SOMOS TODOS POLICARPOS?

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Por Leandro Bertoldo Silva

Ao final do mês de outuro, estivemos juntos eu, Adelson e Tité – grandes amigos – para trocarmos impressões sobre este que foi o nosso terceiro livro lido no grupo NOVOS LEITORES. Triste Fim de Policarpo Quaresma, do “Policarpo” Lima Barreto, nos levou a muitas reflexões, inclusive quanto ao próprio ato de acreditar na leitura…

Policarpo Quaresma era um visionário por acreditar que poderia viver integralmente os seus ideais. Vimos isso logo na primeira parte do livro quando ele busca adequar seu dia a dia a tudo que é tipicamente brasileiro: comidas, música, roupas e se aproxima até mesmo da cultura indígena e do tupi-guarani.

Fica muito evidente a crítica política e social presente no livro, quanto da tentativa do Major, que não era assim militar, mas apenas um homem culto que tinha muitos livros (por que alguém deveria ter tantos livros em casa?…), que acreditava no Brasil e que em nossas terras nunca haveria de ter seres humanos sem escrúpulos e que seriam capazes de fazer as coisas “do seu jeitinho”, ou, pelo menos, fingindo fazer…

Navegar por esses mares é dizer o que está evidente: Quaresma – o nosso “Dom Quixote” brasileiro por acreditar que “em se plantando tudo dá”, pois, afinal, vivemos em um país tropical e amável, rico e perfeito e com pessoas que levam a integridade como forma de vida, era mesmo de ser chamado de louco. Será?

Oh, Quaresma… Aí está o seu triste fim ao descobrir, abandonado, que as coisas não são exatamente como parecem ou como gostaríamos…

Aqui fizemos um recorte triste de um fim evidenciado – mas não aceitável – dos leitores do Brasil. Curioso pensar que um dos elementos mais importantes do livro é exatamente a biblioteca do Major, pois nela Quaresma passa a maior parte do seu tempo “isolado” em anos de leitura e estudo que vai fazendo crescer o seu nacionalismo, mas… Para quê? Livros são mesmo muito perigosos…

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Mas não foi bem esse o recorte que nos levou à reflexão quanto a acreditar na leitura como fator essencial e prioritário de nossos afazeres. Talvez a vontade de ler e criarmos grupos com esse propósito seja apenas uma bobagem… Talvez esses livros sejam péssimos. Talvez sejamos todos Policarpos ao achar que livros mudam pessoas e que possamos mudar o mundo…

Nessa altura o vinho já havia acabado e um silêncio profundo nos levou cada qual à sua cela à espera que uma melodia – não a “modinha” da leitura – mas talvez o rock pesado do incômodo barulho possa nos colocar de frente ao espelho de nossas escolhas e atingirmos com verdade o “coração dos outros”…

Vamos à Clarice…

ALFORRIA LITERÁRIA – UMA NOVA FORMA DE FAZER LITERATURA

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Começo esta apresentação com um pensamaento de Mia Couto…

“O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar, a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro”.

CONHEÇA A ALFORRIA LITERÁRIA, UMA NOVA FORMA DE FAZER LITERATURA

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O meu nome é Leandro Bertoldo Silva e eu sou escritor independente. Sou o criador da Árvore das Letras – um espaço de linguagem, leitura e escrita – e do selo Alforria Literária pelo qual publico os meus livros.

Durante o ano de 2017 e já início de 2018, recebi alguns contatos de leitores interessados em adquirirem os meus livros. Curioso que todas as pessoas, e isso já vinha acontecendo há algum tempo, queriam comprar os livros diretamente comigo, embora estejam disponíveis para venda na maioria das lojas online espalhadas pela internet e em plataformas de autopublicação. Isso é totalmente compreensível, uma vez que no final o livro sai a um preço muito alto para o leitor, e estamos falando do livro físico, que é a preferência de 10 a cada 10 leitores que me procuram…

Isso reforçou o meu posicionamento e a minha escolha de ser um escritor independente, a partir do momento que, por outro lado, eu recusei a proposta de contrato de duas editoras por não achar vantagem ao analisar todas as condições, e me ver preso simplesmente ao ego de ter os meus livros expostos em livrarias.

Foi assim que ganhou força a ideia da “Alforria Literária”, um selo criado por mim e pelo qual publico os meus livros, decidido a trilhar um caminho diferente, onde eu possa assumir todas as etapas do meu trabalho – da escrita à distribuição dos livros.

Nada tenho contra as editoras e as plataformas de autopuplicação; apenas acredito em outras possibilidades, ainda mais na realidade de hoje em que a vida exige mais consciências. Por isso, na minha natureza de enxergar propósito em tudo o que faço, desenvolvi a minha própria publicação sob demanda, na qual os meus livros são impressos em papel ecológico, inteiramente personalizado com fibras de material orgânico e tinta natural, numa verdadeira artesania literária, sendo o miolo do livro de papel reciclado, demosntrando um valor importante na preservação do meio ambiente, através do uso de recursos renováveis.

Esse processo é desenvolvido através de uma verdadeira “máquina de fazer livros”, em que a sintonia entre literatura e ecologia está presente, como se verá.

Faça a sua parte sem medo de ser simples

MEU PROPÓSITO LITERÁRIO

Vivemos no Brasil uma crise editorial muito grande, e essa crise não é somente financeira, mas mercadológica, eu diria, até, midiática. Isso porque a maioria das editoras tradicionais valoriza apenas o que é “vendável”. Não há problema nisso se entendermos que são empresas e, como tais, privilegiam o lucro. Mas a troco de quê? O que elas devolvem ao consumidor-leitor é que é um grande questionamento, pois basta entrarmos em livrarias para nos depararmos com uma imensa quantidade de livros traduzidos e os chamados “best-sellers”. E os novos escritores? Quase sempre ficam sem espaço. Ou escrevem o que as editoras querem vender ou possuem um alto poder de investimento, o que nem sempre é possível. As consequências são terríveis, pois isso contribui, entre outras coisas, para o sumiço de uma literatura genuinamente brasileira que ficou no passado.

MiaO escritor moçambicano Mia Couto, em uma entrevista, diz que até às décadas de 60/70 a literatura brasileira ainda era vista como referência para os próprios brasileiros e para outros países, como em África, por exemplo. Ele cita Jorge Amado e todo o seu universo místico, de religiosidade, capoeira, que tem raízes africanas. Cita, ainda, em outro contexto, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, entre outros. Hoje já não há mais essas referências. Segundo ele, “chegam as novelas, mas não chegam os livros”. Ora, se não chegam os livros, não chegam os autores. E para um momento em que, através das inúmeras plataformas de autopublicação existentes, surgem a cada dia tantos “escritores”, onde eles estão? É claro que quantidade não é sinônimo de qualidade, mas em meio a tantos há de ter alguém, e esse alguém não é um só, são muitos.

É neste contexto que surge a Alforria Literária com o claro propósito de liberdade.

POR QUE ALFORRIA LITERÁRIA?

Alforria Literária é mais do que um selo ou uma marca editorial, é um caminho que eu escolhi para mim enquanto escritor. E sabe por quê? Porque escolhi ser livre! Porque decidi assumir que eu sou, assim como você também é, criador da sua própria realidade. Se há uma expressão que possa definir a Alforria Literária, é: POR QUE NÃO?

Por que aceitar o que boa parte das pessoas diz sobre o caminho que a escrita e a carreira literária deveriam trilhar? Não posso ser o criador da minha própria experiência? Não posso eu definir o que eu quero e “como” eu quero? Sei que muitos pensarão: “porque é assim! Porque se você estiver fora das editoras e das lojas você estará fora do jogo”. Será?

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‘Se milhares de pessoas estão indo por aqui, então vá por ali…’

 

 Não me recordo onde eu li essa frase, mas ela tem para mim muito mais sentido, além de dialogar com a minha pergunta: POR QUE NÃO?

Ouço e leio constantemente variações de uma mesma versão que é o seguinte questionamento: ‘o que as editoras querem?’ É incrível como que o sistema com suas redes gigantescas nos pressionam e tenta nos convencer de que a maneira delas é mais do que a melhor, mas a única. E mais impressionante ainda é como boa parte das pessoas acreditam nisso e vai abandonando o prazer de guiar a própria vida e a própria escrita num verdadeiro desejo mimético. Passam a achar que é mais fácil adaptar ao que os outros consideram bom para elas do que tentar descobrir por si mesmas e abrir novas possibilidades e caminhos. E com isso, quantos escritores vão abdicando de um fundamento básico, ou pelo menos deveria ser, que é a total e absoluta liberdade de criar, não apenas o conteúdo, mas a forma…

Deixa eu dizer uma coisa: não há satisfação maior do que ser criador da nossa própria experiência, e a pergunta que eu faço através da Alforria Literária é absolutamente o contrário em relação à variação acima. Mais importante do que pensar de que há lugar para todos, é saber que esse lugar nunca será o mesmo.

O SIGNIFICADO DA MARCA ALFORRIA LITERÁRIA

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O desenho representa um pince-nez, modelo de óculos utilizado até início do século XX, que utilizava uma pinça para prender na ossatura do nariz (nez = nariz).

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De modo mais direto e objetivo faz referência, ao mesmo tempo homenagem, ao grande escritor Machado de Assis (1839-1908), que utilizava um pince-nez, presente em quase todas as usas fotografias.

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Indica a perspicácia característica do observador do mundo, que transcreve sua visão em forma de letra. Indica o olhar profundo que enxerga a realidade além das aparências. Enfatiza mesmo o olho, janela para o mundo, espelho da alma. Neste caso, Machado de Assis é um escritor que enxerga longe, lança luz onde havia sombras. Este é um ótimo sentido para melhor compreender a Alforria Literária.

Mas há uma complementação dessa ideia trazida pelo filósofo e psicanalista Angelo Pereira Campos que enriquece muito a Alforria Literária através de uma antiquíssmia simbologia: o Olho de Hórus.

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Símbolo da divindade egípcia, Hórus, filho de Osíris.  Hórus é o deus com cabeça de falcão. Não por acaso, o falcão encontra-se entre os animais de maior acuidade visual. Sua visão alcança uma pequena presa em até dois quilômetros de distância.

Os olhos de Hórus, na mitologia egípcia, sinalizam o Sol e a Lua. Trata-se de uma metáfora da luminosidade, do dia e da noite. Em batalha contra Set, Hórus perde o olho esquerdo, símbolo da Lua.

Neste caso, o olho representado na imagem da Alforria Literária é o direito, símbolo do Sol. Portanto, uma referência direta à luz, à claridade, logo, ao esclarecimento que a literatura nos ajuda a construir ao longo de nossa formação, que, claramente, dura a vida inteira. Desse mesmo modo, encontramos nestas metáforas literárias um sentido maior para a clarividência, que está a nos impulsionar para a liberdade, para a alforria.

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A MÁQUINA DE LIVROS “PAULA BRITO”

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O aspecto fundamental da Alforria Literária é eu ser a minha própria produção sob demanda, ou seja, eu mesmo editar e publicar os meus livros e poder enviá-los para qualquer lugar do Brasil. Para isso, foi confeccionada a minha “máquina de livros”, que carinhosamente chamei de ‘Paula Brito’, em alusão a Francisco de Paula Brito, proprietário de uma livraria no antigo Lago do Rocio no século XIX, atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Mulato, autodidata e oriundo de meio humilde, Paula Brito trabalhou como tipógrafo, impressor de livros e jornais, fundando a Marmota Fluminense numa época em que o analfabetismo era gigantesco em nosso país. Além disso, sua importância foi fundamental para acolher um mocinho acanhado, também mulato, brilhante e que faria história: Machado de Assis…

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Essa máquina foi cuidadosamente feita com madeira de Ipê reaproveitada de sobra de demolição e guardada por muitos anos. As mãos talentosas que a moldaram são de Egídio Souza, um luthier que, para quem não sabe, é um termo derivado do francês ‘luth’, que significa ‘alaúde’. Ele dá nome ao profissional especializado em construir instrumentos de corda, tudo feito de forma artesanal, um a um. Trata-se de uma das profissões mais antigas e que já está em extinção, mas que eu tive a sorte de conhecer um e de ter se tornado um amigo. Ainda sobre o propósito das coisas, não poderia ser maior uma vez que se institui uma parceria entre a literatura e a música, sendo eu um escritor inteiramente musical.

Isso vem mostrar que quando as coisas estão em sintonia com nossos desejos elas ganham força! A Alforria Literária já conta com três máquinas “Paula Brito” e os meus livros já foram enviados para várias cidades, como Belo Horizonte, Pernambuco, Curitiba, São Paulo e outras, além de projetos em escolas no Vale do Jequitinhonha onde alunos estão se tornando autores graças à evolução desse trabalho. Um dos meus objetivos é que o livro em si, além do seu conteúdo literário — que é o meu trabalho de escritor — seja um objeto de arte digno de ser admirado e guardado.

Bem, é isso! Estou pronto para fornecer os meus livros com muita qualidade e segurança, enviando-os a qualquer lugar do Brasil a um valor justo e acessível. Saiba sobre eles clicando AQUI! E lembre-se:

O surgimento de novos talentos passa pela sua permisão de experimentar. Permita-se! Leia escritores independentes.

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Quer saber mais e falar diretamente comigo?

ENVIE UM EMAIL PARA 

leandrobrsilva@hotmail.com

Siga no Instagram: @arv.das.letras

LEITURA SOLIDÁRIA

LIVROS QUE GERAM LIVROS EM FAVOR DE UMA CAUSA

Já imaginou comprar livros e ajudar crianças a terem acesso a mais livros ao mesmo tempo?

Árvore das Letras firmou uma parceria com a Escola Estadual da Vila São João, na pequena cidade de Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. É uma escola que contempla alunos de 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental. Com o objetivo de aumentar o acervo da biblioteca da escola, que passa por essa necessidade, a cada 3 livros O Menino que Aprendeu a Imaginar vendidos, o valor de 1 (um) será destinado à compra de outros livros infantojuvenis a serem doados à escola no início do ano letivo de 2020.

Essa é uma ação de responsabilidade social que eu, Leandro Bertoldo Silva, como escritor, tenho o prazer de assumir através da Árvore das Letras e do selo Alforria Literária.

O livro é de minha autoria, com ilustrações de Adilson Amaral e feito sob demanda na máquina “Paula Brito” em papel reciclável e capa de papel ecológico.

– Porque eu ainda acredito em livros!-

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O motivo pelo qual eu ainda acredito em livros é porque eu ainda acredito nas pessoas, e livros transformam pessoas. A leitura é uma poderosa ferramenta para a transformação social a partir do pessoal. E ler é resultado de estímulos constantes, que aos poucos se torna uma questão de gosto, escolha e atitude. Para isso é necessário ter acesso aos livros, principalmente na infância. É por isso que estou aqui.

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Praça João da Silva, nº 835 – Bairro Vila Vieira – Padre Paraíso/MG. Diretora: Kelen Jardim.
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Bairro Vila Vieira, conhecido carinhosamente como Arraial.
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Contando histórias para os alunos
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Não basta ir à escola… Tem que estar no meio da turma! Calor e afeto…

– Faça parte dessa ação social –

Para participar da Campanha Leitura Solidária e ajudar o acervo da biblioteca da Escola Estadual da Vila São João, basta comprar o livro O Menino que Aprendeu a Imaginar. Um livro que você comprar já estará ajudando no somatório final. A cada 3 livros vendidos o valor de 1 (um) será destinado à compra de outros livros a serem doados à escola.

– O livro –

O Menino que Aprendeu a Imaginar

Número de páginas: 60

Edição: 1º (2019)

ISBN: 978-85-5697-846-2

Valor: R$30,00

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Um dia nunca é igual ao outro para quem tem um livro nas mãos… Chateado por não ter nada de diferente para fazer, Oswaldo fica dentro do seu quarto cheio de lamentações quando um grande livro de histórias que fica bem no alto da estante cai “sozinho” no chão. O susto, já enorme, aumenta ainda mais quando o menino percebe que não foi um acidente, mas obra do seu brinquedo predileto: um lindo palhacinho de roupas coloridas e chapéu de guizos. Gesticulando e dando mil cambalhotas, o palhacinho conduz Oswaldo a mundos que ele não conhecia, como a casa de um caçador onde entra, disfarçado de menino, o temível bicho Mapinguari; Vê a chuva cair lá fora levando nas enxurradas um barco de papel e, dentro dele, uma criança cheia de imaginação; E o que dizer de uma professora bem diferente ao apresentar à turma o seu amigo Geógrafo, um Atlas falante? Repleto de surpresas, a história reserva ainda uma muito maior no final que, certamente, fará meninos, meninas e até adultos terem outros olhos para a leitura e para os livros.

– Como comprar – 

Os livros são enviados para qualquer lugar do Brasil pelo sistema módico dos correios, o que acrescenta um valor de R$10,00 no preço do livro. O sistema módico é válido para um peso até 500g. Acima desse peso (no caso de um número maior de livros em um mesmo envio), o mesmo só pode ser feito por postagem normal ou sedex, à escolha do leitor, e o valor depende dos serviços dos correios.

ATENÇÃO!

Como a produção é sob demanda, a mesma requer um agendamento para a confecção dos livros que varia de acordo com a quantidade a ser feita. Portanto, os dados para pagamento e prazo de entrega só serão informados mediante o contato prévio do leitor que deverá ser feito pelo email:

leandrobrsilva@hotmail.com ou, ainda, pelo whatsapp (33)98437-0072.

Essa campanha irá até o final de 2019

PARTICIPE!

Vamos aumentar o acesso aos livros dos alunos da Vila São João.

VOCÊ TEM TODA RAZÃO EM NÃO GOSTAR DE LER! PONTO. FINAL? NEM TANTO… SAIBA COMO DEIXAR DE SER UM “LEITOR D ESCOLA” E CONHEÇA 10 HÁBITOS PODEROSOS QUE FARÃO DE VOCÊ UM LEITOR VERDADEIRO

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Por Leandro Bertoldo Silva

Você já passou por essa situação?

O dia da prova está chegando e você ainda nem começou a ler o livro.

Você finalmente vai à biblioteca e descobre que todos os livros já estão emprestados.

Para piorar, a prova vale 10 pontos…

 Pois é, vamos falar de leitura.

Mas calma! Não estou falando da leitura que você pensa ou, infelizmente, está acostumado, ou seja, essa leitura obrigatória, maçante da escola que o professor te obrigou para fazer uma prova. Fala a verdade: Ou você passa por isso ou já passou… E hoje, salvo um milagre, você tem horror a ler!

Aliás, deixe-me falar uma coisa: se este é o seu caso, você tem toda razão em não gostar de ler!

Estudos comprovam que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro.

Ou seja, embora o índice de leitura no Brasil, segundo a fonte de pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada no ESTADÃO, em sua 4º edição, tenha alcançado uma ligeira melhora de 2011 para cá (afinal, em 2011 os leitores representavam 50% da população e até 2016 atingimos 56%), o que dá, mais ou menos, uma média de 4 livros por ano, isso ainda é pouco.

O que isso significa?

Que, teoricamente, um pouco mais da metade dos leitores desse artigo já pararam de lê-lo… (rsrsrsr) Ponto. Final? Nem tanto… Calma lá! Há salvação!

“Teoricamente” porque uma boa notícia é que de 2011 para cá, aumentou o número de leitores na faixa etária entre 18 e 24 anos de 53% para 67%. Isso é fantástico! Talvez os motivos sejam o boom da literatura para este público. Nunca se leu tanto como agora em plataformas e redes sociais específicas. Isso é realmente bom. Agora, quanto a qualidade dessas leituras, bem, isso fica para um outro artigo…

Por hora, continue lendo para saber mais sobre:

  • Por que nunca se deve dar “provas de livro” nas escolas?
  • Por que ler NÃO é chato e que isso é uma coisa que, definitivamente, FOI feita para você?
  • E um presente… Saiba como deixar de ser um “leitor de escola” e conheça 10 hábitos poderosos que farão de você um leitor verdadeiro.

Se você se identificou, aproveite para enviar este artigo para um amigo ou amiga que, às vezes, como você, também passa pelos mesmos questionamentos. Ao final dele, você entenderá como pode ser mágico o mundo da leitura.

POR QUE NUNCA SE DEVE DAR “PROVAS DE LIVRO” NAS ESCOLAS?

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Eu também sofri, e muito, com isso. Sofri tanto que quando me tornei professor, a primeira coisa que decidi foi: “NUNCA darei uma prova de livro na minha vida!” E sabe por quê? Porque essa é uma das razões que mais destroem leitores no mundo, fazendo com que eles tomem horror ao que poderia ser extremamente prazeroso.

Todo mundo nasce gostando de livros! Isso é, portanto, natural. Dê um livro a uma criança de colo e observe o prazer, a curiosidade, o encantamento que ela fica. “Ah, mas ela está encantada são com as gravuras, os desenhos…”

E quem disse que lemos só palavras?

Elas virão a seu tempo, acompanhadas do gosto das imagens, quando passamos a perceber que existe algo a mais que complementam e até ultrapassam aquelas cores e formas.

Infelizmente, sinto em dizer que o que lhe faltou foi um professor ou professora para lhe estender a mão e o conduzir a um mundo mágico e não a um mundo de terror – por mais que lhe apresentasse livros de bruxas e monstros – de provas e notas.

Literatura não é disciplina, pelo menos não deveria ser. Por quê? Lembra-se da pesquisa? Pois vamos a outros dados que todo professor deveria conhecer:

Entre as principais motivações para ler um livro, entre os que se consideram leitores, estão gosto (25%)atualização cultural (19%)distração (15%)motivos religiosos (11%)crescimento pessoal (10%)exigência escolar… (7%)!

Ou seja, a atual (e quase unânime) forma de “obrigar” uma pessoa a ler na escola para fazer prova, é um verdadeiro “tiro no pé”. É preciso entender, de uma vez por todas, que literatura não é disciplina escolar; literatura é ARTE e é como ARTE que deveríamos lê-la.

Há muitas maneiras de avaliar uma leitura que não a temida e “Inútil” prova. Sim, Inútil mesmo, com I Maiúsculo! Mas em outra oportunidade, menciono aqui algumas ações que testei e obtive muito sucesso com meus alunos e leitores, ações que ficaram na memória, principalmente deles, e o resultado foi “resgatar” alguns leitores perdidos que “achavam” que não gostavam de ler.

POR QUE LER NÃO É CHATO E POR QUE ISSO É UMA COISA QUE, DEFINITIVAMENTE, FOI FEITA PARA VOCÊ?

Em meio a todo esse senário, só há uma forma de resolver a questão:

É preciso “discutir a relação”.

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A boa notícia é que sim, é possível mudar a sua relação com os livros e com a leitura; a má notícia (pelo menos para a grande maioria das pessoas) é que você vai ter que querer… E isso demandará força de vontade, amor e compromisso.

Acontece, que muitas são as pessoas que querem colher novos frutos, mas não estão dispostas a abrir mão das velhas sementes, ou seja, querem mágica! Aí, meu amigo e minha amiga, é melhor desistir antes mesmo de começar… Não estou sendo duro, estou sendo realista. Colhemos o que plantamos!

MAS VOCÊ É UMA PESSOA QUE QUER COLHER NOVOS FRUTOS E SABE QUE EXISTE DENTRO DE VOCÊ UM LEITOR EM POTENCIAL!

Sabe e quer libertar este leitor, ou mesmo acariciá-lo ainda mais e descobrir novos hábitos, novas formas de ler, de se envolver com as páginas e com as letras. Um destes é o seu caso? Viva! É só começar…

Veja, abaixo, algumas dicas bem úteis que funcionam muito comigo, pode ser que funcione com você também, e se souber de outras que venham complementá-las, não excite em compartilhar, comentar, divulgar. Saiba que você pode estar resgatando outros leitores…

10 HÁBITOS PODEROSOS QUE FARÃO DE VOCÊ UM LEITOR VERDADEIRO
 Dica # 1 – Identifique o que você gosta

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Esse é o PRIMEIRO passo! Identificar o que você gosta, vai fazer você ler com mais interesse, com mais vontade. A lista de opções é imensa: romance, biografia, contos, espiritualidade, fantasia… E lembre-se: PERMITA-SE GOSTAR! Conheço muitas pessoas que falavam que não gostavam de ler, tinham preguiça, mas que quando se davam a oportunidade de forma realmente entregue, só paravam de ler ao término da última página… O segredo é só começar!

Dica # 2 – Visite uma biblioteca ou livraria

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Se você já entrou em uma livraria sabe do que estou falando! Se não, experimente! O clima é altamente favorável, com muitos livros à disposição. Hoje, muitas investem no bem-estar e permitem que você folheie os livros e até leia-os, além de servir café, chá, sucos… Mas há também as bibliotecas municipais e de bairros que disponibilizam os livros e você nem precisa pagar por eles. O importante é estar entre eles!

Dica # 3 – Crie um espaço de leitura

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O espaço é muito importante, afinal, você não vai querer ler em um ambiente barulhento, desorganizado… Encontre um local que seja limpo, iluminado, confortável. Pode ser que você gosta de ler na rede, ou mesmo debaixo de uma árvore no quintal ou no banco da praça, quem sabe à beira mar… Eu, quando criança, gostava de ler em cima da árvore… Só você saberá o que lhe agrada mais. No sofá da sala também é bom. Seja onde for, o importante é que você o prepare e se prepara para isso, sem televisão ou qualquer coisa que venha atrapalhar sua atenção.

Dica # 4 – Descubra o seu horário

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Todos nós temos um horário mais propício à leitura, seja por questão de tempo e trabalho, seja por questão até mesmo fisiológica. Alguns preferem ler à noite, outros de manhã. Isso vai depender da sua disponibilidade. O importante é que, dentro do tempo disponível, não importa se muito ou pouco, você o obedeça e leia. Verá que, gradativamente, você vai querer ler mais e mais…

Dica # 5 – Converse sobre os seus livros

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Conversar sobre o que você está lendo com amigos, professores e familiares fará você aprimorar o seu gosto pelos livros – eu garanto! Esse é um hábito saudável que aumenta e massageia a sua autoestima, além de estreitar laços de amizades e, por que não, criar novos amigos que, como você, também lê, aumentando o seu círculo de convívio, além de trocar sugestões de leituras. Para este tópico específico, conheça aqui neste blog a Vivência online Novos Leitores, uma vivência literária 100% gratuita. É só clicar AQUI.

Dica # 6 – Leia a contracapa e as orelhas do livro

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Nestes locais está a essência do livro sem que ela seja inteiramente desvendada. É o primeiro contato que temos com o que vai ser lido e com o autor do mesmo. Se o assunto lhe agradar, vá em frente; se não, abra outros e se divirta nessa procura.

Dica # 7 – Pesquise sobre o autor ou autora e descubra sobre sua época e sua história

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Essa é uma dica que eu sempre dou. Pesquisar sobre o autor e sua época, além de aumentar a sua cultura e conhecimento, irá fazer você entender melhor a obra, pois saberá o porquê de muitas passagens, estilo de escrita e relacioná-los ao contexto histórico, fazendo você absorver muito mais o conteúdo da história.

Dica # 8 – comece devagar, sem pressa, curtindo o que está fazendo

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A melhor coisa é estar sempre sentindo prazer na leitura. Para isso, se você ainda não tem este hábito e costume, comece devagar… Não inicie com autores muito complexos; eles chegarão ao seu tempo. Comece com pequenas histórias e vá aumentando, aos poucos, o seu repertório. Lembre-se: Tem que valer a pena! Ler é prazer.

Dica # 9 – Ande sempre com o seu livro e, na hora de dormir, deixe-o na cabeceira da cama perto de você.

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Andar sempre com o livro irá fazer você se habituar a ele. Mesmo na era tecnológica de hoje, que você pode ter centenas de livros em um aplicativo de celular, experimente andar com um livro físico em sua bolsa, mochila, enfim. Quando estiver na fila de um banco, naquela horinha da sobremesa em um restaurante e em outros momentos, pegue seu livro, abra e leia. Verá que começará a ter outra relação de proximidade com ele, além de massagear também o seu ego, pois as pessoas o olharão como pessoa culta e polida. E não se esqueça de, na hora de dormir, colocá-lo perto de você, afinal, ele já vai ter se tornado seu grande amigo.

Dica # 10 – Faça anotações sobre a sua leitura e, no final, indique-a a um amigo.

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Fazer anotações sobre o que você lê favorece a compreensão e a interpretação, além de fazer você ficar mais íntimo com o livro e o que ele está te contando… Indicar uma leitura, além de ser um ato altruísta, demonstra sua cultura e cidadania. O país necessita de mais leitores e uma ação puxa a outra. Essa é uma corrente que vale a pena!

E então, gostou das dicas? Espero que elas tenham sido úteis para melhorar a sua vida leitora e que tenha se conscientizado de que ler é um prazer altamente possível de alcançar.

Você conhece alguém que adoraria receber essas dicas?

 Então faça um favor para ela (e para mim) e compartilhe esse artigo.

Você pode compartilhá-lo no facebookTwitterGoggle+ ou até mesmo copiar a URL desse artigo e enviar para quem é importante para você.

E, para finalizar, eu adoraria saber a sua opinião sobre esse artigo.

Deixe um comentário logo abaixo sobre o que você mais gostou, ou sobre alguma dica que não esteja aqui e você deseja compartilhar ou até mesmo alguma crítica sobre esse texto.

Ah, e não se esqueça: agora é a melhor hora para você criar uma nova relação e comprometimento com a sua leitura.

Há um mundo inteiro a ser desvendado pelas páginas dos livros…

Permita-se!

Boas leituras…

QUAL É A SUA LETRA?

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Escrever à mão nos conecta com nós mesmos e fortalece a nossa individualidade. Cada um tem a sua letra: qual é a sua?

A Árvore das Letras oferece cadernos que incentivam a escrita à mão, resgatando o encontro consigo mesmo através da poesia, de um pensamento, do registro de um sonho, de uma receita especial de família…

As possibilidades são infinitas. Eu, como escritor, sei bem disso… É comum eu escrever os meus primeiros esboços em um caderno. É como se eu tivesse a necessidade de sentir a escrita de maneira completa, e escrevendo à mão essa sensação me torna próximo de mim mesmo e me leva a um lugar que antes é preciso ser meu para depois ser do outro. Só depois é que vou para o computador…

Como sei bem disso e desejo oferecer a mesma experiência para as pessoas, é que criamos o nosso modelo de cadernos sustentáveis. Eles são feitos de material reciclável, costurados à mão um a um, colados e prensados na máquina “Paula Brito” nas mesmas condições dos livros da Alforria Literária. O acabamento fica por conta da artesã Geane Matos, que emprega toda sua sensibilidade, criatividade e sentimento transformando cada caderno em um objeto único pronto para receber a sua história.

Por isso deixo aqui um convite: Presenteie a si mesmo ou alguém e incentive a escrita à mão. Muita gente vai gostar desse retorno!

Convido também a conhecer e seguir o espaço oficial da Árvore das Letras no Instagram. Tem muita informação bacana por lá 🙂

O endereço é @arv.das.letras

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

UM PRESENTE ME DADO POR MACHADO

Um presente me dado por Machado

Por Leandro Bertoldo Silva

Não sou um desocupado, mas aceito de bom grado o presente me dado por Machado. Sim, ele mesmo: o bruxo do Cosme Velho, Machado de Assis me presenteou! Não é um sonho, não é um delírio; é real. Basta ir ao capítulo LV de Dom Casmurro e terás a prova nua e crua. Não vou descrever a sentença para que não lhe furte o prazer da procura. Se bem que aqueles versos me foram dados por Bentinho… Mas vá lá! Fica o dito pelas mãos do seu criador e não se fala mais nisso. Se bem, que é preciso falar, pois algum outro “desocupado” é bem possível requerer os versos como seus. Acontece que eu, nos meus 47 anos, nunca vi ninguém utilizá-los ao soneto nunca escrito até então. Nunca ninguém veio ao cabo de se pronunciar e, se isso vier acontecer, agora já vai tarde. São meus, assim como o recheio que ora vos apresento…

CAPITOLINA

“Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!”

Que brilho as estrelas refletem de ti!

Olha a aurora serena que eu vi

Vinda de manso a pousar-lhe brandura.

 

Versos esperados entregues à cura.

Oh! Anos idos… Zéfiros calmos, senti.

Que me apraz tenra lembrança do que li

Ao brindar com falácias doce ternura.

 

Naquele tempo tudo era encanto

Ora nos fugidos da dor que me valha.

Ei-la, agora, soberana em pranto.

 

Mas, ah! Queria eu revolver da mortalha

O sorrir que a hora já não diz tanto:

“Perde-se a vida, ganha-se a batalha!”

POR QUE EU AINDA ACREDITO EM LIVROS?

Por que eu ainda acredito em livros

Por Leandro Bertoldo Silva

O motivo pelo qual eu ainda acredito em livros – mesmo com a última pesquisa do Instituo Pró-Livro, da 4º edição dos “Retratos da Leitura no Brasil”, em 2016, apontar que 44% da população não é leitora e 30% nunca ter comprado um livro na vida – pode ser um tanto romântico, mas é verdadeiro: Eu ainda acredito em livros porque eu ainda acredito nas pessoas, e livros transformam pessoas.

A esse pensamento se juntou um outro, que se transformou no meu modelo de trabalho: a produção sob demanda. Você certamente já ouviu falar dela, mas realmente sabe o que ela significa?

Bem, a definição é simples. É aquela produção onde o produto é feito especialmente para o consumidor. Mas a ideia vai muito além disso. O que torna esse tipo de produção interessante é o fato que ela influencia diretamente o meio ambiente através do nosso comportamento, pois ela reduz significativamente a geração de lixo e melhora a qualidade de vida desta e das futuras gerações.

Sim, através da produção sob demanda diminuímos livros em estoque, e livros estocados são árvores mortas, trabalho perdido, esforços e tempo jogados fora, materiais desperdiçados, sonhos congelados.

Há outras consequências que poderíamos apontar, mas uma delas é fundamental: em um livro – seja um romance, um conto ou poesia – pode estar a solução tão procurada por alguma coisa, seja uma mudança de vida, a coragem que faltava para isso, o princípio de uma ideia, ou quem sabe a ideia completa para algo que você nunca havia pensado… Pois é, é como eu disse: livros transformam pessoas.

É por acreditar nessa ideia que me tornei escritor. E é por acreditar ainda mais nela que criei a minha própria produção sob demanda. Você pode conhecê-la aqui neste blog, em especial acessando AQUI, e ver como os livros são feitos na máquina “Paula Brito” e todo o conceito construído, as etapas de desenvolvimento e tudo o que sustenta esse trabalho.

Tenho 4 livros publicados: Janelas da Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno, Entrelinhas Contos mínimos, Relicário Pessoal – haicais e o infantil O Menino que Aprendeu a Imaginar. Todos eles são feitos utilizando a produção sob demanda, ou seja, os livros são feitos para você na quantidade que desejar e enviados para a sua casa com toda segurança e conforto. Mas isso, por si só, seria comum. O que faz com que meus livros sejam diferentes é a matéria-prima utilizada. Todos eles são feitos com capa em papel ecológico inteiramente personalizada com fibras de material orgânico e tinta natural, numa verdadeira artesania literária, sendo o miolo do livro de papel reciclável, demonstrando um valor importante na preservação do meio ambiente, através do uso consciente de recursos renováveis.

É isso que faz da Árvore das Letras, além de uma escola, uma editora realmente independente e do selo Alforria Literária uma nova forma de fazer literatura. Conheça os livros, veja-os de perto, sinta-os e entenderão, através de sua leitura e de todo o trabalho envolvido, a materialização do pensamento de George Bernard Shaw: “Alguns homens observam o mundo e se perguntam “por quê?”. Outros homens observam o mundo e se perguntam “por que não?”.

ALFORRIA LITERÁRIA: DO SONHO À REALIDADE

Zesty olor Blocking

Quem me conhece sabe que eu sou um grande sonhador. Há quem diz que sou um tanto “quixotesco”, o que me agrada bastante, porque nessa vida há muitos moinhos de vento para enfrentar… Mas eu também gosto de fazer dos sonhos realidade, e foi aí que surgiu esta história de forma tão bonita quanto intensa e com uma rapidez das coisas que são para dar certo.

Eu Sou o Leandro Bertoldo Silva, escritor, criador da Árvore das Letras e do selo Alforria Literária, pelo qual publico os meus livros e de projetos alternativos da Árvore, assim como de escritores cujos trabalhos se identificam e dialogam com a proposta. Os livros são criados de forma totalmente independentes, através da máquina “Paula Brito”, um sistema de colagem, costura e prensagem, o que dá a eles uma identidade e conceito únicos colocando-os em um outro lugar que não somente o mercadológico.

Os livros da Alforria têm alma e poesia, não apenas internamente, mas em toda a concepção – da escrita ao material utilizado – até chegar às mãos do leitor, que passa a ter, também, não apenas um objeto, mas uma experiência viva e liberta de padrões. Temos em nosso catálogo os livros “Entrelinhas Contos mínimos”; “Janelas da Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno”; “Relicário pessoal – haicais” e o infantil “O Menino que Aprendeu a Imaginar”, todos eles de minha autoria, lidos e presentes em várias cidades dentro e fora de nosso Estado.

Temos, ainda, o livro “Cartas ao Tempo”, dos alunos do curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita, da Árvore das Letras, que alterna correspondências de Machado de Assis, Clarice Lispector com os próprios autores.

Publicamos, também, a coletânea de contos e crônicas “Memórias de um Tempo”, em parceria com a Escola Orlando Tavares, no Vale do Jequitinhonha, pelo projeto Escritores do Vale, em que transformamos alunos em autores.

Também, no Vale, lançamos o livro “Com-Fluências Pétalas Poéticas”, resultado da oficina (Re)Construção Poética, também da Árvore das Letras, com jovens da ASCAI – Associação da Criança e do Adolescente de Itaobim.

Publicamos o infantil “As façanhas de Pituca e seus amigos”, da escritora e poetisa Antonia Aleixo Fernandes, de São Paulo, lançado na Casa das Rosas, na capital paulista, neste mês de agosto.

E, recentemente, “Um livro”, de Armando Ribeiro, uma coletânea de poemas do poeta/artesão, lançado no 36º FESTIVALE, em Belmonte, no Estado da Bahia, e na Terra do Sol Casa Ateliê, em Padre Paraíso, em Minas Gerais.

Há duas obras em andamento: o livro “Panapaná Voos Poéticos” – continuidade do projeto Escritores do Vale, a ser lançado em novembro deste ano, e o meu novo livro “Histórias de um certo Aarão e outros casos contados: das histórias e lendas de Belo Horizonte recontadas por um segurança que recebia, em seu serviço, a visita ilustre do fantasma de Aarão Reis”, com previsão de lançamento para 2020.

O que me deixa feliz é que todo esse catálogo se deu em apenas um ano e meio! Exatamente! De janeiro de 2018 a agosto de 2019 foram 9 lançamentos e duas obras em processo de escrita com muitos sorrisos e sonhos realizados. E ainda há muito mais por vir.

Mas o melhor de tudo isso é provar a possibilidade de uma nova forma de fazer literatura, e literatura de qualidade, o que significa que há outros caminhos que não a busca incessante e saturada pelo mesmo. É possível, portanto, inventar e reinventar caminhos, onde a arte literária se sobreponha aos padrões, dando aos escritores e leitores uma nova perspectiva e existência. Tudo começou com esse pensamento, exatamente como uma semente já transformada em árvore, ou, melhor dizendo, em Árvore das Letras.

A INCRÍVEL ARTE DE SEMEAR IDEIAS LITERÁRIAS

Por Elis-Rouse, do site LiteralMente, UAI

Disseminar, espalhar, plantar, os sinônimos de semear nunca foram tão pertinentes quando se trata do escritor mineiro Leandro Bertoldo Silva. Dos frutos colhidos, quem tem a agradecer são os deuses da literatura.

A história de Leandro com a leitura é daquelas à moda antiga, com a receita infalível do incentivo familiar.

“Meus pais sempre incentivaram a leitura dentro de casa, sempre compraram livros para mim e meus irmãos. Lia-os de cima de um pé de ameixa na casa de minha avó, que eu transformei em biblioteca, pois fazia dos galhos dessa árvore verdadeiras estantes naturais repletas de livros que eu ia ganhando e colecionando. Lá passava a maior parte do meu tempo,” conta Leandro.

Inspirado pela leitura de clássicos como “Cinderela”, livros da Coleção Vaga-Lume e autores como José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Machado de Assis, Drummond, Clarice e Fernando Sabino, o desejo de escrever e eternizar suas próprias histórias foi só uma questão de tempo.

“Eu era muito novo e não tinha uma formulação muito clara do que aquilo representava, mas aqueles escritores me ensinavam muito, como ensinam até hoje. E entre as muitas coisas que eles me ensinaram está o fato de eu querer profundamente estar entre eles, fazendo parte do mundo das histórias, dos poemas, dos romances, dos contos. Eu também queria escrever livros e inventar histórias”, conta.

Suas histórias carregam o tom poético, leve e que reverberam para muito além da última página. Leandro afirma que não costuma seguir um ritual de escrita ou processo criativo, mas destaca em suas obras uma tendência memorialista.

“O escritor Bartolomeu Campos Queirós diz muito bem que “a memória é um espaço interno onde a fantasia conversa com a realidade”. É exatamente assim comigo. Toda história, seja um conto, um romance ou até um pequeno haicai parte de uma memória para depois ganhar outros sentidos e significados. No meu caso é a memória que está sempre presente.”

Entre os diversos poemas e contos saídos do fundo da memória, quatro livros já foram publicados:Entrelinhas Contos mínimosJanelas da Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno, Relicário Pessoal – Haicais e o primeiro livro infantil O menino que aprendeu a imaginar, lançado no primeiro semestre deste ano. A grande novidade é que todos os livros são produzidos, publicados, distribuídos e vendidos pelo próprio autor.

Todo o processo editorial está literalmente nas mãos do autor, que optou em ser um escritor independente. Amante da literatura, Bertoldo recusou diversas propostas de grandes editoras e no “faça você mesmo”, criou seu próprio método de publicação, por meio do projeto “Alforria Literária”, uma alternativa diferente, barata e sustentável de publicação.

Alforria Literária

É um selo editorial dedicado a publicação de livros. Surgiu da necessidade de gerenciar a venda dos seus livros e oferecer uma alternativa mais barata para os leitores. A demanda pelo livro físico e a compra direta das mãos do autor era latente, como conta Leandro.

“Durante o ano de 2017 e já início de 2018, recebi alguns contatos de leitores interessados em adquirirem os meus livros. Curioso que todas as pessoas queriam comprar os livros diretamente comigo, embora estejam disponíveis para venda em plataformas online. Isso é totalmente compreensível, uma vez que no final o livro sai a um preço muito alto para o leitor”.

Em uma sacada genial de autopublicação, aliada a uma consciência de sustentabilidade, nasceu a Paula Britto.

Paula Britto – A arte da impressão sustentável

O diferencial das publicações da Alforria Literária é a produção totalmente manual feita em uma máquina especial, própria para fazer livros, chamada “Paula Brito”.

O nome feminino é uma homenagem a Francisco de Paula Brito, fundador da “Marmota Fluminense”, uma livraria no Rio de Janeiro, do século XlX, onde Machado de Assis teria iniciado sua carreira literária.

Feita de madeira de Ipê reaproveitada, a máquina de fazer livros ganhou vida nas mãos de Egídio Souza, um luthier da cidade que comprou a idade e desenvolveu com Bertoldo um modelo pioneiro de publicação sustentável no Brasil.

Os livros produzidos na “Paula Brito” são feitos em papel reciclável nos tamanhos 14,8 x 21 cm – 75g. As páginas são impressas no processo normal, via computador.

O primeiro toque especial vem nas capas confeccionadas manualmente com papel personalizado com fibras de material orgânico e tinta natural. A finalização das capas fica por conta da esposa de Bertoldo, a artesã Geane Matos.  A partir daqui a máquina entra em ação para finalizar o livro, unindo o miolo a capa.

Utilizando essa matéria-prima, a Alforria Literária afirma seu compromisso junto ao meio ambiente, lembrando que a reciclagem e a sustentabilidade contribuem para a geração de empregos, a redução do lixo e a qualidade de vida desta e das futuras gerações”, como afirma Bertoldo.

Veja como a “Paula Brito” funciona

A vida no Vale do Jequitinhonha

Há nove anos, Leandro Bertoldo Silva Silva deixou a capital mineira para viver na cidade de Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, interior de Minas Gerais.

A região conhecida pela riqueza no artesanato, e a carência de uma população que sofre com a seca e o descaso das autoridades, ganhou muito mais que apenas mais um habitante, ganhou também um incentivador de uma arte que, assim como o teatro e o cinema, é praticamente ausente na região, a literatura.

Leandro desenvolve diversos projetos de incentivo à leitura e escrita, e as artes na região por meio do projeto Árvore das Letras, criado em 2014.

Curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita

 É um curso pago, onde os alunos desenvolvem habilidades de escrita criativa. O curso auxilia não apenas pessoas que desejam colocar no papel suas histórias, como também serve como preparativo para a redação do ENEM. Mais de 100 pessoas já passaram pelo projeto.

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Grupo de leitura dramática

O projeto faz parte do curso “Vivenciando a linguagem, leitura e escrita”, que abarca pessoas de diferentes idades interessadas em ler e interpretar obras de grandes autores da literatura.

Privilegio nas leituras autores nacionais como forma de valorizar a nossa literatura clássica, moderna e em língua portuguesa. Já trabalhamos com Machado de Assis, através dos contos “Missa do Galo” e “Um apólogo”; Fernando Sabino, com o conto “O homem nu”; Murilo Rubião, com “O pirotécnico Zacarias”; contos recolhidos de Alaíde Lisboa, com “O espelho, a bota e a rosa”; a história “O pescador, o anel e o rei”, da contadora de histórias Bia Bedran e “A felicidade está dentro de nós”, de Isaura Caminhas Fasciani”, conta Leandro.

Whatsapp “Novos Leitores”

É um grupo para troca de informação literárias e leitura coletiva. Leandro distribui gratuitamente, também via Whatsapp, por meio da lista de distribuição “Mais literatura”, pequenas pílulas literárias com novidades e dicas de conteúdo literário produzido por outras fontes, inclusive do LiteralMente,Uai!

Oficinas de artes, literatura para adultos e crianças

Em parceria com a esposa Geane, o projeto Árvore das Letras oferece oficinas e cursos de pequena duração voltados para as artes em geral, pintura e découpage, decoração de caixas, entre outros.

Livros

Em meio a uma presença cada vez mais marcante das tecnologias na vida atual, e os índices cada vez menores de leitores, Leandro têm uma visão positiva na batalha de atenção entre os livros e as tecnologias.

“Talvez a questão não seja disputar, mas harmonizar uma coisa com a outra. As histórias precisam ser lidas e se a tecnologia pode ajudar é melhor inseri-la no processo.”

Fato é que o brasileiro lê cada vez menos e as livrarias em decadência acabam fechando as portas. Isso faz com que o processo de fazer o brasileiro ler mais se torna cada vez mais árduo, contudo, não menos prazeroso.

“Passa muito pelo incentivo em casa, como aconteceu comigo e pela escola, mas não da forma tradicional e comumente usada. Acho um verdadeiro desserviço quando os professores pedem os alunos para lerem um livro com o objetivo de aplicarem uma prova escrita. Não se dá prova de livros! Isso mais desconstrói um leitor do que provoca o efeito desejado que é formá-lo. Técnicas e didáticas podem até existir, mas é preciso que o prazer das histórias, de se descobrir um mundo diferente do seu sobreponha à técnica. O ser humano é curioso e desbravador por natureza. Se conseguirmos atingir esse nível de curiosidade e prazer sem a obrigação, certamente as pessoas lerão mais. Não é fácil, mas é possível”, explica.

Leandro Bertoldo Silva faz a diferença para literatura nacional e o faz com prazer!

Sou feliz porque sou escritor; sou feliz porque também estou nessa árvore e, principalmente, sou feliz porque hoje faço para as pessoas o que fizeram para mim: oferecer a chance de conhecer um mundo capaz de transformar para o bem a realidade de alguém. Este é o meu propósito na vida.

Algumas curiosidades sobre o autor

Se pudesse indicar um livro para quem nunca leu por prazer, qual seria?

A Palavra Mágica, de Moacyr Scliar.

Qual livro você mais leu?

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e ainda o lerei muitas outras vezes, pois é fascinante a coragem desse livro e é uma verdadeira aula de estrutura narrativa deixada por Machado.

Cite um livro que te marcou.

O Encontro Marcado, de Fernando Sabino… Marcou-me literalmente!

Qual autor/autora te inspira

Mia Couto, para mim, é sem dúvida um dos autores mais importantes e talentosos da literatura contemporânea em língua portuguesa. Ele diz que um livro é bom quando ele te empurra para a escrita. Os livros do Mia, todos eles, fazem isso comigo.

Ler é…

Se descobrir pelos olhos e pela imaginação.

Escrever é…

Existir. Escrevemos porque estamos vivos e temos a necessidade de contar histórias.

Ser escritor hoje no Brasil significa?

Ter coragem de buscar por novas possibilidades.

Conheça seus livros

Entrelinhas Contos Mínimos: Com pouco mais de 120 páginas, a obra, que já está na segunda edição, traz uma coletânea de minicontos que retratam diversos momentos e situações diárias. Leia a resenha aqui.

Janelas das Alma: uma tempestade íntima, um conflito, um retorno: É um romance que conta a história de Jorge, um jovem publicitário que vive as pressões que a vida, implacavelmente, impõe a todos: a necessidade quase obrigatória de sermos perfeitos, como bom filho, bom pai, boa esposa, bom amigo, bom profissional, bom tudo! Amargurado e cansado, resolve sair em uma viagem de férias que não tirava há muito tempo, para aliviar sua angústia. No caminho do aeroporto, se depara com um acontecimento que mudará completamente a sua vida. Leia a resenha aqui.

Relicário pessoal – haicais: Em 90 páginas, Leandro apresenta pequenas historinhas em formato de haicais. Histórias leves e originais em um livro fascinante.

MAPINGUARI

Conta a lenda que existia na floresta um bicho esquisito que, dizem, comia gente… Chamava-se Mapinguari! Esse bicho eu sei que ninguém conhece, mas ele é conhecido de outro bicho que esse… Também ninguém conhece! Sabe que bicho era? Nada mais, nada menos do que o Rei Zilá, o Rei da escuridão… Bem, se isso é verdade eu não sei… O que eu sei é que essa história é mesmo de assustar, e começa assim…

Quero levantar da sombra

e o mundo dominar.

Quero fazer do escuro

um lugar pra se morar.

Quero um mundo diferente,

quero todo mundo respeitando a gente.

Quero um planeta sem cor,

quero que o perfume abandone a flor.

Eu sou Zilá, há, há, há, há!

Eu sou a sombra, há, há, há, há!

Faço do escuro um medo engasgado

e acato o lamento do choro vingado!

A sombra me aquece,

o terror engrandece,

a feiura estremece…

Eu sou o mestre!

Eu sou Zilá, há, há, há, há!

Eu sou a sombra, há, há, há, há!

Eu sou Zilá!

Caçador
Ilustração de Adilson Amaral

Só que nessa história não tem Zilá nenhum… Ele é só conhecido do Mapinguari, o tal bicho de nome esquisito que vivia na floresta! Ele era grande… Quase quatro metros! Tinha os cabelos vermelhos e as orelhas pontudas. Vivia no meio das árvores e imitava o pio dos pássaros… Fiu, fiu… prrrrit, prrrrit!

Em noite de lua cheia ele se transformava em menino, saia e entrava no terreiro das casas à procura de comida. Todos tinham medo dele, tinham medo da noite e tinham medo da lua…

— Besteira! Isso não existe… — diziam os mais jovens.

— Cuidado, meninos, com o bicho… — diziam os mais velhos.

Um dia, apareceu no terreiro da casa de um caçador um menino estranho. O caçador, ouvindo um barulho, foi até a janela, mas não viu ninguém. Até que ouviu um batido na porta…

TOC, TOC, TOC!

O caçador foi andando até a porta…

— É… Quem está aí?

— É o bich… Quer dizer, é um menino…

— Menino?!

O caçador, então, lembrou que aquela noite era noite de lua cheia! E já meio amedrontado, perguntou:

— E o que você quer, me-me-menino?

— Ah, apenas um pouco de comida!

Comida? Menino?! Lua??!! E o caçador já bastante amedrontado, perguntou:

— E o que, vo-você co-co-come, me-menino?

— Ah, qualquer coisa… Até mesmo um pedaço de pão!

Ah, que alívio! Não era o bicho, pois esse comia gente! O caçador, então, cheio de coragem abriu a porta…

NHÉÉÉÉÉÉ….

Quando ele abriu a porta… Sabe o que ele viu? Viu que, de fato, era um menino, e que ele tinha os cabelos vermelhos e as orelhas pontudas…

— Ai, meu Deus do céu!! É o bicho! É o bicho! Socorro, meu Deus do céu! Ai, ai, ai, ai, ai… Socorro! É o bicho, meu Deus!

— Sim, sou o bicho! Transformei-me em menino e vim me encontrar com o senhor!

— E vai me comer, bicho do mato?

— Do mato eu sou, do mato em vim, mas não vou comer ninguém… Vim para dizer que existo, mas não sou mal como dizem que sou!…

— Veio para dizer isso?! — perguntou o caçador admirado.

— Vim para pedir uma coisa! Não tenham medo de mim, como a todos os meus amigos animais. Vocês é que nos caçam, vocês é que nos comem e, muitas vezes, não por fome…

O caçador ouvindo isso abaixou a cabeça e, envergonhado, pediu desculpas pelas atitudes malvadas dele. Quando levantou a cabeça não mais viu o menino-bicho, que já havia voltado para a floresta. Ouviu apenas um som longo e fino sumindo pela noite.

Fiu, fiu… prrrrit, prrrrit!

Para ouvir o conto narrado, clique abaixo!

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Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.