autonomia de brincar, uma vez que a maioria esmagadora das crianças e jovens sucumbiu ao modelo pronto e pensado dos jogos eletrônicos cada vez mais sofisticados. Para que fingir, sim, “fingir” que duas rodinhas de madeira presas a um cabo de vassoura é um carro, ou que uma casca de árvore é um navio no oceano, se basta um clique para entrar em um mundo que o coloca dentro de uma realidade virtual onde você dirige em simulação real um carro de Fórmula 1 ou é o piloto de uma aeronave? Acontece que a falta dessa criatividade que em outros tempos reinava fácil em rodas de amigos, hoje faz com que as crianças fiquem cada vez mais sozinhas dentro de seus próprios mundos prontos, sem contar que o “fingimento”, neste contexto, é altamente saudável.

É preciso lembrar sempre que, mesmo dentro do mundo moderno, em que os pequenos são entregues a responsabilidades por vezes até prematuras mediante a um ritmo acelerado de vida dos pais, criança continua a ser criança, e é imperativo que tenha tempo de brincar. É preciso lembrar igualmente que televisão, computador, celular não podem ser babás  e nem os melhores amigos — e não são mesmo — e que brincar não é só descobrir novas funcionalidades do tablet… Brincar é explorar, inventar, correr, pular, criar. Lembram das famosas brincadeiras de roda?

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Tudo isso Contribui para o desenvolvimento integral, autoconhecimento, estimula várias competências de comunicação, equipe, solidariedade e respeito, resiliência — afinal, nem sempre se ganha —, melhora a atenção e concentração, a expressividade, desenvolve laços afetivos e, além de uma série de outros benefícios, conduz à felicidade…

Como é gostoso brincar… Como é gostoso fazer da parte do seu corpo um personagem encantador, bastando, para isso, um pouquinho de imaginação… Duvida ou nem se lembra como se faz? Veja esse pequeno vídeo…

Foi neste contexto que tivemos, nós da Árvore das Letras, em parceria com a Casa Ateliê Terra do Sol, em Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, a iniciativa de proporcionar às crianças o resgate das brincadeiras de roda, a magia das histórias, a criatividade da pintura em desenhos com mandalas e o contato com a natureza a partir da expressão com o barro, transformando-o em peças artísticas. Tudo isso em um local aberto em contato uns com os outros, com as árvores, pássaros e flores. Resultado? Ter a alegria de ver crianças sendo elas mesmas em suas essências…

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“Era uma vez um menino que desenhava com o dedo no vento. Ninguém entendia aquele menino doido. O menino desenhava mais. Um dia falaram para ele que não era assim, que ele tinha que desenhar num papel, no chão, na parede, algum lugar que se pudesse ver. Aí o menino fez um papagaio e foi desenhar no céu…”

(Adelsin, em Barangandão Arco-Íris)

A Árvore das Letras e a Casa Ateliê Terra do Sol estão abertas a propostas de tardes brincantes, como essa, e oficinas diversas.

Achou interessante, quer saber mais a respeito do nosso trabalho? É só nos enviar um contato! Venha brincar com a gente…

E, ah…

Compartilhar é se importar!

Mostre para uma pessoa querida que você se importa com esta causa.
Compartilhe esse conteúdo e nos ajude a resgatar a arte de brincar!

COMO LIMPAR E CONSERVAR SEU LOCAL DE INFORMAÇÕES VARIADAS, REUTILIZÁVEIS E ORDENADAS – L.I.V.R.O

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Por Leandro Bertoldo Silva

Ser um leitor vai muito além da leitura propriamente dita. Ser um leitor passa pelo amor aos livros e o prazer de tê-los. Ser um leitor é realmente muito diferente de um não leitor…

Tudo bem! Vivemos uma era de modernidade impossível de ignorar (e nem podemos e queremos), em que os livros eletrônicos — os chamados ebooks — com diferentes formatos de arquivos de leitura e programas estão em evidência, deixando os livros tradicionais com os dias contados.

Será mesmo?

Machado de Assis, no célebre conto A igreja do Diabo, diz:

“As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão”.

Isso nos leva a pensar, e no meu caso ter a certeza, de que o velho e bom livro de papel… Ah, esses sempre irão existir… Há quem acredite que não; felizmente, tanto como leitor e também como escritor, não faço parte dessa opinião.

Para fortalecer e sustentar a tese dos que acreditam na continuidade da espécie, leia a deliciosa crônica de Millôr Fernandes, que vem ilustrar muito bem o que quero dizer.

Vamos lá…

L.I.V.R.O

“Existe entre nós, muito utilizado, mas que vem perdendo prestígio por falta de propaganda dirigida, e comentários cultos, embora seja superior a qualquer outro meio de divulgação, educação e divertimento, um revolucionário conceito de tecnologia de informação.

Chama-se de: Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas – L.I.V.R.O.

L.I.V.R.O. que, em sua forma atual vem sendo utilizado há mais de quinhentos anos, representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, nem pilhas. Não necessita ser conectado a nada, ligado a coisa alguma – nem mesmo à internet (grifo meu). É tão fácil de usar que qualquer criança pode operá-lo. Basta abri-lo!

Cada L.I.V.R.O. é formado por uma sequência de folhas numeradas, feitas de papel (atualmente reciclável) que podem armazenar milhares, e até milhões, de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantém permanentemente em sequência correta. Com recurso do TPOTecnologia do Papel Opaco – os fabricantes de L.I.V.R.O.S podem usar as duas faces (páginas) da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os custos à metade!

Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.S com mais informações, basta se usar mais folhas. Isso, porém, os tornam mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema, visivelmente influenciados pela nanoestupidez.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, no próprio cérebro, sem qualquer formatação especial. Lembramos que, quanto maior e mais complexa a informação a ser absorvida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.

Vantagem imbatível do aparelho é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página. E a leitura do L.I.V.R.O. pode ser retomada a qualquer momento, bastando abri-lo. Nunca apresenta “ERRO FATAL DE SENHA”, nem precisa ser reinicializado. Só fica estragado ou até mesmo inutilizável quando atingido por líquido – caso caia no mar, por exemplo. Acontecimento raríssimo, que só acontece em caso de naufrágio.

O comando adicional moderno chamado ÍNDICE REMISSIVO, muito ajudado em sua confecção pelos computadores (L.I.V.R.O. se utiliza de toda tecnologia adicional), permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder na busca com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com esse FOFO (softer) instalado.

Um acessório opcional, o marcador de páginas, permite também que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou tipo de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Todo L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso o usuário deseje manter selecionados múltiplos trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com a metade do número de páginas do L.I.V.R.O.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. por meio de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada – L.A.P.I.S.

Elegante, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro, como já foi de todo o passado ocidental. São milhões de títulos e formas que anualmente programadores (editores) põem à disposição do público utilizando essa plataforma.

E, uma característica de suma importância: L.I.V.R.O. não enguiça!”

Fantástico, não é?

Sei que como eu, existem muitas pessoas que amam seus livros, que se sentem bem simplesmente estando na companhia deles, sentindo o seu cheiro, o prazer de passar as páginas, namorando cada folha, cada detalhe numa espécie de ritual mágico para a leitura…

Mas o livro, como qualquer objeto, principalmente valioso, precisa de cuidados… Muitos cuidados…

Você que está lendo esse artigo e, que como eu e muitos, ama os seus livros, responda rápido:

 Você limpa os seus livros? Conserva-os? Sabe como fazer isso?

Bem, conheço muita gente que nunca ou raramente se predispõe a esse serviço…

Mas como quem “ama, cuida”, resolvi publicar esse artigo mostrando como é possível fazer a limpeza dos seus livros de maneira correta e eficiente.

Na verdade, a ideia veio a partir de uma coleção de Jorge Amado que ganhei recentemente… Os livros são editados pela Livraria Martins Editora, capa dura, marrom, tipo couro, uma verdadeira relíquia. Para os amantes dos livros e da boa, boa não, ótima literatura, não poderia haver presente maior!

Porém, como os livros estavam um tanto velhos, alguns mofados e estragados, parti para uma busca pela internet de como poderia limpá-los da melhor forma. Encontrei muitas dicas aqui e ali, lá e acolá…

Prece interessante? Então continue lendo para saber mais sobre:

  • O material necessário para a limpeza dos livros;
  • O passo a passo de uma limpeza correta e eficaz de seu livro;
  • Alguns cuidados e dicas essenciais;
  • Um conselho final, que faz toda a diferença na conservação do seu livro.

Como sei que essas informações também podem ser de muita valia para muitas pessoas, resolvi reunir as melhores dicas que encontrei em um único lugar e publicar este conteúdo aqui no blog. O resultado gerou o infográfico abaixo e que tenho o prazer de compartilhar com você. Espero que goste.

Como limpar e higienizar os seus livros

E então, gostou do conteúdo? Viu como é fácil e possível cuidar dos seus livros?

Então, compartilhe esse artigo e ajude outras pessoas que também amam os seus livros a saberem a melhor maneira de limpá-los e conservá-los. Os livros agradecem e a cultura também…

DOSTOIÉVSKI: O ESCRITOR DAS REDENÇÕES

Por Leandro Bertoldo Silva

Será que investir na leitura dos clássicos é uma atitude inteligente e necessária para o leitor moderno?

E para você?

Ser considerado um leitor, uma leitora crítica, preparada para tecer argumentos quanto a construções semânticas das obras, as estruturações psicológicas humanas dos personagens relacionadas à época, ao momento contextual social são grandes feitos, concorda?

No mesmo caminho, conhecer as grandes vozes que arquitetaram verdadeiras obras-primas, saber de suas histórias, de seus trajetos, que os colocaram no patamar de grandes influenciadores do pensamento moderno, é um atributo do homem e da mulher culta, e é inegável que essa cultura influencia, por sua vez, diretamente a vida de quem as aprecia e cuida.

Segundo o professor Paulo Venturelli, a leitura do literário é altamente transformadora e fundamental, pois ela faz com que a vida muda, uma vez que mudamos a sensibilidade, a visão de nós mesmo e do mundo, a percepção do outro, tendo, portanto, mais elementos para pensar-se e pensar a própria vida.

E se assim é, e é, conhecer os clássicos é fundamental, pois é possível traçar uma linha cronológica da evolução da humanidade e entender muito melhor o nosso processo de estar no mundo, com suas contradições, encontros, harmonias, paz, guerras, fazendo com que entendamos tudo isso de uma forma dialógica, sendo possível, inclusive, “prever” determinados pensamentos e tendências futuras a partir do acontecido…

Olhando por este ponto, percebemos que a leitura como um todo, e especialmente os clássicos, é mais do que uma questão de gosto, mas uma providencia e uma questão de necessidade e sobrevivência, fazendo com que essa importância ultrapasse, e muito, os bancos escolares. Ainda bem…

Mas esse reconhecimento não acontece da noite para o dia

É necessária uma mudança de atitude com o livro e com a leitura.

Ainda segundo o professor Venturelli, a partir do momento que uma pessoa se torna um leitor consciente, ela passa a absorver uma série de ideias, absorvendo uma série de ideias ela consegue metabolizar tudo em sua cabeça e começa a ter ideias próprias, pois, para isso, a cabeça precisa ser “alimentada”, e o resultado que disso provém, é a autonomia e independência de cada um.

Não é fantástico?

Quem não deseja tal autonomia? E ela é possível! Mas é preciso, como dito, mudar a relação com a leitura, tirá-la do campo da obrigação e acolhê-la como uma amiga que te conforta e te conduz a um mundo melhor.

Mesmo que você não queira ser um crítico literário, como o professor Paulo Venturelli, investir na sua leitura pode trazer muitos outros benefícios para sua vida, inclusive profissional. Por exemplo, se você está interessado em:

  • Despertar o interesse prazeroso e consciente da leitura;
  • Provocar o gosto pela diversidade literária;
  • Familiarizar com o melhor da literatura clássica e seus escritores;
  • Ser visto(a) como alguém culto(a);
  • (Re)construir uma relação de amor com os livros…

Você precisa elaborar sua estratégia de leitura pessoal.

Portanto, a Árvore das Letras passará a trazer mensalmente, em um de seus conteúdos, a vida e obra dos grandes escritores da literatura universal, com o intuito de ajudá-lo(a) a conhecê-los e a reverberar a cultura no que consideramos ser de extrema importância para o conhecimento humano.

Em posse desse “dossiê” que será formado, você pode, a partir das curiosidades, semelhanças, afinidades e gostos, ir estruturando uma agenda de leitura daquilo que você quer conhecer melhor.

A partir daí é encontrar o seu tempo, pois, sim, ele existe — nem eu, como escritor e professor de literatura teria tempo de ler se eu não me planejasse para isso — e se aventurar por caminhos até então inexplorados, e se explorados, revisitá-los, que é também uma prática recomendável…

Gostou do que vem por aí? Então já compartilhe com seus amigos para que eles, também, possam conhecer essa nova referência de leitura e, quem sabe, adotá-la em suas vidas fazendo crescer o coro de leitores mais conscientes.

E para abrir esta porta, ou melhor, para construir esta ponte, iniciamos com ele: FIÓDOR MIKHÁILOVITCH DOSTOIÉVSKI: O ESCRITOR DAS REDENÇÕES…

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Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski é conhecido como o escritor do excesso, em que toda sua ficção é povoada por personagens que vãos às situações-limites, aos extremos – crimes, sobretudo –, que beiram o abismo e tremem de vertigem.

Mas há muito mais na história de Dostoiévski. Além de cristão, ele tinha profundo interesse em profetas e reservou longas passagens em seus romances para pregações.

Não há livro de Dostoiévski que não ofereça redenção. De Recordação da Casa dos Mortos e Notas do Subterrâneo a Os Possessos e Os Irmãos Karamásov, passando por Crime e Castigo e O Idiota, há sempre um personagem santo ou que será santificado.

Há leitores que se chateiam com o remoer interminável dos personagens de Dostoiévski, com a obsessão da culpa a fim de redimir seus atos anticristãos. Mas Dostoiévski não seria Dostoiévski sem os seus excessos que retratam a sociedade colocando-a em frente ao espelho…

Como Dostoiévski, temos tantos outros gênios da literatura universal que, com seus talentos e determinações, sonhos, controles e descontroles, prazeres e dores, glórias e até suicídios, vieram tecendo a cultura de nosso mundo e influenciando gerações de leitores e escritores entre tempos.

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Em junho de 1812, a Rússia é invadida pelas tropas napoleônicas e a elas se rende após sangrenta batalha. Após cinco semanas numa Moscou incendiada, abandonada por seus moradores, tem início a famosa retirada do Grande Exército, ordenada por Napoleão. Mas as tropas russas seguem-lhe as pegadas até a Alemanha, e nesse país travam diversas batalhas. A perseguição continua até Paris, onde, no mês de março de 1814, Alexandre I entra triunfalmente.

De volta à Rússia, jovens oficiais se impressionam com os abusos da burocracia, com a arbitrariedade do governo, com o sofrimento dos servos, com juízes corruptos, entre outros desmandos. Algumas sociedades secretas começam a se organizar para reverter a situação, e até 1820 ocorrem vários movimentos revolucionários por todo o país.

Nessa Rússia conturbada, na cidade de Moscou, nasce Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, em outubro de 1821, descendente de uma aristocrática família lituana, porém agora sem fortuna alguma.

O pequeno Dostoiévski cresce em meio à pobreza e a pessoas doentes: seu pai é médico em um sanatório para pobres em Moscou, e é aí que reside a família. Além das condições materiais bastante adversas, ainda lhe amarguram a vida o temperamento despótico e brutal do pai, que vive aos gritos com ele, e a passividade triste e nervosa de sua mãe, Maria Fiódorovna Nietcháieva. Martirizado, o menino alimenta a esperança de que o pai morra, o que chega a pedir a Deus em suas preces. Contudo, quem morre é sua mãe, que não resiste a tantos sofrimentos.

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Viúvo, Mikhail dedica-se com mais afinco ao trabalho e resolve mandar o filho para a escola militar de engenharia em São Petersburgo, atual Leningrado. E é ali, entre exercícios de campanha e cálculos matemáticos que o adolescente Fiódor descobre o prazer da literatura.

Entrega-se febrilmente à leitura e fica impressionado com Schiller, Dickens, George Sand e Balzac. As ideias de muitos escritores de séculos anteriores, como Byron, Shakespeare e Cervantes, e de seu contemporâneo Victor Hugo, mais tarde influenciam suas obras.

A inesperada notícia do assassinato do pai, em 1839, acaba pesando na consciência do jovem Fiódor, que tanto rezara para ver-se livre dele. Amargurado, angustiado pelo remorso, sentindo-se responsável por toda a miséria do ser humano, ele busca se redimir por meio da criação literária. Aos vinte anos, começa a escrever Bóris Gudunov e Maria Stuart, que não só refletem a preocupação de seguir a moda romântica, como também sua problemática pessoal: o primeiro é a história de um tirano, como seu pai, e o segundo é o drama de uma rainha infeliz e injustiçada, como sua mãe. Fiódor não conclui nenhuma das duas obras.

Em 1843 termina os estudos e vai servir como alferes na seção de Engenharia de São Petersburgo. Nessa mesma época, traduz duas obras românticas: Eugênia Grandet, de Victor Hugo, e a peça Dom Carlos, de Schiller.

No ano seguinte, ainda tentando seguir os padrões do romantismo, Dostoiévski começa a elaborar Pobre Gente, novela que descreve o ambiente medíocre em que vive. Por fim, cada vez mais fascinado pela literatura, demite-se do cargo público para dedicar-se inteiramente à carreira de escritor.

Publicada em 1845, Pobre Gente transforma-se em grande sucesso de público e de crítica, o que o encoraja a escrever com mais afinco. Em 1847, ano em que sai a segunda edição de Pobre Gente, sofre uma séria crise de epilepsia. No ano seguinte, publica O Duplo, romance que não obtém o mínimo sucesso literário.

A fase de glória parece estar chegando ao fim, a fama começa a declinar: os críticos e autoridades literárias russas que tanto o haviam elogiado, chegam a confessar de público que se enganaram e que haviam exaltado equivocadamente seu talento literário.

Tão inesperada mudança de opinião isola Dostoiévski do convívio geral. É tomado então por repentinas dúvidas a respeito da própria capacidade e de qual seria sua real vocação.

Em 1848, Dostoiévski, aos 21 anos, começa a frequentar um grupo socialista revolucionário em São Petersburgo, do qual passa a fazer parte. Mais tarde, no entanto, no livro Os Possessos, denunciaria o clima de violência e niilismo vigente entre os revolucionários, acusando-os de agir, sobretudo, movidos pelo tédio e de viverem inutilmente à custa dos servos.

Antes do rompimento com o grupo, porém, o escritor já se havia comprometido em favor do socialismo, em seus discursos públicos. Denunciado juntamente com os companheiros de grupo, é preso e condenado à morte por fuzilamento.

Já no patíbulo, no momento em que se iria cumprir a sentença, um toque de clarim interrompe a execução. Para incredulidade e imenso alívio dos réus, o auditor imperial anuncia que Nicolau I mudara de ideia e que a pena de morte fora comutada em prisão perpétua com trabalhos forçados na Sibéria.

Para lá segue o escritor, então, na véspera do Natal de 1849. Na bagagem que leva é pouco o peso: um exemplar do Evangelho – só! Mas quanto alento, força e inspiração lhe dá a leitura desse único livro. Daí a certeza renovada de que os sofrimentos são o preço necessário da redenção.

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Na convivência com ladrões, criminosos e prostituas no exílio, Dostoiévski jamais põe em dúvida a bondade humana. No livro Recordações da Casa dos Mortos, ele registraria:

“Posso testemunhar que no ambiente mais ignorante e mesquinho encontrei sinais incontestáveis de uma espiritualidade extremamente viva”.

Após cinco intermináveis anos de trabalhos forçados, em 1854, com 33 anos, Dostoiévski é incorporado como soldado raso em uma guarnição siberiana, onde passa outros cinco anos. Não tem amigos nem família, tampouco dinheiro. Na fria solidão da Sibéria, sofre o suplício de apaixonar-se por uma mulher casada, Maria Dimítrievna Issáievna. Seu sofrimento aumenta quando ela se muda para outra cidade, mas depois de alguns meses, para sua alegria, ele vislumbra uma esperança: Maria fica viúva. Em menos de um ano, passado o período de luto, eles se casam, em 1857.

O casamento, porém, não tem um bom começo. Na noite de núpcias Dostoiévski sofre uma violenta crise de epilepsia, como já tivera anos antes. A mulher apenas o observa, com o espanto estampado nos olhos.

Não há consolo na Sibéria: a desolação da paisagem o deprime, sua saúde é péssima, o casamento revela-se um fracasso. Tudo que lhe resta é escrever um novo romance, Recordações da Casa dos Mortos, e esperar que o czar lhe dê permissão para voltar a São Petersburgo.

Nicolau I já está morto, e seu sucessor, Alexandre II, atende-lhe o pedido. Em novembro de 1859, o escritor volta à cidade que tão bem retrataria em seus contos e romances.

O retorno, porém, é melancólico e solitário: os amigos já o esqueceram, o público também. Com o irmão Mikhail, funda um periódico, O Tempo, em 1861. A publicação de Recordações da Casa dos Mortos, nesse mesmo ano, ajuda-o a fazer ressurgir seu nome, mas a fama não é suficiente para livrá-lo das graves dificuldades financeiras. Tudo o que ganha, Dostoiévski gasta com o jornal e com a mulher doente, contrai empréstimos que não consegue pagar, e, por fim, ao ver-se ameaçado por credores, foge para o exterior, em 1862. Deixa a mulher em São Petersburgo e, com recursos obtidos na Caixa de Socorros a Escritores Necessitados, percorre a Alemanha, Itália, Suíça, França e Inglaterra, levando consigo uma jovem estudante, partidária do feminismo, entusiasta da literatura e candidata a romancista: Polina Súslova, que posteriormente seria a musa inspiradora das personagens de O Jogador, O Idiota e Os Irmãos Karamázovi, entre outros. No entanto, gasta no jogo tudo o que lhe resta e mais o que consegue ganhar com a penhora de seus pertences e os de Polina.

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De volta a Petersburgo, em 1863, Dostoiévski encontra Maria agonizante e o jornal fechado por ordem do governo. No ano seguinte, encontra ânimo e funda então outro periódico, A Época. Ainda em 1864, num período de três meses, morrem Maria e Mikhail, ficando a seu encargo a sobrevivência da cunhada viúva e dois sobrinhos. É e meio a esse sentimento de angústia que Dostoiévski inicia a redação de Memórias do Subterrâneo, obra que marca o completo amadurecimento literário do escritor. A partir desse livro, ele superaria os modismos românticos que marcaram as obras anteriores, passando a interessar-se pela sondagem dos mistérios da existência e da complexidade da alma humana, pelo refortalecimento das qualidades essenciais do povo russo e pela busca do homem bom.

Entretanto, embora tenha encontrado o caminho para se realizar como escritor, Dostoiévski é um homem solitário e infeliz. Polina, que ele deixara em Paris, recusa seu pedido de casamento, e ele se afunda mais e mais em dívidas de jogo. Quando seu editor exige que ele cumpra o prazo para a conclusão do manuscrito de Crime e Castigo, ele contrata a estenógrafa Ana Grigórievna para ajudá-lo, e finalmente encontra na jovem de 21 anos a companheira que procurara por toda sua vida.

Casa-se com ela em 1867, aos 46 anos. A paixão pelo jogo, porém, só faz aumentar-lhe as dívidas. Os credores voltam com as ameaças de cadeia, e Dostoiévski emigra com Ana para a Europa Ocidental. Um adiantamento do editor permite-lhe fixar-se em Genebra. Mas o vício o persegue… Tudo empenha — da aliança ao capote — e tudo perde.

A morte da primeira filha em 1868, com três meses de idade, ameaça comprometer sua sanidade mental, o que é agravado pelo sentimento de culpa por privar a amada esposa do conforto e dos bens materiais. Sem filha, sem paz, o casal abandona Genebra e a literatura. Vagueia pela Itália, atormentado pela solidão, curtindo a saudade da pátria distante e da filha morta.

Amigos compadecidos e o editor mandam-lhe da Rússia uma ajuda financeira, que, mais uma vez, esvai-se nos cassinos. A Dostoiévski não resta escolha senão voltar a escrever, e o faz sem cessar, procurando ganhar o mínimo para o sustento doméstico. O nascimento da segunda filha, em 1869, vem atenuar um pouco a rudeza da vida.

Com ânimo renovado, o casal retorna à Rússia em 1871, ano em que publica Os Possessos. Dois anos depois, Dostoiévski assume o cargo de redator-chefe em O Cidadão. E é a partir dessa época que escreve algumas de suas obras-primas. Em 1874 publica O Adolescente e Diário de um Escritor, e em 1880 Os Irmãos Karamázovi. Torna-se ídolo de seus leitores, guia espiritual, exemplo de força e coragem, o “Escritor da Rússia”, que, ao retratar a alma de seu povo, evidenciara a própria condição humana.

As aspirações de Dostoiévski estão, enfim, realizadas. Não só o escritor alcança seus intentos: o homem encontra o amor sofridamente buscado, a alegria de ter os filhos que quis e a paz que tanto almejara.

Mas já não há tempo para ser feliz. Num dia nevado de 1881, vítima de uma hemorragia, morre aos sessenta anos Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, consagrado até hoje como um dos mestres da literatura universal.

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Gostou de acompanhar a vida de Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski? Então compartilhe esse artigo e ajude a divulgar a literatura.

Confira abaixo um infográfico cronológico resumido da vida de Dostoiévski. Que tal salvá-lo e ir colecionando com os próximos escritores que publicaremos? Assim, você terá uma lista de consulta pessoal. Acredite, valerá a pena!

Cronologia - Dostoiévski