Por Leandro Bertoldo Silva
Você Já pensou na importância da memória nas nossas vidas? Por que a memória é essencial para quem somos?
Ela é como um fio da mais tênue linha a costurar nossa existência no espaço e no tempo. Não apenas guarda lembranças, mas sustenta tudo aquilo que somos.
Ao recordar lembranças, momentos vividos, experiências e afetos, passamos a nos reconhecer em tudo isso, no que chamamos vida.
É a memória que nos devolve os anos passados desde a infância a embalar saudades. O cheiro da chuva misturado à terra nas brincadeiras de rua, o aroma gostoso da comida feita por mãos queridas, a voz de alguém que já não podemos ouvir a não ser pelo coração… Tudo isso é como uma trilha amorosa a nos conduzir pela oportunidade de construir nossa identidade.
A memória é guardiã das histórias, não apenas pessoais, mas coletivas. É o relicário das conquistas, das lutas de um povo, das dores e esperanças, que também fazem parte da evolução das almas. Esquecer seria como cortar as raízes de uma árvore: ela pode até permanecer de pé, mas não mais florescerá…
Portanto, preservar a memória é um ato necessário de amor. É acolher o olhar contra o esquecimento que silencia. É afagar o que fomos pelo que somos e ainda seremos aos olhos de alguém.
E quando tudo isso se perde? Perde-se junto uma existência. Não há de ter realidade mais triste do que essa.
Por isso a necessidade de contar histórias, de guardar afetos, de registrar nos álbuns da vida cheiros, cores, sabores de momentos sublimes: uma fotografia que recorda, uma xícara de chocolate quente, uma risada solta e alta, um abraço de aniversário, sorrisos de amizade…
Onde você guarda suas memórias?
Um dia não estaremos mais aqui, como hoje não está tanta gente que amamos, mas podemos deixar a identidade do que foram e de quem somos. Lembrar é não permitir que a chama se apague, é renovar sempre a permanência de alguém em nós e de nós em alguém.
Permita-se, pois, a recordar. Brinque com suas lembranças e não as tenha como algo a machucar. Antes, pense nelas como a oportunidade merecida de ter vivido. Se tem memórias de alguém é porque esteve com esse alguém.
Lembre-se: a memória é um PRESENTE que atravessa o tempo…
Para ilustrar essa reflexão, indico 3 livros:
Guilherme Augusto Araújo Fernandes, literatura infantil escrita por Mem Fox, ilustrado por Julie Vivas e traduzido por Gilda de Aquino, da editora Brinque.Book. Um livro sensível, onde a memória, essa questão aparentemente complicada, é tratada de forma simples e carinhosa, através da visão de uma criança.
Os Esquecidos de Domingo, de Valérie Perrin, que nos convida a olhar para essa realidade com mais sensibilidade. Ambientado em um lar de idosos, o romance aborda o envelhecimento sob uma perspectiva delicada e profundamente humana. Ela destaca a preservação de memórias, histórias e afetos que insistem em sobreviver ao tempo.
Para sempre, Amanhã, livro de minha autoria, que vem dialogar com as nossas memórias em uma mescla de realidade e ficção e mostrar a importância de registrar histórias. Escrito em crônicas e contos e baseado no pensamento de Mia Couto de que “um bom livro acaba por nos empurrar para a escrita”, o livro convida não apenas à leitura, mas também ao desejo de escrever as próprias memórias.
Forte abraço e até a próxima!
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