ESPERAS QUE CHEGAM

Esperas que chegam

Por Leandro Bertoldo Silva, do livro Entrelinhas Contos mínimos

“Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais” (Clarice Lispector)

Quanta espera… Entrou no quarto e se sentou à penteadeira da mãe. Batom, brincos, sombra, blush – um arsenal de feminilidade que ela agora percebia; afinal, a idade estava aí! “Será que o Guto vai notar na escola?”. Aquilo tudo brilhava a seus olhos, tão ao alcance de suas mãos… E agora ela podia. Sentia-se no direito de ser mulher tão linda como sua mãe. São assim as transformações do tempo… Invadem, sem pedir licença, os nossos anos, compactuando com os nossos aniversários. Mas faltava uma coisa, quer dizer, faltava mesmo… Pois agora já não falta mais! Os sapatos de saltos da mãe. Finalmente, nos seus pés! Ela se aprontou toda e se mirou no espelho… Linda, perfeita, adulta. A campainha toca. Chegou a hora…

            — Filha, a Aninha chegou.

            — Aninha?! Oba! Já não sabia mais o que inventar para te esperar! Trouxe a Barbie? A casinha já está pronta no meu quarto. Já estou indo…

Ouça abaixo a história narrada

 

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