ONDE OS OLHOS ÀS VEZES NÃO PODEM ALCANÇAR

Por Leandro Bertoldo Silva

Você já deve ter ouvido a seguinte frase: “Um rio não passa duas vezes no mesmo lugar” ou “ninguém entra duas vezes no mesmo rio”.

Essa frase é atribuída ao filósofo grego Heráclito, que enfatiza a impermanência e a transformação inerente à natureza humana.

Nunca somos as mesmas pessoas de um instante anterior, estamos sempre em transformação. Assim é a vida.

Por isso, não devemos nos inquietar se algo não está acontecendo da forma que gostaríamos. Às vezes tudo que precisamos fazer é deixar as águas passarem até que tudo mude. É também como abrir as janelas da nossa existência e deixar que mudanças ocorram.

A natureza é sempre uma excelente fonte de observação. Considere, por exemplo, as borboletas… Elas são símbolos de transformação no clássico arquétipo da metamorfose. As borboletas sugerem que podemos emergir de um estado de isolamento (casulo) para estarmos no mundo (liberdade) de uma forma mais integrada, sem exigir rupturas radicais. De novo, lembremo-nos da água, ela simplesmente passa pelos obstáculos mansa e calmamente.

Transformar é mudar e para que mudanças ocorram dentro da gente é preciso sensibilidade, paciência e muita persistência.

Muitas vezes queremos que as mudanças sejam rápidas, de uma hora para outra, e nem sempre é assim que acontece. É preciso o tempo das esperas. As mudanças verdadeiras acontecem nas sutilezas, onde os olhos às vezes não podem alcançar, mas o coração se preenche de verdades.

Onde está a verdade do seu coração? O que você gostaria de transformar ou ter transformado em sua vida?

Para ajudar nessa reflexão, apresento a história de minha autoria “A menina que fazia borboletas” que fala de Silvinha, uma menina autista que, por essa razão, vivia sozinha e sem amigos, a não ser um menino que sempre a visitava. Embora ele tentasse se comunicar com ela, não obtinha sucesso, mas continuava ao lado dela na companhia do silêncio. Assim eram todos os dias, até que numa manhã uma borboleta entrou voando pela janela do quarto e algo incrível aconteceu…

Ouça essa história na linda narração de Pierre André.

Um forte abraço e até a próxima.

O POETA DA PÁTRIA EM RASCUNHO

Por Tomé Nasapulo Kapiãla

O militante é um poeta de capacete, escreve versos com as mãos sujas de realidade e os bolsos cheios de sonhos. Não rima por vaidade, rima por necessidade: cada estrofe é um “deveria ser” lançado contra o muro teimoso do “sempre foi assim”. Já o cidadão é o leitor desses poemas públicos, lê-os nas paredes descascadas, nas filas intermináveis, nos discursos mal pontuados. Uns leem em silêncio, outros sublinham com raiva, há quem dobre a página e finja que não viu, mas todos, sem exceção, vivem dentro do livro.

A militância nasce quando o poeta se cansa de escrever só para a gaveta e resolve declamar na praça. É nesse instante que o sonho vira barulho e a metáfora vira incômodo. Porque sonhar, neste País, é actividade suspeita: quem imagina demais acaba acusado de desrespeito à realidade, como se a realidade fosse uma senhora frágil que não suporta ser contrariada.

A cidadania, por sua vez, chega com manual de instruções: pode usufruir, mas não questione; pode reclamar, mas baixinho; pode sonhar, desde que não acorde os outros. E assim, o cidadão é convidado a ser leitor obediente, nunca coautor. Aplaudir o poema é permitido, corrigir o verso é quase crime.

Mas todo poeta sabe, e todo leitor atento desconfia, que um poema só se completa quando é lido com espírito crítico. Do mesmo modo, uma pátria só amadurece quando entende que crítica não é ofensa, é revisão ortográfica do futuro. O erro não está em quem aponta a falha, mas em quem insiste em chamar rascunho de obra final.

No fundo, militantes e cidadãos partilham a mesma página. Uns escrevem com urgência, outros leem com esperança. O problema começa quando o editor, essa entidade invisível chamada poder, decide censurar os versos e acusar o poeta de antipatriótico, esquecendo-se de que não há pátria sem poesia, nem progresso sem quem ouse imaginar diferente.

E assim seguimos: poetas a construir a realidade com sonhos, leitores a aprender que ler também é um acto político. Porque, mais cedo ou mais tarde, todo leitor consciente percebe que não basta virar a página, é preciso ajudar a escrever o próximo capítulo.

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Emílio Tomé Cinco Reis de pseudónimo literário Tomé Nasapulo Kapiãla, angolano, natural da província do Huambo, planalto central, licenciado em Geologia faculdade de ciências naturais, universidade pública, Agostinho Neto. É professor do ensino secundário do 2° ciclo do Liceu Público N° 4019 ex-IMNE de Cacuaco “24 de Junho”, lecciona a disciplina de Física e dirigente comunitário da comunidade dos Imbondeiros Cacuaco, província de Luanda.

COMO ENCONTRAR O AMOR?

Por Simone Kelly de Oliveira

Será que ele tem a mesma sensação de esperar alguém com muita saudade no aeroporto, depois de uma longa viagem? Alguém que vai sair do portão de desembarque, te abraçar, e aquele abraço faz o seu coração vibrar… 

É sobre encontrar a árvore do desejo e pedir o fruto do amor? 

Mas eu pergunto a você: o amor tem várias características? A vivência humana precisa de amor em todos os relacionamentos. E, sobre relacionamento, há um muito polêmico: o entre cônjuges. 

Ah, lembrei-me de uma obra de muito sucesso, intitulada — Os Homens são de Marte, as Mulheres são de Vênus —. Por isso se distinguem demais. Será? 

Para mim, homens e mulheres não pertencem totalmente a planetas diferentes, porque, no fundo, todos só querem amar e se sentir amados. 

Pois é natural que o amor ofereça afeto, carinho, ternura e tudo de agradável que ele pode dar. Mas há também as lutas, as diferenças, as dores terrenas que ele — o amor sublime — pode superar, porque “o amor tudo suporta”. 1 Coríntios 13:7, Bíblia Sagrada: “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. 

Então, o amor, na verdade, é uma lição de aprendizado e depende do valor que você dá diante das circunstâncias. 

Mas ele é plenitude, fascinante. E deve ser por isso que, no fundo, para alguns é tão difícil conjugar o verbo amar. 

Talvez não haja resposta para essa pergunta que eu possa afirmar. Quem sou eu para tal julgamento apontar? Pois há na vida experiências que cada coração pode analisar. 

Mas o que importa, no fundo de nossas almas humanas imperfeitas é estar nos braços do verdadeiro verbo amar. 

Talvez não seja fácil percebermos, talvez não seja fácil encontrar. E creio que, certamente, a maioria quer se abrigar onde ele está. É a estrada onde muitos querem chegar. 

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Simone Kelly Costa de Oliveira do Nascimento nasceu em Belém (PA).Professora de Língua e Literatura Portuguesa, do Ensino Fundamental e Médio, graduada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Letras Língua e Literatura Portuguesa, pós-graduada em Educação Especial e Psicopedagogia. Acadêmico Efetiva Imortal ALSPA, Academia de São Pedro da Aldeia -RJ. Recebeu a honraria “Mérito Acadêmico Charles Dickens ALSPA”, Academia de Letras São Pedro da Aldeia -RJ.

O NASCIMENTO DE UM POEMA

Por Saiory Gutierrez

Pouco se fala sobre o bloqueio criativo de um escritor, que tem muito a escrever, mas não sabe por onde começar. Durante um dos eventos de Biblioterapia mediado pelo Leandro —  por acaso, o dono desse blog — que participei, ele desenvolve uma dinâmica interessante para a escrita, onde nos inspiramos na escrita de outros autores, fazendo um quebra cabeça de palavras, mas que no fim, se torna uma poesia.

“Lábio;

As lágrimas que choro, branca e calma, ninguém as vê brotar dentro da alma;

Em que espelho ficou perdida minha face?

Me dê a coragem de viver 365 dias e noites, todos vazios da tua presença.

Azul, Magenta, Laranja.

Lágrimas Ocultas;

Retrato;

Meu Deus, me dê coragem!

Coragem, plenitude, êxtase,

Amargo, Olhos, Face,

Cismar, grave, brandura.

A arte liberta aquilo que não somos capazes de dizer.”

Esse foi um texto simples que produzi em um desses momentos de Biblioterapia, que pode parecer simples à primeira vista, mas para mim, que o escrevi e escolhi cada parte do texto, fica visível as emoções que senti em cada palavra! Dessas “simples” palavras consigo exprimir novos textos, poemas e sentimentos. Nascemos para sentir e expressar nossos sentimentos com a arte! Que no meu caso, é a escrita e a música, mas no seu caso pode ser o desenho, a pintura, ou até mesmo artes marciais! Não se deixe esquecer do que nascemos para fazer! Não se esqueça dos seus hobbies, dos seus gostos, e principalmente, da sua essência! Viva a arte em toda a sua grandeza.

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Saiory Gutierrez é estudante do ensino médio, se formando em Gestão Empreendedora integrado ao Ensino Médio, militante feminista pelo Levante Popular da Juventude, presidente do Grêmio Central do IFNMG e uma grande estoica! Expressa profundamente suas emoções através da arte!