A MAGIA DAS HISTÓRIAS

Por Pierre André

Ele chegou sem aviso, vindo do fundo da grande plateia formada por pequenos olhares curiosos. Caminhava com leveza, como se já carregasse consigo um segredo prestes a ser revelado. Havia algo de especial em sua presença, algo que fazia o ar ao redor parecer diferente, mais leve, quase mágico.

Enquanto avançava, seus objetos se transformavam. O tambor que trazia consigo logo se tornava uma mochila, e o pandeiro improvisado, em suas mãos, dava lugar a um livro. Não era apenas uma troca de coisas, mas uma mudança de sentido, como se tudo ali estivesse a serviço de algo maior: a história que seria contada.

Quando começou a falar, sua voz se elevou de maneira brincante, misturando palavras e melodias. Ele não apenas contava, ele cantarolava, encantava. Diante dele, os olhos das crianças brilhavam intensamente, refletindo curiosidade e alegria. Era como se cada palavra acendesse uma pequena luz dentro de cada uma delas.

Havia uma expectativa no ar. Algo já estava acontecendo, e todos sentiam que algo ainda maior estava por vir. Em poucos instantes, uma viagem começaria, não daquelas que exigem malas ou caminhos, mas das que nascem dentro da imaginação.

De repente, lá estava o contador de histórias, em um reino diferente, onde tudo parecia reinventado. Lá, os reis não usavam coroas, as fadas não precisavam de varinhas, e os anões, embora pequenos, eram gigantes imaginários. Os monstros, curiosamente, eram os que sentiam medo e choravam, enquanto as crianças voavam livres, sem precisar de asas. Os pássaros nadavam pelos rios, e os rios transbordavam não de água, mas de poesia.

A cada história contada, uma nova viagem acontecia. E a cada viagem, algo se transformava dentro de quem escutava. As crianças, em silêncio, cheias de encantamento, agradeciam com o brilho dos olhos, um gesto simples, mas cheio de significado.

Porque ali, naquela troca entre quem conta e quem ouve, havia algo sendo plantado…

A história, contada com o coração, semeava amor e esperança e imaginação.

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Pierre André e seu suposto texto de apresentação…

Vê se pode… O menino queria fazer de conta que o faz-de-conta se desfez. Vou deixar não… Pensei. E tentei desfazer essa ideia maluca dele. Ainda bem que dei conta. Agora faz de conta que eu num dô conta… Não teria escrito esses escritos para vocês. Quero falar de mim não. Meus textos já falam…


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