QUER OUVIR UMA HISTÓRIA?

Contação de histórias

“ELE IMAGINAVA que era rei, soldado, herói, pirata e domador. Era o que queria ser, porque era um sonhador…”

Foi ouvindo essa música tema do Pedrinho, do Sítio do Picapau Amarelo, que cresci de tamanho, mas continuei criança no coração porque nunca deixei de sonhar. Por muitos anos contei histórias em tantas cidades e lugares… Livrarias, eventos, feiras, simpósios e principalmente escolas. Mudei de Belo Horizonte para o Vale do Jequitinhonha e continuei contando histórias, só que através dos livros que comecei a escrever. Hoje tenho 4 livros publicados entre romance, contos, poesia e um infanto-juvenil. E este ano publico o meu quinto livro, que é fruto de uma longa pesquisa sobre as histórias e casos de Belo Horizonte e que tem como protagonistas Xavier de Novais — o segurança de uma livraria — e nada mais, nada menos do que o fantasma de Aarão Reis! É cada história…

Agora é hora de juntar as duas coisas — os livros e a oralidade — para que cada vez mais personagens sejam libertados e a magia e o encantamento nunca possam deixar de existir.

Quer ouvir uma história? Tenho muitas pra contar!

Uma mala, um violão, alguns livros, apitos, lenços e um mundo se abre aos nossos olhos…

Como na foto acima que, pelas carinhas das crianças, dá para perceber o quanto elas ficaram encantadas ao ouvir a saga do caçador que recebia no terreiro da sua casa o terrível bicho Mapinguari… Eita!

Clique no play abaixo para conhecer essa história e, se quiser conhecer outras, entre em contato! Terei o maior prazer em fazer uma visita levando minha mala repleta de livros e casos…

Entre em contato e se abra para um mundo de sonhos!

Whatsapp: (33)98437-0072

Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.

PRIMEIRO DIA DE AULA

Primeiro dia de aula

Nossas vidas são definidas por momentos.

Principalmente aqueles que nos

pegam de surpresa.

 – Bob Marley –

Primeiro dia de aula. Escola nova, novos colegas, novos professores. Ia sem entusiasmo, pois não compreendia o porquê de estudar aquelas matérias, ou melhor, aquelas coisas sem praticidade nenhuma. Já não bastasse a Matemática com aqueles cálculos medonhos, ainda tinha o Português com aqueles textos e regras cheias de exceções. Chegou atrasado, quando o professor, que já havia iniciado a aula, falava com entusiasmo:

— A função do verbo é dar ação ao sujeito. Portanto, sujeito sem verbo é sujeito paralisado…!

Torcendo o nariz, por ver ali a comprovação do que pensava, perguntou ao colega ao lado:

— Qual o nome desse professor de Português?

— Português?! Não… Ele é professor de Teologia!

A surpresa e o susto que tomou, fizeram-no lembrar-se da combustão instantânea da Química quando, aos moldes da Física e seus caminhos improváveis, começou a enxergar a importância oculta das matérias enquanto o professor complementava sua explicação:

— É por isso que precisamos aprender a ler o mundo e a manter a nossa vida longe do ‘estado de dicionário’ e correr a Geografia de nossas almas.

E uma nova História começou a ser escrita em sua vida…

HISTÓRIAS DE UM CERTO AARÃO E OUTROS CASOS CONTADOS: DAS HISTÓRIAS E LENDAS DE BELO HORIZONTE RECONTADAS POR UM SEGURANÇA QUE RECEBIA, EM SEU SERVIÇO, A VISITA ILUSTRE DO FANTASMA DE AARÃO REIS

Aarão Reis - arte provisória

 

Olá, meus amigos! Tenho uma grande novidade para vocês!!

Acabo de finalizar a escrita do meu quinto livro!! Iuhuuuuuuuu!!!

Vocês podem imaginar o meu estado de extrema felicidade!! Afinal, foram alguns bons anos lendo muito, visitando exposições, pesquisando a história de Belo Horizonte desde quando ainda era o antigo Curral del Rey, anotando, preenchendo muitas folhas de caderno…

Mas para quem é escritor sabe que o ponto final em uma obra não é tãããão final assim e que esta é apenas a primeira etapa do trabalho… Agora vêm as revisões, as trocas aqui e ali de alguns vocábulos, as correções ortográficas, enfim…

Além disso, é momento de me debruçar no projeto gráfico, na arte da capa, nas ilustrações que, como sabem, é tudo feito de maneira minuciosa.

Mas sabe o que é legal?

Pela primeira vez quero dividir esse momento com os leitores! À medida que eu for caminhando, conversando com pessoas, decidindo revisores, criando as ideias, quero ir documentando e compartilhando tudo isso com vocês para que vejam, literalmente, o livro nascer.

Além disso, vou postar algumas fotos de lugares que aparecem ou são citados no livro e dar até algumas pinceladas da história, sem spoiler, é claro!

E para que tenham uma ideia do que trata essa história bem intrigante até na forma de ser escrita, respondam-me…

Vocês têm medo de fantasmas? Sim ou não?

 

Depois de muito tempo, resolvi abrir uma história ao conhecimento de todos. Uma não; várias! Na verdade, essas histórias (ou estórias?) não aconteceram comigo, mas com um amigo: Xavier de Novais, o segurança de uma livraria. É ele o narrador do meu quinto livro que acabo de finalizar!

Saibam que Xavier de Novais é o melhor amigo vivo do fantasma de Aarão Reis. Eu sei que essa história é um tanto estranha… Mas vale a pena conhecê-la! Por enquanto, apresento-lhes a sua estrutura narrativa…

Vamos lá?

Nessa obra há o deslocamento do foco de interesse da escrita. Não se trata diretamente da biografia real de Aarão Reis, mas da forma como ele enxerga as circunstâncias em que vive após a sua morte. Em vez de trabalhar os espaços externos e sociais do personagem, investe na caracterização ficcional do mesmo a partir do momento em que Aarão Reis, agora um fantasma, conta suas histórias para Xavier de Novais — o segurança de uma livraria —, em nosso século, que é o personagem-narrador do livro.

construtores
Comissão Cosntrutora da Nova Capital – 1895

 

 

 

Aarão Reis carrega, sim, a estigma de grande homem importante que foi em vida (Engenheiro que arquitetou a chamada Nova Capital, hoje a cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais), mas o que importa para ele é a sua existência após a morte e a liberdade de fazer o que mais gosta: contar histórias. Para isso, assim que chegou no “mundo da fumaça”, como ele mesmo diz, tratou logo de pedir às autoridades sua transferência do Departamento dos Fundadores para o Departamento dos Contadores de Histórias. Só vendo…

A estrutura de “Histórias de um certo Aarão e outros casos contados” tem uma lógica narrativa inovadora. A sequência do livro não é determinada pela cronologia dos fatos que o envolvem, mas pelo encadeamento das histórias de Aarão Reis recontadas pelo segurança da livraria. Uma história puxa a outra e, entre elas, de forma paralela, a nova existência de Aarão Reis vai sendo revelada ao leitor – pura ficção.

Organizado em contos, a obra flui segundo o ritmo da fala de Xavier de Novais – o narrador, que não é o personagem principal. A aparente falta de coerência da narrativa, permeada pelos contos, revela uma forte coerência interna. Vale lembrar que os contos são as histórias contadas pelo fantasma – ele, sim, o personagem principal – ao amigo.

Em síntese: É um romance (a história fictícia de Aarão Reis no além, após a sua morte) permeado por contos (as histórias contadas ao segurança e recontadas, por este, ao leitor).

A ideia é que as histórias contadas passem pelo imaginário popular, sendo levadas ao leitor – além de algumas criações genuínas – releituras de lendas urbanas de Belo Horizonte, como o fantasma do Palácio da Liberdade, o Avantesma da Lagoinha, o mistério do tesouro da Serra do Curral e até mesmo a Loira do Bonfim aparece por aqui, além de outras histórias recheadas de imaginação.

Capturar....

Dentro do pensamento de que “quem conta um conto aumenta um ponto”, alguns desses personagens seriam amigos de Aarão Reis que poderiam, inclusive, contar as suas próprias versões das lendas, ou seja, a estória por trás das histórias, fazendo com que os leitores tenham uma experiência diferente ao que sempre ouviram e busquem as várias versões das mesmas, fazendo um paralelo entre o que é contado e o que pode ser criado. É como diz a citação de Bartolomeu Campos Queirós no início do livro:

“A memória é um espaço interno onde a fantasia conversa com a realidade”.

Essa é a proposta narrativa que ainda reserva outras surpresas, como, quem sabe, um encontro inusitado com Brás Cubas, ou mesmo com o seu criador, uma vez que Aarão Reis conhecia bem o Rio de Janeiro, embora tenha preferido ficar em nossas terras mineiras… Tudo é possível no além…

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Está aqui, portanto, apresentado este livro que acaba de ser escrito!

Convido você a essa jornada de experimentação e criação literária, remontando aos tempos dos folhetins. Isso se não tiver medo de fantasma…

PARA LÁ DESSE QUINTAL

Para lá desse quintal

Quando a pátria que temos não a temos

perdida por silêncio e por renúncia

até a voz do mar se torna exílio

e a luz que nos rodeia é como grades.

 – Sophia de Mello Breyner Andresen –

Para lá desse quintal, sempre houve uma noite infinita. Contudo, agora que o transpôs, não sabia se deveria. Talvez fosse melhor imaginá-la pelo rádio ao debruçar-se sobre a mesa a ouvir aquela música e deixar-se fazer dela – a noite – o que as suas lágrimas sugerissem. Mas a curiosidade o abateu como estrelas cadentes a viajarem em excessos. Era evidente a sua felicidade na simples-cidade em que vivia: meiga, pequena, pacata, protegida dos adereços que tornam cheios os nossos pensamentos. E quão mais confortável era a vida pouca neste quintal vazio que o tempo ainda não preenchera… Tudo era tão cheio de nada a sua volta, que a falta, além de não se fazer presente, apresentava-se como possibilidades. Um banho quente em noite fria era um bálsamo de abundância! O que dizer da velha bicicleta que o ajudava a vencer a longa distância entre a casa e a escola e ainda emprestava-lhe a suave carícia do vento? Mas o menino cresceu… E o quintal não mais lhe cabia. Não se arrependia de ter desejado o infinito, mas de tê-lo deixado ser ilusão…

(Do livro Entrelinhas Contos mínimos)

A MENINA QUE FAZIA BORBOLETAS

A menina que fazia boroletas

Meditei sobre as borboletas.

[…] Vi que elas podem pousar

nas flores e nas pedras, sem

magoar as próprias asas.

 

– Manoel de Barros –

Silvinha não falava, sequer expressava sentimentos. Nunca era possível saber se algo a agradava ou desagradava. Olhos fixos na parede, quando acordada, mais pareciam fixar a própria alma em estado de espera permanente. Porém, muito balançava para frente e para trás, para frente e para trás… E só. Queria tanto penetrar naquele ser a fim de conhecê-lo, saber seus gostos, trocar segredos… Por alguma razão, gostava quando mamãe me pedia para ir brincar com Silvinha – era filha de sua amiga –, coisa que nenhuma criança da turma admitia; afinal como brincar com uma estátua balançante? Os garotos da rua não entendiam nem a ela, nem a mim, que a tinha como uma espécie de reencantamento do mundo. Com ela, experimentava sensações a partir de inúmeras tentativas de arrancar-lhe um sorriso, um gesto, qualquer coisa.

O tempo passava, e eu ficava entregue ao seu lado lhe servindo de companheiro no silêncio da parede onde, por alguma razão, fazia-me cúmplice daquela amizade, uma vez que fazíamos alguma coisa juntos… Um dia, algo aconteceu: uma borboleta entrou voando pela janela e, imediatamente, atraiu a atenção de Silvinha. Ela a acompanhou em seu voo bruxuleante, e uma luz parece ter tomado conta da menina, pois sua expressão era de alegria enquanto abria e fechava as mãos, seguindo no ar o curso da inesperada visita, que, antes de sair por onde havia entrado, teve o cuidado de beijar-lhe as faces com suas delicadas asas.

O gesto do animal não lhe causou repulsa nem medo, mas as lágrimas brotaram-lhe como orvalhos quando a viu indo embora. Foi quando, pela primeira vez, olhou para mim e eu entendi o pedido de seus olhos. Corri à janela, mas já não era possível alcançá-la. De costas para Silvinha, não tinha coragem de decepcioná-la ao perceber que eu não conseguira. Num impulso, corri ao armário e peguei um papel amarelo, desses de recado, e, dobrando-o, surgiu de minhas mãos uma pequena borboleta. Fiz de conta que voava dando inúmeros saltos pelo quarto até pousá-la no colo de minha amiga. Ela olhou séria para aquela borboleta de papel e, indiferente, voltou a fitar o infinito da parede. As lágrimas agora mudaram de olhos, e elas saíram tão rápidas quanto eu daquele quarto. Mas… No dia seguinte, quando voltei, quase não pude acreditar ao ver o mesmo quarto repleto de borboletas de papel espalhadas em cores por todos os lados. A minha surpresa ainda foi maior ao vê-la dobrando os papéis em desenvoltura e graça. Olhou para mim com um sorriso e com uma voz doce, como deve ser a voz das borboletas, disse:

— obrigada! — E arrematou: — Vem!

A partir daquele dia tudo mudou. Agora tínhamos um compromisso juntos, um enlace, o mais lindo de todos: ficar nós dois ali, horas ganhadas, naquele ofício de fazer nascerem as borboletas.

Esse conto é parte do livro Entrelinhas Contos mínimos.

Saiba mais sobre essa e outras histórias clicando AQUI.

Para adquiri-lo, acesse AQUI.

 

LIVRO-OBJETO: MUITO ALÉM DAS PALAVRAS

livro-objeto

“Vivemos, sim, um esgotamento dos termos tradicionais ‘pintura’, ‘escultura’, ‘desenho’. Não é uma questão de estarem mortos ou não como forma de expressão, estão é cansados. Não dão mais conta da complexidade atual do mundo. (…) A precisão ou nitidez de campos não interessa mais. O que interessa, hoje, é a diluição de fronteiras ou uma nova precisão que não teme incorporar o que está fora de definição, fora do controle, fora do saber.” 

(Marcio Doctors.)

Com este pensamento, imagine-se na seguinte situação!

Você entra em uma exposição de arte e percebe que todas as molduras de todos os quadros são exatamente iguais.

Isso significa que possuem o mesmo tamanho, o mesmo formato, o mesmo aspecto, embora as pinturas em si sejam diferentes, assim como as cores.

Agora pense em uma livraria… Não é exatamente isso que acontece? Centenas de livros empilhados ou dispostos lado a lado nas estantes. Sim, por mais que as editoras se reinventam nas capas e dão a elas uma importância quase que divinas (e isso tem uma razão muito lógica…), eles continuam sendo livros comuns independente da obra de arte de seus conteúdos. No caso deles, alguns são grandes, outros pequenos, outros médios, capa dura, capa mole, mas feitos todos dentro de um padrão que alguém definiu como o ideal, bem como o seu material – uma forma convencional do livro que prevaleceu desde Gutenberg, no século XV, e que dezenas, centenas, milhares de escritores buscam incessantemente até hoje, o que passa para os leitores, porque alguém disse que “é assim!”.

Não posso deixar de lembrar o filme “Vida de Inseto”, em que uma das formigas mais velhas repreende o jovem Flik por causa das suas invenções, argumentando que desde tempos ancestrais as formigas colhiam grãos sempre da mesma maneira e, se assim era, assim teria que continuar.

Mas eu me pergunto: por quê?

Agora pense! Imagine um livro que não se prenda a padrões de forma ou funcionalidade, que extrapola o conceito livro, rompendo as fronteiras comumente atribuídas aos livros de “somente leitura” para se assumirem como objetos de arte…

Sim! São os livros-objeto.

É dentro deste conceito, e outros mais, que os livros da Alforria Literária são feitos. Não é por acaso que escolhi este nome como selo editorial para os meus livros. Eu, como escritor, quero que eles, além da qualidade literária buscada, perseguida, desejada, tenham como princípio a junção entre essa narrativa e a narrativa plástica, ou seja, que sejam livros para ler, ter e guardar, atribuindo um sentido de percepção táctil e visual, assim como peças que já nascem raras por resistirem na contramão em relação aos veículos reproduzidos em massa.

Os livros-objeto não se configuram em formas puramente industriais feitos em série; é antes um enlace de experiências que estabelecem um novo lugar, uma personalidade e uma nova maneira de enxergar a literatura em seus aspectos artísticos por dentro e por fora, feitos exclusivamente para o leitor em busca de uma nova relação que não apenas comercial. São peças artesanais, costuradas à mão e utilizando, no caso da Alforria, uma máquina feita de madeira reaproveitada usada como prensa e colagem – a “Paula Brito”.

Além disso, suas folhas são recicláveis e as capas dos livros são feitas de papel ecológico com fibras de material orgânico e flores, alcançando uma identidade própria e única – por isso um objeto, como disse anteriormente, que já nasce raro por não ser encontrado em todos os lugares e facilmente replicado.

Os meus livros são resultados, sim, de anos de escrita, de empenho intelectual e artístico, de muita leitura, preparação, estudo, formação e que nunca irá cessar. Mas também, juntamente com tudo isso, são anos de pesquisa e experimentação até encontrar a costura certa, o tempo adequado de colagem, a simetria do corte, o cuidado do acabamento. E tudo é um processo que vai evoluindo, sempre tendo na natureza o motivo de observação e inspiração.

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Quando estou costurando um livro, o que faço sempre ao som de músicas clássicas e instrumentais, sinto-o nascendo em minhas mãos. Chega a ser para mim uma sensação de catarse. Ali eu manifesto todo o meu sentimento e pensamento para que o leitor tenha também em suas mãos mais do que um livro, mas uma experiência que vai além, sensitiva, táctil, visual e emocional por estar adquirindo algo único, uma vez que todo o processo é inteiramente artesanal e buscando a mais alta qualidade técnica.

O que é oferecido ao leitor é a artesania da palavra em junção à forma natural das coisas em busca de uma experiência total, que é de cada um.

O melhor de tudo isso?

Você pode ter esses livros, lê-los, guardá-los, presentear pessoas com eles e incentivar no novo a descoberta de outras sensações e recriar lugares, indo além dos padrões. É por isso que escolhi vender os meus livros em feiras, exposições, floriculturas, cafés, bares temáticos e lugares que estejam em sintonia com esse conceito e verdade.

encontro direto com leitores

Patrícia de Deus 2

Será muito possível, a partir deste ano, me verem costurando livros por aí… E para isso, estou planejando a criação de uma estrutura móvel e poética, como não poderia deixar de ser. Aguardem! É claro que prefiro me encontrar com os leitores, conversar sobre os livros, mostrar como são feitos e até mesmo tomar um café. Mas nem sempre é possível que isso aconteça. Por esse motivo, em sintonia também com a tecnologia, temos a nossa loja virtual a partir do blog da Árvore das Letras. Você já a conhece? Confira lá! Mas veja, não tem nada de mirabolante, coisas giratórias, enfim; é simples, como também não poderia deixar de ser…

loja

Acesse nossa loja no blog da Árvore das Letras clicando AQUI!

A propósito, você já segue o blog? Se sim, vamos juntos! Tem muita coisa bacana por vir este ano. Se não, passe a seguir e receba de antemão todas as postagens. É só clicar em “seguir” na coluna à direita abaixo das imagens dos seguidores. É uma ação simples, mas que para nós faz muita diferença e nos permite continuar buscando, publicando e divulgando a literatura da melhor maneira possível.

Torço por sua presença e espero que você goste!

Amigo, conheça mais sobre a Alforria Literária clicando AQUI ou na página no MENU acima. Leia, também, a sinopse de cada um dos livros acessando a nossa loja. Repare que na descrição de cada um tem o botão que te direciona ao PagSeguro, caso queira efetuar a compra de algum deles.

Cada livro que você adquirir estará ajudando o fortalecimento de uma nova consciência de mercado e visão literária, mostrando que estradas também foram feias para serem construídas e não apenas seguidas. Pense nisso também em seus sonhos, sejam eles quais forem!

Vamos juntos, sempre!

Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.

2020, UM ANO PARA SER FELIZ, SEM MEDO DE SER SIMPLES

um ano para ser feliz

Queridos amigos,

2019 se despede deixando-nos com muitos aprendizados. Não podemos dizer que foi um ano fácil… Vimos alguns acontecimentos bem marcantes e até mesmo tristes, a polarização política se intensificar ainda mais e, dessa vez, não apenas por questões ideológicas, mas humanitárias. Até mesmo a arte e a cultura se viram na tentativa de serem caladas…

Por isso estamos aqui, como estiveram e estão centenas de outros escritores, atores, músicos, empresas sérias divulgadoras da arte, artistas independentes e autônomos de diversas naturezas, mostrando o valor desse poder transformador.

Mas se 2019 teve esses percalços, que irão passar, pois “amanhã há de ser outro dia”, também foi motivo de muitas alegrias e conquistas, principalmente para mim como escritor e para a Árvore das Letras como entidade constituída e oficializada como empresa de educação e arte. Foi o ano em que tivemos a presença de alunos maravilhosos e muito talentosos em nossos cursos de arte e de leitura e escrita; ano em que lancei e publiquei o meu quarto livro e primeiro infanto-juvenil, indo visitar muitas escolas pelos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, conhecendo centenas de novas pessoas em palestras-histórias, oficinas e encontros; ano em que criamos o nosso primeiro produto oficial da Árvore das Letras, nascido do curso de escrita, que são as agendas “Semanário” e os cadernos sustentáveis, dando origem ao projeto “Qual é a sua Letra?”; ano também em que encontramos as feiras e nos fortalecemos como presença forte no artesanato, conseguindo comercializar muitos livros e peças decorativas na união com a marca “Geane Matos Mandalas”, de minha querida esposa, o que nos mostra, pelos sorrisos que deixamos nas pessoas, pelo sentimento mútuo de gratidão, a certeza de estarmos indo pelo caminho certo e de termos um ano de 2020 assim com muito mais alegrias e conquistas, porque acreditamos no que fazemos e fazemos com amor e verdade.

Aqui neste momento, quero três coisas: primeiro agradecer a todas as pessoas que nos apoiaram, acreditando em nosso trabalho, divulgando a nossa arte, comprando a nossa ideia, entendendo o nosso conceito e escolhas, adquirindo os nossos produtos e livros, incentivando, criticando positivamente, dando ideias, enfim… Foram muitas pessoas que fizeram isso e cada uma delas está em nossos corações. Só temos a dizer MUITO OBRIGADO e que continuaremos juntos nessas parcerias.

Segundo, quero fazer um pedido. Se você já segue este blog, vamos juntos, se ainda não, siga, pois isso faz muita diferença para nós e é uma ação muito simples. Através dele entrego e mostro, particularmente, a maneira que escolhi de ser escritor em busca de abrir as minhas próprias estradas. Por isso, você pode ajudar seguindo o blog e também comprando os nossos livros. Cada livro que você comprar, cada caderno que você adquirir, cada indicação que você fizer estará contribuindo muito para a continuidade deste trabalho que não conta com nenhum patrocínio. Toda fonte de renda da Árvore das Letras é conseguida através dos nossos cursos e venda de nossos livros e produtos. E é essa fonte de renda que nos permite continuar publicando e produzindo conteúdos que aqui no blog sempre serão gratuitos.

E terceiro, quero desejar a todos vocês um ano de 2020 espetacular! Que todos os esforços possam ser contemplados com conquistas merecedoras. Se nem tudo for realizado, não tem importância… O que importa é seguir em frente sem medo de ser simples e entender que a vida pode nos dar muito mais do que desejamos se tivermos olhos para ver.

Vamos em frente, construindo estradas…

Forte abraço!

Leandro Bertoldo Silva.

UM CONTO DE JUVENTUDE: A MELHOR MÚSICA DO MUNDO

Um conto de juventude

Eu não sentia nada. Só uma transformação pesável.

Muita coisa importante falta nome.

 – Guimarães Rosa –

 

Uma vez encontrei um menino sozinho na rua. Estava todo sujo. Estava tão sujo, que eu jurava ver poeira saindo do seu corpo quando caminhava em minha direção. O engraçado é que o tanto que estava sujo era o tanto que estava feliz. Vinha sorrindo, esbanjando contentamento. Carregava uma caixinha de fósforo e nela dedilhou um sambinha e, tão logo me viu, começou a cantar:

Oh, seu moço, por favor, dê um sorriso!

Porque hoje aprendi o que é o amor.

O que é o amor…

— Por que está tão feliz, menino? — perguntei admirado.

— Porque hoje conheci a melhor música do mundo e descobri que ela está dentro desta caixinha! — respondeu-me prontamente.

— Música?! Mas isso não é música! É apenas um batuque!

Ele me olhou de uma maneira tenra e dócil…

— Não, moço… É música! E é tão linda que só os puros podem ouvi-la e reconhecê-la.

— Não é engraçado um rapaz como você, tão sujo, falar de pureza?

Mais uma vez ele pousou em mim um olhar dócil, sorriu e disse:

— Você acha mesmo que eu estou sujo? É, moço… Você não sabe mesmo o que são as coisas do mundo… O que os seus ouvidos e olhos escutam e veem nem sempre são o que realmente se diz ou mostra. Preste um pouco mais de atenção… Eu vou ajudar você.

A partir daquele momento, não mais disse nada. Na verdade, não fora preciso. Ele tocou a caixinha de fósforo de uma forma tão maravilhosa, com uma alegria tão especial, que, aos poucos, fui percebendo a grande música que dali saia e, nessa hora, percebi que não era poeira suja que eu via sair de seu corpo, e sim partículas minúsculas de luz que o envolviam completamente. Foi quando vi como eu estava enganado pelo pessimismo que me afligia e pela arrogância dos mais velhos, que julgam ter o direito de achar ser isso natural.

Quando o jovem me viu diferente, deu um sorriso largo e escultural, sorriso que eu não me lembrava de ter visto igual, e saiu tocando a sua caixinha de fósforo até sumir de minha vista. Quanto a mim, fiquei feliz. Ele está por aí, na sua missão de caixinha. Por isso, repare em todas as pessoas “sujas” que encontrar pelos caminhos e, ao invés de se desviar, dê a elas um pouco de atenção e as toque como a uma caixinha de fósforo. O que vier delas pode ser a melhor música do mundo…

A CARTA

cartas antigas

Por Leandro Bertoldo Silva – do livro Entrelinhas Contos mínimos.

O segredo de uma velhice agradável

consiste apenas na assinatura

de um honroso pacto

com a solidão.

– Gabriel García Marquez –

Seu Walternoon já não falava; brincava de estátua. Emoldurava-se nos seus quase 90 anos de idade. Fora esse o recurso que encontrou para fugir dos momentos de visita, uma vez que não havia ninguém para visitá-lo e, dessa forma, o tempo passava despercebido, levando-se em conta que estátua não sentia…

Naquele lar de idosos, as cartas já não lhe imprimiam saudades, não lhe traziam palavras ou sequer lembranças, mesmo que descompassadas de tempos meninos – os seus meninos. Aliás, as cartas há muito não existiam, eram inventadas. Em cada palavra que eu lia na insistência de lhe levar notícias fingidas, espreitava se o semblante rígido da estátua se humanizava… Nada, pois, mudava aquela forma inerte de morte e era assim que eu me sentia todas as vezes que o deixava com o papel no colo molhado de lágrimas, não as dele, porque estátua não chora, mas as minhas, que deixavam ainda mais manchadas de inverdades as histórias que lhe imaginava.

Eu era apenas o faxineiro daquele lugar e me agoniava a falta dos seus, como me agoniava vê-lo sem nem os dos outros e a sua atitude de se enrijecer na espera que o tempo passasse.

Assim se repetia a cada visita e a cada uma delas eu lhe trazia novas cartas, e seguíamos em nosso encontro até o momento de repousá-la em seu colo. Um dia, porém, ao chegar a casa e perceber o assento vazio de sua poltrona e os olhares tristes de quem espera por sua vez, compreendi o ocorrido…

Uma enfermeira entregou-me uma caixa contendo dezenas de cartas. Eram as minhas, mas, junto delas, uma resposta por dentro de cada envelope que dizia, em letras sumidas, trêmulas, quase fugidas: “Obrigado por tudo…”.

EU SOU A ÁRVORE E A ÁRVORE SOU EU

Árvore

Por Leandro Bertoldo Silva

Você já passou pela experiência de desejar algo ardentemente e, de repente, perceber que já a possuía há tempos e não se dava conta disso? Pois é, isso aconteceu comigo…

Sempre admirei as pessoas cuja forma de vida se assemelha intimamente com aquilo que acreditam. Isso pode parecer simples e óbvio, mas não é tanto assim. Quantas pessoas você conhece que vivem uma vida que não querem? Seja no trabalho, no casamento, na família, ou com elas mesmas… Acontece que isso é muito comum.

Eu sempre quis ser escritor sem saber ao menos o que isso, de fato, significava. E é exatamente aqui que a minha vida se funde com um pé de ameixa…

Eu tinha 7 anos quando a minha brincadeira preferida não era jogar bola ou brincar de carrinho, como os outros meninos da minha idade, mas subir em um pé de ameixa que ficava ao lado de um pé de goiaba na casa da minha avó, e lá ficar horas viajando pelas páginas dos livros que levava comigo, usando os  galhos da árvore como estantes. Era a minha primeira biblioteca. Eu não tinha uma ideia muito clara do que aquilo representava, mas eu também queria inventar histórias. Foi assim que se deu o meu contato com a literatura.

SítioNaquele tempo passava um programa na televisão: O Sítio do Picapau Amarelo e, igualmente, de todos os lugares do Sítio, como o poço dos desejos da Emília, a cabana do Tio Barnabé e dos inesquecíveis Zé Carneiro e Malazarte, a cozinha da Tia Nastácia, a gruta da Cuca, a casa de bambu do Saci, a venda do Seu Elias no Arraial dos Tucanos, o que eu mais gostava, o que fazia mesmo os meus olhos de criança brilharem era a biblioteca da Dona Benta, quando o Visconde – o meu herói – aparecia lendo aqueles fantásticos livros de histórias e contos da Carochinha. Novamente, o pé de ameixa transformava-se naquele lugar e de lá eu ia à lua e dela aos corredores assustadores do labirinto do Minotauro, protegido por Teseu e Pedrinho. O pé de ameixa era, portanto, um portal onde eu desnudava-me de mim mesmo e ali eu sonhava nas páginas dos livros, inicialmente da Coleção Vaga-lume que, por intermédio de uma professora – Dona Marieta – a qual sou muito grato eternamente, incentivou-me a ler “O Caso da Borboleta Atíria” e “A Ilha Perdida”… Hoje as coleções são mais modernas, mas aqueles livros transformaram a minha vida, que, com o passar do tempo, foram ficando mais robustos…

A partir de José Lins do Rego e seu “Menino de Engenho”, fui descobrindo Graciliano Ramos, Machado de Assis, Drummond, Clarice Lispector, Fernando Sabino e uma infinidade de vozes que tornaram a lista imensa. E ainda hoje continuo descobrindo escritores, muitos se tornando amigos, outros pelas páginas dos seus livros, como Mia Couto, Valter Hugo Mãe, Conceição Evaristo, entre outros e outras.

Entre as muitas coisas que estes escritores e escritoras me ensinaram, está o fato de eu querer profundamente estar entre eles, fazendo parte do mundo das histórias, dos poemas, dos romances, dos contos, pois aquilo tudo me encantava. Hoje sou escritor e devo dizer que nada disso teria acontecido se não fossem muitas pessoas – os meus pais, claro, os primeiros a me contarem histórias, a Dona Marieta, e a tanta gente que entendeu o meu amor pelos livros e começaram a me presentear com eles. Mas essa história só foi possível existir por causa do pé de ameixa. Acredito mesmo que se não fosse ele eu não estaria aqui escrevendo essas lembranças. Essa árvore me acolheu como um fruto, cuidou de mim e dos meus sonhos, afagou a minha imaginação e moldou a minha existência de tal maneira que digo sem hesitação que eu sou essa árvore e essa árvore sou eu.

Recentemente, fui até o local onde ela estava para, depois de tantos anos, pois minha avó se mudara para outra casa, vê-la e abraçá-la, mas… O pé de ameixa já não existe mais. As nossas histórias não são as histórias dos outros e é por isso que devemos escrevê-las – para salvá-las… O pé de ameixa foi arrancado para, em seu lugar, ser construído uma casa. Não cheguei a entrar. Preferi voltar. Mas… Eu disse que ele não existe mais? Não é verdade!

Em uma dessas noites, sonhei que voltei lá onde ele ficava. E no meu sonho ele estava onde sempre esteve, no mesmo lugar. Quando apareci no portão da casa e ele me viu, os seus galhos balançavam tanto, mas tanto, que eu cheguei a ver um sorriso em toda a árvore. Corri a abraçá-la e a acariciá-la e esse acontecimento foi tão real que ficamos os dois assim por um grande tempo. Acordei em meio ao abraço dessa árvore que até agora, quando escrevo, é possível sentir.

Pois é, o pé de ameixa existe sim! Não apenas em meu coração, mas até no meu corpo, pois, uma vez, ao escorregar da árvore, os seus galhos, na iminência de salvar-me, amparou-me na queda deixando uma cicatriz em meu braço. Mais do que isso, ele existe onde hoje é a minha forma de viver e cuidar da minha família e de tantos alunos e leitores, fazendo com que essa história continue. Sua lembrança em mim é tão marcante e sua importância tão grandiosa, que anos depois, já formado, casado e pai – afinal, lembre-se que eu tinha apenas 7 anos de idade – recriei o mesmo pé e dei a ele o nome de Árvore das Letras… Tenho certeza que esse sonho, esse abraço foi um pedido de agradecimento.

Mas mesmo assim, mesmo fazendo existir essa Árvore, senti-me no dever de devolver a ela o acolhimento. Assim, na cidade onde hoje eu moro, a 550 Km de Belo Horizonte, vi um pé de ameixa na casa de uma senhora… Fui até essa casa, chamei a senhora e contei para ela toda essa história. O pé estava cheio de frutas, que ela, entendendo a importância do momento, me deu um cachinho, que levei para casa. Nunca o sabor da fruta me fora tão delicioso! Sabor de lembrança… Das sementes que sobraram, plantei-as em vasinhos e de todos os vasinhos um germinou. Estou cuidando dele com muito carinho, mas todos sabem que um pé de ameixa é uma árvore de grande porte, com raízes bem profundas. Eu não tenho um local para plantá-lo definitivamente… Mas uma pessoa tem! E sei que essa pessoa entenderá perfeitamente o sentimento que aí existe e saberá cuidar muito bem dele.

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Pois é, mano velho, estou cuidando da Árvore das Letras enquanto ela é essa mudinha e preparando-a para viajar até sua chácara em Curitiba. Cuida dessa árvore para mim, sabendo que ela é a minha história e, sendo assim, é uma parte minha que estará plantada aí… Fico muito feliz em saber que assim essa história estará transpondo fronteiras e esse pé de ameixa ficará enorme para, quem sabe, um dia uma outra criança suba nele para ler um livro…