O HOMEM QUE CONTAVA HISTÓRIAS

Por Leandro Bertoldo Silva

Talvez uma das características mais marcantes dos seres humanos é a capacidade de contar histórias. Temos necessidade delas. Não seria exagero dizer: são as histórias a nos manterem vivos, pois a falta delas representa a falta da existência.

Quando contamos histórias damos vazão a nossa voz interna, aquela parte de nós que necessita expressar-se, mesmo quando o mundo parece não escutar.

Contar histórias, seja falada ou escrita, é uma forma de não silenciar a alma, de dar continuidade à própria narrativa, mesmo diante das indiferenças.

Quantas vezes deixamos de falar o que sentimos ou mesmo escrever o que queremos apenas porque os outros “não escutam ou leem”?

É preciso saber que as histórias nos convidam a alcançarmos a autenticidade, não como forma de sermos reconhecidos, mas como forma de permanecermos inteiros.

Paradoxalmente, são nos momentos de solitude que alcançamos o sentido essencial de nossas vidas. Portanto, contar histórias passa a não ser mais para e sobre o outro, e sim para preservar a nossa própria humanidade.

Mesmo quando temos a sensação de não sermos ouvidos, seguir falando, escrevendo e criando é manter acesa a chama do (ser) humano.

Isso muda completamente o foco do fazer (para fora) para o ser (para dentro). Não é mais contar ou escrever para mudar o mundo, mas para não ser mudado por ele.

Tem uma história que ilustra perfeitamente esse pensamento. Como ela é curta, irei transcrevê-la aqui.

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Era uma vez um homem que, cansado de ver as pessoas de sua cidade sempre tensas, angustiadas e tristes, resolveu fazer algo por elas.

Como sabia de cor lindas histórias, sentou-se num banquinho no meio da praça e pôs-se a contar e a contar…

E assim o contador de histórias passava os seus dias…

A princípio, algumas pessoas paravam para ouvi-lo, curiosas. Mas só ficavam um pouquinho, pois tinham muita pressa, seu tempo era curto!

Mesmo assim, o homem não desistia: todos os dias, punha o seu banquinho na praça e contava as suas histórias repletas de fantasia.

O tempo passou…

Um dia o contador de histórias narrava, para uma plateia inexistente, uma maravilhosa fábula, quando um garotinho, puxando-o pela manga, interrompeu-o:

— Ei, tio! Será que você não percebeu que não tem ninguém ouvindo? Por que você insiste em contar essas histórias?

Então, o sábio homem respondeu:

— Olha, meu filho, antes eu contava histórias pensando em mudar o mundo; hoje, eu conto histórias para que o mundo não me mude…

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*Esta é uma história da tradição judaica que está no livro “O Homem que contava histórias”, de Rosane Pamplona e Sônia Magalhães.

Bem, acredito ter ficado clara a necessidade de continuarmos a contar histórias…

E você, qual história está contando na vida?

Um forte abraço e até a próxima.

O TEMPO QUE ESCOLHEMOS GUARDAR

Por Leandro Bertoldo Silva

Vocês já pararam para pensar na importância do tempo em nossas vidas?

Vocês conseguem valorizar cada momento para além da pressa cotidiana?

Muitas vezes o nosso dia a dia não nos permite perceber a grande obra da natureza, ou seja, nós mesmos dentro de um contexto de mudanças e transformações.

Por quantas coisas passamos, quantos momentos vividos… Se pensarmos que cada um deles nos forma como pessoa e é responsável pela nossa transformação, é salutar guardarmos na memória um pouquinho de cada dia.

Esse “guardar” oportuniza a conexão com nossas emoções e nossas memórias afetivas, fazendo com que organizamos sentimentos e experiências, abraçando não apenas o que é alegre, mas também o que traz saudade.

Quando revistamos nossas memórias afetivas sabemos o que é importante para nós. Porém, é preciso reconhecer o valor do passado sem se prender excessivamente a ele. O melhor é enxergá-lo com ternura para celebrar o presente e se preparar para o futuro.

Com tudo isso, deixo uma reflexão:

Quais memórias você guardaria e por quê?

Para inspirar sua reflexão, deixo também aqui abaixo a narração da história “Caixinha de guardar o tempo”, escrita pela Alessandra Roscoe e ilustrada por Alexandre Rampazo. Quem sabe, ao ouvir essa história, você também não sentirá o desejo de fazer como Sofia?

Forte abraço e até a próxima!