ESSE ANO EU QUERO O SIMPLES SEM EXCESSOS

Por Leandro Bertoldo Silva

Todo final de ano somos acometidos pelo desejo do novo. É um desejo que nos leva a fazer listas de ações —na maior parte das vezes não cumpridas — e uma infinidade de rituais na esperança de dias melhores.

Há, também, certa quantidade de gurus com suas previsões, leituras astrais, queimas de karmas e até mesmo recomendações de se usar determinadas cores de roupa, comer ou evitar essa ou aquela iguaria e outras coisas mais na intenção da boa sorte. Não sou contra nada disso. Desde que se sinta bem, vá em frente. O importante é ser feliz. Mas deixe-me dizer uma coisa…

Esse ano eu quero o simples sem excessos, só isso. Em muitas coisas, quase todas, eu desejo o menos: menos barulho, menos discurso, menos necessidade de mostrar para que os olhos possam enxergar. Quero aprender com o menino do Manoel, que falava que “os vazios são maiores e até infinitos” e me formar em desenchimentos.

Sou do tipo de pessoa apaixonada pelo pequeno, pelo pouco, pelas miudezas das coisas, e isso não quer dizer pobreza material e muito menos de espírito ou falta de crença em conquistas, muito antes pelo contrário. Coragem e uma boa dose de sensibilidade se fazem necessárias para enxergar o quanto é belo o nascer do sol, o cair de uma folha, o canto de um pássaro, o reconhecimento afetivo de um animal. Junte-se a isso o sorriso de uma criança e o afago de um idoso e o mundo desabrocha tal qual pétala de rosas.  Ainda bem não ser possível colocar tudo isso em um quadro, porque nenhuma dessas coisas nasceram para serem emolduradas. É necessário saber apreciá-las em sua liberdade. E é por isso que são preciosas e raras porque poucos sabem o gigantismo de cada uma delas.

Que possamos esvaziar-nos de ilusões, ser água para correr livremente e enxergar o aconchego do silêncio; ele até pode ser quieto, mas nos diz o certo.

Que encontremos, pois, em nossos corações, o silêncio das necessárias verdades, e que o simples nos leve às nossas letras.

Queridos amigos e amigas, desejo a todos vocês um ano de magnífica beleza. Sejamos poetas das cores, dos sabores, dos amores, dos encontros sem preconceitos. Que saibamos extrair a preciosidade da vida em seus menores detalhes. São neles que moram as essências.

Feliz 2023 e até os próximos dias em que estaremos juntos na continuidade da nossa caminhada e de nossas virtudes.

Forte abraço!

STORYTELLING

Você já passou pela experiência de desejar algo ardentemente e, de repente, perceber que já a possuía há tempos e não se dava conta disso? Pois é, isso aconteceu comigo… Eu sou fruto de uma árvore!

Sempre admirei as pessoas cuja forma de vida se assemelha intimamente com aquilo que acreditam. Quantas pessoas você conhece que vivem uma vida que não querem? Eu sempre quis ser escritor sem saber ao menos o que isso, de fato, significava. E é exatamente aqui que a minha vida se funde com um pé de ameixa…

Eu tinha 7 anos quando a minha brincadeira preferida era subir em um pé de ameixa que ficava na casa da minha avó, e lá ficar horas viajando pelas páginas dos livros que levava comigo, usando os  galhos da árvore como estantes. Eu não tinha uma ideia muito clara do que aquilo representava, mas eu também queria inventar histórias. Foi assim que se deu o meu contato com a literatura.

Para mim livros é a minha razão de vida. Os primeiros que li foram os clássicos “Cinderela” e “O Caso da Borboleta Atíria”, da antiga coleção Vaga-Lume. Lia-os de cima do pé de ameixa sempre na companhia de outros livros que, com o passar dos anos, foram ficando mais “robustos”. A partir de José Lins do Rego fui descobrindo uma infinidade de outros escritores e escritoras, e entre as muitas coisas que me ensinaram, está o fato de eu querer profundamente estar entre eles, fazendo parte do mundo das histórias, dos poemas, dos romances, dos contos, das crônicas, pois aquilo tudo me encantava. 

Embora o pé de ameixa já não exista mais, o que mais me deixa feliz é que anos depois, já formado, casado e pai, recriei o mesmo pé e dei a ele o nome de Árvore das Letras, que hoje é a minha editora sustentável, por onde confecciono e adivinhe! Publico livros…

Devo dizer que nada disso teria acontecido se não fossem muitas pessoas que entenderam o meu amor pelos livros e pelo pé de ameixa. Essa árvore me acolheu como um fruto, cuidou de mim e dos meus sonhos, afagou a minha imaginação e moldou a minha existência com livros de tal maneira que digo sem hesitação que eu sou essa árvore e essa árvore sou eu.

Essa é um pouco da minha história. Todos nós temos uma . Qual é a sua?

Forte abraço!

VERACIDADE X LUCIDEZ

Por Valéria Gurgel

A foto era nostálgica por demais para pensar sequer na possibilidade da notícia ser falsa! Porém, além daquela imagem, estava escrito ali, bem na primeira página do jornal A GAZETA LOCAL com letras graúdas:

NAMORADO FALECIDO ENVIA SUA BIKE DE PRESENTE PARA SUA NAMORADA.

Sim, diante da prova explícita estacionada bem embaixo da janela, local onde os primeiros suspiros apaixonados e lábios sussurrados de desejos cálidos se deram, impossível duvidar. Uma imagem fala mais que mil palavras! Era um fato. Diante um fato comprovado, não há nada a declarar, nem contestar. Será?

Não demorou e começou aquele zum… zum… zum e a notícia se espalhou de boca em boca pela vizinhança.

Ninguém tinha o mínimo de encorajamento lógico de bater à porta para perguntar ou de sequer ter a lucidez para refletir, pensar em outra possibilidade menos bizarra. Conferir se era a mesma bicicleta, chamar a polícia, ou passar na rua em frente a casa de Duda.

Assustados, os moradores do bairro inteiro fecharam as janelas de suas casas.

A sinistra notícia logo viralizou e foi parar nas redes sociais. Uma onda nebulosa coberta de interrogações correu mundo em fração de segundos. Não se falava de outra coisa e a foto com a matéria sendo compartilhada ininterruptamente.

Todos sabiam da paixão de José Antônio, o falecido, por aquela bicicleta antiga, que passava de geração em geração e que terminou herdada de seu tio. Ela guardava reminiscências de mais de um século. E quem daquela cidade não havia visto ele pedalando pelas ruas estreitas e praças com Duda, de vestido rodado, flor no cabelo, sentada de lado na sua garupa?

Verdade?

Mentira?

Fato!

Fake?

Verdade!

Mentira?

Fato?

Fake!

Povo dividido. Discussões, insultos, escárnios, controvérsias, apostas, chacotas, vizinhos, famílias inteiras se tornaram inimigas por uma bobagem daquela.

A casa de Duda permanecia fechada. A bicicleta estacionada a frente de sua janela.

Quinze dias depois, a jovem apareceu. Havia viajado para a casa dos avós para espairecer os ais.

A famosa bicicleta, motivo de tantos assuntos controversos já não se encontrava mais ali. E a jovem só não conseguia entender como um simples fato pôde tomar aquela proporção nacional, internacional.

A explicação era simples.

O irmão do falecido José Antônio emprestou a bicicleta para o primo dele, que necessitava um veículo para chegar até a casa de Duda e por ali se instalar. Havia sido contratado por ela para ficar na casa enquanto se ausentou, cuidando do seu imóvel, de seus gatos e de seu jardim.

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Gostou do texto? Delicioso, não é? Pois veja agora o mesmo texto sendo falado com o recurso da música no vídeo abaixo.

Este trabalho nasceu de uma dinamização do curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita, na Árvore das Letras, no qual a Valéria Gurgel é uma das integrantes da turma Lygia Fagundes Telles.

A propósito, siga a Valéria em seu espaço no Recanto das Letras clicando AQUI! Vale muito a pena…

Forte abraço!

Até a próxima.

O COLORIR DE UMA FLOR

Por Leandro Bertoldo Silva

Levantou cedo. Enquanto a água fervia para o café, se arrumou e verificou se estava tudo certo com o material da escola. Era o seu primeiro dia de aula e não tinha a menor ideia do que encontraria, principalmente após a recomendação da diretora dias antes: “Não vá puxar muito dos alunos, professor. Eles não estão acostumados. Além do mais, estamos no interior…”.

O fato de ter vindo da capital nunca fora para Isidoro preceito de ser diferente. E daí estar no interior? Muito estranho. Mas lá foi Isidoro com uma diferença, sim, ao menos estrutural. Ele não tinha uma pasta ou bolsa, como os outros professores; ao contrário, ele tinha uma mala repleta de livros e carregava às costas um violão. E foi assim que adentrou pela primeira vez aquele portão escuro como o novo professor de Português.

Embora e escola estivesse toda pintada e com panos esticados em formato de grandes triângulos em tons diferentes, a falta de cor era evidente, não uma cor física, mas uma cor de alma, de falta de sorrisos reforçada pelo cinza do piso o qual gritava aos seus olhos. Sempre pensou: “As escolas nunca deveriam ser cinza, nem mesmo onde pisamos.” No entanto, estava ele ali em meio a uma a esperar pacientemente o seu momento de conhecer os alunos.

Feitas as apresentações, os alunos foram para as suas salas desanimados e desbotados, enquanto os professores, em desmaio de cores a reclamarem do fim das férias, foram pegar os seus pincéis. Isidoro não precisava deles, a não ser para pintar o chão, onde um rolo seria mais adequado.

Nem pinceis e nem rolo. Adivinhou-se na entrada de cada turma o que Isidoro trazia de novidade. No lugar do “bom-dia, vamos sentar nos seus lugares”, o novato professor sentava-se em cima das carteiras junto aos alunos, ou no chão os convidando a fazerem o mesmo, sacando o violão e contando-lhes histórias.

Os dias foram passando e o professor seguiu a sua tentativa de colorir a escola. Entendia agora o porquê em tempos meninos, ainda no jardim da infância, quando seus pais perguntavam o que ele havia feito, ele respondia: “Eu só coloro”. Essa sempre foi a sua missão, ainda mais do que ensinar as próprias letras.

Porém, o empreendimento era árduo. Não contava com os outros professores e muitos alunos não compreendiam nem o vermelho, nem o azul ou qualquer outra cor de suas palavras. Sentia-se na superfície, não havia profundidades. Lembrou-se da sentença da diretora ao recomendá-lo cautelas. Estaria ela com a razão?

Isidoro foi para casa. Pensativo. Queria tanto colorir se não a escola, ao menos o coração daquelas crianças e jovens! Em sua biblioteca buscava nos livros a cor perfeita a salvar do desbotamento contagiante aqueles que se acinzentavam.  De repente seus olhos pousaram em um pequeno livro de capa preta, sem atrativos e muito sem graça em meio a tantos outros volumosos. No título lia-se: “O coração escuta pela boca”, de Silvana de Menezes. Tratava-se da biografia romanceada de Freud. Será?… Nunca acreditou em julgar um livro pela capa. Pegou-o e o guardou em sua mala. No dia seguinte o apresentaria para os alunos na berma de um pensamento: “as pessoas são como os livros; algumas serão tocadas, lidas e descobertas enquanto outras permanecerão fechadas”.

Tal pensamento se refletiu na realidade quando, em meio a vários alunos e alunas, Isidoro viu brilhar um amarelo diferente, um ponto de luz nos olhos de uma menina. Nenhum livro havia conseguido tal feito. E fora justamente aquele de capa preta a ganhar variedades de belezas como um caleidoscópio a fazer nascer alguns anos mais tarde uma profissão.

A menina, miúda ainda de idade, cresceu com o passar dos anos, os mesmos anos que fizeram Isidoro não estar mais naquela escola, pois o tempo não havia colorido os seus despropósitos.

Sentado junto à janela a olhar uma flor prestes a abrir em seu jardim, ouve um toque de mensagem em seu telefone:

“Oi, professor, tudo bem? Hoje é o lançamento do meu trabalho, do meu projeto como psicóloga e eu postei um vídeo explicando o motivo de ter escolhido a psicologia. Obviamente você fez parte disso, fez parte lá das raízes até as folhas e as flores dessa árvore linda que eu construí. E não tem como falar desse projeto sem me lembrar de você. Foi por causa do livro que você passou, “O coração escuta pela boca”, que esse amor nasceu em meu coração. Estou te mandando essa mensagem para te agradecer. Essa vitória não é só minha, essa vitória é nossa. Muito obrigada mesmo por ter feito parte disso”.

Ao escutar a mensagem e com os olhos marejados, viu que a flor, em um colorido intenso e cintilante, acabara de se abrir.

*A mensagem descrita acima é real e dedico essa história à Fabiene Lemos, antes uma aluna, hoje uma amiga.

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Obrigado por sua leitura. É ela a incentivadora de toda escrita. Espero ter gostado dessa história inspirada em um fato real. Peço a gentileza de curtir, comentar e compartilhar com seus amigos. Para um escritor não há presente mais valioso.

Até a próxima.

UM BOM COMEÇO PARA INÍCIO DE CONVERSA: UMA SINGELA RELAÇÃO PARA SE CONHECER A LITERATURA BRASILEIRA

Por Leandro Bertoldo Silva

Você consegue definir?

Imagine um mundo formado por pedaços coloridos de vidro, sendo estes refletidos por espelhos, a ocasionar, por meio de sua movimentação, imagens coloridas e diferentes em contínuas transformações…

Certamente, você associou essa descrição a um caleidoscópio, correto?

Correto. Mas não estou falando de um caleidoscópio comum, este do objeto cilíndrico, embora seja cilíndrico o mundo em que vivemos.

O que quero dizer?

Bem, imagine que você tenha olhos de vidros multifacetados, suas opções são inúmeras e o simples fato de saber que você pode mudar a realidade o fascina. Seu espírito é inquietante, corajoso e determinado, um desbravador de sentimentos que tem na palavra sua força de transformação.

Você sente as ideias fervilharem dentro de você. Sabe que o seu trabalho é libertá-las, pois o mundo depende disso e um dia o reconhecerá, mas, mesmo não reconhecendo, você precisa escrever… E cada palavra, cada frase, cada pensamento constrói uma época, um estilo, uma era…

Suas palavras ganham os livros, suas ideias ganham o mundo, às vezes aplaudidas, às vezes contestadas, e as páginas, manuseadas, se transformam num gigantesco caleidoscópio da humanidade…

Sabe do que estou falando?

Simplesmente de uma das artes mais fascinantes da humanidade, exatamente porque, como os pedacinhos de vidro que mudam o tempo todo, vai se formando nas indefinições, nos contrastes, nas inquietações… E são desses estímulos, alimentados por mentes talentosas e um profundo senso crítico e estético de sua época – e são muitas – que ela surgiu desde os primórdios de nossa descoberta: a literatura!

Essa arte magnífica, responsável por pensamentos como de Oswald de Andrade, ao afirmar, que “antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.”

E isso nos impulsiona a pensar, a refletir… E a devida inserção desses pensamentos vai, como foi, construindo nossa realidade e moldando nossa existência.

Mas deixe-me dizer uma coisa…

Você provavelmente já deve ter lido a seguinte frase atribuída à Bill Gates:

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever — inclusive a sua própria história.”

Pois bem, uso desse pensamento para dizer que devemos, sim, ler os grandes clássicos e autores estrangeiros, assim como os seus contemporâneos, mas antes precisamos conhecer a nossa própria literatura.

Para mim, não há nada mais lindo e importante no mundo das letras do que a nossa literatura brasileira: Machado de Assis, José de Alencar, Lima Barreto, Fernando Sabino, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Lygia Fagundes Telles, Marina Colasanti, Murilo Rubião, Maria Clara Machado, Jorge Amado e tantos nomes que já foram referências para além-fronteiras.

Foram?!

Sim, foram! Não são mais, pelo menos como outrora.

E talvez por lerem, claro, os grandes clássicos e nunca deixarem de valorizar não apenas a própria língua, mas a própria arte em prosa e verso do seu país, tantos outros autores e autoras surgiram alcançando igualmente lugares de referência.

Sinto que vivemos hoje uma escassez de grandes escritores e escritoras, como vemos surgir em África, por exemplo. Isso muito se deve à mídia ceifadora e interesseira do comércio e à falta de verdadeiro incentivo à nossa literatura.

Mas nada está perdido!

Vemos crescer o movimento da literatura independente em nosso país, construindo caminhos sustentáveis e promissores. No entanto, para que isso possa acontecer com mais propriedade e força, há de voltarmos os olhos para o que nós produzimos.

Por isso, este texto é um guia, ou mesmo um mapa que, como tal, pode e deve ser acrescido de novos caminhos e até atalhos que as mãos e olhos deste que vos escreve porventura não mencionou.

O que eu quero dizer?

Na sequência vai uma relação da nossa história literária em obras e autores que tive o cuidado de traçar certa linha do tempo, desde o Romantismo — por ser a primeira grande ruptura com a Corte em busca de uma literatura genuinamente nossa, com espírito nacionalista — até os nossos dias. Embora bastante incompleta, é um bom começo para quem se aventurar a conhecer a melhor e mais vasta literatura do mundo: sim, a nossa! Para que eu não caia naquela velha máxima do “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, devo dizer que sim, eu li todas as obras relacionadas aqui, e muitas delas eu revisitei, como revisito constantemente. É por isso mesmo que elas estão aqui…

Mas aqui vai um pedido, não sem antes de duas ressalvas!

A primeira é que me furtarei da responsabilidade de escrever aqui neste blog o que já se encontra facilmente em centenas de outros sites pela internet, ou seja, as considerações e resumos de cada obra. “Copiar e colar” definitivamente não… Irei simplesmente citá-las, assim como os seus autores, e inseri-las nos seus respectivos momentos históricos numa espécie de linha do tempo.

A segunda ressalva é que trago tão somente as obras lidas e apreciadas por mim em minha caminhada, o que se junta ao pedido a seguir… 

Caso, porventura, tenham outros títulos que não estão mencionados na relação a seguir, fique à vontade de acrescentar nos comentários, e assim vamos aumentando essa lista que é cada vez mais infinita. No mínimo isso será um bom serviço prestado.

Vamos lá?

UM BOM COMEÇO…

ROMANTISMO

  • Suspiros Poéticos e Saudades – Gonçalves de Magalhães (1836).
  • A Moreninha – Joaquim Manuel de Macedo (1844).
  • Memórias de um Sargento de Milícias – Manuel Antônio de Almeida (1854).
  • Cinco Minutos – José de Alencar (1856).
  • A Viuvinha – José de Alencar (1857).
  • O guarani – José de Alencar (1857).
  • Iracema – José de Alencar (1865).

REALISMO/NATURALISMO

  • Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis (1881).
  • Quincas Borba – Machado de Assis (1891)
  • Dom Casmurro – Machado de Assis (1899).
  • Memorial de Aires – Machado de Assis (1908).
  • O Ateneu – Raul Pompeia (1888).
  • O Cortiço – Aluísio Azevedo (1890).

PRÉ-MODERNISMO

  • Os Sertões – Euclides da Cunha (1902).
  • Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto (1911/1915).
  • Eu – Augusto dos Anjos (1912).

MODERNISMO/PÓS-MODERNISMO

  • O Quinze – Raquel de Queiroz (1930).
  • São Bernardo – Graciliano Ramos (1934).
  • Capitães da areia – Jorge Amado (1937).
  • Vidas Secas – Graciliano Ramos (1938).
  • Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto (1955)
  • Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa (1956).
  • O Encontro Marcado – Fernando Sabino (1956).
  • Quarto de despejo: diário de uma favelada – Carolina Maria de Jesus (1960).
  • O Pirotécnico Zacarias – Murilo Rubião (1974).
  • A hora da Estrela – Clarice Lispector (1977).
  • Olhos D’Água – Conceição Evaristo (2015).
  • Ponciá Vicêncio – Conceição Evaristo (2017).

Gostou de acompanhar essa evolução histórica das letras? Que tal, então, como disse acima, mencionar nos comentários quais obras e escritores fariam parte da “sua” lista? Isso irá aumentar ainda mais as indicações e o nosso panorama literário.

E lembre-se!

COMPARTILHAR É SE IMPORTAR!

Compartilhe esse conteúdo e vamos valorizar ainda mais a nossa literatura brasileira.

Forte abraço!

UM RECADO BEM CARINHOSO

Relicário Pessoal – haicais
Número de páginas: 90
Edição: 1º (2018)
ISBN: 978-85-53047-06-2

Você já teve a oportunidade de ter um livro sustentável feito um a um, desde o corte do papel, passando pela costura à mão, colagem, prensagem em prensa de madeira até o acabamento da capa?

Ter um livro assim é, além da arte e da literatura, uma escolha e um respeito ao meio ambiente.

E como estamos em setembro, o mês da primavera, venho oferecer com muito carinho o meu livro Relicário Pessoal – haicais. Isso porque os haicais dialogam com a natureza interna e externa de todas as coisas, inclusive nossas; falam das flores, essas dádivas da criação, das estações e do florescer de um novo tempo. Tudo isso em pequenos versos como gotas de sensibilidade que nos levam a um estado de reflexão e presença.

As páginas do livro podem ser aromatizadas com essência de lavanda, menta ou canela à sua escolha, o que te proporciona uma experiência sensitiva e agradável além da leitura.

Portanto, se desejar ter essa arte com você, é só me dizer que eu terei o maior prazer de enviá-la em uma embalagem igualmente sustentável e com muito significado.

Leia, medite, esvazie-se das ilusões e faça das expectativas um brincar de árvores…

O valor do livro é de R$35,00 + R$10,00 de envio módico pelo Correio. Este preço ficará válido até o dia 30 de setembro.

UMA ROTINA SAUDÁVEL

Peço licença para compartilhar uma vivência com você.

Hoje, dia 30 de agosto, levantei às 5h. da manhã com a decisão tomada de ser este o horário para iniciar o meu dia e fazer tudo o que desejo e preciso.

Entendi que, como escritor, sou um operário e tenho com as letras o compromisso do trabalho e do servir, e escritor escreve todos os dias, (nem tão) simples assim, mas é o nosso ofício.

Assim, com tudo que tenho a realizar durante o dia, estabeleci que estarei escrevendo de 7h. às 9h., impreterivelmente, com sol ou chuva, frio ou calor, e isso é inegociável. Mesmo que o tempo seja pouco, adotarei Hemingway e deixarei para o dia seguinte o auge da vontade, embora bem aproveitado todo minuto é uma eternidade.

O levantar às 5h da manhã é que necessito me preparar e cuidar das minhas meninas – esposa e filha. Inicio o dia com minhas meditações e visualizações, preparo o café delas para que possam ir para o trabalho e escola e, assim, poder estar totalmente disponível também para o meu trabalho. A partir das 9h. lanço-me à confecção dos livros e cadernos para à noite poder estar com meus alunos no curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita e finalizar a travessia com uma bela, prazerosa e necessária leitura.

Hoje fui organizar os textos a fazerem parte do meu próximo livro “O pé de ameixa da casa da minha avó e outras crônicas” que, por motivo de agenda, será lançado em 2023. Mas é necessário deixa-lo pronto, e é incrível! É só começar a mexer que o livro acontece dentro da gente…

Mas vamos caminhando.

E você, qual é a sua rotina saudável?

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

POR QUE BATIZEI AS MINHAS PRENSAS DE “PAULA BRITO”?

Francisco de Paula Brito (1809-1861), afrodescendente como Machado de Assis, foi figura importante nos primórdios do mercado editorial no país. Segundo Machado de Assis, “o primeiro editor digno desse nome que houve entre nós”. Pioneiro no ramo tipográfico no Brasil, facilitou e promoveu a publicação de escritos de jovens autores que buscavam oportunidades, incentivou a leitura, a circulação de ideias e os contatos entre figuras notórias da vida social do Rio de Janeiro. A tipografia de Paula Brito era responsável não apenas pela impressão de diversos escritos, mas também pela produção editorial de muitos deles. Além de ter sido a primeira a publicar um livro de autoria de Machado de Assis – Desencantos: fantasia dramática (1861) – foi o local onde o jovem Machado de Assis conheceu muitos escritores, artistas e políticos importantes, alguns dos quais se tornariam seus incentivadores e amigos.

Para quem é um escritor artífice como eu que edita e publica os seus próprios livros e também de amigos escritores, como Ricardo Albino, Armando Ribeiro, Antonia Aleixo, Valéria Cristina da Costa, Bhuvi Libanio, Araci Cachoeira e Lívia Ferreira, creio estar bem respondido.

O que mais me deixa estimulado neste trabalho de escrever e fazer nascerem outros autores e autoras é ver fortalecida a literatura independente e a possibilidade de novos caminhos porque, sim, eles existem, e se não existirem podemos construí-los.

Caso queira conhecer os meus livros, saber mais sobre as prensas, o selo Alforria Literária da Árvore das Letras e o nosso conceito de publicação sustentável, entre e fique à vontade. Visite este site. Quem sabe você não possa fazer parte desse processo?

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

FAZER 50 ANOS

Fazer 50 anos não é um aniversário como os outros, não que os outros não tiveram importância. Afinal, só chegamos aos 50 por causa deles. Mas fazer 50 anos é a junção de dois momentos: um que se fecha e outro que se abre. É aquele momento exato entre o final do dia e o início da tarde. Também poderia ser da tarde para a noite ou da noite para o dia. É a pausa da inspiração para a expiração. E embora tudo possa parecer imperceptível, a mudança acontece trazendo as marcas do tempo, as consequências das escolhas, as palavras ditas, os olhares revelados, os abraços dados, os encontros realizados.

Fazer 50 anos é poder, sim, olhar para trás, avaliar, analisar com minúcias. É poder se dar o direito de sentar à sombra da árvore, afiar o machado da vida com mais paciência, sem correria, pois o ritmo pode ser mais lento, o que não significa ser menos eficaz, mas dosado com mais calma, com mais inteligência.

Fazer 50 anos é estar à porta de onde moram as pessoas que já passaram por tudo que passamos até então e que sabem que todas as experiências são válidas, mas que muitas delas não precisam ser levadas tão a sério. Aliás, brincar é abandonar qualquer tristeza e adquirir a qualidade da inocência sem ser infantil.

Fazer 50 anos é engravidar de si mesmo e renascer criança madura.

Obrigado a todos e todas que me acolheram em suas vidas. Obrigado por fazerem parte da minha. Gratidão pelas palavras de carinho. A história continua agora em outras páginas.

E ASSIM VÃO NASCENDO ESCRITORES

A Árvore das Letras através do selo Alforria Literária concluiu mais um projeto de livro: “Histórias de um rapidinho em quarentena”, do escritor, jornalista e contador de histórias Ricardo Albino.

Como eu digo sempre, o prazer de ler é resultado de estímulos constantes, que aos poucos se torna uma questão de gosto, escolha e atitude. E para isso é necessário ter acesso aos livros. E esse acesso precisa ser facilitado não apenas para o leitor, mas também para o escritor a fim de produzi-lo.

Eu como escritor independente por opção e convicção sei bem disso e resolvi assumir há alguns anos a missão de fazer nascer livros e autores. Seja bem-vindo, Ricardo. Que o seu livro possa levar luz ao coração das pessoas.

Se você é escritor, escritora e deseja ter o seu livro publicado de forma justa, sustentável e ecológica entre em contato com a Árvore das Letras. Se você é um leitor, uma leitora consciente dos novos talentos valorize a literatura independente.

Para adquirir o livro “Histórias de um rapidinho em quarentena” entre em contato com  Ricardo Albino no https://www.facebook.com/ricardoflavio.mendlovitzalbino