BOOKSCREEN – LITERATURA NA PALMA DAS MÃOS (E COM SEGURANÇA)

bookscreen

O BOOKSCREEN da Árvore das Letras, que em sua tradução literal é “tela de livros”, é uma nova experiência de leitura compartilhada e planejada entre grupos de pessoas. O objetivo é oferecer uma leitura organizada que pode ser por capítulos ou número de páginas, dependendo do objetivo proposto.

Dessa forma, é possível mensurar o dia do início e do término da leitura da obra escolhida e todos estarão lendo no mesmo ritmo, proporcionando uma maior interação entre os participantes.

Inicialmente, o BOOKSCREEN foi criado para os alunos da Árvore das Letras, mas, devido a sua interatividade, qualquer pessoa, independente de onde esteja, pode participar ativamente das leituras.

Sendo assim, como funciona?

Escolhido o livro, a forma de leitura (se por capítulos ou nº de páginas) e a periodicidade (se diária ou semanal), serão adotadas as seguintes etapas:

1º) Os textos (páginas ou capítulos) serão publicados em um link específico aqui no blog da Árvore das Letras e estarão disponíveis para leitura;

2º) Será criado um grupo no whatsapp, onde todos os participantes receberão o link de acesso ao texto publicado no blog;

3º) Os participantes farão a leitura no tempo estipulado;

4º) Os participantes poderão escrever nos comentários das publicações um parecer (síntese) sobre o que leu. Este parecer, além da prática da escrita, será fundamental para o debate, que é o próximo passo;

5º) Em sala de aula ou em fóruns de discussão pela internet, serão debatidas as páginas ou capítulos lidos. No caso de pessoas estarem em outras localidades, os comentários deixados na página servirão de muito auxílio para esse momento.

6º) O mesmo processo será repetido até o término do livro;

7º) Ao final da leitura, o livro físico será sorteado para todos os que participaram nos comentários das postagens, sem custo de envio.

NÃO É UMA MANEIRA INTERESSANTE E SEGURA DE COMPARTILHAR LEITURA?

Se você não é aluno da Árvore das Letras e deseja participar, fique atento nas nossas redes sociais e envie mensagem dizendo do seu interesse de fazer parte dos grupos.

Estaremos lendo dois livros a partir do dia 22/03/2020: Janelas da Alma – uma tempestade íntima, um conflito, um retorno (de Leandro Bertoldo Silva) e A Ilha Perdida (de Maria José Dupré – Coleção Vagalume).

Entre em contato para saber mais informações.

Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.

(DES)ENCONTRO

(Des)Encontro

A vida é a arte do encontro, embora

haja tantos desencontros pela vida.

 – Vinícius de Moraes –

— Certa vez, a rosa se enfeitara de flores para ser percebida. Nem assim conseguia.

— Como?!

— Certa vez, a rosa se enfeitara de flores para…

— O que? Só um minuto, por favor, o celular… […] Sim, agora pode falar.

— Certa vez, a rosa se enfeitara…

— Nossa, me lembrei de que tinha que ter postado aquela foto ontem! Desculpe, sim… Então…

— Certa vez, a rosa se…

— Preciso trocar este telefone… Ah, desculpe. O que estava mesmo dizendo?

— Certa vez…

— Será que pedimos batata frita ou hambúrguer na chapa? Bem, parece que você estava dizendo alguma coisa…

— Certa… mente.

— O que?

— Nada. Quero ir embora.

— Você é sempre assim! Depois diz que não te dou atenção…

A CADEIRAERRANTE

Tina

Por Leandro Bertoldo Silva.

Perdi o medo de mim. Adeus.

 – Adélia Prado –

Sou eu. Sou eu que ponho perfume nas flores, sou eu que alimento o sopro dos ventos, que tinjo de luz o negrume da noite a sustentar-me em asas descoladas.

             Valentina acordou com essas palavras a fazerem versos em sua mente. Estranhou o fato de não ser alguém a lhe dizer isso em sonho que já não lembrava, mas de ser o próprio sonho que a despertava. Aquele não seria mais um dia comum… No vazio de sua existência, onde insistiam em mantê-la em uma viagem permanente que a distanciava cada vez mais de onde queria estar, perfilava a fronteira entre a sombra e o esplendor do sol que a separava da imobilidade. Valentina, valente, tinha no nome a fonte: a coragem e a força de emplumar-se, como aves, a liberdade de sua alma. E daí que vivia em uma cadeira de rodas? Acaso não existia? Não havia lugar em que não pudesse ir nem havia nada que não pudesse fazer. Levantou-se, preparou-se num esmero de namorada e linda, como nunca havia deixado de ser, mirou-se no espelho para, antes de chamar a todos e anunciar sua nova presença, chamar a si mesma.

Horas achadas ficou remirando seu rosto e seu corpo enxergando além deles. Descobria-se… Valentina virou Tina, descolada do que lhe prendia. Surgia ali Tina Descolada e agora com uma razão de vida: ser uma cadeiraerrante sem limites a viajar pelo mundo dos sonhos e das possibilidades, descolando outras Tinas para a liberdade, e construir rampas de acesso ao coração das pessoas no lugar onde antes existiam escadas. Agora sim, podia chamar os outros. Estava na hora de voar…

(Agradecimento sempre especial à Marta Alencar, que escreveu o prefácio de meu primeiro livro Entrelinhas Contos mínimos, no qual contém essa história).

ENTRE O ANELO E O SUSPIRO

escritora

Por Leandro Bertoldo Silva

 

Aflição de ser água em meio à terra

e ter a face conturbada e imóvel.

E a um só tempo múltipla e imóvel.

 – Hilda Hilst –

Há momentos de mais puro esquecimento, esses momentos em que nossa alma se liberta em princípio de estado. Como é doce o não ter que ser…

Era o que pensava Jorge. Queria não ter que ser sempre, entregar-se a ele mesmo como as flores se entregam ao orvalho da manhã sem trocas e sem medos. Sempre teve [ou tive?] a visão desse encontro: ora era a flor, ora o orvalho, como ora era o escritor, ora o personagem, sem preferências ou escolhas que viessem destruir os versos que existem “entre o anelo e o suspiro”, como dizia aquela poesia guardada em um naco de memória.

Já era noite e toda noite era assim: nos preparávamos, eu e Jorge, para esquecer, nunca dormir. No esquecimento, não há sonhos – essa arrogância do pensamento. Isso já era eu que achava, em comunhão com meu personagem, que, a essa altura, já não sabíamos quem era ele e quem era eu. Não importa. Calávamos um para o outro no momento exato do esquecimento, fragrância milimétrica de tempo entre o estar acordado e o começar a dormir.

Pronto. Já foi. O barulho recomeça e o sonho invade os nossos pensamentos. Boa noite, Jorge. Amanhã volto a escrever-te.