FUTURO INCERTO

Por António Alexandre
Angola

Olhei a minha volta e vi tudo natural

Mas tudo que vi me fez mal

Vi crianças descalças sem destino sem caminho

O tempo para elas passa e dos adultos não há nada nem carinho

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Vivo numa terra de abundância riqueza

Mas o povo conserva tristeza

O sofrimento perpétuo das crianças me atormenta

Na lixeira, nas ruas estão elas catando restos que não alimenta.

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Vejo os mais velhos comendo tudo até as sementes

De barrigas cheias nada deixam para as crianças

Vejo velhos e crianças sem alimentação

E refugiam-se ao  criador do céu e da terra como solução.

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Aqui trago mais uma vez a poesia de António Alexandre, um poeta sensível que se compadece das dores do mundo. Um dia viu quatro crianças a caminhar e a catar na lixeira algo para se alimentar. “Por que isso acontece em uma terra tão rica?” Que a poesia nos aponte uma resposta…

Forte abraço!

Até a próxima.

MATERNIDADE

Por Leandro Bertoldo Silva

Maternidade era uma das palavras esquecidas no seu dicionário. Era fácil demais para algumas pessoas pensarem nisso, não para ela, de corpo perfeito e vida em liberdade. Por isso, seu ventre crescido estava na contramão de todos e recordava sua rejeição. Daquele invólucro perfeito, ficariam cicatrizes, marcas que sobreporiam ao efemeramente físico e atingiriam sonhos interrompidos.

Dejanira era mulher do mundo. Esse era o resguardo que nunca pensou em abandonar, nem sequer substituí-lo por um momento que fosse. Sentia-se sem vida, apesar da vida que crescia dentro de si. E, agora, mesmo sendo duas, teimava em sua solidão. O tempo passava, mas não levava a angústia que aumentava a cada dia que a circunscrição de seu estado apontava. Já dividia seu alimento, mesmo sem sua permissão, como seria dividir o resto? Era o que pensava desolada e inquieta. Só havia um jeito: acabar logo com aquilo. Porém, o feto crescido já era uma criança e, antes mesmo de pensar em qualquer outra coisa, de seu corpo redondo começou a emergir um líquido que, ao rebentar da bolsa, jorrou junto com uma sensação indefinível que a urgência do momento não permitiu reflexões. Elas só vieram quando, já com a criança liberta deitada em seu peito em meio aos médicos, começou a cantarolar uma cantiga de ninar no mesmo momento em que seus seios saciavam o filho que calava a ouvir.

Seus olhos recém-maternos se iluminaram, e o coração, que antes rejeitava, agora acalentava e se punha a descobrir uma desconhecida impressão felina e protetora.

A mulher do mundo sem fronteiras não sabia se o choro convulso que irrompia naquele instante era amor ou remorso, talvez fossem os dois. Aquele momento eternizado na música que embalava sua criança fazia pensar: afinal, é a mãe quem dá à luz um filho ou é o filho que faz nascer a mãe?

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Esse texto já esteve por aqui. Mas o trago novamente nesse dia porque fala de um sentimento que é maior do que o mundo, que abraça e salva. O dedico a minha mãe e a todas as mães dessa terra.

Forte abraço!

Até a próxima.

MIUDEZAS GRANDIOSAS

Por Gabriela Lopes

Gabriela Lopes dos Santos é escritora, poeta e artista plástica mineira, de Teófilo Otoni.

Olho a fumaça

saindo da boca,

no frio da manhã.

Raios tímidos de sol

aquecem o corpo,

revigoram os pulmões.

Ao redor, o verde cintilante.

Estar vivo é um êxtase vibrante.

Sinto o cheiro do mato.

Toco orvalhos

umedecendo as mãos.

Alegro-me com o céu azul.

O sol pulsa a vida.

No rosto os raios

trouxeram certezas,

o belo está nas miudezas.

A pena de um pássaro

se solta de um galho,

lentamente cai

pousando na minha mão.

Voa pena, voa cantos.

Estar conciliado consigo,

é um carinho na alma.

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Você já percebeu a capacidade que muitos pessoas têm de enxergar a grandiosidade das miudezas? Quais são as coisas mais simples da sua vida, aquelas que não têm nenhum valor de mercado, mas que você não venderia por nada?

Forte abraço!

Até a próxima.

ATÉ QUANDO?

Por Leandro Bertoldo Silva e Antônio Alexandre

Vejo sonhos no ar, vejo a professora ao fazer da pedra um assento de esperança, e não é a esperança que existe entre o querer e a imaginação, mas entre o acreditar mesmo no impossível.

Vejo sonhos no ar, e as crianças a esconderem sorrisos com um olhar, o mesmo que se desnuda de uma infância prometida.

Vejo sonhos no ar, mas também roubados de crianças inocentes. Vejo crianças na escuridão, vejo o futuro do futuro do amanhã ameaçado.
Mas na inocência, vejo rostos e um sorrir de crianças alegres.

Vejo sonhos no ar, vejo árvores protetoras – ao menos elas – a doarem mais do que um amparo, mas a suas raízes a fortalecerem o desejo de ensinar.

Vejo sonhos no ar, vejo o branco alvo das roupas das crianças ao contrastar ao chão de poeira amarelecida, mas soberano ao ganhar a companhia do verde dos quadros inapropriados à trabalhar.

Vejo sonhos, muitos sonhos no ar. Vejo flores, mesmo que desenhadas, a embelezarem o conhecimento em meio a um aceno franco de um menino. O que estaria a pensar?

Essas são as nossas evidências de gente pelos cantos, aglomeradas, em desalentos como o professor sem condições, o caderno sem mesa, o estudo sem teto, as folhas refletidas no chão.

Mas, mesmo assim, vejo sonhos no ar: da menina que quer ser bailarina – por que não? -, do miúdo que deseja ser astronauta e brilhar com as estrelas e de tantos outros a emanarem sombras, mas não é a sombra que você imagina, entre a tristeza e a solidão, mas aquela que do descaso se torna a vontade de um arrebol.

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Esse texto é um dueto além-mar entre Brasil e Angola, que desnuda um retrato literário de um descaso ocorrido em uma escola de Lubango. Muitas realidades parecidas presenciamos por aqui também, e cabe à arte o seu papel de fala e escuta. Literatura é a arte da palavra e, como tal, é também um meio de denúncia, mas com arte-delicadeza e arte-leveza. A comunicação não violenta se faz urgente em todos os países do mundo.

Forte abraço!

Até a próxima.

PERDOE-ME PELA MINHA ANSIEDADE – UM BREVE COMENTÁRIO DA OBRA DE FABIENE LEMOS

Por Leandro Bertoldo Silva

Para que consertar algo se é possível, rapidamente, substituir pelo novo? O futuro são homens-máquinas? O caminho que se está per(correndo) o leva para qual direção?

Esses e outros questionamentos são apontados pela escritora e psicóloga Fabiene Lemos em um texto que não se propõe agredir, mas, muito antes pelo contrário, acolher e afagar as nossas mais sinceras reflexões a respeito de nós mesmos ou, sem qualquer exagero, ao futuro da humanidade. “Perdoe-me pela minha ansiedade” já traz no próprio título esse que talvez seja, sim, o mal do século apontado por tantos estudiosos, cientistas, pesquisadores, profissionais de saúde e, por que não, escritores e atores das mais variadas manifestações artísticas: a ansiedade, essa angústia perturbadora que, segundo a autora, “foi se modificando com o tempo, juntamente, com o comportamento da sociedade e se transformando quase em um arquétipo”.

É exatamente assim que acontece. É natural nos sentirmos ansiosos, como bem diz Fabiene Lemos, ao nos submetermos a um teste ou nos prepararmos para um encontro. Porém, a vida do desejo mimético ou daquilo que nem sequer necessitamos, mas nos vemos compelidos a consumir porque a sociedade nos obriga, cria em nós a desordem que nos impele ao enigma das emoções.

E é aqui que passado, presente e futuro se confundem… É preciso lançar olhos carinhosos com absoluta sinceridade de nos reconhecermos nesse jogo de verdades e ilusões para que o monstro arquetípico não consuma o humano que nós somos.

É Com esse carinho, alinhado a uma escrita afetuosa, alcançável e profundamente talentosa de quem sabe tecer as palavras certas, no tom certo e no lugar certo, que Fabiene nos presenteia e nos proporciona a oportunidade do melhor encontro possível: o encontro com nós mesmos, no nosso tempo e no nosso lugar.

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Gostou dessa temática? Absolutamente atual e necessária, não é mesmo? A sociedade – e nós somos a sociedade – necessita, e muito, lançar olhos para essas questões. Por isso, convido para o lançamento desse livro que será essa semana em uma live com a autora. O horário e mais informações podem ser adquiridas no perfil https://www.instagram.com/psifabie/

Forte abraço!

Até a próxima.

SILÊNCIO É A HORA DA DESPEDIDA

Por Tomé Nasapulo.
Angola.

Caríssimos amigos leitores:
Sabemos que as nossas vidas são marcadas de encontros, despedidas e reencontros. As despedidas são momentos marcantes carregadas de emoções, se não mesmo difíceis! Algumas despedidas abrem possibilidades de próximos reencontros, mas, infelizmente, nem sempre é assim.

Daí é que neste edição das Crônicas de Domingo, apresento as emoções vivenciadas em torno destes momentos. Espero que ada um de nós se reencontre neste “SILÊNCIO É A HORA DA DESPEDIDA”.

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Silêncio é a hora da despedida!

Despedidas: Em cânticos polidos
Em choros revoltos
Em gritos bramidos
Em elogios nostálgicos.

Silêncio é a hora da despedida!

Sem abraços
Sem palavras
Sem desejos de renúncia a estadia.

Silêncio é a hora da despedida!

A hora da reivindicação
Das promessas perdidas
Das vontades ruídas
Da solidariedade comprometida
Da reciprocidade falida.

Silêncio é a hora da despedida!

A hora das emoções explodidas
Da ternura ferida
Das dores colhidas
Da tranquilidade merecida.

Silêncio é a hora da despedida!

A DITADURA DAS BETERRABAS

Por Paulo Cezar S. Ventura

Paulo é Graduado e Mestre em Física, e Doutor em Ciências da Comunicação e da Informação. Publicou Mistérios de Marte (poesia) em 2015, Zorro (infantil) em 2017, Projetos Escolares para Feiras de Ciências, em 2017, e Haicais do Riobaldo (poesia), em 2022 e participou de várias Antologias.

Meu Vô Ventura era um especialista em baboseiras. Na lista das vividas por ele ao longo da vida, uma que mais fundo o marcou foi namorar a vizinha rica porque ela tinha um carro e o levava para dar um rolê pela cidade. À época pareceu-lhe uma façanha para um garoto bonito e com uma família de parcos recursos financeiros, ele mal tinha grana para o ônibus. A façanha, no entanto, custou-lhe uma surra dada pelos potenciais interessados na menina. A cicatriz em seu braço nunca o abandonou.

Outra baboseira sempre foi sua birra com beterrabas. O vermelho da beterraba manchava seus dentes, sujava sua camisa branca sempre na hora de ir para a escola ou, mais tarde, ir para o trabalho (ele sempre foi desajeitado assim). Aquela birra foi se transformando em ódio pelas beterrabas à medida que sua data de nascimento na carteira de identidade foi ficando antiga, bem antiga. Não podia nem ver.

Recentemente, após ter vivido tantos jubileus pela existência ativa e rica, sua filha o conduziu à nutricionista para acertarem sua dieta alimentar. Vô Ventura precisa de alimentos fortes, ricos em nutrientes saudáveis, para manter sua saúde, sem ganhar gorduras desnecessárias.

Imaginem sua cara amarrada, careta feia mesmo, quando a profissional da alimentação sugeriu um cardápio rico em… beterrabas.

— Beterrabas? Nem pensar!

— Mas, Sr. Ventura, beterrabas são ricas em vitamina C, cálcio, vitamina A, ácido fólico, potássio e fibras. Além disso, contém antioxidantes que previnem doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, e auxiliam na redução do seu colesterol sanguíneo, que está bem alto.

— E afirma isso com esse prazer estampado em seu rosto? Você só pode ser uma torturadora. Abaixo a ditadura das beterrabas!

Vô Ventura pegou sua bengala, a que o mantinha ereto em situações como essa, mostrou-a para a moça com uma careta de fúria e saiu resmungando do consultório. Beterrabas não fazem parte de seu cardápio.

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Aqui está um personagem fascinante! As aventuras do Vô Ventura são assim, curtinhas, e com esse toque que parece que iremos encontrá-lo logo ali na esquina. Sim, existem muitas outras! E se o Paulo consentir, o traremos mais vezes por aqui. É cada história…

Forte abraço!

Até a próxima.

UM LIVRO NUNCA TERMINA AO VIRAR DA ÚLTIMA PÁGINA

Por Leandro Bertoldo Silva

Sempre tive fascinação pelas coisas simples. Acho mesmo que sou um fazedor de miudezas. Não por acaso tenho por Manoel de Barros uma admiração profunda, na capacidade que ele tinha — ou tem, porque um poeta nunca morre — de construir pequenezas insignificantes. Insignificantes? Ha, ha, ha!…

Muitas vezes como escritor, busco o pequeno das coisas. Bartolomeu Campos de Queirós, outro que entendia a linguagem miúda da vida, chegou a escrever um livro cujas 45 páginas valiam por 450; uma página de leitura por um mês de reflexão, a iniciar pelo título: “Antes do Depois”. Hã?! Pois é… E ainda há quem avalia se um livro é bom se ele for grosso! Não recrimino. Esses, às vezes, são bons escoradores de porta.

De qualquer forma, gosto das histórias que nos fazem pensar, daquelas a nos puxarem o tapete. O resultado já sabemos: um belo tombo existencial.

Escrever bem não é escrever muito, assim como ler muito não equivale ao ler certo, e eu não estou a falar de ortografia e muito menos de pontuação. Aliás, a gramática é uma necessidade(?), não uma camisa de força. Haja vista Guimarães Rosa.

Como vê, tantos sãos os escritores e escritoras a nos ensinarem isso. Uma vez estava a ler repetidas vezes um mesmo livro: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Sim, sou uma espécie de (re)leitor. Quem me conhece sabe: prefiro reler um livro a lê-lo pela primeira vez. Estava nisso quando fui interpelado por um amigo:

— Por que lê tão repetidas vezes este livro?

— Porque nele estou quase a encontrar a minha liberdade.

— O que falta para isso?

— A próxima leitura.

— Não te angustia saber que pode novamente não encontrar?

— Me angustia mais achar que já encontrei…

Não houve mais perguntas.

Recomecei.

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Então, aqui está mais um texto em que eu revelo uma pequena particularidade, como ler repetidas vezes um mesmo livro. Há pessoas que acham isso uma perda de tempo, afinal há tantos livros a serem lidos… Mas uma coisa é ler, outra coisa é… ler! Com você como é? Você costuma repetir leituras?

Forte abraço!

Até a próxima.

RECORDAÇÕES – HISTÓRIAS QUE MINHA AVÓ CONTAVA

Por Rosi Amaral

Rosi Amaral é de Belo Horizonte. Trabalha como professora na rede pública. É contadora de histórias e escritora.

Maria, nome pequeno de uma pessoa com grandeza de alma, de coração e de histórias. Vó Maria sempre tinha uma história pra contar. Mas a que eu mais gostava de ouvir era uma da cidadezinha onde ela nasceu: Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Ela contava que, ainda menina, conheceu Antonieta, a moça mais bonita da cidade. Antonieta estava de casamento marcado com João, um fazendeiro muito rico. Aconteceu que, na véspera do casamento, a moça fugiu, deixando para trás o noivo, vários rapazes que alimentavam uma escassa esperança de conquistar seu coração e um bilhete dizendo que iria para a cidade grande em busca do seu sonho: ser uma cantora famosa.

Vó Maria lembrava também de Salete, a irmã mais velha de Antonieta. Era a moça mais séria da cidade. Vivia para o trabalho e para a igreja. Criticava a postura dos jovens da cidade que se entregavam aos prazeres carnais, esquecendo de preservar a moral e os bons costumes. Não gostava de falar da fuga da irmã. As mexeriqueiras da cidade diziam que ela era apaixonada pelo noivo abandonado. Mas esse, depois da partida da amada, resolveu ser padre.

A pobre moça, com o coração partido, passou a dedicar-se ainda mais à igreja e às obras de caridade. Estava sempre disponível a qualquer hora do dia ou da noite para ajudar os necessitados. Só não saía de casa em noites de lua cheia. Ela tinha medo de encontrar Maria Doida, uma jovem andarilha que, desde menina, demonstrou ser perturbada das ideias. Vivia com a cabeça na lua, literalmente. Cantava, fazia versos e até uivava para seu objeto de fascinação.

Aconteceu um dia que Salete teve que sair às pressas para ajudar umas carpideiras no velório do médico da cidade. O doutor que cuidava de todos, esqueceu de cuidar da sua própria saúde. A cidade ficou desolada. Ninguém imaginava que o doutor sofria do coração.

Salete, pega de surpresa com a notícia, esqueceu de olhar a lua e saiu de casa.

Estava passando na porta da igreja quando ouviu um uivo assustador. A pobre moça congelou no lugar que estava. Não conseguiu dar um passo. Sem ação, viu Maria Doida se aproximando, aproximando, até que, quando estava bem perto de Salete, olhou em seus olhos, pegou em suas mãos, sorriu e soltou um uivo bem suave, parecia quase uma canção. Nessa hora, Salete sorriu também, algo que não fazia há muito tempo. Depois saiu de mãos dadas com Maria Doida, uivando pela cidade. A partir desse dia, Salete passou a viver na rua junto com Maria Doida. As duas sempre eram vistas fazendo versos e uivando para a lua.

Minha avó terminava a história assim. E eu sempre perguntava: Mas, e a Antonieta?… E minha avó dizia: Durante muito tempo, nas noites de quermesse, quando o rádio da cidade tocava as músicas das paradas de sucesso, todos ficavam atentos na esperança de ouvir a voz de Antonieta…

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Gostou do texto? Talvez não tenha percebido, mas ele é cheia de “ingredientes textuais” e nasceu de um exercício de criação de escrita afetiva aqui na Árvore das Letras, no curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita, em que Rosi usa das suas memórias para costurar histórias

É assim que acontece: ingredientes estão por todos os lados, basta juntá-los e dar a eles o seu toque literário. Parabéns, Rosi. Seja, também, muito bem-vinda!

Ah! Rosi Amaral é a menininha da foto…

Curta, comente. É uma ação simples que ajuda as histórias chegarem a mais pessoas.

Forte abraço!

Até a próxima.

CONTRA RESIGNAÇÃO A ACÇÃO

Por Tomé Nasapulo

Emílio Tomé Cinco Reis, de pseudónimo Tomé
Nasapulo, de nacionalidade angolana, natural da província do Huambo, professor
do ensino secundário do 2° ciclo do liceu 4019 “24 de junho-Cacuaco”
lecciona a disciplina de Física e é graduado em geologia na opção recursos
energéticos, pela Universidade Agostinho Neto, Faculdade de Ciências Naturais.

Oprimidos
Somos!…

Desesperadas vozes
Ecoamos na escuridão
D’Alvorada almejada
Vislumbra-se o horizonte

Oprimidos
De aflição, cansados
Trémulos e ofegantes

Vai o tempo meio sem conta e a nebulosidade
Aflora esperança sucumbida ante murmúrios
Ao sucumbir da mulher da criança que chora
Da vontade de vencer
Quebrada a opressão

Resignação nunca!

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Aqui está mais uma poesia angolana fruto do encontro dos nossos continentes. Tomé Nasapulo aqui chega onde já se encontra o professor Dr. Antônio Alexandre. É assim que ele o apresenta:

Conheci o professor Emílio Cinco Reis , no liceu 4019, no ano letivo 2021/ 22. Na altura ele declamou um dos seus textos poéticos. Daí fui acompanhando o talento dele.  E para não ficar perdido no mundo da física que é cadeira que ele leciona no liceu falei com a Gabriela Lopes no sentido de o ajudar na publicação dos textos. Sabemos todos que a Gabriela Lopes é aquela janela aberta que mesmo em altas horas não se fecha. Foi assim que para além da janela aberta encontrei um portão aberto que é Leandro Bertoldo Silva.

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Ah, quem é Gabriela Lopes? Vocês também a conhecerão…

Seja bem-vindo, Tomé Nasapulo.

Forte abraço!

Até a próxima.