
Por Maria de Almeida
Integrante da Vivência Novos Autores
Quando eu era criança
Pequena lá em Guiricema,
Brincadeira não faltava
Pique, queimada e gangorra
Histórias que Dona Hermínia contava.
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Pegava capa de coco
Pra escorregar morro a baixo
Tomava banho de bica
E nadava no riacho.
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Meu pai sempre contava história
Aprendida ou inventada
Guardei elas comigo
E hoje conto pras criançadas.
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Nossa mangueira exuberante
Dava manga sem parar
Onde brincava, escondia e conversava
E tinha gangorra pra balançar.
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No casamento da minha prima
Teve uma grande festança
Eu contei muitas histórias
Pros moços, pras moças e pras crianças.
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Não posso esquecer
Da semana das crianças
Merenda gostosa, presentes e brincadeiras
Tinha passeios e muitas danças.
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Notícias, músicas e telenovelas
Era no rádio que ouvia
Cantava e decorava
E nunca mais esquecia.
(O meu amado)
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Quando já era mocinha
Fui pro internato estudar
Foi onde aprendi muitas coisas
Mas não podia namorar.
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Para progredir na vida
muita gente lá deixou
Veio para cidade grande
Pros filhos ser doutor.
E poder estudar,
As pessoas venderam os terrenos
E saíram de lá.
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Espalharam Brasil afora
Em um monte de lugar,
Com o coração cheio de vontade
De um dia pra lá voltar.
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A internet é coisa boa
Que veio pra nos ajudar
Foi por meio dela
Que ajuntou as pessoas de lá.
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Uma ideia brilhante
Que meu irmão deixou brilhar
Fez no facebook um grupo,
Dos amigos ex-moradores de lá.
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Muita gente gostou
E é uma grande emoção
O encontro dos amigos
Relembrando as histórias
Que trazem no coração.
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Por isso vou te dizer
Se tem algo importante
É essa tal de infância,
Pois gente grande que sou
Nunca deixo de ser criança.








