JANELAS DA ALMA – PREFÁCIO DA NOVA EDIÇÃO

Por Jéssica Rodrigues

Será possível adentrar os mistérios da alma e descortinar janelas que possam desvendá-la? Este exercício interno em conflito contínuo com o meio é essência da natureza humana. Os seres que se veem refletidos em situações, encontros e desencontros são puramente isto: humanos. E como uma obra de ficção, um romance, pode revelar tão bem esta nuance genuinamente real e presente no viver ou no imaginário de cada um de nós? A esta e outras perguntas, temos o aguçar aqui nesta obra.

Na leitura deste livro que mescla emoções, sentidos, memórias e devaneios – o encontro pessoal do personagem Jorge é brilhantemente construído nesta narrativa que cativa o leitor do início ao fim do texto. Penso que um bom romance é aquele que, ao fim de um capítulo, nos convida à leitura do próximo. Quando isso acontece, a conexão está estabelecida e o leitor já se deixou cativar pelo enredo. Este é o momento em que a mágica surge: o texto, antes vivo apenas no imaginário do autor, ganha ares e, com asas literárias, alça voo recebendo vida também no universo dos leitores. Foi assim aqui comigo ao leu o “Janelas da alma – uma tempestade íntima, um conflito, um retorno”. Jorge foi apresentando-se e, gradativamente, desvelando seus segredos. Vi-me em conflito de compreensão e, por vezes, voltei para conferir se havia me distraído e perdido algum ponto que me desse pistas para o desenrolar da história. Gosto disso, quando o livro não nos mantém inertes e então nos convida a revê-lo, transitar em suas páginas e buscar elementos de significação e ressignificação. Afinal, é aí que está a graça de tudo, não é? Sem esse remelexo no pensamento, a leitura não nos move, e é nele que o texto toma forma e sentido. Não penso em sentidos prontos e acabados, mas em diferentes e vastas elaborações pessoais, que dialogam com o cerne da narrativa. Isto sim me parece bom: dialogar com o texto, construindo possibilidades e gestando o impossível também.

As janelas do personagem, por vezes, abriram-se às minhas próprias. Um texto que faz parar, pensar, amadurecer. O zelo com informações pontuais como a nomenclatura das flores ou de cenas do cenário artístico teatral, bem como o dialogar de detalhes e de aprendizados nas entrelinhas. Uma obra completa: instigante, bem arquitetada, com jogos simbólicos e confrontos entre o abstrato e o real. Permito-me parafrasear Rubem Alves que diz que “todo jardim nasce de um sonho e, este por sua vez, nasce dentro da alma; assim, quem não tem jardins por dentro, não os plantam por fora, nem passeia por eles”. Jorge me conduziu aos seus jardins externos e internos. Leandro Bertoldo Silva manejou bem as palavras e este livro é um jardim completo.

Jéssica Rodrigues é pedagoga, professora e escritora.

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