Por Ricardo Albino
Certa vez, perguntaram a um cego : Como é que você sonha ?
Ele respondeu:
“Sonho como todo mundo, só não vejo.”
Como uma pessoa com deficiência física e visual acho importante contar uma coisa que muitos não sabem.
Existe uma diferença entre o cego e deficiente visual. O primeiro não enxerga nada e o segundo tem baixa visão, também conhecida como visão subnormal, o meu time na vida.
E o que impede o cego e eu de sonhar? Nada, graças a Deus! Até o momento, sonhar é de graça, não se paga imposto e faz cada dia ter mais graça de viver. Sonhar é um exemplo de patrimônio imaterial da humanidade mais democrático, acessível e inclusivo que eu conheço. Não tem barreiras arquitetônicas que impeça um cego de enxergar até a cores, um deficiente físico de andar sozinho sem aparelho ou bengala nem um cadeirante de voar longas distâncias sem cair.
Sabem como isso é possível?
Dando asas a imaginação. É assim que todo ser humano do mundo renova amor no coração e acorda com fé que o sonho bem sonhado, ainda que demore um tempo — no tempo certo do bem — será objetivo realizado.
O sonho não tem preconceito, não faz pouco caso, não faz fila preferencial nem exige laudo ou credencial para estacionar do lado esquerdo do peito de alguém. Cabe apenas aos passageiros da esperança, seguir nos trilhos do maquinista Divino que guia o trem da história ao ponto final da missão abençoada que todo sonhador de corpo e alma sabe que tem.
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Sou Ricardo Flávio Mendlovitz Albino. No mundo da contação de história todos me conhecem por Ricardo Albino. Tenho 47 anos, nascido e criado em Belo Horizonte, jornalista formado em 2006, pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI BH, contador de histórias formado pelo Instituto Cultural Aletria, em 2015, criador da página Ricontar Histórias, em 2017, e do canal de mesmo nome no You Tube, em 2021. Cadeirante, idealizei no canal o podcast Ricontar para unir histórias, meu amor pelo rádio, acessibilidade e inclusão.
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Publicado por leandrobertoldo
Sempre gostei de histórias. Os primeiros livros que li foram os clássicos “Cinderela” e o “Caso da Borboleta Atíria”, da antiga coleção vaga-lume. Hoje as coleções são mais modernas, melhoradas... Mas aqueles livros transformaram a minha vida. Lia-os de cima de um pé de ameixa, na casa de minha avó, e lá passava a maior parte do meu tempo sempre na companhia de outros livros que, com o tempo, foram ficando mais “robustos”. A partir de José Lins do Rego e seu “Menino de Engenho” fui descobrindo Graciliano Ramos, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Henriqueta Lisboa, Fernando Sabino, Murilo Rubião... Ainda hoje continuo descobrindo escritores, muitos se tornando amigos, outros pelas páginas de seus livros, como Mia Couto, Ondjaki, Agualusa. Porém, já naquela época sabia o que queria ser. Não tinha uma formulação clara, mas sabia que queria fazer parte do mundo das histórias, dos poemas, dos romances e das crônicas, pois aquilo tudo me encantava, me tirava o chão, fazia a minha imaginação voar. Hoje sou um homem feliz; casado, eterno apaixonado e pai da Yasmin. As duas, ela e a mãe, minhas melhores histórias... Mas também sou formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC/MG, com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, sou Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG, título que muito me responsabiliza e sou um homem das palavras. Mas essas palavras tiveram um começo... O meu encanto por elas fez com que eu começasse a escrever, inicialmente para mim mesmo, mas o tempo foi passando e pessoas começaram a ler o que eu produzia. Até que a revista AMAE EDUCANDO me encomendou um conto infanto-juvenil, e tal foi minha surpresa que o conto agradou! Foi publicado e correu o Brasil, como outros que vieram depois deste. Mais contos vieram e outros textos, como uma peça de teatro encenada no SESC/MG, poemas, artigos até que finalizei meu primeiro romance - Janelas da Alma - em fase de edição e encontrei uma grande paixão: os Haicais! Embora venho colecionando "histórias", como todo homem que caminha por esta vida, prefiro deixar que as palavras falem por mim, pois escrever para mim é mais do que um ofício que nos mantém no mundo. Escrever me coloca além dele... E é por isso que a minha vida, como a de um livro, vai se escrevendo – páginas ao vento, palavras ao ar.
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