VOCÊ TEM TODA RAZÃO EM NÃO GOSTAR DE LER! PONTO. FINAL? NEM TANTO… SAIBA COMO DEIXAR DE SER UM “LEITOR DE ESCOLA” E CONHEÇA 10 HÁBITOS QUE FARÃO DE VOCÊ UM LEITOR VERDADEIRO

Por Leandro Bertoldo Silva

Escrevi este artigo já há algum tempo. Mas como sou um entusiasta do livro e um incentivador da leitura e entendo perfeitamente os motivos que uma pessoa diz não gostar de ler, o publico novamente chamando à reflexão e fazendo a seguinte pergunta…

Você já passou por essa situação?

O dia da prova está chegando e você ainda nem começou a ler o livro.

Você finalmente vai à biblioteca e descobre que todos os livros já estão emprestados.

Para piorar, a prova vale 10 pontos…

 Pois é, vamos falar de leitura.

Mas calma! Não estou falando da leitura que você pensa ou, infelizmente, está acostumado, ou seja, essa leitura obrigatória, maçante da escola que o professor te obrigou para fazer uma prova. Fala a verdade: Ou você passa por isso ou já passou… E hoje, salvo um milagre, você tem horror a ler!

Aliás, deixe-me falar uma coisa: se este é o seu caso, você tem toda razão em não gostar de ler!

Estudos comprovam que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro.

Ou seja, embora o índice de leitura no Brasil, segundo a fonte de pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada no ESTADÃO, em sua 4º edição, tenha alcançado uma ligeira melhora de 2011 para cá (afinal, em 2011 os leitores representavam 50% da população e até 2016 atingimos 56%), o que dá, mais ou menos, uma média de 4 livros por ano, isso ainda é pouco.

O que isso significa?

Que, teoricamente, um pouco mais da metade dos leitores desse artigo já pararam de lê-lo… (rsrsrsr) Ponto. Final? Nem tanto… Calma lá! Há salvação!

“Teoricamente” porque uma boa notícia é que de 2011 para cá, vem aumentando o número de leitores na faixa etária entre 18 e 24 anos de 53% para 67%. Isso é fantástico! Talvez os motivos sejam o boom da literatura para este público. Nunca se leu tanto como agora em plataformas e redes sociais específicas. Isso é realmente bom. Agora, quanto a qualidade dessas leituras, bem, isso fica para um outro artigo…

Por hora, continue lendo para saber mais sobre:

  • Por que nunca se deve dar “provas de livro” nas escolas?
  • Por que ler NÃO é chato e que isso é uma coisa que, definitivamente, FOI feita para você?
  • E um presente… Saiba como deixar de ser um “leitor de escola” e conheça 10 hábitos poderosos que farão de você um leitor verdadeiro.
  • Mais um presente! Uma deliciosa entrevista com o ativista literária Paulo Fernandes para ver e ouvir degustando cada palavra desse amante da leitura.

Se você se identificou, aproveite para enviar este artigo para um amigo ou amiga que, às vezes, como você, também passa pelos mesmos questionamentos. Ao final dele, você entenderá como pode ser mágico o mundo da leitura.

POR QUE NUNCA SE DEVE DAR “PROVAS DE LIVRO” NAS ESCOLAS?

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Eu também sofri, e muito, com isso. Sofri tanto que quando me tornei professor, a primeira coisa que decidi foi: “NUNCA darei uma prova de livro na minha vida!” E sabe por quê? Porque essa é uma das razões que mais destroem leitores no mundo, fazendo com que eles tomem horror ao que poderia ser extremamente prazeroso.

Todo mundo nasce gostando de livros! Isso é, portanto, natural. Dê um livro a uma criança de colo e observe o prazer, a curiosidade, o encantamento que ela fica. “Ah, mas ela está encantada são com as gravuras, os desenhos…”

E quem disse que lemos só palavras?

Elas virão a seu tempo, acompanhadas do gosto das imagens, quando passamos a perceber que existe algo a mais que complementam e até ultrapassam aquelas cores e formas.

Infelizmente, sinto em dizer que o que lhe faltou foi um professor ou professora para lhe estender a mão e o conduzir a um mundo mágico e não a um mundo de terror – por mais que lhe apresentasse livros de bruxas e monstros – de provas e notas.

Literatura não é disciplina, pelo menos não deveria ser. Por quê? Lembra-se da pesquisa? Pois vamos a outros dados que todo professor deveria conhecer:

Entre as principais motivações para ler um livro, entre os que se consideram leitores, estão gosto (25%), atualização cultural (19%), distração (15%), motivos religiosos (11%), crescimento pessoal (10%), exigência escolar… (7%)!

Ou seja, a atual (e quase unânime) forma de “obrigar” uma pessoa a ler na escola para fazer prova, é um verdadeiro “tiro no pé”. É preciso entender, de uma vez por todas, que literatura não é disciplina escolar; literatura é ARTE e é como ARTE que deveríamos lê-la.

Há muitas maneiras de avaliar uma leitura que não a temida e “Inútil” prova. Sim, Inútil mesmo, com I Maiúsculo! Mas em outra oportunidade, menciono aqui algumas ações que testei e obtive muito sucesso com meus alunos e leitores, ações que ficaram na memória, principalmente deles, e o resultado foi “resgatar” alguns leitores perdidos que “achavam” que não gostavam de ler.

POR QUE LER NÃO É CHATO E POR QUE ISSO É UMA COISA QUE, DEFINITIVAMENTE, FOI FEITA PARA VOCÊ?

Em meio a todo esse cenário, só há uma forma de resolver a questão:

É preciso “discutir a relação”.

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A boa notícia é que sim, é possível mudar a sua relação com os livros e com a leitura; a má notícia (pelo menos para a grande maioria das pessoas) é que você vai ter que querer… E isso demandará força de vontade, amor e compromisso.

Acontece, que muitas são as pessoas que querem colher novos frutos, mas não estão dispostas a abrir mão das velhas sementes, ou seja, querem mágica! Aí, meu amigo e minha amiga, é melhor desistir antes mesmo de começar… Não estou sendo duro, estou sendo realista. Colhemos o que plantamos!

MAS VOCÊ É UMA PESSOA QUE QUER COLHER NOVOS FRUTOS E SABE QUE EXISTE DENTRO DE VOCÊ UM LEITOR EM POTENCIAL!

Sabe e quer libertar este leitor, ou mesmo acariciá-lo ainda mais e descobrir novos hábitos, novas formas de ler, de se envolver com as páginas e com as letras. Um desses é o seu caso? Viva! É só começar…

Veja, abaixo, algumas dicas bem úteis que funcionam muito comigo, pode ser que funcione com você também, e se souber de outras que venham complementá-las, não excite em compartilhar, comentar, divulgar. Saiba que você pode estar resgatando outros leitores…

10 HÁBITOS PODEROSOS QUE FARÃO DE VOCÊ UM LEITOR VERDADEIRO
Dica # 1 – Identifique o que você gosta
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Esse é o PRIMEIRO passo! Identificar o que você gosta, vai fazer você ler com mais interesse, com mais vontade. A lista de opções é imensa: romance, biografia, contos, espiritualidade, fantasia… E lembre-se: PERMITA-SE GOSTAR! Conheço muitas pessoas que falavam que não gostavam de ler, tinham preguiça, mas que quando se davam a oportunidade de forma realmente entregue, só paravam de ler ao término da última página… O segredo é só começar!

Dica # 2 – Visite uma biblioteca ou livraria
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Se você já entrou em uma livraria sabe do que estou falando! Se não, experimente! O clima é altamente favorável, com muitos livros à disposição. Hoje, muitas investem no bem-estar e permitem que você folheie os livros e até leia-os, além de servir café, chá, sucos… Mas há também as bibliotecas municipais e de bairros que disponibilizam os livros e você nem precisa pagar por eles. O importante é estar entre eles!

Dica # 3 – Crie um espaço de leitura
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O espaço é muito importante, afinal, você não vai querer ler em um ambiente barulhento, desorganizado… Encontre um local que seja limpo, iluminado, confortável. Pode ser que você gosta de ler na rede, ou mesmo debaixo de uma árvore no quintal ou no banco da praça, quem sabe à beira mar… Eu, quando criança, gostava de ler em cima da árvore… Só você saberá o que lhe agrada mais. No sofá da sala também é bom. Seja onde for, o importante é que você o prepare e se prepara para isso, sem televisão ou qualquer coisa que venha atrapalhar sua atenção.

Dica # 4 – Descubra o seu horário
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Todos nós temos um horário mais propício à leitura, seja por questão de tempo e trabalho, seja por questão até mesmo fisiológica. Alguns preferem ler à noite, outros de manhã. Isso vai depender da sua disponibilidade. O importante é que, dentro do tempo disponível, não importa se muito ou pouco, você o obedeça e leia. Verá que, gradativamente, você vai querer ler mais e mais…

Dica # 5 – Converse sobre os seus livros
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Conversar sobre o que você está lendo com amigos, professores e familiares fará você aprimorar o seu gosto pelos livros – eu garanto! Esse é um hábito saudável que aumenta e massageia a sua autoestima, além de estreitar laços de amizades e, por que não, criar novos amigos que, como você, também lê, aumentando o seu círculo de convívio, além de trocar sugestões de leituras.

Dica # 6 – Leia a contracapa e as orelhas do livro

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Nestes locais está a essência do livro sem que ela seja inteiramente desvendada. É o primeiro contato que temos com o que vai ser lido e com o autor do mesmo. Se o assunto lhe agradar, vá em frente; se não, abra outros e se divirta nessa procura.

Dica # 7 – Pesquise sobre o autor ou autora e descubra sobre sua época e sua história
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Essa é uma dica que eu sempre dou. Pesquisar sobre o autor e sua época, além de aumentar a sua cultura e conhecimento, irá fazer você entender melhor a obra, pois saberá o porquê de muitas passagens, estilo de escrita e relacioná-los ao contexto histórico, fazendo você absorver muito mais o conteúdo da história.

Dica # 8 – comece devagar, sem pressa, curtindo o que está fazendo
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A melhor coisa é estar sempre sentindo prazer na leitura. Para isso, se você ainda não tem este hábito e costume, comece devagar… Não inicie com autores muito complexos; eles chegarão ao seu tempo. Comece com pequenas histórias e vá aumentando, aos poucos, o seu repertório. Lembre-se: Tem que valer a pena! Ler é prazer.

Dica # 9 – Ande sempre com o seu livro e, na hora de dormir, deixe-o na cabeceira da cama perto de você.
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Andar sempre com o livro irá fazer você se habituar a ele. Mesmo na era tecnológica de hoje, que você pode ter centenas de livros em um aplicativo de celular, experimente andar com um livro físico em sua bolsa, mochila, enfim. Quando estiver na fila de um banco, naquela horinha da sobremesa em um restaurante e em outros momentos, pegue seu livro, abra e leia. Verá que começará a ter outra relação de proximidade com ele, além de massagear também o seu ego, pois as pessoas o olharão como pessoa culta e polida. E não se esqueça de, na hora de dormir, colocá-lo perto de você, afinal, ele já vai ter se tornado seu grande amigo.

Dica # 10 – Faça anotações sobre a sua leitura e, no final, indique-a a um amigo.
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Fazer anotações sobre o que você lê favorece a compreensão e a interpretação, além de fazer você ficar mais íntimo com o livro e o que ele está te contando… Indicar uma leitura, além de ser um ato altruísta, demonstra sua cultura e cidadania. O país necessita de mais leitores e uma ação puxa a outra. Essa é uma corrente que vale a pena!

E então, gostou das dicas? Espero que elas tenham sido úteis para melhorar a sua vida leitora e que tenha se conscientizado de que ler é um prazer altamente possível de alcançar.

Você conhece alguém que adoraria receber essas dicas?

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E, para finalizar, eu adoraria saber a sua opinião sobre esse artigo.

Deixe um comentário logo abaixo sobre o que você mais gostou, ou sobre alguma dica que não esteja aqui e você deseja compartilhar ou até mesmo alguma crítica sobre esse texto.

Ah, e não se esqueça: agora é a melhor hora para você criar uma nova relação e comprometimento com a sua leitura.

Há um mundo inteiro a ser desvendado pelas páginas dos livros… Ainda duvida? Então assista essa entrevista pra lá de incentivadora com o Paulo Fernandes.

Permita-se!

Boas leituras…

UMA PEQUENA ADVERTÊNCIA OU, PELO MENOS, PARTE DELA…

Por Leandro Bertoldo Silva

[…] Durante algum tempo, hesitei se deveria ou não abrir esta história ao conhecimento de todos, ou melhor, estas histórias, pois foram muitas as contadas pelo meu amigo finado. Sinto-me um tanto perplexo com a possibilidade de me acharem desviado das ideias e quererem me internar num manicômio, mas como fugir à realidade de ter sido escolhido o seu ouvinte? De fato, o meu herói – pois acabou por se tornar para mim um grande herói – escolheu-me. Hesitei-me, como disse, por um bom tempo, suficiente para encher-me de coragem e perder o medo do que as pessoas poderiam dizer, o que inclui o leitor e a leitora e, respeitosamente, dar-lhes uma bela e ostentosa “banana”. Não, não estou nervoso. É apenas um desabafo íntimo. É preciso convir que uma pessoa que recebe pontualmente, como se verá, a visita de um ectoplasma ilustre, com um gosto refinado para o café e um bom papo madrugada adentro e que, além disso, vinha guardando e duvidando se deveria ou não dizer, mas louco para fazê-lo, merece um instante de vazão. Caso contradigam-me, dizendo: “você é um louco”; “fanfarrão”; “contador de histórias”, não tem importância. Medo já não tenho mais, e, a propósito desse último xingamento, devo elucidar que seria injusto, pois histórias nunca soube contá-las, embora as aprecie; eu apenas ouvia, por sinal muito bem traçadas e até diria interpretadas pelo meu amigo defunto, ou melhor, morto, pois defunto já não era mais. Antes que eu me renda à tentativa de teorizar sobre a diferença de ser defunto e ser morto, vamos às histórias… […]

Assim, Xavier de Novais, o personagem-narrador deste livro, abre estas histórias contadas por seu amigo Aarão Reis, ele mesmo: engenheiro chefe que, juntamente com alguns amigos, arquitetou a chamada “Nova Capital”, que hoje nada mais é que a nossa tão linda e formosa cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Este livro, aprovado pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerias, via Lei Aldir Blanc, estará à disposição de todos nos próximos meses. Até lá, acompanhem algumas passagens em imagens e pequenas doses deste que é o meu quinto livro publicado pela Alforria Literária, da Árvore das Letras.

É cada história…

2020, UM ANO QUE MARCOU “HISTÓRIA”!

Para uns positiva, para outros nem tanto e eu compreendo. Compreendo as perdas e sinto muito, muito mesmo por todas elas. Mas devo dizer que para mim 2020 foi sublime pela oportunidade de olhar no espelho de minha alma e ter coragem de ser quem sou, de dizer sim para o que se apresentava, mas sem medo de dizer não quando foi preciso e fazer escolhas.

De repente veio a vida e nos exigiu transparências. Se pudesse falar alguma coisa a esse “inimigo” invisível, parafrasearia Chico Buarque e diria: “apesar de você os meus amanhãs sempre foram outros dias”, onde criei, escrevi, conheci pessoas, fiz amigos, estive presente com minha família, resgatei laços de convívios valorizando ao máximo o mínimo que a situação proporcionava; não saí de casa, mas viajei o mundo inteiro nas páginas dos livros que li (e foram muitos), acordei sonhos, contei histórias. Mas, acima de tudo isso, fui Natureza. Por quê? Porque ela sempre dá um jeito.

Gratidão a todos que compartilharam comigo os seus caminhos, que abriram as portas do coração e permitiram esse encontro. Que 2021 chegue com suas aventuras trazendo vida.

forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

A LENDA DO PINHEIRO DE NATAL

Em um dia que todos deixam suas mensagens, deixo a minha em forma de história, que é onde melhor eu me faço, agradecendo e desejando que ao longo desse ano muitos aprendizados e reflexões possam ter ocorrido. Desejo todo amor do mundo, um dia e uma noite de paz na certeza que tudo faz parte de um grande plano divino.

Nesta história você irá descobrir por que o pinheiro é considerado a árvore símbolo do Natal e saber onde e como surgiu a “Noite Feliz”… Esta história, juntamente com outra – “A dieta do Papai Noel” – contada por meu amigo Pierre André, é um presente que oferecemos diretamente do nosso “barco dos sonhos”. Acesse aqui – https://youtu.be/FV5a6nc46Yc – para assistir também a história do Pierre e FELIZ NATAL!


Sigamos com fé porque a vida é maravilhosa!

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

QUIXOTE DAS GERAIS

ESCRITOR MINEIRO NO VALE DO JEQUITINHONHA CONSTRÓI UMA PRENSA DE MADEIRA – A “PAULA BRITO” – POR ONDE CONFECCIONA E PUBLICA OS SEUS LIVROS QUE JÁ SÃO ENVIADOS DO NORTE AO SUL DO BRASIL.

Sou escritor, portanto preciso de uma editora para publicar os meus livros… Bem, há controvérsias! Talvez este seja o sonho de 99,9% dos escritores Brasileiros e até fora do Brasil. Talvez este seja o desejo daqueles que querem vender milhares de livros ou, pelo menos, tê-los nas prateleiras das livrarias levados pela famosa pergunta: “o que as editoras querem?”. Devo dizer com muita humildade que não é o meu sonho e, embora não seja contra as editoras, nunca ninguém havia me perguntado o que eu queria delas. E longe de pensar que eu seja um escritor que não deseja vender os meus livros, que não me preocupo com marketing e essas coisas do tipo, não, não é assim; eu me preocupo, eu quero vender os meus livros e vê-los nas mãos dos leitores, mas de um jeito que seja o meu propósito literário e não o dos outros.

Por isso escolhi o caminho da alforria literária. Aliás, esse é o nome do selo criado na Árvore das Letras, minha escola e editora independente. Por ela publiquei 4 livros entre romance, contos, poesia e infantil e estou indo para o meu 5º livro e segundo romance, todos feitos de forma sustentável, com papel reciclado e ecológico, prensados, colados e costurados à mão. Por ela também publiquei outros escritores que, como eu, acredita no Pequeno Príncipe ao pensar que o essencial é invisível aos olhos, bem, não tão invisível assim, pois a “Paula Brito” existe e hoje, após 3 anos da minha alforria, tenho livros vendidos e enviados para várias cidades em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Curitiba e também participei da Feira do Livro do Porto, em Portugal neste ano de 2020, onde, além do conteúdo literário, mostrei o meu processo de produção.

Recebi carinhosamente por um amigo a alcunha de Quixote das Gerais. Pode ser que eu seja mesmo ao acreditar que é possível construir um novo caminho e consolidar esse caminho como uma nova forma de fazer e consumir literatura. É o que venho fazendo entre os muitos moinhos de vento…

Mas se quiser saber melhor sobre essa história, sobre os meus livros, sobre a “Paula Brito” e como eu venho construindo esse lugar está tudo aqui neste blog. Entre e fique a vontade. Se quiser falar comigo, terei muito prazer em atender, é só enviar uma mensagem, me seguir no Instagram, acompanhar os meus vídeos no Youtube.

Quero terminar citando George Bernard Shaw ao dizer: “Alguns homens observam o mundo e se perguntam “por quê?”. Outros homens observam o mundo e se perguntam “por que não?”.

É neste lugar que eu me encontro.

Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS

Este vídeo é um incentivo à leitura de um dos clássicos mais importantes da nossa literatura brasileira. E é também um recado aos professores e às escolas…

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas”

Com essa dedicatória – uma das mais emblemáticas de toda a história da literatura de todos os tempos – inicia-se Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, um clássico do final do século XIX, que conta a história de Brás Cubas que, depois de morrer, resolve voltar para narrar suas histórias e reviver os pontos mais importantes da sua vida.

Neste vídeo vai narrado a cena do enterro, a primeira, já invertendo genialmente o fim e o começo…

2º LEITURA COMPARTILHADA – O PEQUENO PRÍNCIPE

Depois da leitura compartilhada de “Alice no país das Maravilhas”, vamos para o nosso próximo livro: O PEQUENO PRÍNCIPE, de Antoine de Saint-Exupéry, uma obra de apelo universal, ainda mais em tempos que estamos vivendo; um clássico que abriga valiosas lições de humanidade.

A leitura vai começar no dia 31 de outubro e terminar no dia 14 de novembro.

Um pouquinho diferente da primeira leitura, nesta iremos alternar entre leituras individuais e leituras propriamente em grupo durante os encontros pelo google meet. No encontro final teremos a presença da psicóloga Wal Sabino, que abordará questões da obra lida.

Vamos nessa? Busquem o livro e se programem aí! Confiram a programação completa aqui mesmo no blog clicando em LEITURA COMPARTILHADA na barra de Menu.

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

PRIMEIRA LEITURA COMPARTILHADA – ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

E assim foi a nossa conclusão da primeira leitura compartilhada com o livro Alice no país das Maravilhas, de Lewis Carroll. Foram 3 encontros maravilhosos, em que todos tiveram uma participação ativa e integrada. Momento de muita riqueza literária, filosófica e de descobertas a partir dos personagens da obra. Agradeço a todos que vieram nessa viagem de leitura conosco, que se empenharam e demonstraram ser a leitura algo extremamente prazeroso, bem diferente da obrigatoriedade das escolas; Agradeço também ao Paulo Fernandes com seu vasto conhecimento literário e de leitor experimentado, que muito contribuiu para a dinâmica dos encontros e Elania Pinheiro que nos trouxe, com seus conhecimentos de psicologia, um belo panorama de toda obra.

E agora?

Vamos para a nossa próxima leitura: O PEQUENO PRÍNCIPE, de Antoine de Saint-Exupéry!

Quer vir coma agente? Se atente em nossas redes sociais. Em breve a nova programação.

Abaixo o texto Para Maria da Graça, de Paulo Mendes Campos, do livro (“O Amor Acaba”), lido em ocasio da conclusão do encontro.

Para Maria da Graça

Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas. Este livro é doido, Maria. Isto é, o sentido dele está em ti.

Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, acabarás louca.

Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade. A realidade, Maria, é louca.

Nem o papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano.  “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrastes essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra feia que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.

Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes consequências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.

Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave. A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes ao dia: “Oh, I beg your pardon!”.  Pois viver é falar de corda em casa de enforcado.

Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosse eu?”.

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não sabe quem venceu. Se tiveres que ir a algum lugar, não te preocupes com a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar.

Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.

Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance.” Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só um jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos, irremediáveis, Maria.

Os milagres acontecem sempre na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar.

Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

E escuta essa parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo como hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte.

É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos.

O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar em disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo.

E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.

Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá.

A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado.

Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.

Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira da nossa dor, Maria da Graça.

Por Luana Castro Alves Perez

Para Maria da Graça – Paulo Mendes Campos (do livro “O Amor Acaba”)

REFERÊNCIAS

https://www.portugues.com.br/literatura/paulo-mendes-campos.html

https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/7147/para-maria-da-graca