O HOMEM; AS VIAGENS

Por Leandro Bertoldo Silva

Como ex-morador de Brumadinho, sinto muito e vejo com muito pesar mais esse acontecimento do rompimento da barragem do Córrego do Feijão apenas 3 anos depois do ocorrido em Mariana. É um momento em que a dor se aflora pelo descaso de tanta gente. E eu penso: quem é “essa gente” a não ser nós mesmos, com toda a nossa capacidade de ganância, de dinheiro e de poder, do querer levar vantagem sem medir esforços, sem respeitar sequer o nosso próprio planeta e quem dirá o próximo? E isso tudo para con-quis-tar, sendo incapazes de con-vi-ver.
Recolho-me à literatura e lembro Drummond. Busco na poesia um alento de mudança de sentido. Que as mudanças políticas, humanas e sociais comecem dentro de cada um de nós!

ANO NOVO, VIDA NOVA, TUDO NOVO!

Árvore dasletras

A ÁRVORE DAS LETRAS passa a incorporar em sua identidade o nome ESCOLA ATELIÊ. Para isso foi feita uma reformulação em seu espaço que estará oferecendo novos cursos, oficinas e atividades, como encontros de leitores e autores, oficinas de arte, artesanato e poesia.

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O espaço conta ainda com um showroom, onde é possível comprar peças de arte, mandalas e livros do selo Alforria Literária.

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E as mudanças não param por aí!

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Além disso, a ÁRVORE DAS LETRAS ATELIÊ está indo para além das fronteiras do Vale, levando seus trabalhos para outras cidades e regiões. Agora, você que não é de Padre Paraíso pode contratar oficinas, palestras e ter as nossas sementes plantadas para fazer florescer arte onde estiver!

Onde a literatura e a arte se completam!

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LIVRE COMO UM PASSARINHO

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Por Leandro Bertoldo Silva, do livro Entrelinhas Contos mínimos

“Algumas lembranças são confusas: umas me

fazem rir, quando lembro que chorei. Outras me

fazem chorar, quando lembro que rimos juntos”.

(Bob Marley)

“Pronto! Todo o esforço valeu a pena! Cheguei neste auditório como Alvinho e saio como Doutor Alvarenga Peixoto! As intermináveis provas, as leituras que me tiraram o sono… Tudo aqui neste diploma. Agora é ir para a advocacia e ser livre como um passarinho…”.

Recordar-se dessas palavras ditas há vinte anos, naqueles minutos fugidos para o café, enquanto olhava a rua pelas grades da janela de seu escritório, fazia-o lembrar do amigo de infância de quem um dia sentiu pena por não ter, como ele, estudado as letras. Agora, sentia pena de si no meio daquelas repartições, petições e processos igualmente intermináveis, enquanto, em algum lugar lá fora, talvez em alguma praia ouvindo o barulho do mar e sentindo a leve brisa do vento em seus cabelos, Tonho, o amigo iletrado, vendia seus biscoitos da sorte. Assim pensava quando foi interrompido por ter sido chamado, às pressas, para mais uma audiência, no mesmo instante em que um passarinho voou do peitoral da janela levando no bico um pedacinho de “sonho”…

Ouça a baixo a história narrada

O QUE A LITERATURA FAZ COM A GENTE…

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Por Leandro Bertoldo Silva

Acabei de ler o meu primeiro livro de 2019, precisamente dia 06 de janeiro, às 9h15 de um domingo, o livro 3 – O Bebedor de Horizontes – da trilogia As Areias do Imperador, de Mia Couto. Arrepio enquanto escrevo e não sei porque seguro o choro… Não li um livro, li centenas de vidas que se desanuviaram em minha frente perante os meus olhos. Se as lágrimas não saem por eles é porque lavam-me a alma… Estou em outro lugar que sei que irei revisitar sempre que me lembrar desta história e da maneira com que foi escrita. O que a literatura faz com a gente não dá para explicar…