LIVRARIAS, NÃO LOJA DE LIVROS…

Dermeval 7 Arte

Por Leandro Bertoldo Silva

“Leem muito, sabem o que estão a falar, gostam de conversar e criam um ambiente familiar…”

Sim, estes são os livreiros, muito mais do que vendedores de livros que, muitas vezes, não conhecem do seu ofício, são apenas funcionários de livrarias, quer dizer, livrarias não, loja de livros… É bem diferente!

Pois eu conheci o Sr. Demerval, da livraria 7 Arte, no lendário Ed. Maleta, em Belo Horizonte, palco de encontros memoráveis, como Carlos Drummond e Mário de Andrade, Fernando Sabino, Tarsila do Amaral e muitos outros… O Sr. Demerval não é um vendedor de livros, é o verdadeiro livreiro, às antigas, aquele que entende de literatura e do mundo dos escritores.

A diferença entre livrarias e loja de livros, ou megastores, vai muito além do retorno financeiro a curto prazo, pois estas não dependem supostamente da venda de livros. As vendas alternativas de CD’s, presentes, produtos de informática, proporcionam a tão procurada segurança, mas a troco de quase deixar os livros – o principal – em segundo plano.

A consequência disso é um misto de decepção e desilusão quando o vendedor não conhece aquele escritor ou escritora que você tanto ama, que para você é um ícone da literatura. Para quem acha que o vendedor não tem a obrigação de conhecer tudo desse universo, saiba que o livreiro conhece… Ele sabe exatamente quem é quem e jamais tomaria um escritor por escritora e vice-versa… Foi o que me aconteceu ao procurar numa dessas megastores um livro de Mia Couto…

Por isso que ao invés de me embrenhar neste mundo da disputa de egos, onde os destaques ficam para a mídia nas gôndolas bem arrumadas ou na parte dos “mais vendidos”, enquanto outros tão grandes quanto, ou mais, ficam em meio à escuridão das prateleiras – quando ficam – prefiro os Srs. Demervais, aquela conversa em meio aos livros que pulsam vida, história, variados encontros de vozes e figuras das mais simples até grandes intelectuais.

A vida é assim, tudo são escolhas…

A GATA INARA

Por Gabrielle Alves de Oliveira

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Hoje eu quero apresentar a Gabrielle Alves de Oliveira, essa estrelinha da foto que tem 10 anos. Ela é aluna do curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita, da Árvore das Letras e faz parte da turma Alaíde Lisboa.

Depois de uma aula em que falamos de vários gatos e gatas, de como eles se parecem e manifestam personalidades e características humanas, como o heroísmo, a esperteza, a persistência e até a preguiça… (o gato Garfield que o diga…), a Gabrielle escreveu uma releitura da música História de uma Gata, de Chico Buarque de Holanda. E só ficou satisfeita depois de ilustrar a prórpia história… Quer conhecê-la? Leia abaixo!

A gata Inara

(Gabrielle Alves de Oliveira)

                Era uma vez uma gata chamada Inara. Ela vivia num apartamento comendo só filé mignon ou filé de gato. A família de Inara sempre dizia a todo momento:

— Fique dentro de casa, não tome vento!

Mas quando chegou a noite, todos os gatos saíram cantando:

“Nós gatos já nascemos pobre!

Porém, já nascemos livres!

Senhor, senhora, senhorio,

Felino, não reconhecerás!”

Então, Inara voltou para casa depois dessa noite inesquecível. Mas a gatinha foi barrada na portaria. O porteiro chamava-se Luís Felipe, e falou:

— Ah, essa não é a gata do prédio, pois ela está muito suja!

Então a gata falou:

— Ah, sem filé, sem almofada por causa da cantoria? Mas agora o meu dia a dia vai ser bem melhor com meus novos amigos fazendo muitas coisas boas, tipo virando latas, pulando de telhado em telhado e muito mais! Toda noite, eu e todos os meus amigos sairemos cantando assim:

“Nós gatos já nascemos pobre!

Porém, já nascemos livres!

Senhor, senhora, senhorio,

Felino, não reconhecerás!”

Mas vocês pensam que acabou? Ainda tem a moral da história e ela é mais ou menos assim…

“É melhor ter amigos para se divertir do que ter filé, almofada e muito mais… Agora que eu tenho amigos, posso brincar de montão a hora que eu quiser!”

E assim, Inara ficou feliz para sempre!

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E você, quer conhecer mais sobre o curso, saber como escrever melhor gradativamente e com mais prazer, com mais leveza e com muito mais resultado? Clique AQUI e conheça o curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita.

Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.

REFLEXÃO DE UM ESCRITOR E, ‘POR QUE NÃO’, UM PEDIDO

Por Leandro Bertoldo Silva

LITERATURA NA PALMA DAS MÃOS!

Às vezes me pego pensando de onde vêm estas duas coisas aparentemente opostas: produzir os meus livros num processo de artesania, buscando um retorno com a natureza, e um encanto proporcionado pela modernidade e tecnologia… Na verdade não se trata de escolher entre o passado e o presente, mas muito mais de uma necessidade incontrolável de andar por caminhos inexplorados, e, mais ainda, em abri-los, principalmente aqueles em que se acreditam intransponíveis.

Ok, eu confesso! Sou um inconformado social quando a questão é seguir padrões. Sempre que me deparo com alguma coisa ou situação me vem à cabeça aquela perguntinha mágica: ‘Por que Não?’ Por que não pode ser por aqui? Por que não por ali? Foi assim que passou a existir a Árvore das Letras e a Alforria Literária (nome mais do que sugestivo, não?).

Portanto, não é o apego ao passado nem tampouco um aficionismo com o futuro, mas do desejo de, a partir dos dois, criar o diferente, e fica, assim, explicada a existência de mais uma maneira de ler com o requinte incomparável do século XIX e a velocidade moderna da tecnologia do presente. E isso bem aqui, na palma de suas mãos estando você onde estiver, em casa ou no trabalho, em um bar ou aeroporto, ou mesmo aí exatamente onde você está agora nesse exato momento.

Já criei o Folhetim Literário, enviando por email contos e crônicas do melhor da nossa literatura; Já criei o Folhetim Literário fragmentos, enviando por whatsapp o melhor da nossa poesia clássica e contemporânea. Mas agora crio um novo Folhetim especialmente para divulgar a minha literatura, afinal sou um escritor.

O novo Folhetim é um canal de release, também pelo whatsapp. A ideia é de que não passe de uma tela. Portanto, você irá ler não o capítulo inteiro de um livro. Este você pode adquiri-lo sob demanda através da máquina “Paula Brito”. Nele são apenas pinceladas de determinados momentos da história de forma sequencial.

E de início o convite é para acompanhar o livro Janelas da Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno – a história de Jorge, um jovem publicitário que vive as pressões que a vida implacavelmente nos impõe, como a necessidade quase obrigatória de sermos perfeitos, até que, cansado e amargurado, resolve fazer uma viagem de férias. É quando, no caminho do aeroporto, ele se depara com um acidente que mudará completamente a sua vida.

Se você ainda não leu o livro, é uma oportunidade de conhecê-lo; se você já leu, não faz mal, você pode fazer uma coisa simples, mas de uma importância gigantesca para mim: você pode compartilhar o Folhetim com seus amigos. Um clique seu significa muito, afinal é assim que surgem os escritores à medida que são lidos e compartilhados.

Os envios serão em breve. E então, posso contar com você?

Se quiser receber é só enviar uma mensagem para o whatsapp (33)98437-0072.

Aguardo por você!

COMO SÃO FEITOS OS LIVROS DA ALFORRIA LITERÁRIA

Os livros da Alforria Literária são feitos num verdadeiro processo de “artesania” e sustentabilidade. Como bem disse uma leitora (Valéria de Oliveira Alves – Belo Horizonte), “o lado estético é lindo, mas a forma de voltar a um contato mais artesanal e simples da vida é o mais maravilhoso. Como o ser humano precisa entrar em contato com a simplicidade para se reconhecer como elemento da natureza”. É o que também disse Angelo Pereira Campos – leitor e um dos revisoes do livro Janelas da Alma, também de Belo Horizonte: “é o antigo processo preservado”.

Fico feliz, como escritor e como o idealizador da Alforria Literária, pois é exatamente essa a proposta, é essa a percepção que desejo que as pessoas enxerguem nesse trabalho como caminho possível. E aqui publico também um comentário maravilhoso que, perdoando os exageros do grande amigo Jair Jr, membro da Academia de Letras de Teófilo Otoni, soube imaginar o meu sentimento:

“Leandro… Que maravilha! Viajei no tempo e me veio, num lampejo, o castelo de Veneza (?), e em uma das torres do lado sul o grande salão que servia de ateliê e oficina ao mestre Leonardo da Vinci, é bem ali, sozinho, dava asas à sua genialidade inventiva! Daqui posso imaginar as feições dele, idênticas às que penso ver em seu rosto feliz e sorridente como nesse instante de explosivo prazer ao dizer: ‘funciona… Funciona!!!’

Máquina “Paula Brito” – Produção sob demanda

Publicado o meu terceiro livro e o primeiro totalmente feito na Máquina “Paula Brito”, através da proposta da Alforria Literária. A capa de papel ecológico é feita de fibras de coco e o miolo de papel reciclado 14,8X21 cm 75g. Utilizando essa matéria-prima, a Alforria Literária afirma seu compromisso junto ao meio ambiente, lembrando que a reciclagem e a sustentabilidade contribuem para a geração de empregos, a redução do lixo e melhora a qualidade de vida desta e das futuras gerações. A partir de agora estou pronto para distribuir os meus livros e enviá-los a qualquer lugar do Brasil em minha própria produção sob demanda, fazendo da minha literatura um intuito de novos caminhos e mudança de paradigmas.

“Relicário Pessoal” é uma coletânea de haicais, pequenos poemas que contam, em três versos, o sentimento frente a diversos desdobramentos da natureza. Saiba sobre este e outros livros aqui neste blog e entenda toda a proposta da Alforria Literária no post abaixo!

Alforria Literária: uma nova forma de pensar literatura!

ALFORRIA LITERÁRIA: UMA NOVA FORMA DE PENSAR LITERATURA!

Por Leandro Bertoldo Silva – escritor

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Começo esta apresentação com um penamaento de Mia Couto…

“O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar, a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro”.

O meu nome é Leandro Bertoldo Silva e eu sou escritor independente. Sou o criador da Árvore das Letras – um espaço de linguagem, leitura e escrita – e do selo Alforria Literária pelo qual publico os meus livros.

Durante o ano de 2017 e já início de 2018, recebi alguns contatos de leitores interessados em adquirirem os meus livros “Janelas da Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno” e “Entrelinhas Contos mínimos”. Curioso que todas as pessoas, e isso já vêm acontecendo há algum tempo, querem comprar os livros diretamente comigo, embora estejam disponíveis para venda na maioria das lojas online espalhadas pela internet e em plataformas de autopublicação. Isso é totalmente compreensível, uma vez que no final o livro sai a um preço muito alto para o leitor, e estamos falando do livro físico, que é a preferência de 10 a cada 10 leitores que me procuram…

Isso reforçou o meu posicionamento e a minha escolha de ser um escritor independente, a partir do momento que, por outro lado, eu recusei a proposta de contrato de duas editoras por não achar vantagem ao analisar todas as condições, e me ver preso simplesmente ao ego de ter os meus livros expostos em livrarias.

Foi assim que ganhou força a ideia da “Alforria Literária”, um selo criado por mim e pelo qual publico os meus livros, decidido a trilhar um caminho diferente, onde eu possa assumir todas as etapas do meu trabalho – da escrita à distribuição dos livros.

Nada tenho contra as editoras e as plataformas de autopuplicação; apenas acredito em outras possibilidades, ainda mais na realidade de hoje em que a vida exige mais consciências. Por isso, na minha natureza de enxergar propósito em tudo o que faço, estou desenvolvendo a minha própria publicação sob demanda, na qual os meus livros são impressos em papel ecológico, primeiramente a capa personalizada com tinta feita de fibras de material orgânico, mas já com o pensamento para que o miolo do livro siga o mesmo padrão – tudo a seu tempo.

Esse processo já está sendo desenvolvido através da aquisição de uma verdadeira “máquina de fazer livros”, em que a sintonia entre literatura e ecologia está presente, como se verá.

MEU PROPÓSITO LITERÁRIO

Vivemos no Brasil uma crise editorial muito grande, e essa crise não é somente financeira, mas mercadológica, eu diria, até, midiática. Isso porque a maioria das editoras tradicionais valoriza apenas o que é “vendável”. Não há problema nisso se entendermos que são empresas e, como tais, privilegiam o lucro. Mas a troco de quê? O que elas devolvem ao consumidor-leitor é que é um grande questionamento, pois basta entrarmos em livrarias para nos depararmos com uma imensa quantidade de livros traduzidos e os chamados “best-sellers”. E os novos escritores? Quase sempre ficam sem espaço. Ou escrevem o que as editoras querem vender ou possuem um alto poder de investimento, o que nem sempre é possível. As consequências são terríveis, pois isso contribui, entre outras coisas, para o sumiço de uma literatura genuinamente brasileira que ficou no passado.

MiaO escritor moçambicano Mia Couto, em uma entrevista recente, diz que até às décadas de 60/70 a literatura brasileira ainda era vista como referência para os próprios brasileiros e para outros países, como em África, por exemplo. Ele cita Jorge Amado e todo o seu universo místico, de religiosidade, capoeira, que tem raízes africanas. Cita, ainda, em outro contexto, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, entre outros. Hoje já não há mais essas referências. Segundo ele, “chegam as novelas, mas não chegam os livros”. Ora, se não chegam os livros, não chegam os autores. E para um momento em que, através das inúmeras plataformas de autopublicação existentes, surgem a cada dia tantos “escritores”, onde eles estão? É claro que quantidade não é sinônimo de qualidade, mas em meio a tantos há de ter alguém, e esse alguém não é um só, são muitos.

É neste contexto que surge a Alforria Literária com o claro propósito de liberdade.

POR QUE ALFORRIA LITERÁRIA?

Alforria Literária é mais do que um selo ou uma marca editorial, é um caminho que eu escolhi para mim enquanto escritor. E sabe por quê? Porque escolhi ser livre! Porque decidi assumir que eu sou, assim como você também é, criador da sua própria realidade. Se há uma expressão que possa definir a Alforria Literária, é: POR QUE NÃO?

Por que aceitar o que boa parte das pessoas diz sobre o caminho que a escrita e a carreira literária deveriam trilhar? Não posso ser o criador da minha própria experiência? Não posso eu definir o que eu quero e “como” eu quero? Sei que muitos pensarão: “porque é assim! Porque se você estiver fora das editoras e das lojas você estará fora do jogo”. Será?

‘Se milhares de pessoas estão indo por aqui, então vá por ali…’

 Não me recordo onde eu li essa frase, mas ela tem para mim muito mais sentido, além de dialogar com a minha pergunta: POR QUE NÃO?

Ouço e leio constantemente variações de uma mesma versão que é a seguinte pergunta: ‘o que as editoras querem?’ É incrível como que o sistema com suas redes gigantescas nos pressionam e tenta nos convencer de que a maneira delas é mais do que a melhor, mas a única. E mais impressionante ainda é como boa parte das pessoas acreditam nisso e vai abandonando o prazer de guiar a própria vida e a própria escrita num verdadeiro desejo mimético. Passam a achar que é mais fácil adaptar ao que os outros consideram bom para elas do que tentar descobrir por si mesmas e abrir novas possibilidades e caminhos. E com isso, quantos escritores vão abdicando de um fundamento básico, ou pelo menos deveria ser, que é a total e absoluta liberdade de criar, não apenas o conteúdo, mas a forma…

Deixa eu dizer uma coisa: não há satisfação maior do que ser criador da nossa própria experiência, e a pergunta que eu faço através da Alforria Literária é absolutamente o contrário em relação à variação acima. Mais importante do que pensar de que há lugar para todos, é saber que esse lugar nunca será o mesmo.

O SIGNIFICADO DA MARCA ALFORRIA LITERÁRIA

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O desenho representa um pince-nez, modelo de óculos utilizado até início do século XX, que utilizava uma pinça para prender na ossatura do nariz (nez = nariz).

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De modo mais direto e objetivo faz referência, ao mesmo tempo homenagem, ao grande escritor Machado de Assis (1839-1908), que utilizava um pince-nez, presente em quase todas as usas fotografias.

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Indica a perspicácia característica do observador do mundo, que transcreve sua visão em forma de letra. Indica o olhar profundo que enxerga a realidade além das aparências. Enfatiza mesmo o olho, janela para o mundo, espelho da alma. Neste caso, Machado de Assis é um escritor que enxerga longe, lança luz onde havia sombras. Este é um ótimo sentido para melhor compreender a Alforria Literária.

Mas há uma complementação dessa ideia trazida pelo filósofo e psicanalista Angelo Pereira Campos que enriquece muito a Alforria Literária através de uma antiquíssmia simbologia: o Olho de Hórus.

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Símbolo da divindade egípcia, Hórus, filho de Osíris.  Hórus é o deus com cabeça de falcão. Não por acaso, o falcão encontra-se entre os animais de maior acuidade visual. Sua visão alcança uma pequena presa em até dois quilômetros de distância.

Os olhos de Hórus, na mitologia egípcia, sinalizam o Sol e a Lua. Trata-se de uma metáfora da luminosidade, do dia e da noite. Em batalha contra Set, Hórus perde o olho esquerdo, símbolo da Lua.

Neste caso, o olho representado na imagem da Alforria Literária é o direito, símbolo do Sol. Portanto, uma referência direta à luz, à claridade, logo, ao esclarecimento que a literatura nos ajuda a construir ao longo de nossa formação, que, claramente, dura a vida inteira. Desse mesmo modo, encontramos nestas metáforas literárias um sentido maior para a clarividência, que está a nos impulsionar para a liberdade, para a alforria.

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A MÁQUINA DE LIVROS “PAULA BRITO”

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O aspecto fundamental da Alforria Literária é eu ser a minha própria produção sob demanda, ou seja, eu mesmo editar e publicar os meus livros e poder enviá-los para qualquer lugar do Brasil. Para isso, foi confeccionada a minha primeira “máquina de livros”, que carinhosamente chamei de ‘Paula Brito’, em alusão a Francisco de Paula Brito, proprietário de uma livraria no antigo Lago do Rocio no século XIX, atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Mulato, autodidata e oriundo de meio humilde, Paula Brito trabalhou como tipógrafo, impressor de livros e jornais, fundando a Marmota Fluminense numa época em que o analfabetismo era gigantesco em nosso país. Além disso, sua importância foi fundamental para acolher um mocinho acanhado, também mulato, brilhante e que faria história: Machado de Assis…

Máquina de livros

Essa máquina foi cuidadosamente feita com madeira de Ipê reaproveitada de sobra de demolição e guardada por muitos anos. As mãos talentosas que a moldaram são de Egídio Souza, um luthier que, para quem não sabe, é um termo derivado do francês ‘luth’, que significa ‘alaúde’. Ele dá nome ao profissional especializado em construir instrumentos de corda, tudo feito de forma artesanal, um a um. Trata-se de uma das profissões mais antigas e que já está em extinção, mas que eu tive a sorte de conhecer um e de ter se tornado um amigo. Ainda sobre o propósito das coisas, não poderia ser maior uma vez que se institui uma parceria entre a literatura e a música, sendo eu um escritor inteiramente musical.

Isso vem mostrar que quando as coisas estão em sintonia com nossos desejos elas ganham força! A “máquina Paula Brito” está linda e já estou pronto para distribuir diretamente os meus livros que guardam outras surpresas… Um dos meus objetivos é que o livro em si, além do seu conteúdo literário — que é o meu trabalho de escritor — seja um objeto de arte digno de ser admirado e guardado.

PROCESSO DE COLAGEM

Teste de colagem

Foi realizado com muito sucesso o primeiro teste com a máquina de livros. A capa é de papel ecológico (ver detalhe) e faz parte da proposta da Alforria Literária. O projeto das capas ainda está sendo estudado para se chegar a um padrão de letras e tamanhos para a melhor apresentação possível, primando pela beleza, irreverência e elegância do exemplar. Para o teste foi utilizado no miolo o papel sulfite 75g. O utilizado no livro será o Off-set A5 75g. Utilizei uma cola especial de luthieria para fixar as folhas na lombada, o que torna o livro muito resistente.

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Papel ecológico

 ABORDAGEM EM ESCOLAS, EMPRESAS E FEIRAS LITERÁRIAS

Para o ano de 2018 e subsequentes farei apresentações gratuitas em escolas (públicas e particulares), empresas e feiras literárias apresentando os meus livros já dentro da proposta da Alforria Literária. Para isso, levarei, além dos livros que podem ser adquiridos no local e encomendados, a máquina “Paula Brito” para que todos conheçam o seu funcionamento a partir de uma palestra/demonstração ao vivo, seguindo o seguinte roteiro:

  • Minha história de como e quando aprendi a ler e a minha experiência com os primeiros livros em cima de um pé de ameixa na casa de minha avó;
  • Como descobri os escritores e como decidi ser um deles;
  • O porquê da minha escolha em ser um escritor independente;
  • O sonho, o porquê, a história e a confecção da máquina “Paula Brito”;

(demonstração da colagem de um livro)

  • Apresentação dos meus livros.

Bem, é isso! Estou pronto para fornecer os meus livros com muita qualidade e segurança, enviando-os a qualquer lugar do Brasil a um valor justo e acessível. Saiba sobre eles acessando MEUS LIVROS! E lembre-se:

O surgimento de novos talentos passa pela sua permisão de experimentar. Permita-se! Leia escritores independentes.

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VOCÊ AINDA ESCREVE CARTAS? NÃO SABE NEM O QUE É ISSO? SERIA BOM SABER…

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Por Leandro Bertoldo Silva

Bem, aqui estou eu no primeiro dia do ano de 2018… Passadas as festas de Natal e Réveillon e ver as timelines das pessoas lotadas de mensagens e felicitações (sim, eu também enviei muitas), fiquei pensando mais do que nos velhos e saudosos cartões de Natal, mas tentando imaginar se houve alguém nesse fim de ano que tenha escrito uma carta… E se sim, imaginando também o outro alguém que a tenha recebido naquele quase ritualístico processo da surpresa, ao constatar a presença do envelope na caixinha do correio, abri-lo após ter escolhido a melhor hora para fazê-lo e lançar-se à leitura com os olhos marejados de saudades…

Sim, eu sei… Cartas são coisas antigas, ainda mais nos dias de hoje onde tudo são messengerwatts e face; # pronto, falei. Até o e-mail já se sente meio vovô! Mas para quem acha que as cartas já não têm dias contados, por não terem nem mais dias para serem escritas, engana-se! Digamos que as cartas, essa missiva dos tempos dos dinossauros, têm um lugar de honra na inquestionável beleza de ser… As cartas, diferentes das mídias ceifadoras de palavras e até de expressões inteiras, falam com o coração; elas deslizam em nossas memórias e alcançam o patamar da delicadeza e da elegância.

            Costumo comparar as cartas com fusquinhas, e todos sabem que criança não mente. O que isso tem a ver? Tudo! Faça a experiência e veja como uma criança que não esteja “contaminada” pela mídia – coisa infelizmente rara – vai preferir o fusquinha à Ferrari… Por quê? Simples! Fusquinhas se parecem com joaninhas; e as Ferarris? Com Ferraris mesmo. Ah, mas isso é coisa de criança! Será mesmo? Uma vez colocaram um fusquinha 76 original, impecável, rodas pintadas, uma beleza, ao lado de uma Ferrari dentro de um shopping para ver a reação das pessoas. De cada dez pessoas que paravam, oito contemplavam o fusquinha por mais tempo que a Ferrari… Ou seja, o fusquinha, o chamado popopósaboneteiravai-que-eu-fico, e tantos outros nomes e apelidos, é como a nossa carta: antiga, mas de uma beleza incomparável, de uma elegância inquestionável e que expressa mais do que palavras, mas a sabedoria de quem dignifica a escrevê-la, pois ali se cravam histórias.

Escrever cartas hoje é sinônimo de coragem, de pessoas que não têm medo de expressar, além de sentimentos, sua capacidade para tal. Reparem nas pessoas que escrevem cartas – tudo bem, eu sei que é difícil encontrá-las, mas elas existem, sim, em resposta à imaginação do que disse acima – e só o fato de serem difíceis demonstram especialidades raras. Verá, quando as encontrar, que são pessoas polidas, que jogam o jogo das singularidades e não dos plurais, que fomentam encantamentos e nos deixam perplexos pelo diferencial de um gesto, de uma fala ou da própria escrita elaborada, bem cuidada, articulada até o último fio da gramática, digo, das palavras. Escrever cartas é mais do que uma questão de escolha; é uma questão de estilo. Num mundo onde as pessoas parecem ser feitas em série, ser diferente é um perigo. Mas, às vezes, esse risco, ou a falta dele, é o que deixou a vida sem graça, sem cor, sem movimento, apesar de tantos atrativos. O que acontece é que as pessoas são como as cartas: algumas têm conteúdos e, por isso, continuam existindo fazendo a diferença no meio de milhões, enquanto outras… Bem, as outras, por sofrerem tantas mutilações ao longo da vida, é o que todo mundo vê… O que não podemos deixar de pensar é que a vida é um ciclo. Uma vez se está por cima, outra vez se está por baixo. O que hoje é considerado antiquado, ultrapassado, amanhã será um ouro, não o de tolo, esse já sabemos onde se encontra.

            Como diz uma ex-aluna minha, “de acordo com os fatos supracitados”, nada melhor que os ditados populares que muito nos ensinam pela sutileza de suas ideias. Por isso, termino estas palavras com um desses ditados que vem bem a calhar e tão usado em cartas antigamente: “Em terra de cego quem tem olho é rei!”. Pense nisso…

Aproveito para desejar a todos um 2018 repleto de realizações! Que cada projeto, que cada planejamento possa ser cuidado com o mesmo carinho com o qual você os fez…

Vamos em frente!