LEVANDO LITERATURA PELOS VALES

Incenivar a leitura em grandes centros como Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre; realizar megas feiras literárias, salões do livro, bienais em lugares já com tantos recursos é muito louvável, assim como trabalhar a leitura com alunos em escolas bem estruturadas, grandes, equipadas e sortidas de livros e projetos é uma ação que precisa continuar. Mas trabalhar a leitura em lugares que não têm sequer uma livraria por perto, quando muito (e muito mesmo) uma banca de revista, sendo que muitos nem isso, em escolas onde os livros são escassos e o acesso a eles mais ainda em todos os sentidos, é bem diferente… E aí eu me pergunto:

“qual a diferença humana, veja bem: ‘humana’ entre crianças de todos os lugares?”

Sou nascido e criado em Belo Horizonte, uma cidade que eu amo, mas há 9 anos moro em Padre Paraíso, uma pequena cidade no Portal do Vale do Jequitinhonha e que também aprendi a amar, e o que encontrei aqui e nas cidadades e municípios ao redor, nas zonas rurais me faz refletir no que queremos, no que nos move e qual o alcance de nossa consciência quando enchemos o peito e falamos: “precisamos incentivar a leitura…”

COM-FLUÊNCIAS – PÉTALAS POÉTICAS

Quando nos deparamos com algo assim é que enxergamos o valor de acreditar em todas as possibilidades; é quando o que para muitos é uma obrigação ou mesmo uma tarefa, para eles é um convite e para nós uma realização ao ver jovens acreditando em si mesmos e indo muito, mas muito além de muitos com o dobro ou o triplo de oportunidades. Isso, sim, é verdade, é respeito um pelo outro, isso é inclusão por quem sabe fazer, é cultura, é educação que vale a pena, é Vale do Jequitinhonha. Parabéns a ASCAI – Associação da Criança e do Adolescente de Itaobim e muito obrigado pela oportunidade e por acreditarem na Árvore das Letras e na Alforria Literária. Ver estes jovens com os livros nas mãos e os olhos brilhando, livros que eles escreveram na oficina de (Re)Construção Poética e que tivemos a oportunidade de produzir e publicar é uma felicidade sem tamanho. Que prazer este encontro!

JÁ ESTÁ DISPONÍVEL A PRÉ-VENDA DO LIVRO O MENINO QUE APRENDEU A IMAGINAR

Leandro Bertoldo Silva

Olá, crianças! O livro O menino que Aprendeu a Imaginar já está com data de lançamento confirmada para o dia 30 de abril de 2019, em Padre Paraíso, às 19 horas. E vocês pais, mães, tios, professores, amigos, amigas, amigos de amigos, leitores, enfim, amantes dos livros infanto-juvenis, já podem comprá-lo e recebê-lo antes de todo mundo e com preço mais baixo!

É só participar da pré-venda que acontecerá do dia 20/3/2019 ao dia 20/4/2019. São apenas 30 livros disponíveis para pré-venda. Caso você tenha interesse em adquirir o livro com preço promocional somente dentro deste prazo, acesse o link abaixo e faça o seu cadastro para receber em seu e-mail todas as informações que você precisa para ter em suas mãos um livro sustentável, ecológico, ilustrado, feito com muito carinho e com muita imaginação! Edição especial limitada. Garanta o seu!

Link da Pré-Venda

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O livro O MENINO QUE APRENDEU A IMAGINAR traz a reflexão da fantasia e do lúdico na vida das crianças, a importância de enxergar o mundo através das histórias e de se interagir com o outro através da arte e das simplicidades.

O livro tem o propósito de resgatar o poder criativo da criança, fazer o adulto revisitar suas lembranças e memórias dos tempos em que um simples barquinho de papel era motivo de muitas aventuras num dia de chuva… E o que dizer daquela professora que foi tão importante e faz com que queiramos ser importantes para alguém? E as histórias contadas ao redor da fogueira ou do fogão de lenha… Quem nunca se imaginou viajando pelos lugares e vivendo aventuras?

O MENINO QUE APRENDEU A IMAGINAR sou eu, é você, são nossos filhos e filhas, nossos netos e netas, nossos alunos, nossos pais, nossos avós que, por algum motivo, precisamos todos reaprender a reconectar com nossa criança, nosso Ser e nossa essência.

E então, vamos acordar os sonhos, pois um dia nunca é igual ao outro para quem tem um livro nas mãos…

Oswaldo lendo no tapete

SINOPSE

Chateado por não ter nada de diferente para fazer, Oswaldo fica dentro do seu quarto cheio de lamentações quando um grande livro de histórias que fica bem no alto da estante cai “sozinho” no chão. O susto, já enorme, aumenta ainda mais quando o menino percebe que não foi um acidente, mas obra do seu brinquedo predileto: um lindo palhacinho de roupas coloridas e chapéu de guizos.

Gesticulando e dando mil cambalhotas, o palhacinho conduz Oswaldo a mundos que ele não conhecia, como a casa de um caçador onde entra, disfarçado de menino, o temível bicho Mapinguari; Vê a chuva cair lá fora levando nas enxurradas um barco de papel e, dentro dele, uma criança cheia de imaginação; E o que dizer de uma professora bem diferente ao apresentar à turma o seu amigo Geógrafo, um Atlas falante?

Repleto de surpresas, a história reserva ainda uma muito maior no final que, certamente, fará meninos, meninas e até adultos terem outros olhos para a leitura e para os livros.

A história base desse trabalho foi publicada na revista AMAE Educando, em 2009, em Belo Horizonte, teve uma montagem de teatro e ganha agora em livro publicado pela Alforria Literária uma nova estrutura e conceito, inclusive nas ilustrações feitas por Adilson Amaral – psicólogo e artista do Vale do Jequitinhonha – trazendo uma proposta que dialoga com a importância da imaginação a partir da leitura e das imagens não sugestionadas para que o leitor crie a sua própria realidade.

Um livro escrito com um grande carinho, não apenas por ser o primeiro infanto-juvenil do autor, mas por se basear em sua própria história de vida e no que acredita.

LANÇAMENTO DIA 30 DE ABRIL!

Ouça abaixo a música tema de uma das histórias do livro, composta por Helder Lima.

A ARTE DE SIGNIFICAR

Por Xavier de Novais, personagem narrador do livro Histórias de um certo Aarão e outros casos contados, ainda em processo de escrita.

Olá!
Cuidei que o meu escritor estivesse brincando quando delegou a mim a tarefa de assumir a lista de transmissão no WhatsApp. Mas qual! Não só não estava brincando, como cruzou os braços (literalmente) a isso, deixando mesmo para mim o encargo de alimentar de literatura quem por lá estiver espontaneamente. Não que ele não queira, mas as tarefas de escrita e produção de livros, além dos cursos e oficinas na Árvore das Letras os chamam ao serviço. Para comprovar o que digo, deixo aqui um pequeno vídeo dele em ação com a nossa “Paula Brito”, sim, nossa! Dou-me o direito de tê-la como minha, já que é ela que dará existência física à minha história e as do meu amigo Aarão Reis…

A propósito, você sabe por que a máquina de livros da Alforria Literária se chama “Paula Brito”? Esse nome é em alusão a Francisco de Paula Brito, proprietário de uma livraria no antigo lago do Rocio no século XIX, atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Mulato, autodidata e oriundo de meio humilde, Paula Brito trabalhou como tipógrafo, impressor de livros e jornais, fundando a Marmota Fluminense numa época em que o analfabetismo era gigantesco em nosso país. Com essa história, o nome de uma máquina que faz livros não poderia ser mais adequado, não acha? Além disso, a importância de Paula Brito foi fundamental para acolher um mocinho acanhado, também mulato, brilhante e que faria história… Machado de Assis, que, por sua vez, inspirou com o seu óculos pince-nez a marca da Alforria Literária.
E tudo se encaixa!

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Saiba mais sobre a Alforria Literária, seu conceito e história clicando AQUI!

GENTE, QUE LOUCURA!

LISTA DE TRANSMISÃO.

Por Leandro Bertoldo Silva

 

Estava sentado no sofá da minha casa pensando nos livros que coloquei como meta este ano para ler, quando comecei a conversar comigo mesmo… Na verdade não era bem comigo que eu conversava, mas com o personagem que estou escrevendo no livro das histórias de Aarão Reis – Xavier de Novais. Não seria nada demais se levando em conta que ele, na minha história, é o segurança de uma livraria; nada estranho, portanto, de estar falando com o nobre amigo sobre livros.

Acontece que ele começou a ter opiniões próprias, tecendo comentários sobre livros que eu ainda não li e ele sim… A propósito, Xavier de Novais é um exímio leitor, como se verá no meu livro quando eu o terminar.
Mas isso me fez pensar sobre o que é ser um personagem. Talvez para ele o personagem fosse eu… Pensando na teoria de que às vezes são os livros que nos escrevem e não o contrário, é bem possível que fosse mesmo. Mas para maior compreensão, se é que é possível, deixo que ele próprio se explique e se apresente.

Oi, o meu nome é Xavier de Novais. Não sou propriamente um personagem. Personagem tem uma personalidade; eu não tenho uma personalidade, tenho várias, ou melhor, tenho tantas quantas forem os olhos de quem me leem. Isso porque posso estar em um poema, mas também em um romance, quem sabe em um conto, ou mesmo num ensaio. Ora, se não sou um personagem, também não o deixo de ser, e muitos! Posso até ser você neste momento. Na verdade, eu preciso de você para existir, mas você não precisa de mim para viver, mas se me ter e ouvir minha voz, sendo ‘um’ comigo e abrir as portas do seu coração, posso lhe abrir mais do que isso, posso lhe abrir estradas. Não quero agora lhe dizer mais do que poderei falar em versos e histórias. Despeço-me, então, para nelas me fazer presente, se assim me permitir. Até breve!

É nessa antítese, nessa espécie de mundo dos contrários que vivi essa experiência inusitada e que peço agora a gentileza da sua atenção para aliá-la à sensibilidade das percepções poéticas e literárias para, junto com Xavier de Novais, adentrarmos os caminhos por onde é possível sonhar.

Para isso, além de o estar escrevendo no livro Histórias de um certo Aarão e outros casos contados: das histórias e lendas de Belo Horizonte recontadas por um segurança que recebia, em seu serviço, a visita ilustre do fantasma de Aarão Reis, resolvi dar a ele existência própria e fora do livro.

Assim, a partir de agora é ele quem irá se encarregar de uma lista de transmissão que mantenho no WhatsApp, o que será ótimo, pois vai me desafogar um pouco nas tarefas que tenho que fazer. E vamos ver no que isso vai dar…

Se você já faz parte da lista, ótimo! Se ainda não e deseja fazer e receber folhetins literários, indicação de livros, autores, matérias, informações de feiras e eventos culturais, seja bem-vindo(a). É só enviar uma mensagem no whatsapp no número (33)98437-0072, dizendo: EU QUERO FAZER PARTE DA LISTA. Divulgue também para os seus amigos!

Venha fazer parte dessa experiência literária!

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

O HOMEM; AS VIAGENS

Por Leandro Bertoldo Silva

Como ex-morador de Brumadinho, sinto muito e vejo com muito pesar mais esse acontecimento do rompimento da barragem do Córrego do Feijão apenas 3 anos depois do ocorrido em Mariana. É um momento em que a dor se aflora pelo descaso de tanta gente. E eu penso: quem é “essa gente” a não ser nós mesmos, com toda a nossa capacidade de ganância, de dinheiro e de poder, do querer levar vantagem sem medir esforços, sem respeitar sequer o nosso próprio planeta e quem dirá o próximo? E isso tudo para con-quis-tar, sendo incapazes de con-vi-ver.
Recolho-me à literatura e lembro Drummond. Busco na poesia um alento de mudança de sentido. Que as mudanças políticas, humanas e sociais comecem dentro de cada um de nós!

ANO NOVO, VIDA NOVA, TUDO NOVO!

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A ÁRVORE DAS LETRAS passa a incorporar em sua identidade o nome ESCOLA ATELIÊ. Para isso foi feita uma reformulação em seu espaço que estará oferecendo novos cursos, oficinas e atividades, como encontros de leitores e autores, oficinas de arte, artesanato e poesia.

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O espaço conta ainda com um showroom, onde é possível comprar peças de arte, mandalas e livros do selo Alforria Literária.

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E as mudanças não param por aí!

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Além disso, a ÁRVORE DAS LETRAS ATELIÊ está indo para além das fronteiras do Vale, levando seus trabalhos para outras cidades e regiões. Agora, você que não é de Padre Paraíso pode contratar oficinas, palestras e ter as nossas sementes plantadas para fazer florescer arte onde estiver!

Onde a literatura e a arte se completam!

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LIVRE COMO UM PASSARINHO

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Por Leandro Bertoldo Silva, do livro Entrelinhas Contos mínimos

“Algumas lembranças são confusas: umas me

fazem rir, quando lembro que chorei. Outras me

fazem chorar, quando lembro que rimos juntos”.

(Bob Marley)

“Pronto! Todo o esforço valeu a pena! Cheguei neste auditório como Alvinho e saio como Doutor Alvarenga Peixoto! As intermináveis provas, as leituras que me tiraram o sono… Tudo aqui neste diploma. Agora é ir para a advocacia e ser livre como um passarinho…”.

Recordar-se dessas palavras ditas há vinte anos, naqueles minutos fugidos para o café, enquanto olhava a rua pelas grades da janela de seu escritório, fazia-o lembrar do amigo de infância de quem um dia sentiu pena por não ter, como ele, estudado as letras. Agora, sentia pena de si no meio daquelas repartições, petições e processos igualmente intermináveis, enquanto, em algum lugar lá fora, talvez em alguma praia ouvindo o barulho do mar e sentindo a leve brisa do vento em seus cabelos, Tonho, o amigo iletrado, vendia seus biscoitos da sorte. Assim pensava quando foi interrompido por ter sido chamado, às pressas, para mais uma audiência, no mesmo instante em que um passarinho voou do peitoral da janela levando no bico um pedacinho de “sonho”…

Ouça a baixo a história narrada

O QUE A LITERATURA FAZ COM A GENTE…

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Por Leandro Bertoldo Silva

Acabei de ler o meu primeiro livro de 2019, precisamente dia 06 de janeiro, às 9h15 de um domingo, o livro 3 – O Bebedor de Horizontes – da trilogia As Areias do Imperador, de Mia Couto. Arrepio enquanto escrevo e não sei porque seguro o choro… Não li um livro, li centenas de vidas que se desanuviaram em minha frente perante os meus olhos. Se as lágrimas não saem por eles é porque lavam-me a alma… Estou em outro lugar que sei que irei revisitar sempre que me lembrar desta história e da maneira com que foi escrita. O que a literatura faz com a gente não dá para explicar…

SEJAMOS ROSAS HUMANAS – ENCONTROS POÉTICOS

A PINTURA FEITA POR IURY PLENUS REPRESENTA A CHEGADA DA CULTURA NO VALE DO JEQUITINHONHA. ASSIM, A ÁRVORE DAS LETRAS FOI LEVANDO A ARTE DA POESIA ATRAVÉS DA OFICINA DE (RE)CONSTRUÇÃO POÉTICA, MINISTRADA NA CASINHA DE CULTURA PARA JOVENS DA ASCAI – ASSOCIAÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, NA CIDADE DE ITAOBIM, MINAS GERAIS. O RESULTADO DAS POESIAS ESCRITAS PELOS JOVENS, CUJO TEMA PARTIU DAS ROSAS, SERÁ A PUBLICAÇÃO DE UM LIVRO FEITO E EDITADO PELA ALFORRIA LITERÁRIA. LEIA ABAIXO COMO FOI ESSE ENCONTRO ARTÍSTICO, POÉTICO E ESPECIAL.

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Por Leandro Bertoldo Silva

Logo na chegada fomos recebidos, eu, Geane, minha esposa e Yasmin, minha filha, por Carlos Carmona e Geovana Pinheiro, que ficaram responsáveis por prepararem o local da oficina. Embora a sala destinada com ar condicionado para amenizar o forte calor do Vale do Jequitinhonha estava nos esperando com direito a balas de boas-vindas, agradecemos, organizamos os materiais, mas deixamos claro que utilizaríamos outros espaços da casinha, pois, afinal, um lugar daqueles precisava ser bem explorado já que era de poesia que iríamos falar, e poesia respira em cada metro quadrado daquele lugar… As pinturas na parede, o parquinho, os balanços na árvore, a amarelinha desenhada na rampa que dá acesso ao espaço do palco e do lanche, tudo já era e é poesia como um mundo que se abre ao transpor o portal da imaginação e dos versos que estavam por vir.

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Com tudo pronto – cadeiras em círculo e o centro cuidadosamente preparado com uma rosa na garrafa escrita com um haicai em cima de um tapete de flor feito de fuxico, os jovens foram chegando um a um, em duplas, em trios, naquele clima gostoso das incertezas, onde o nervosismo e a vergonha típica das idades se disfarçam e ganham nas risadas altas o seu refúgio. As incertezas ganharam alento e logo foram substituídas por encanto e brincadeiras na dança de roda que abriu o dia e os trabalhos.

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Como tudo é mágico no mundo da poesia e os deuses da arte parecem estar presentes, foi logo após a dança de roda, quando os jovens começaram a se apresentar, cada qual trazendo sua história de vida, li em seus rostos e gestos a curiosidade ilimitada, a imaginação generosa, o desejo de compreender, mas com espírito crítico e aguçado, cheios de dúvidas, contudo com a coragem de expor experiências decisivas que costumam marcar para o resto da vida. E dessa leitura tive a experiência gratificante de vivenciar a concepção do livro que virá a nascer. O seu nome, como um sopro suave e calmo, me veio à mente ao saborear aquelas confluências de vidas tão ricas que se desdobravam aos nossos olhos. E como tudo fluía ao ritmo deles, estava batizado o filho que ganhava gestação e que saberão ao final da leitura.

A partir daí tudo ganhava dimensão e formas ao mostrar a eles que não existe apenas um caminho para chegar a algum lugar, principalmente à poesia, e muitos jovens que diziam não ter com a leitura e com a escrita uma relação mais íntima, foram descobrindo ao terem contato com elas por meio da brincadeira, do lúdico, da liberdade – bem diferente dos padrões preestabelecidos com regras quase sempre inúteis e desnecessárias para um primeiro contato – que sempre gostaram de ler e escrever e não sabiam.

Tudo que é feito com harmonia segue o caminho das flores e, assim, após um momento necessário de exercício e meditação para que cada um voltasse a atenção para si mesmo, mesmo estando com os outros, todos eles tiveram um primeiro contato com as poesias deixando com que elas escolhessem cada um deles, e não o contrário, fortalecendo a ideia de que na arte tudo pode ser diferente, desde que seja com arte-delicadeza e arte-ternura.

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Tendo sido escolhidos pelas poesias, alguns retribuíram o carinho da escolha pela leitura compartilhada, e entre aplausos e tributos aos poetas, partimos para a escrita dos próprios poemas. Mas, como os sonhos que escondem surpresas, era necessário um tema já previsto por todos nas rosas do centro do círculo, no cheiro perfumado que exalava na sala e no pequeno haicai escrito na garrafa…

No meio de cem

Cada rosa exala

O seu perfume.

Como toda palavra faz parte de textos diferentes, e qualquer palavra pode fazer parte de um poema, três textos de diferentes gêneros foram apresentados a eles dentro de balões para associarem que fazer poesia é brincar com as palavras, exatamente quando Mário Quintana nos diz que “eles passarão, eu passarinho…”

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Com os textos em mãos e de volta à sala em grupos de quatro e cinco, brincamos novamente com as palavras agora escritas no papel e com as cores, e dessa brincadeira surgiram pequenos embriões poéticos em que, cada qual, a sua maneira, deu forma e sentido nascendo, assim, a poesia de cada um, linda, perfeita por si só, magnífica como a rosa que simboliza a taça de vida, a alma, o coração, o amor.

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Estava terminado o primeiro dia… Mas, como diz Drummond, “Vamos a outra parte, com engenho e arte…”

O segundo dia, direcionado pela artista Geane Matos, iniciou como o primeiro: brincando, pois o brincar é o combustível dos sorrisos, da alegria e do retorno a casa, onde encontramos o melhor de nós, sem medos, sem preconceitos e nos abrimos para as possibilidades.

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Após a alegria de voltar a ser criança, dos sorrisos e da descontração, era o momento de cada um compartilhar a sua poesia agora sim acabada, lapidada. A cada leitura todos se surpreendiam com a sua própria capacidade e com a capacidade do outro de fazer poesia. Em cada aplauso acendia no rosto do agora poeta e poetisa o orgulho e a felicidade de ter conseguido o que antes não imaginava ser possível. Mas era real. As poesias eram lidas e declamadas e o respeito que cada um acolhia o outro também era poesia de novo aos nossos olhos. Mas ainda foi dada a eles uma última tarefa… Transpor para outra forma de arte a sua poesia e o seu sentimento. Com delicadeza e generosidade, Geane os conduziu à transposição poética dando a cada um dele um pedaço de argila para que moldassem nela, a partir do que haviam escrito, a sua conexão com a natureza.

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Os trabalhos foram expostos e, da mesma forma, víamos em cada um a alegria da conquista. Estava completo. O que houve em seguida foi ouvirmos o que cada um tinha a dizer de sua experiência e as confluências se fortaleceram nas novas amizades criadas em um laço de respeito e admiração uns pelos outros.

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O resultado físico de toda essa magia poética estará no livro “COM-FLUÊNCIA: PÉTALAS POÉTICAS” a ser lançado no início de 2019, onde cada autor e autora terão a oportunidade de autografar a sua obra, abrindo um ano magnífico no coração de todos.

Assim, fechando os trabalhos de 2018 com muita gratidão e alegria, agradecemos a todos os envolvidos no projeto, principalmente a Leandro Gomes por fazer a ponte entre nós e esta instituição mais que especial! A Andrette Ferraz, gestor da Casinha de Cultura e da ASCAI em Itaobim e a Carlos Carmona pela acolhida. Foi um belo encerramento, embora seja também o início de uma nova etapa.