PELO CANTO DISTINGUEM-SE PÁSSAROS LIBERTOS: A LITERATURA DA CORAGEM

Por Leandro Bertoldo Silva

Em 2019 eu já havia criado as prensas de madeira, as quais eu chamo de “Paula Brito” e já confeccionava os meus livros e até de outros escritores e escritoras. Foi o ano em que comecei a idealizar a bicicleta de livros que veio a ser a Rocinante, uma vez que hoje sou conhecido como Quixote das Gerais. Uma bicicleta que sustentasse uma bancada de trabalho e uma mala repleta de livros escritos e feitos por mim de maneira artesanal e ecológica, além de enfeites pendurados que remetessem à literatura e a todo o seu universo mágico de criação.

Portanto, já naquele ano eu vislumbrava uma bicicleta que seria, ao mesmo tempo, uma oficina de livros e uma loja itinerante; oficina para mostrar ao vivo às pessoas o processo da costura de um livro e suas etapas a partir da prensa feita com madeira reaproveitada, e loja como local de vender o meu trabalho da forma mais poética possível ao estar frente a frente com os leitores. Foi e é assim a minha escolha em ser um escritor independente por opção e convicção, como costumo dizer, sem me arrepender das recusas pelas editoras. Entenda melhor essa história clicando AQUI.

Porém veio a pandemia e com ela, além do medo, o isolamento social. O que eu pensava em ir para as ruas, praças, escolas, livrarias, precisou cair em “modo de espera” sem que tivéssemos a menor noção de quanto tempo iria durar. Como consequência, fomos todos ainda mais para o mundo virtual. Os encontros passaram a ser por lives. A internet lotava de pessoas enquanto as praças esvaziavam.

Não reclamo. Adaptei-me como todo mundo. Fiz lançamento on-line do meu último livro até então, criei programa de entrevistas pelo Youtube sempre a valorizar a literatura independente e seus autores e autoras e, principalmente, fiz muitos amigos, muitos mesmo.

A Rocinante passou a ser cenário das minhas lives, chegou a ser mostrada e comentada em programas de televisão e rádio, mas alguma coisa faltava em meu coração. Era como um pássaro, com toda sua exuberância e beleza de cantos e cores, triste por ser ver fechado e preso em um mundo frio e metálico.

O mundo virtual veio para ficar. Dele extraímos várias possibilidades, facilidades e até a chance de reunir centenas de pessoas em um mesmo evento de maneira muito fácil, mas… Não tem o brilho do olhar, a emoção do momento, o contato ainda necessitado de cuidados, mas presente pela proximidade do outro. Assim foram necessários dois anos para aquela idealização inicial, além de todos os outros de preparação e muito trabalho, se transformarem em realidade.

Desculpem-me os entusiastas virtuais, mas a presença física das pessoas, o encontro de almas, o calor da fala, do estar ao vivo em inteirezas não há tecnologia que supere. Dois anos… Um tempo de espera pragmática para que hoje, com todos os cuidados, repito, eu possa mostrar, ao vivo e a cores, a coragem de fazer literatura independente no Brasil.

Deixo aqui o meu agradecimento ao Instituto Cultural In-Cena e ao espaço Papo Café, em Teófilo Otoni, que abriram a porta do “Sábados Literários”. Agradeço por estarmos irmanados na missão de arte e poder existir além das telas. O pássaro está liberto e a Rocinante está nas ruas. Que venham cidades, escolas, feiras.

Que assim seja.

4 comentários em “PELO CANTO DISTINGUEM-SE PÁSSAROS LIBERTOS: A LITERATURA DA CORAGEM”

  1. Que assim seja!!!! Que venham as pessoas, as escolas, as feiras, as praças, os cafés e todos os que amam e acreditam em nossa ousadia de querer e poder ser irreverentes!! É possível sim fazer literatura independente! Estamos unidos nesse movimento cultural, literário e que vai mudar muitos velhos conceitos do que é sucesso! Um abraço meu amigo!!! Estos juntos seguindo as trilhas da Rocinante!! E olha, vamos de Rolimã!!!! Um forte abraço!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Leandro,
    Seus textos tocam a alma. A pandemia trouxe tantas perdas, tanto sofrimento, mas também muito aprendizado, muito mesmo!
    Que nossas asas estejam prontas para voar e que não tenhamos medo do voo.
    Que o pássaro que vive em você e a Rocinante possam voar e levar luz e encanto a todos os lugares por onde forem, contagiando todos aqueles que amam poesia.

    Um forte e caloroso abraço

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s