Por Leandro Bertoldo Silva
O ano de 1994 é considerado o marco do surgimento do primeiro blog, quando o então estudante Justin Hall compartilhava detalhes de sua vida com seus colegas de faculdade, em uma espécie de “diário público”.
Rapidamente, a prática dos blogs alcançou um lugar de destaque, tanto a nível pessoal como institucional para diversos motivos.
Com o avanço da tecnologia, entretanto, e o aparecimento das primeiras redes sociais, iniciou a “morte dos blogs”. Isso mesmo, já decretaram o fim dos blogs inúmeras vezes, ano após ano, e isso acontece até hoje. Mas o curioso é que eles nunca deixaram de existir e a tal “morte” nunca aconteceu, muito antes pelo contrário.
Não vou discorrer aqui os motivos pelos quais o tentaram assassinar sem sucesso, mas o porquê, em plena era das redes, eu ainda escrevo em um blog.
Primeiramente, como se pode perceber, ele nunca morreu; ele evoluiu. Os blogs não são apenas diários eletrônicos, mas um lugar onde em tempos de superficialidades quase descartável ainda é possível encontrar refúgio em pensamentos, histórias, tratados humanos e muito mais em textos profundos para quem é profundo… E isso constrói autoridade.
Depois, eles não são influenciáveis, isto é, não são controlados por algoritmos, e sim por quem os escreve e os mantém… E isso constrói confiança.
Além disso, blogs são focados em conteúdos originais a partir de inteligências reais humanas e não em conteúdos facilmente replicáveis e em série gerados automaticamente.
Mas existe para mim um motivo mais significativo.
Decidi estar em um blog e fazer dele a minha casa porque preferi um lugar que significa presença escolhida, aquela que nasce do silêncio, da intenção e do respeito com o que venho construindo com as mãos e com a palavra.
Um lugar em que a escrita possa ser minha, o ritmo possa ser meu sem me afastar do que realmente importa: o texto.
Então escolhi buscar maneiras mais profundas, mais lentas, mais alinhadas com o que pulsa em mim. Espaços onde a escuta é mais ampla e a existência não precisa ser performada, apenas vivida.
Sigo, pois, inteiro a partilhar ideias, acolher conversas e oferecer a minha letra onde seja possível perceber mais essência e menos forma, de uma maneira que não desgasta, mas nutre.
Sim, eu tenho redes sociais. Mas é aqui no blog que eu verdadeiramente aconteço na docilidade da experiência sem pressa.
Peço a quem chegar até aqui para dar uma chance ao pensamento autoral, aquele construído com imperfeições, dúvidas, receios, dores, mas também a alegria de se sentir humano. É como diz Fernando Pessoa, de novo ele por aqui:
Adoramos a perfeição,
porque não a podemos ter;
repugna-la-íamos se a
tivéssemos. O perfeito é o
desumano porque o
humano é imperfeito…
Como é suave o desencher…
_______________________
Para continuar:
Livros:
https://arvoredasletras.com.br/livros-e-cadernos/
Workshop:
https://arvoredasletras.com.br/workshop/
_______________________
Leandro Bertoldo Silva é o criador deste blog. Formado em Letras, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MG, é membro titular da Academia de Letras de Teófilo Otoni. Escritor independente, Leandro é artesão de palavras e criador de livros feitos à mão. Sua obra transita entre a literatura e a arte manual, explorando uma nova forma de escrever, produzir e compartilhar histórias, onde cada livro é único, feito com tempo, valorizando a experiência e afetividade da leitura.







