UM RECADO BEM CARINHOSO

Relicário Pessoal – haicais
Número de páginas: 90
Edição: 1º (2018)
ISBN: 978-85-53047-06-2

Você já teve a oportunidade de ter um livro sustentável feito um a um, desde o corte do papel, passando pela costura à mão, colagem, prensagem em prensa de madeira até o acabamento da capa?

Ter um livro assim é, além da arte e da literatura, uma escolha e um respeito ao meio ambiente.

E como estamos em setembro, o mês da primavera, venho oferecer com muito carinho o meu livro Relicário Pessoal – haicais. Isso porque os haicais dialogam com a natureza interna e externa de todas as coisas, inclusive nossas; falam das flores, essas dádivas da criação, das estações e do florescer de um novo tempo. Tudo isso em pequenos versos como gotas de sensibilidade que nos levam a um estado de reflexão e presença.

As páginas do livro podem ser aromatizadas com essência de lavanda, menta ou canela à sua escolha, o que te proporciona uma experiência sensitiva e agradável além da leitura.

Portanto, se desejar ter essa arte com você, é só me dizer que eu terei o maior prazer de enviá-la em uma embalagem igualmente sustentável e com muito significado.

Leia, medite, esvazie-se das ilusões e faça das expectativas um brincar de árvores…

O valor do livro é de R$35,00 + R$10,00 de envio módico pelo Correio. Este preço ficará válido até o dia 30 de setembro.

UMA ROTINA SAUDÁVEL

Peço licença para compartilhar uma vivência com você.

Hoje, dia 30 de agosto, levantei às 5h. da manhã com a decisão tomada de ser este o horário para iniciar o meu dia e fazer tudo o que desejo e preciso.

Entendi que, como escritor, sou um operário e tenho com as letras o compromisso do trabalho e do servir, e escritor escreve todos os dias, (nem tão) simples assim, mas é o nosso ofício.

Assim, com tudo que tenho a realizar durante o dia, estabeleci que estarei escrevendo de 7h. às 9h., impreterivelmente, com sol ou chuva, frio ou calor, e isso é inegociável. Mesmo que o tempo seja pouco, adotarei Hemingway e deixarei para o dia seguinte o auge da vontade, embora bem aproveitado todo minuto é uma eternidade.

O levantar às 5h da manhã é que necessito me preparar e cuidar das minhas meninas – esposa e filha. Inicio o dia com minhas meditações e visualizações, preparo o café delas para que possam ir para o trabalho e escola e, assim, poder estar totalmente disponível também para o meu trabalho. A partir das 9h. lanço-me à confecção dos livros e cadernos para à noite poder estar com meus alunos no curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita e finalizar a travessia com uma bela, prazerosa e necessária leitura.

Hoje fui organizar os textos a fazerem parte do meu próximo livro “O pé de ameixa da casa da minha avó e outras crônicas” que, por motivo de agenda, será lançado em 2023. Mas é necessário deixa-lo pronto, e é incrível! É só começar a mexer que o livro acontece dentro da gente…

Mas vamos caminhando.

E você, qual é a sua rotina saudável?

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

POR QUE BATIZEI AS MINHAS PRENSAS DE “PAULA BRITO”?

Francisco de Paula Brito (1809-1861), afrodescendente como Machado de Assis, foi figura importante nos primórdios do mercado editorial no país. Segundo Machado de Assis, “o primeiro editor digno desse nome que houve entre nós”. Pioneiro no ramo tipográfico no Brasil, facilitou e promoveu a publicação de escritos de jovens autores que buscavam oportunidades, incentivou a leitura, a circulação de ideias e os contatos entre figuras notórias da vida social do Rio de Janeiro. A tipografia de Paula Brito era responsável não apenas pela impressão de diversos escritos, mas também pela produção editorial de muitos deles. Além de ter sido a primeira a publicar um livro de autoria de Machado de Assis – Desencantos: fantasia dramática (1861) – foi o local onde o jovem Machado de Assis conheceu muitos escritores, artistas e políticos importantes, alguns dos quais se tornariam seus incentivadores e amigos.

Para quem é um escritor artífice como eu que edita e publica os seus próprios livros e também de amigos escritores, como Ricardo Albino, Armando Ribeiro, Antonia Aleixo, Valéria Cristina da Costa, Bhuvi Libanio, Araci Cachoeira e Lívia Ferreira, creio estar bem respondido.

O que mais me deixa estimulado neste trabalho de escrever e fazer nascerem outros autores e autoras é ver fortalecida a literatura independente e a possibilidade de novos caminhos porque, sim, eles existem, e se não existirem podemos construí-los.

Caso queira conhecer os meus livros, saber mais sobre as prensas, o selo Alforria Literária da Árvore das Letras e o nosso conceito de publicação sustentável, entre e fique à vontade. Visite este site. Quem sabe você não possa fazer parte desse processo?

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

FAZER 50 ANOS

Fazer 50 anos não é um aniversário como os outros, não que os outros não tiveram importância. Afinal, só chegamos aos 50 por causa deles. Mas fazer 50 anos é a junção de dois momentos: um que se fecha e outro que se abre. É aquele momento exato entre o final do dia e o início da tarde. Também poderia ser da tarde para a noite ou da noite para o dia. É a pausa da inspiração para a expiração. E embora tudo possa parecer imperceptível, a mudança acontece trazendo as marcas do tempo, as consequências das escolhas, as palavras ditas, os olhares revelados, os abraços dados, os encontros realizados.

Fazer 50 anos é poder, sim, olhar para trás, avaliar, analisar com minúcias. É poder se dar o direito de sentar à sombra da árvore, afiar o machado da vida com mais paciência, sem correria, pois o ritmo pode ser mais lento, o que não significa ser menos eficaz, mas dosado com mais calma, com mais inteligência.

Fazer 50 anos é estar à porta de onde moram as pessoas que já passaram por tudo que passamos até então e que sabem que todas as experiências são válidas, mas que muitas delas não precisam ser levadas tão a sério. Aliás, brincar é abandonar qualquer tristeza e adquirir a qualidade da inocência sem ser infantil.

Fazer 50 anos é engravidar de si mesmo e renascer criança madura.

Obrigado a todos e todas que me acolheram em suas vidas. Obrigado por fazerem parte da minha. Gratidão pelas palavras de carinho. A história continua agora em outras páginas.

E ASSIM VÃO NASCENDO ESCRITORES

A Árvore das Letras através do selo Alforria Literária concluiu mais um projeto de livro: “Histórias de um rapidinho em quarentena”, do escritor, jornalista e contador de histórias Ricardo Albino.

Como eu digo sempre, o prazer de ler é resultado de estímulos constantes, que aos poucos se torna uma questão de gosto, escolha e atitude. E para isso é necessário ter acesso aos livros. E esse acesso precisa ser facilitado não apenas para o leitor, mas também para o escritor a fim de produzi-lo.

Eu como escritor independente por opção e convicção sei bem disso e resolvi assumir há alguns anos a missão de fazer nascer livros e autores. Seja bem-vindo, Ricardo. Que o seu livro possa levar luz ao coração das pessoas.

Se você é escritor, escritora e deseja ter o seu livro publicado de forma justa, sustentável e ecológica entre em contato com a Árvore das Letras. Se você é um leitor, uma leitora consciente dos novos talentos valorize a literatura independente.

Para adquirir o livro “Histórias de um rapidinho em quarentena” entre em contato com  Ricardo Albino no https://www.facebook.com/ricardoflavio.mendlovitzalbino

O NASCIMENTO DE UM LIVRO

“Certa vez, eu e meu amigo Leandro ouvimos em uma live da Árvore das Letras a seguinte frase de Dona Araci: ‘O bom de ser escritor(a) é que primeiro a gente engravida das ideias e depois pari as histórias'”.
(Ricardo Albino)

Pois é, essa é uma semana muito especial, onde o meu amigo Ricardo Albino apresentará oficialmente o seu primeiro livro Histórias de um rapidinho em quarentena, que tive a alegria e o prazer de confeccionar aqui na Árvore em mais uma publicação da Alforria Literária. Será no “Trilhas da Palavra”, na próxima quinta-feira, às 19 horas. Mas até lá, vejam como nascem os livros da Alforria e, claro, o livro do nosso grande amigo Ric.

Saiba mais sobre as publicações da Alforria Literária e o seu conceito sustentável clicando AQUI.

APESAR DO TEMPO, PAI.

Por Leandro Bertoldo Silva

Desculpe, pai, mas desconfio que não lhe obedeci. Nem ao senhor nem à mãe. Lembra aquele dia quando eu tinha 5 anos? Tudo bem, faz muito tempo, mas o senhor há de lembrar. Foi aquele dia que eu vi outras crianças pegando papel na rua e colocando dentro de um saco para levá-lo a um depósito, onde era pesado e o seu peso pago em moedas. Pai do céu! O senhor não imagina como os meus olhos brilharam. Não sei se pela oportunidade de ganhar dinheiro, pois era muito bom quando o moço do depósito nos entregava as moedas, ou pela própria ação de juntar-me às outras crianças no trabalho de vender papéis. Acredito que eram as duas coisas, acrescido de ainda poder levar recursos para casa, afinal eu já estava me tornando um homem!  Lembro-me bem da sensação… “Uau! Ganhar dinheiro é tão fácil e tão gostoso!” O senhor não me reconheceu na rua. Tudo bem, pai, não há nenhum mal nisso. Não tinha mesmo como me reconhecer, eu estava todo sujo. Lembra como foi? O senhor estava a voltar do trabalho quando em uma das inúmeras idas e vindas minhas com o saco às costas cheio de papel a caminhar até o depósito,  passou por mim.

— Oi, pai.

— Oi, filho. Oi, filho?!

Pois é, naquele momento o senhor me levou embora e junto com a mãe, depois dela ter me dado um banho daqueles, sentaram para conversar comigo. Nossa! Como me lembro dos olhos da minha mãe, olhos de ternura. Os do senhor também. Só não entendi muito bem o sorrisinho que estava junto deles quando eu disse estar trabalhando para ajudar nas despesas da casa. O quê? Eu não disse isso a vocês? Mas eu deveria. Então digo agora, mais de 40 anos depois. Engraçado, eu sempre achei que tinha dito isso… Porque lembro bem o senhor e a mãe — ah, os olhos da minha mãe… —, dizerem que eu não precisava fazer aquilo, que nesse ponto eu era diferente das outras crianças. Diferente como, pai? Porque elas eram pobres e a gente não? Sabe de uma coisa, pai, descobri que na vida existem vários tipos de pobreza e de riqueza, e aquelas crianças eram muito ricas. Puxa vida, como eram ricas em liberdade e alegria. O senhor precisava ver como ficávamos alegres no meio da rua, quando encontrávamos um papelão mais grosso que ia render boas moedas. As risadas, pai… Quanta riqueza naquelas risadas! Mas o senhor tem razão em um ponto… Pai, eu vou te contar um segredo que eu nunca contei para ninguém. Eu fiz uma coisa errada. Senti-me tão mal, pai! Era como se o senhor e a mãe nunca fossem me perdoar. Sabe, essa sensação era muito pior do que pensar no castigo de Deus que falavam nas igrejas. Nesse ponto eu fui mesmo diferente das outras crianças. Sabe o que elas faziam? Elas pegavam uma pedra bem grande e colocavam dentro do saco no meio dos papéis que era para pesar mais na hora da balança. Então… Eu fiz isso também. Mas foi uma tentativa só. Foi muito esquisito. Porque enquanto os meninos riam lá fora eu achava que aquilo não estava certo. Mas eles me chamavam de bobo. Ah, isso não! Aí fui provar que eu não era bobo. Peguei uma pedra bem pesada e coloquei no saco. Ela era tão pesada que foi parar lá no fundo. Bem, o moço do depósito logo achou algo estranho, porque eu mal conseguia carregar o saco. Além disso, eu tremia igual vara verde, e os meus olhos faltavam saltar do rosto de tanto medo. O meu coração batia de um jeito que dava para ver no peito sem camisa. O moço fez uma cara desconfiada, pegou o saco e pôs na balança. Pois é, deu para ouvir um “pléim” bem alto, o barulho da pedra no fundo ao bater no ferro. Que vergonha! Ele pegou a pedra, olhou e disse: “Ah, seu moleque…”. Ser chamado de moleque foi a pior coisa que já me aconteceu na vida. Os meninos tinham razão. Eu fui mesmo muito bobo, mas não por ter colocado a pedra no fundo e não no meio dos papéis, como eles disseram, mas por ter cedido àquela manobra. Não se preocupe, pai, o senhor e a mãe ensinaram direitinho, o erro foi todo meu. Mas valeu. Só não valeu o fato de não ter lhe obedecido, e aí voltamos ao início. Sabe o que é, pai? O tempo passou, não foi? E por mais que eu tenha estudado e formado no almejado curso superior, graças a vocês, com tanto sacrifício, eu queria mesmo era vender papéis. Desculpe, pai, mas aquele menino de 5 anos sempre cresceu dentro de mim. Ou melhor, eu crescia e ele vinha junto. Aí, no lugar do saco fiz uma prensa de madeira e nela colo e costuro papéis transformados em livros, que são pesados em uma balança um tanto diferente daquela de antigamente e enviados pelo Correio às pessoas. Está assim confessada a minha desobediência. Pois é, pai, precisava dizer isso ao senhor. Apesar de tudo, sou um vendedor de papéis. A diferença é que eles são escritos. Só não uso pedras; prefiro a poesia.

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Mais uma vez, obrigado por sua leitura. Ela é sempre importante e incentivadora da minha escrita. Espero ter gostado dessa história que me conectou ainda mais ao meu pai. Peço a gentileza de curtir, comentar e compartilhar com seus amigos. Você já sabe: Para um escritor é um presente valioso.

POIS É…

Por Leandro Bertoldo Silva

— Oi, amiga! Vi que você está on-line. Está Podendo falar?

— Oi, amiga! Claro, está tudo bem?

— Mais ou menos… Eu vou ter que digitar* porque o meu filho, o Artuzinho, está perto de mim e eu não quero que ele ouça. Nossa, menina… Estou muito preocupada com ele.

—O que ele tem?  Está doente?

— Não, bem, eu acho que não…

— Então o que foi?

— Você acredita que o Artuzinho agora deu para perder tempo com bobagens?

— Perder tempo com quê?

— Bobagens! Perder tempo com bobagens.

— Que bobagens?

— O Artuzinho está lendo. Livros!

— Jesus!

— Pois é… Você sabe que desde pequenininho ele sempre foi assim meio diferente… Mas agora deu pra isso! Passa o dia inteiro com um livro pra cima e pra baixo lendo. Até na escola!

— Até na escola?! E você procurou a diretora pra ver o que está acontecendo?

— Pensei nisso sim. Mas quando cheguei lá nem foi preciso conversar. Estava tudo absolutamente normal.

— Normal como?

— Todos os alunos estavam com seus celulares conectados, antenados no mundo.

— E o Artuzinho?

— Na biblioteca.

— Misericórdia! E você ainda fala que estava normal?

— Normal com todo mundo, menos com o Artuzinho. Como ele pode perder tanto tempo?

— Pois é…

— coloquei a melhor internet em casa, assinei vários canais de filme, futebol, tudo que os meninos da idade dele gosta e nada.

— Não só os meninos, não é amiga! Todo mundo.

— Por isso estou preocupada. Ele tem tudo e está deixando a vida passar. Só fica com aquele livro na mão. Sabe, estou pensando em procurar um psicólogo.

— Por isso não. Tem um aplicativo ótimo que resolve esse problem. É só você baixar e colocar todos os dados da pessoa e digitar no campo “assunto” o que está ocorrendo que ele dá o diagnóstico e indica o tratamento. E o melhor é que a pessoa, no caso o Artuzinho, nem precisa saber de nada.

— Mas isso é maravilhoso!! Ai, amiga… Eu sabia que seria ótimo falar com você. Sempre tão antenada, bem diferente do Artuzinho. Tá vendo as coisas maravilhosas que ele perde?

— Pois é…

— Ai, Nossa!

— Que foi?

— Ele está fazendo caras e bocas!

— Caras e bocas?

— Sim! Lendo o livro e fazendo caras e bocas.

— Isso tá ficando sério…

— Ai, ai, ai!!

— Que foi, que foi?

— Ele colocou a mão no rosto, balançou a cabeça e não tira os olhos do livro.

— Amiga, baixa logo o aplicativo e começa o tratamento.

— vou fazer isso assim que terminar de falar com você.

— Você consegue ver o que está escrito na capa do livro?

— Daqui está um pouco difícil, mas… deixa ver… Ai, não!

— O quê?

— Tem a palavra “crime” escrita lá.

— Minha nossa! Consegue ver mais alguma coisa?

— Espera um pouco… “castigo”… Crime e castigo… É o que está escrito: “Crime e castigo”.

— Hummm…. Isso não é nada bom. Consegue ver o nome de quem escreveu essa coisa?

— Olha… Nem se eu tentar acho que consigo decifrar.

— Digita aqui letra por letra.

— Boa ideia. D-O-S-T-O-I-É-V-S-K-I.

— Misericórdia! Nunca vi isso em lugar nenhum. Parece um código.  Olha direito. Deve ter um nome lá.

— “Fiódor”.

— O quê?

— É o que está escrito: “Fiódor”. Em cima do código.

— Nunca ouvi falar.

— Nem eu e nem quero, Deus me livre.

— Tem mais alguma coisa?

— Um desenho. Ai, que coisa horrível! Tem um desenho lá.

— Desenho de quê?

— De um rosto com olhos enormes.

— Amiga, a coisa tá muito séria.

— Oh, meu Deus! Por que esse menino não é normal igual aos outros?

— Calma, calma… Não faça movimentos bruscos. Finja que está tudo bem e vai saindo de fininho.

— Mas é o Artuzinho, meu filho!

— Eu sei, amiga. Mas pode ser perigoso. Ele tem feito algo estranho ultimamente, além de ler livros?

— Não sei. Você sabe como é, não tiro os olhos do celular.

— Claro que não! Você é como todo mundo! Tem uma vida normal. Ele ainda está fazendo caras e bocas?

— Ai, não amiga! Ele está fazendo algo pior!

— Pior? O quê?!

— Ele colocou o livro do lado, sacou um caderninho e começou a…. Meu Deus!

— Fala, fala!!

— Escrever! O Artuzinho está escrevendo!!

— Amiga, esquece o tratamento do aplicativo. Fique aí e não se mexa. Vou acionar a viatura e chamar o SAMU.

* Para melhor compreensão, as mensagens desse texto foram cuidadosamente traduzidas do internetês para a linguagem coloquial.

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Obrigado mais uma vez por estar aqui. Sua leitura é sempre um incentivador da minha escrita. Por isso, não deixe de curtir, comentar e compartilhar com seus amigos. Para um escritor é um presente valioso.

A LITERATURA É UMA ESCADA MUITO ALTA

Por Leandro Bertoldo Silva

Uma das condições que nos faz ser humanos é a nossa capacidade de ler. Ser leitor é estar inserido, não em um universo, mas em algo maior, uma espécie de pluriverso que é, ainda, mais vasto. Gosto dessa palavra: “Vasto”. Lembro-me de Drummond ao escrever: “Mundo, mundo, vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não uma solução”. Bem, não me chamo Raimundo, mas supondo ser esse o nome de todos os alunos e alunas que dizem ter horror à leitura por não entenderem como, ao ler, somos transportados aos vastos mundos, conscientes e inconscientes, reais ou imaginários, busquemos a solução com licença ao poeta.

Antes, o que nos faz verdadeiramente humanos em nossa experiência leitora é perceber que não lemos somente as palavras. Há algo a mais nessa experiência que reflete a nossa condição lúcida de seres racionais dotados de uma inteligência superior. Sempre digo: precisamos aprender a ler a verdadeira natureza íntima de todas as coisas. Eu, como escritor, gosto dos leitores que leem os cheiros, os sabores, as lembranças, as saudades, as esperanças, as suposições… As letras são materializações do que sentimos, mas não devemos ficar presos nelas, pois se assim acontece, ficamos na superficialidade, no espelho das águas e perdemos a oportunidade de desfrutar o encontro das profundidades. É como a árvore; vemos o seu tronco, galhos, folhas e frutos, mas não enxergamos o mais importante: suas raízes. Na escrita se dá o mesmo. É preciso ler as raízes, o que está “escondido”, pois são elas a sustentar sua existência.

Mas deixemos as digressões. Até porque estava nelas quando um aluno levantou a mão no meio da sala.

— É o seguinte, fessô — disse ele coçando a cabeça. Eu sei que o senhor é escritor e fala essas coisas aí, mas eu não consigo entender essas paradas de ler o que não tá escrito. Como isso é possível?

— Ora, Raimundo, você ouviu o que eu falei sobre a árvore?

— Ouvi, fessô, mas isso tudo é poético demais… Falando assim até dá pra entender, mas sei lá…

— Certo. Vou te explicar de outra forma. Vamos fazer uma pequena viagem mental.

— Fazer o quê?

— Um faz de conta, vou contar uma história e você vai se vendo dentro dela.

— Pô, fessô, maneiro. A galera pode vir junto?

— Pode. Mas você precisa se concentrar, pode ser?

— Pode crer.

— Vamos lá. Imagina que você está indo para uma cachoeira com alguns amigos.

— Maneiro.

— Porém, durante o trajeto e ao chegar lá o sol foi se escondendo e dando lugar a um tempo nublado e até com alguns pingos de chuva, poucos, mas suficientes para turvar a água e impedir a sua bela visão cristalina.

— Pô, fessô, sacanagem…

— Concentra, Raimundo.

 — Vai nessa.

— Se algum de seus amigos falasse para você pular na água de cabeça, você pularia?

— Com a água turva? Tá doido, fessô, de jeito nenhum!

— Ora, e por quê?

— Por quê?! Cê tá doido mesmo! Com a água turva não dá pra ver o fundo e nem onde as pedras estão. É perigoso pacas!

— Pedras? Mas que pedras? Eu não falei em pedras! Além do mais, você nem as viu! Como sabe que tem pedras?

— Ô, fessô, se liga! Cachoeiras são lugares de pedras a contar pelas que existem nas margens. A gente pode até não tá vendo, mas isso porque a chuva que o senhor falou fez mexer as paradas lá embaixo da água e a lama subiu pra superfície. Mas que tem pedra, ah isso tem. E vai que tem uma exatamente onde eu pularia…

— Hummm… Sabe o que você fez, Raimundo?

— Me livrei de uma?

— Isso também. Mas você acabou de fazer uma leitura perfeita da natureza e das suposições.

— Hã?!

— Sim, Raimundo, percebe! Você leu a água, a lama, a chuva… E não havia palavras aí, ou seja, as pedras. Você enxergou o que não estava visível, exatamente como devemos fazer em uma leitura: ler nas entrelinhas, nos espaços vazios onde as palavras já não são necessárias… Entendeu?

Nem era mais preciso perguntar. A sua expressão disse tudo. Ele ficou satisfeito com a explicação. Eu mais ainda por ter, talvez, despertado mais um leitor crítico. Ao vê-lo com seu ar alegre e orgulhoso de si mesmo e em meio à algazarra da turma que o saudava, fiquei a pensar… É, a literatura é mesmo uma escada muito alta e para se chegar ao topo é preciso subir degraus.

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Pois é, essa é uma fala corriqueira minha. Quem me conhece sabe disso. Infelizmente, tem muita gente adepta ao salto à distância e quer alcançar, de um pulo só, o último degrau. Vemos isso muito nas escolas quando “obrigam” alunos a lerem autores e obras que ainda não estão preparados e, além de não prepará-los, ainda dão prova de livros, prática que eu nunca fui adepto, pois acredito mesmo que há muitas outras maneiras de se avaliar uma leitura… E você, o que acha disso? Obrigado mais uma vez por estar aqui. E não deixe de curtir, deixar seu comentário, compartilhar com um amigo ou amiga. Já disse, mas vale repetir: para mim é precioso.

Forte abraço!