NO PRINCÍPIO, A PALAVRA: FEMININA, DIVINA

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Por Leandro Bertoldo Silva

Tencionava descer à Terra e finalmente dar-se a conhecer aos homens. Foi assim que Deus deixou de ser mulher, e de uma forma tão brutal, que esta história virou lenda para que nunca mais fosse tida como verdade…

            Fala-se de um tempo onde tudo eram fragrâncias; fala-se da chuva e do sol – harmonia perfeita das estações; do calor e do frio, da maciez das flores, das sementes que germinam em tempos de esperas. Para que a pressa? Não há pressa; há lucidez, e tudo basta. Assim era a vida no mundo: sem embates, sem crimes contra a íntima Natureza. Durante muito tempo, as mulheres viveram na mais absoluta bem-aventurança. Eram as senhoras de todos os saberes. Conheciam, pelo cheiro, os segredos das ervas, e por suas infusões cantavam a essência dos sentimentos. Não havia terra que não pudessem cultivar, nem animais que não pudessem domar. Na escala da Natureza, a mulher reinava, mas sem armas; seus instrumentos eram feitos de fragilidade, pois não conheciam impetuosidades e tinham na humildade o regaço de sua beleza. A terra, também feminina, entendia o trabalho e se deixava fecundar pela semente da mulher, pois não conhecia varão e, sendo assim, nunca fora aberta, em suas partes, chagas violentas, mas sulcos com total respeito e devoção onde a vida continuava a crescer ininterruptamente.

            Mas eis que um dia, as mulheres ficaram atônitas. Um fruto diferente, de uma beleza incomparável surgira de entre as folhas de uma macieira. Como tendia a crescer a cada mês diferente dos outros frutos, as mulheres o esconderam por nove meses, quando de dentro de seu invólucro vermelho surgiu uma criança tão bela como um anjo. As mulheres, hipnotizadas pela beleza da criança, viram que a sua anatomia era diferente, mas como todo o resto era tão igual, porém de uma beleza nunca vista, não deram a importância que o caso merecia. Estava acontecida a invasão original.

            A partir daquele dia, algo mudou. As mulheres, antes tão altruístas, viram nascer um sentimento desconhecido, pois lhes doía ter que dividir entre elas a criança, desejando-a só para si. Sabedoras de que o desequilíbrio fortuitamente fazia morada em suas almas, foram ter com a Deusa que pressentira a quebra da harmonia, mas a sabia inevitável. Faltava-lhes um ensinamento e era chegado o momento do grande dilúvio, tão grande e medonho que a história não o mencionou…

            O menino cresceu resguardado pela Deusa e a beleza crescia junto dele, mas crescia também, mesmo veladamente, os sentimentos de ciúme, inveja e discórdia. O menino, agora homem feito, logo entendeu que a origem do infortúnio era ele mesmo e se sentiu poderoso, tão poderoso que se estabeleceu como o senhor das mulheres. A Deusa, em sua compreensão, sabia que o ponto do conflito era exatamente onde haveria de existir o equilíbrio entre as polaridades que agora, à sua vontade, se misturavam entre homens e mulheres que passaram a dividir a mesma terra. Como as mulheres eram filhas do céu e, sendo assim, possuidoras das verdades, e os homens filhos da terra maculada e por isso, cegos pelo véu da ambição, a Deusa se fez Deus para ter aceitação nos corações vaidosos de quem se achavam, agora, donos do mundo. Muitos anos se passariam, muitos conflitos aconteceriam até que entendessem – homens e mulheres – que não eram mais dissociados; um se completaria no outro como o dia e a noite, o sol e a lua, o fogo e a água. Até lá, as mulheres se recolheriam em suas sabedoria e verdade que só elas possuíam, só elas sentiam, ao ponto de realizarem o que desejassem tendo nos olhos a morada de seus mistérios. Os homens, por suas vezes, se revelariam na força e na coragem, mas mediante o barulho que criariam na fantasia de seus domínios, revelariam suas fraquezas e seus medos daquilo que ainda não conheciam. Mas o tempo chegaria e, quando chegasse, o verbo, que havia se feito carne, entenderia que antes existira algo muito maior que lhe gerara: a palavra, alma feminina em sua natureza divina. E o tempo se refez…

EM QUE PLANETA VOCÊ VIVE?

_Que multidão de dependências na vida, leitor! Umas coisas nascemde outras, enroscam-se, desatam-se,confundem-se, perdem-se, eo tempo vai andando semse perder a si._- Machado de Assis

Por Leandro Bertoldo Silva – do livro Entrelinhas Contos mínimos

Sexta-feira. Os carros avançam os sinais na hora da Ave-Maria. Na verdade, as horas todas foram tensas, de uma tensão de espera. É hoje o grande dia! Multidões caminham de um lado para o outro e ninguém se olha, ninguém se percebe nas ruas, nos ônibus lotados, nos sinais fechados. Esbarrão.

— Oh, seu moço, desculpe! Eu…

— Seu filho da…

Fui percebido, afinal. Melhor não ter sido… Por que tudo isso? Para que tanta correria? Seja como for, sinto que estou a descobrir o que move e o que moveu, neste dia, a vida de tantos Joões e de tantas Marias. Chego à minha casa e não me dou conta de nada. “Em que planeta eu vivo?”. Vivem me perguntando isso… A Renata! Sempre tão bem informada… Pego o telefone.

— Alô, Renata! Como vai? Você…

— Agora?! Daria para ligar depois? Hoje é o grande dia!

— Mas é isso mesmo que eu quero saber! Dia do quê?

— Dia do quê?! Em que planeta você vive? Ligue a televisão, rápido! Não vai querer perder o último capítulo da novela, vai? Depois a gente se fala, tchau!

Tu… tu… tu…

Desligo o telefone. Absorto em meus pensamentos e num misto de tristeza e alegria por, enfim, saber a resposta, vou até o grande quadrado de sonhos e desejos e, ao invés de ligá-lo, desconecto o cabo da tomada na garantia de continuar no meu planeta…

Tchau, Renata.

 

 

LITERATURA SUSTENTÁVEL SOB DEMANDA

Por Leandro Bertoldo Silva

Há tempos venho construindo uma identidade literária que seja realmente minha, e venho buscando isso com muita dedicação, escrita, leitura, pesquisa, experimentos. Com a publicação do meu terceiro livro – Relicário Pessoal – haicais – pela Alforria Literária, através da máquina “Paula Brito”, consegui alcançar uma independência de trabalho que justifica essa busca pelo que venho chamando de publicação sustentável sob demanda.

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Associar um estilo próprio a uma linha editorial ecológica, dando ao livro uma outra “cara” e função é um grande desafio. O trabalho é gigantesco, do tamanho do prazer de criar este outro lugar e estabelecê-lo como uma nova forma de fazer e consumir literatura.

Gratidão a todos que acompanham o meu trabalho! E que a literatura nos aponte caminhos, sempre!

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Forte abraço!

 

ARTE, FLORES, NATREZA E AROMAS… UM LIVRO PARA LER, SENTIR E MEDITAR!

Por Leandro Bertoldo Silva

O livro Relicário Pessoal – haicais está pronto!

Nele, o leitor encontrará pequenas doses de silêncio em poemas tão minúsculos para serem refletidos e guardados em nosso relicário pessoal — esse lugar destinado a proteger coisas preciosas.

É preciso muita sensibilidade para apreciá-los, tamanha a sutileza de seus três veros que contam, em poucas palavras, o sentimento frente a diversos desdobramentos da natureza.

Arte originalmente japonesa, o haicai é uma arte milenar e obedece a um padrão métrico próprio de três versos de 5, 7 e 5 sílabas, respectivamente, totalizando 17 sílabas, o que o diferencia de outras formas poéticas.

Essa métrica também foi levada para a concepção do livro. Há nele 51 haicais distribuídos em 3 partes temáticas, cada qual representando um verso do poema. Assim, na primeira parte — Tempos e Esperas — temos 15 haicais. Isso porque, como dito, o poema possui 3 versos, e como o primeiro tem 5 sílabas, multiplicando 3 por 5 chegamos a 15. O mesmo se dá na segunda parte — Flores e Cores —, onde encontramos 21 haicais pela multiplicação de 3 por 7. A terceira parte — Vida e Contemplação — segue a mesma métrica da primeira, isto é, 15 haicais.

O mesmo raciocínio segue em relação às ilustrações, que são fotos autorais transformadas em desenho no estilo grafite de lugares e momentos de Belo Horizonte e Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, minhas duas cidades queridas. Temos, portanto, 17 ilustrações obedecendo a seguinte ordem: 5 ilustrações na primeira parte, 7 ilustrações na segunda parte e novamente 5 ilustrações na terceira parte, sendo 1 a cada 3 haicais, o que totaliza exatamente o mesmo número de sílabas do poema. Não por acaso, o livro, ainda, possui 90 páginas. 9 + 0 = 9; nove é múltiplo de 3.

                            Como se não bastasse, o livro é produzido com capa em papel ecológico inteiramente personalizado com fibras de material orgânico e tinta natural, numa verdadeira artesania literária. Como o haicai é um poema que dialoga com a natureza, este livro traz uma surpresa… Além da capa ecológica, ela possui flores de bouganville e o miolo do livro é de papel reciclado, o que o torna 100% sustentável, demonstrando um valor importante na preservação do meio ambiente, através do uso de recursos renováveis, sendo um dos grandes objetivos da Alforria Literária. Possui, ainda, um marca página embutido, criando um charme todo peculiar no livro, e mais: o leitor pode escolher até 3 essências – lavanda, menta ou canela – para aromatizar o livro e ter uma experiência que vai além da leitura…

Por essas considerações, digo que o haicai é uma arte apaixonante, tanto para quem aprecia e tenta captar o sentimento do poeta, como para quem o compõe e se aventura na busca da palavra certa e indispensável para transmitir o que sente e deseja, além da oportunidade de ter em mãos um livro que já nasce raro…

São, portanto, essas gotinhas de silêncio, tão pequeninas, que ofereço a você neste livro singelo e diferenciado que só a Alforria Literária tem, desejando que encontre nelas a sua própria essência, guardando-a em seu relicário pessoal…

Este trabalho é feito com a arte da poesia!

Você deseja receber em sua casa o meu novo livro?

Caso deseje, entre em contato pelo email alforrialiteraria@hotmail.com ou pelo whatsapp (33)98437-0072. Saiba mais clicando AQUI!

ALFORRIA LITERÁRIA, UMA NOVA FORMA DE FAZER LITERATURA!

LIVRARIAS, NÃO LOJA DE LIVROS…

Dermeval 7 Arte

Por Leandro Bertoldo Silva

“Leem muito, sabem o que estão a falar, gostam de conversar e criam um ambiente familiar…”

Sim, estes são os livreiros, muito mais do que vendedores de livros que, muitas vezes, não conhecem do seu ofício, são apenas funcionários de livrarias, quer dizer, livrarias não, loja de livros… É bem diferente!

Pois eu conheci o Sr. Demerval, da livraria 7 Arte, no lendário Ed. Maleta, em Belo Horizonte, palco de encontros memoráveis, como Carlos Drummond e Mário de Andrade, Fernando Sabino, Tarsila do Amaral e muitos outros… O Sr. Demerval não é um vendedor de livros, é o verdadeiro livreiro, às antigas, aquele que entende de literatura e do mundo dos escritores.

A diferença entre livrarias e loja de livros, ou megastores, vai muito além do retorno financeiro a curto prazo, pois estas não dependem supostamente da venda de livros. As vendas alternativas de CD’s, presentes, produtos de informática, proporcionam a tão procurada segurança, mas a troco de quase deixar os livros – o principal – em segundo plano.

A consequência disso é um misto de decepção e desilusão quando o vendedor não conhece aquele escritor ou escritora que você tanto ama, que para você é um ícone da literatura. Para quem acha que o vendedor não tem a obrigação de conhecer tudo desse universo, saiba que o livreiro conhece… Ele sabe exatamente quem é quem e jamais tomaria um escritor por escritora e vice-versa… Foi o que me aconteceu ao procurar numa dessas megastores um livro de Mia Couto…

Por isso que ao invés de me embrenhar neste mundo da disputa de egos, onde os destaques ficam para a mídia nas gôndolas bem arrumadas ou na parte dos “mais vendidos”, enquanto outros tão grandes quanto, ou mais, ficam em meio à escuridão das prateleiras – quando ficam – prefiro os Srs. Demervais, aquela conversa em meio aos livros que pulsam vida, história, variados encontros de vozes e figuras das mais simples até grandes intelectuais.

A vida é assim, tudo são escolhas…

A GATA INARA

Por Gabrielle Alves de Oliveira

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Hoje eu quero apresentar a Gabrielle Alves de Oliveira, essa estrelinha da foto que tem 10 anos. Ela é aluna do curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita, da Árvore das Letras e faz parte da turma Alaíde Lisboa.

Depois de uma aula em que falamos de vários gatos e gatas, de como eles se parecem e manifestam personalidades e características humanas, como o heroísmo, a esperteza, a persistência e até a preguiça… (o gato Garfield que o diga…), a Gabrielle escreveu uma releitura da música História de uma Gata, de Chico Buarque de Holanda. E só ficou satisfeita depois de ilustrar a prórpia história… Quer conhecê-la? Leia abaixo!

A gata Inara

(Gabrielle Alves de Oliveira)

                Era uma vez uma gata chamada Inara. Ela vivia num apartamento comendo só filé mignon ou filé de gato. A família de Inara sempre dizia a todo momento:

— Fique dentro de casa, não tome vento!

Mas quando chegou a noite, todos os gatos saíram cantando:

“Nós gatos já nascemos pobre!

Porém, já nascemos livres!

Senhor, senhora, senhorio,

Felino, não reconhecerás!”

Então, Inara voltou para casa depois dessa noite inesquecível. Mas a gatinha foi barrada na portaria. O porteiro chamava-se Luís Felipe, e falou:

— Ah, essa não é a gata do prédio, pois ela está muito suja!

Então a gata falou:

— Ah, sem filé, sem almofada por causa da cantoria? Mas agora o meu dia a dia vai ser bem melhor com meus novos amigos fazendo muitas coisas boas, tipo virando latas, pulando de telhado em telhado e muito mais! Toda noite, eu e todos os meus amigos sairemos cantando assim:

“Nós gatos já nascemos pobre!

Porém, já nascemos livres!

Senhor, senhora, senhorio,

Felino, não reconhecerás!”

Mas vocês pensam que acabou? Ainda tem a moral da história e ela é mais ou menos assim…

“É melhor ter amigos para se divertir do que ter filé, almofada e muito mais… Agora que eu tenho amigos, posso brincar de montão a hora que eu quiser!”

E assim, Inara ficou feliz para sempre!

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E você, quer conhecer mais sobre o curso, saber como escrever melhor gradativamente e com mais prazer, com mais leveza e com muito mais resultado? Clique AQUI e conheça o curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita.

Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.

REFLEXÃO DE UM ESCRITOR E, ‘POR QUE NÃO’, UM PEDIDO

Por Leandro Bertoldo Silva

LITERATURA NA PALMA DAS MÃOS!

Às vezes me pego pensando de onde vêm estas duas coisas aparentemente opostas: produzir os meus livros num processo de artesania, buscando um retorno com a natureza, e um encanto proporcionado pela modernidade e tecnologia… Na verdade não se trata de escolher entre o passado e o presente, mas muito mais de uma necessidade incontrolável de andar por caminhos inexplorados, e, mais ainda, em abri-los, principalmente aqueles em que se acreditam intransponíveis.

Ok, eu confesso! Sou um inconformado social quando a questão é seguir padrões. Sempre que me deparo com alguma coisa ou situação me vem à cabeça aquela perguntinha mágica: ‘Por que Não?’ Por que não pode ser por aqui? Por que não por ali? Foi assim que passou a existir a Árvore das Letras e a Alforria Literária (nome mais do que sugestivo, não?).

Portanto, não é o apego ao passado nem tampouco um aficionismo com o futuro, mas do desejo de, a partir dos dois, criar o diferente, e fica, assim, explicada a existência de mais uma maneira de ler com o requinte incomparável do século XIX e a velocidade moderna da tecnologia do presente. E isso bem aqui, na palma de suas mãos estando você onde estiver, em casa ou no trabalho, em um bar ou aeroporto, ou mesmo aí exatamente onde você está agora nesse exato momento.

Já criei o Folhetim Literário, enviando por email contos e crônicas do melhor da nossa literatura; Já criei o Folhetim Literário fragmentos, enviando por whatsapp o melhor da nossa poesia clássica e contemporânea. Mas agora crio um novo Folhetim especialmente para divulgar a minha literatura, afinal sou um escritor.

O novo Folhetim é um canal de release, também pelo whatsapp. A ideia é de que não passe de uma tela. Portanto, você irá ler não o capítulo inteiro de um livro. Este você pode adquiri-lo sob demanda através da máquina “Paula Brito”. Nele são apenas pinceladas de determinados momentos da história de forma sequencial.

E de início o convite é para acompanhar o livro Janelas da Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno – a história de Jorge, um jovem publicitário que vive as pressões que a vida implacavelmente nos impõe, como a necessidade quase obrigatória de sermos perfeitos, até que, cansado e amargurado, resolve fazer uma viagem de férias. É quando, no caminho do aeroporto, ele se depara com um acidente que mudará completamente a sua vida.

Se você ainda não leu o livro, é uma oportunidade de conhecê-lo; se você já leu, não faz mal, você pode fazer uma coisa simples, mas de uma importância gigantesca para mim: você pode compartilhar o Folhetim com seus amigos. Um clique seu significa muito, afinal é assim que surgem os escritores à medida que são lidos e compartilhados.

Os envios serão em breve. E então, posso contar com você?

Se quiser receber é só enviar uma mensagem para o whatsapp (33)98437-0072.

Aguardo por você!