Imagine um sonho em que fosse possível atar as duas pontas da vida, onde o longe e o perto fosse como atravessar um rio, o mar ou uma rua…
A vida passa muito depressa… Em um momento nascemos, mantemos nossas vidas de crianças e brincadeiras, em outro já somos jovens, adultos, velhos (no melhor sentido da palavra velho).
O que você tem feito da vida? Suas escolhas te justificam?
Se fosse possível voltar no tempo, o que faria diferente? E se fosse possível ir adiante em apenas um dia, o que gostaria de encontrar?
Essas são perguntas que muitas vezes povoam nossas mentes, mesmo que nem sempre temos respostas para elas ou, se temos, elas continuarão existindo, e é bom que seja assim.
A vida é uma constante viagem onde o perto e o longe faz morada em nossos corações. Para realizar essa viagem, muitas vezes basta um automóvel, um avião, um barco. Ou o sonho da viagem. Entre a cidade sem praias e o mar sem edifícios, viajam mensagens, viajam pessoas, viajam imagens…
Gosto muito dos livros de imagens porque são palavras não escritas que o nosso coração reconstrói. Hoje quero trazer um desses livros com um simples, mas significativo convite: embarque nos sonhos sugeridos pelas imagens e sons e imagine-se tendo a oportunidade de enviar para você mesmo/mesma uma mensagem…
Primeiro, pense em você criança. O que diria para você mais velho? Quais perguntas faria? A partir das suas perguntas, pense em você mais velho. Quais respostas daria?
Quem sabe você pode registrar suas descobertas e guardá-las para você?
Para ilustrar tudo isso, compartilho um lindo livro: “O barco dos sonhos”, de Rogério Coelho, da Editora Positivo, de uma maneira muito especial. Recomendo usar fones de ouvidos.
Um ótimo dia e uma ótima “leitura”…
Descubra mais sobre Por uma literatura de identidade própria , onde escrever é costurar ideias com as mãos
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Sempre gostei de histórias. Os primeiros livros que li foram os clássicos “Cinderela” e o “Caso da Borboleta Atíria”, da antiga coleção vaga-lume. Hoje as coleções são mais modernas, melhoradas... Mas aqueles livros transformaram a minha vida. Lia-os de cima de um pé de ameixa, na casa de minha avó, e lá passava a maior parte do meu tempo sempre na companhia de outros livros que, com o tempo, foram ficando mais “robustos”. A partir de José Lins do Rego e seu “Menino de Engenho” fui descobrindo Graciliano Ramos, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Henriqueta Lisboa, Fernando Sabino, Murilo Rubião... Ainda hoje continuo descobrindo escritores, muitos se tornando amigos, outros pelas páginas de seus livros, como Mia Couto, Ondjaki, Agualusa. Porém, já naquela época sabia o que queria ser. Não tinha uma formulação clara, mas sabia que queria fazer parte do mundo das histórias, dos poemas, dos romances e das crônicas, pois aquilo tudo me encantava, me tirava o chão, fazia a minha imaginação voar. Hoje sou um homem feliz; casado, eterno apaixonado e pai da Yasmin. As duas, ela e a mãe, minhas melhores histórias... Mas também sou formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC/MG, com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, sou Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG, título que muito me responsabiliza e sou um homem das palavras. Mas essas palavras tiveram um começo... O meu encanto por elas fez com que eu começasse a escrever, inicialmente para mim mesmo, mas o tempo foi passando e pessoas começaram a ler o que eu produzia. Até que a revista AMAE EDUCANDO me encomendou um conto infanto-juvenil, e tal foi minha surpresa que o conto agradou! Foi publicado e correu o Brasil, como outros que vieram depois deste. Mais contos vieram e outros textos, como uma peça de teatro encenada no SESC/MG, poemas, artigos até que finalizei meu primeiro romance - Janelas da Alma - em fase de edição e encontrei uma grande paixão: os Haicais! Embora venho colecionando "histórias", como todo homem que caminha por esta vida, prefiro deixar que as palavras falem por mim, pois escrever para mim é mais do que um ofício que nos mantém no mundo. Escrever me coloca além dele... E é por isso que a minha vida, como a de um livro, vai se escrevendo – páginas ao vento, palavras ao ar.
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