MINHA INFÂNCIA

Por Maria de Almeida
Integrante da Vivência Novos Autores

Quando eu era criança

Pequena lá em Guiricema,

Brincadeira não faltava

Pique, queimada e gangorra

Histórias que Dona Hermínia contava.

.

Pegava capa de coco

Pra escorregar morro a baixo

Tomava banho de bica

E nadava no riacho.

.

Meu pai sempre contava história

Aprendida ou inventada

Guardei elas comigo

E hoje conto pras criançadas.

.

Nossa mangueira exuberante

Dava manga sem parar

Onde brincava, escondia e conversava

E tinha gangorra pra balançar.

.

No casamento da minha prima

Teve uma grande festança

Eu contei muitas histórias

Pros moços, pras moças e pras crianças.

.

Não posso esquecer

Da semana das crianças

Merenda gostosa, presentes e brincadeiras

Tinha passeios e muitas danças.

.

Notícias, músicas e telenovelas

Era no rádio que ouvia

Cantava e decorava

E nunca mais esquecia.

(O meu amado)

.

Quando já era mocinha

Fui pro internato estudar

Foi onde aprendi muitas coisas

Mas não podia namorar.

.

Para progredir na vida

muita gente lá deixou

Veio para cidade grande

Pros filhos ser doutor.

E poder estudar,

As pessoas venderam os terrenos

E saíram de lá.

.

Espalharam Brasil afora

Em um monte de lugar,

Com o coração cheio de vontade

De um dia pra lá voltar.

.

A internet é coisa boa

Que veio pra nos ajudar

Foi por meio dela

Que ajuntou as pessoas de lá.

.

Uma ideia brilhante

Que meu irmão deixou brilhar

Fez no facebook um grupo,

Dos amigos ex-moradores de lá.

.

Muita gente gostou

E é uma grande emoção

O encontro dos amigos

Relembrando as histórias

Que trazem no coração.

.

Por isso vou te dizer

Se tem algo importante

É essa tal de infância,

Pois gente grande que sou

Nunca deixo de ser criança.

O MENINO É PAI DO HOMEM

Por Leandro Bertoldo Silva

Obrigado por me acompanhar e ler este texto. Sou grato por isso.

Já passaram 3 meses que meti-me na cabeça, como Brás Cubas, uma ideia fixa: a de reescrever em versos o célebre romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, utilizando para isso, o haicai e suas técnicas de métricas gramaticais e poéticas.

Assim como a obra original foi escrita no século XIX em folhetim — uma pequena publicação geralmente com caráter periódico, onde se liam as novidades do mundo cultural, críticas teatrais e os mais novos capítulos dos romances, tornando conhecidos escritores como Victor Hugo, Dostoiévski, Flaubert e, claro, o nosso Bruxo do Cosme Velho, Machado de Assis —, essas memórias póstumas em haicais estão sendo escritas semanalmente e publicadas no You Tube; uma espécie de folhetim dos tempos modernos…

Evidentemente que há nesse exercício e esforço literário objetivos maiores, mas não nos apressemos. Por hora, publico aqui o que é o capítulo 11 do romance, onde Brás Cubas inicia sua descrição contando-nos sua infância e onde, também, percebemos toda a fina e inteligente ironia do Bruxo do Cosme Velho.

Os capítulos lá se vão a caminho, mas deixo este aqui e no final disponibilizo o vídeo do You Tube seguido de um convite.

Boa leitura.

O MENINO É PAI DO HOMEM

Aqui estamos!
Cresci naturalmente
como as magnólias.

Talvez os gatos…
Aquelas são bem quietas.
Ora, vejamos:

Desde os cinco anos
fui “menino diabo”.
Não era outra coisa.

Fui indiscreto,
traquinas e arguto.
Bem voluntarioso.

Um dia quebrei
a cabeça de uma escrava.
Motivo? Um doce.

Sim, isso mesmo!
Negara-me uma colher.
Doce de coco.

E não foi só isso.
Ainda acrescentei
mentiras à mãe.

Tudo por pirraça!
E eu tinha só seis anos…
Fui pai do homem.

Ah, o Prudêncio…
Um moleque de casa
era o meu cavalo.

Punha as mãos no chão,
recebia um cordel
como um freio.

Com uma vara
eu trepava-lhe ao dorso
e ele obedecia.

Gemia: “Ai, nonhô!”
“Cala a boca, besta!”
Assim respondia.

Esconder chapéus,
deitar rabo às pessoas,
tudo eu fazia.

Muitas façanhas,
mostras de um gênio indócil
repreendido.

À vista dos outros…
Mas meu pai em particular
dava-me beijos.

De manhã e de noite
pedia a Deus perdão
como na oração.

Mas entre um e outro
fazia grande maldade.
E meu pai sorria.

Exclamava a rir:
“Ah! brejeiro! Ah! brejeiro!”
Adorava-me.

Minha mãe era luz.
Piedosa e caseira,
mas bem bonita.

Temente ao marido,
era ele o seu deus.
Dos dois me eduquei.

Meu tio cônego
reparava o irmão
quanto aos meus costumes.

Mas, ah, o meu pai…
Iludia-se a si próprio
ao defender-me.

Esses são os pais;
vejamos então os tios
João e cônego.

João era galante,
conversa picaresca…
Era o diabo.

Tio cônego
tinha austeridade,
mas era medíocre.

Ambicioso,
tinha algumas virtudes,
mas sem essências.

Emerenciana…
Era a tia materna.
Tinha autoridade.

Mas viveu pouco
em nossa companhia.
Uns dois anos só.

Outros parentes
não merecem a pena
de ser citados.

Vulgaridade,
amor de aparências,
frouxidão e vontade.

Foi dessa terra
e mais desse estrume
que nasceu esta flor.

Bem, aí está! E aqui vai o convite para acompanhar semanalmente, às sextas-feiras, capítulo por capítulo os 160 que compõem essa grandiosa obra de Machado de Assis.

Sim! Lês-te bem! 160 capítulos reescritos em versos. É ou não é uma ideia fixa?

Forte abraço!

Até a próxima.

O ABRAÇO CHEGOU

Por Leandro Bertoldo Silva e Ricardo Albino

Sabe aquelas amizades que parecem existir de anos ou mesmo de vidas?

Explico!

Eu e Ricardo Albino, nosso querido Ric, fomos apresentados por outro amigo em comum (e coloca amigo nisso), Pierre André. Conheci Ricardo em uma oficina de contação de histórias e mediação de leitura que eu e o Pierre ministramos, e nos conhecemos já adultos.

Porém, algo estranho acontecia, porque fomos descobrindo, eu e o Ric, momentos de criança em comum. Não apenas brincávamos com os mesmos brinquedos, como construíamos as mesmas cenas com eles. Assim foi com o autorama e principalmente com o jogo de botão, em que jogávamos sozinhos, mas sem deixar de fazer o barulho da torcida, confeccionar bandeiras dos clubes, elaborar todo o campeonato.

O mesmo se estendeu aos programas que assistíamos, como o Sítio do Picapau Amarelo e outros. Enfim, eu não tenho dúvidas de que eu e Ric já nos conhecíamos desde meninos e brincamos muito juntos, só não havíamos dado conta disso, pelo menos até então.

O mais engraçado é que essa amizade cresceu virtualmente até que aconteceu o primeiro abraço real recentemente, uma vez que eu moro hoje em Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, e ele em Belo Horizonte. Porém, em uma ida minha a BH, deixo o Ric dizer como foi…

Depois de muito tempo morando em outra casa, finalmente o abraço do Ric com o Leandro chegou ! Foram dois livros, um stand ops, uma Turma do Golaço, parceria musical, um ano de calmaria e alguns outros desde que nascemos, imaginando como seria esse dia.

Se a gente voltasse a ser criança estaria junto até agora jogando botão, correndo no autorama, assistindo o Sítio do Picapau Amarelo na televisão.

Quem sabe até com seu pó de Pirlimpimpim, a gente não fazia a seleção de 1982 voltar a jogar bola e ganhar um canequinho?

Vamos jogar tapão, fazer teatro na casa do vizinho? O nosso abraço tão esperado veio acompanhado do de Geane, esposa do Lelê, e agora eu fico aqui imaginando como será o de yasmin, sua filha.

O nosso abraço que chegou dobrado e multiplicado em forma de calmaria vai voar nos palcos ao som de cantoria.

Quando isso acontecer, sorria! Afinal, estaremos juntos todo santo dia, com o coração cheio de amor e alegria.

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Pois é, fica assim registrado esse momento. Ao Ric deixo minha gratidão por essa amizade tão bonita e real. Ainda faremos muita parceria por aí. E a todos deixo um abraço e a certeza de que ter amigos vale a pena…

Forte abraço!

Até a próxima.

TEATRO, MEMÓRIAS, ENCONTROS E REENCONTROS

Por Leandro Bertoldo Silva

O teatro foi a primeira grande mudança nos rumos da minha vida. Foi ele o responsável por apresentar pessoas até hoje presentes ao fazer de mim quem eu sou. Sou filho do antes e do depois dessa existência. Nele soube até mesmo o significado do amor mais verdadeiro. Foi em uma sala de ensaio que adentrou quem hoje é minha esposa – Geane Matos – e com ela e nossa filha formamos, junto aos amigos e amigas, uma imensa família.

Mas o tempo passou, outras mudanças ocorreram até mesmo de cidade, outras artes vieram e o teatro, tão amado, ficou apenas na lembrança.

Doce engano!

Quando menos se espera, aquilo já considerado passado mostra que nunca deixou de estar ali, só ganhou alguns ajustes.

Antes eu representava personagens. Vivia os acontecimentos pelo lado do ator, mergulhava na consciência das nuances mais profundas por quem os escrevia; hoje passei eu a escrever historias, me sentir criador de existências, relações, conexões e magias. Transformei-me em escritor.

E não é que a vida ainda tinha mais um capítulo a apresentar?

— Leandro, quero que vocês dirijam o nosso próximo espetáculo.

— O quê?

— O que você ouviu. Precisamos de um novo espetáculo infantil e quero que você e Geane dirijam.

Foi o que me disse André Luiz, o diretor do Grupo In-Cena de Teatro, de Teófilo Otoni.

Assim, em 5 meses, O menino que aprendeu a imaginar – a minha escrita de estreia literária – ganhou os palcos levando-me de volta a eles, agora como dramaturgo e diretor, tendo junto de mim a mesma menina da salinha de ensaio…

Ver ganhar vida o que há muito tempo existiu apenas na minha imaginação é algo difícil de ser explicado. O menino que havia virado livro agora virou cena, ganhou cores, figurinos, iluminação, músicas e até uma carroça de histórias.

A magia do teatro acordou fortalecida pela literatura.

Trabalhamos muito para chegarmos até aqui. Ver essa arte pulsando, transbordando de dentro de nós a ganhar o coração das pessoas é maravilhoso demais! Estou muito feliz por cada um dos atores: Saulo, Lívia, Júnior e Keven, Marcela – diretora musical – o pessoal da produção e da técnica, cenografia, Alisson – nosso figurinista – e todos que ajudaram a construir esse espetáculo, como Gildásio Jardim, com sua arte linda do Vale do Jequitinhonha formando os painéis do cenário. Tenho em mim um sentimento enorme de amor e gratidão.

Quero agradecer ao amigo e irmão Pierre André, pela construção da nossa carroça, que é de onde o espetáculo acontece, e também por estar comigo no lançamento do livro “O menino que aprendeu a imaginar”, encerrando o “Sábados Literários” de 2023. Estendo a minha gratidão à amiga Luzia, que trouxe o maravilhoso coral Ase de BH para deixar ainda mais lindo esse momento. E, claro, um agradecimento muito, muito especial às amigas Rosi e Maria de Almeida, nossa Mariquinha, e Regina pela presença nas ações que dedicamos tanto para fazer acontecer. Obrigado pelo dia incrível que passamos juntos. Incluo no agradecimento todos os amigos e amigas que há tempos não encontrava e que a arte teve a generosidade de reunir no local mágico do teatro.

E há uma pessoa que quero deixar também o meu agradecimento e um carinho muito especial: André Luiz! André, muito obrigado pela confiança, pelo acolhimento pela paciência e por essa amizade imensa. Obrigado por enxergar em nós, eu e Geane, aquela história de que por mais que andamos nunca saímos das palmas das mãos de Deus…

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Pois é, sempre que criamos um trabalho vem logo à cabeça um monte de questionamentos: “será que está bom? Será que vai chegar nas pessoas? Aquela cena irá funcionar? E aquela outra?”

E aí aparece como vindo de Dioniso o comentário de uma professora de que foi o espetáculo mais lindo que ela viu em toda sua vida… Bem, é a resposta que precisávamos. Concordo: agora é ganhar estrada e cada vez com mais magia. Nasceu!!

Forte abraço!

Até a próxima.

DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI PARA BELO HORIZONTE E ALÉM FRONTEIRAS

Por Leandro Bertoldo Silva

O menino que aprendeu a imaginar nascido nas páginas das revistas em Belo Horizonte, em 2009, foi para o Vale, virou livro, foi transformado em peça de teatro pelo Grupo In-Cena, de Teófilo Otoni, agora ganha sua segunda edição com nova história, mantendo as lindas ilustrações conceituais de Adilson Amaral e retorna a BH para o lançamento que acontecerá no dia 25 de novembro/2023, às 18 horas, no Teatro Raul Belém Machado, um dia após a pré-estreia do espetáculo no mesmo teatro.

É muito bacana ver a trajetória de um livro e de como as artes vão se agregando e transformando tudo em um lindo sonho acordado.

Todo esse trabalho legitima não só a força da literatura independente, a qual chamamos de literatura de identidade própria, mas a realidade da produção sustentável no mercado editorial, a utilizar papel ecológico e reciclado em prensa de madeira e costura à mão a base de linha e cera de abelha.

Sim, deu certo! Toda essa técnica é uma nova forma de fazer literatura criada pela Árvore das Letras, através do selo Alforria Literária, a tornar claro que caminhos existem para serem construídos. Este é o papel da arte: mostrar as possibilidades de criar e recriar maneiras de existir. Tudo é possível quando se tem forte comprometimento e propósito de acreditar.

Venham conhecer o menino que aprendeu a imaginar, os cadernos artesanais, a “Paula Brito”, nossa prensa de madeira, e todo esse trabalho nascido nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri para todos o Brasil.

Então anote aí! Dia 24 de novembro, às 14h, será a pré-estreia do espetáculo O menino que aprendeu a imaginar, e dia 25 de novembro, às 18h, o lançamento da segunda edição do livro, onde teremos uma roda de conversa comigo, Geane Matos e a apresentação do Coral Ase MG.

Acontecerá no Teatro Raul Belém Machado, R. Jauá, 80 – Alípio de Melo, Belo Horizonte – MG.

Será lindo! Esperamos vocês.

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Cada história que eu trago,

em páginas viradas, reluz

aos olhos da imaginação.

São viagens de sabores,

todas as cores,

arco-íris no ar…

Veja, menino, o mundo que se abre!

Ei, está vendo lá? É só querer viver.

Você vai ver!

Você pode, vai conseguir!

Eu vou ajudar você…

É só abrir esse livro e ler…

Forte abraço!

Até a próxima.

CAIXA DE BRINQUEDOS

Por Elisa Augusta de Andrade Farina

A menina que fui, onde está? Mora dentro de mim, ou se foi?

Procuro a sineta que soava meus sonhos… Está perdida no âmago do meu ser, ou ainda soa vibrando minhas quimeras?

Será que reaparece quando inspirada, deixo-me levar pelo ritmo de um poema que exorciza meus medos, minhas frustrações, meus (des)encantos! Ou (re)surge nos sorrisos dos meus netos chamando-me para brincar, fazendo-me mais próxima da criança que fui um dia?

Quero me envolver de corpo e alma com a seriedade de criança ao brincar. Numa atitude brincante, repleta de encantamento, de espanto diante da possibilidade de magia, viver um mundo de encantamento.

Preciso recuperar o estágio brincante de ser. Recuperar a minha capacidade de rir, gargalhar, de maravilhar-me com as coisas simples e nem por isso, menos importante.

Deixar-me levar pela magia…. Concordar com o poeta Manoel de Barros de que:” as coisas que não existem são mais bonitas”. São elas que nos fazem viver, imaginar, sonhar, criar e mergulhar no mundo das histórias e brincadeiras infantis que celebram a nossa pureza. A gente ri, sofre, se encanta, vive tudo que está ali na imaginação através dos livros, das brincadeiras, da empolgação de uma história bem elaborada.

Preciso buscar a “caixa de brinquedos” da minha memória infantil e soltar todas as brincadeiras que ficaram presas num tempo que eu achava perdido. Nessa caixa, estão todas as coisas inúteis, que não serve para nada no mundo adulto: pular amarelinha, empinar pipas, jogar bola, brincar de roda, pique esconde, um poema, uma música, uma foto de um país distante…

Reaprender a usar a “caixa de brinquedos” para ter prazer, alegria e reviver o tempo pretérito.

Apesar do peso da idade e dos cabelos brancos, posso gritar ao vento: ” mais respeito, eu sou criança”.

UMA FLOR NASCEU

Por Leandro Bertoldo Silva

A história de hoje me foi inspirada em um acontecimento real. Há um tempo, em uma cidade do sul de Minas Gerais, eu estava a ministrar uma oficina de transposição poética, cujo tema era “as rosas”. Ao final dela, percebo uma pessoa em choro convulsivo. O que ela relatou, não só a mim, mas a todos, me fez ter a certeza do imenso poder da poesia…

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Seu coração estava dilacerado e queria pôr fim à sua vida, acabar com aquele sofrimento, pois imaginava ser isso possível por esse caminho, já que era o único que conhecia. Preparou todas as coisas que julgou serem necessárias para a aguardada despedida; e já era próximo de meio dia…

Na sexta hora, quando nada mais restava a fazer a não ser saltar para o destino imaginado, uma rosa, até então despercebida, chamou-lhe a atenção no momento exato que se desfolhou à sua frente.

Ao ver as pétalas espalhadas daquela rosa, não duvidou de que, um dia, não importa se há muito tempo ou segundos antes, aquela bela flor teve forma, perfume e função de ser bela, doando, assim, o seu amor.

Olhou para as pétalas que um dia formaram uma flor e que, mesmo naquele estado, continuavam sendo uma flor, porque ainda tinham a capacidade de oferecer a beleza e o prazer do seu perfume…

Foi quando compreendeu que o amor, antes de ser sentido, deve ser manifestado, mesmo que dilacerado, pois está aí a natureza de transformar-se.

Como orvalhos naquelas mesmas pétalas, lágrimas sublinharam seus olhos, mas já eram de agradecimento, não apenas por ter sido salvo por uma flor, mas por ter se convertido em uma; e já era um minuto depois do meio dia…

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Bem, deixo para você supor o que, de fato, aconteceu àquela tarde…

Forte abraço!

Até a próxima.

UM RECADO PARA VOCÊ! O MUNDO NÃO SE FEZ PARA ESTARMOS LONGE UNS DOS OUTROS.

Por Leandro Bertoldo Silva

Desde 2020, os trabalhos da Árvore das Letras, antes presenciais, passaram a acontecer essencialmente de forma on-line. Nesse período, fortaleci minha presença digital com destaque especial ao blog, o qual passou a ter uma frequência de leitura e adesão de pessoas a contar hoje com 4.669 seguidores, a incluir leitores e colaboradores de Angola e Moçambique. O curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita, origem de todo esse trabalho, transformou-se também em uma Vivência on-line, onde conheci muitas pessoas e estreitei laços profissionais e afetivos com elas.

Uma das ações realizadas na Vivência é o Clube de Leitura. A proposta diferenciada a partir de uma Transposição Literária, que nos permite ir além do livro, é um dos pontos mágicos dos nossos encontros.

Aqui quero compartilhar uma experiência.

Ao longo desse período, mesmo ao estar conectado, eu não perdi a condição totalmente humana de ser, muito em decorrência dos meus livros e do meu trabalho como artesão da arte da encadernação. Tanto os livros como os cadernos são feitos, produzidos e publicados através do meu ofício do fazer à mão e, levá-los para as feiras e mostras ou enviá-los fisicamente para os leitores, me manteve dentro da minha natureza primordial e do lugar de antes, ou seja, o mundo real.

Quero deixar claro que o trabalho on-line irá continuar. A Vivência on-line permanecerá ativa, afinal é um formato no qual fronteiras são desfeitas e muros passaram a ser inexistentes e a nos permitir estar, ao mesmo tempo, com pessoas em diversas localidades diferentes, do sul ao norte, do leste ao oeste e até de outros países, e isso é maravilhoso.

Porém, aquele lugar do real já me puxava e começava a gritar dentro de mim. Assim, foi estender o Clube de Leitura para a volta ao presencial que algo incrível aconteceu: uma profunda sensação de “estar de volta ao mundo”.

Por mais que eu seja e sempre serei grato à tecnologia, pois permitiu a continuidade do meu trabalho em um dos momentos mais difíceis da humanidade e achar que ela ainda vai nos levar a muitos outros lugares fantásticos, proporcionar experiências ainda inimagináveis e, claro, eu estarei presente como estou aqui agora, mas o contato com o outro de maneira presencial, o olhar nos olhos, o tocar, o abraçar, o experimentar ao vivo e a cores momentos com outras pessoas, não há inteligência artificial no mundo que supere.

Por isso, em 2024, exatos 4 anos depois, a Árvore das Letras, manterá, sim, a conquista alcançada com toda a experiência adquirida com a tecnologia e suas redes, mas estará de volta em comunhão ao presencial, ao verdadeiramente humano, ao que nos faz sermos a razão de existir.

Aos amigos e amigas conhecidas virtualmente por ação das nossas vivências, leituras, trocas e descobertas ao longo desses anos, muito obrigado e vamos em frente, mas com aquela deliciosa certeza de, juntamente com tudo isso, ter chegado a hora igualmente edificante do abraço real. Que este aconteça continuamente, porque é um dos maiores acordos da humanidade.

Parafraseando Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, deixo um recado e uma reflexão: “o mundo não se fez para estarmos longe uns dos outros (estar longe é estar doente dos abraços), mas para olharmos para ele e estarmos irmanados”.

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Bem, se você gostou desse recado, de saber que a Árvore das Letras estará de volta de forma também presencial a partir do Clube de Leitura, curta a publicação, deixe seu comentário. Isso é muito importante para nós. Se já teve alguma vivência conosco ou deseja ter, estaremos sempre de galhos abertos para você. Vamos em frente.

Forte abraço!

Até a próxima.

AMOR PROIBIDO

Por Antònio Alexandre
(Angola)

Vejo no seu andar uma alegria
Um amor que fala
Um andar que escreve
Um andar que parte pescoço.

.

Vejo em si um repasto
E de tanta ansiedade de a comer
O arroto em atrapalha
Ante as suas lindas pernas arqueadas.

.

De nada vale escapar de mim
O meu sofrimento está identificado
E o seu ágape por mim é infalível.

.

Ah!
Como sinto isso no seu olhar!
Sinto a tara do seu amor camuflado
Sinto a firmeza dos seus seios.

BIBLIOTECA, TABERNÁCULO DOS SABERES

Por Leandro Bertoldo Silva e Valéria Gurgel

Alguma vez você já parou para pensar no quanto um livro pode mudar uma vida? Não é por acaso que aqui mesmo na Árvore das Letras mantivemos ao longo desse ano de 2023 um Clube de Leitura bem diferente… Porque, para nós, não basta só ler e debater um livro, isso seria muito pouco. Nós sempre queremos mais.

Rubem Alves dizia que “ler com rapidez o que o autor levou anos para escrever é um desrespeito”. O mesmo vale para falar sobre os livros. E assim criamos a Transposição Literária, que nos permite “entrar nas histórias”. Bem, o ano vai se aproximando do final e já estamos nos organizando para o próximo, em que, além do Clube on-line, ele também será presencial.

Viva!! Já estava na hora!

Inclusive, você pode saber de tudo isso clicando AQUI.

E para celebrar esse acontecimento tão maravilhoso, no qual os livros nos conduzem a verdadeiros encontros de almas, ilustro com uma narrativa poética da Valéria Cristina Gurgel — uma das integrantes do Clube —na qual ela traz a presença da biblioteca, tabernáculo dos saberes.

Desejo a todos e todas uma ótima leitura…

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Biblioteca, tabernáculo dos saberes

Sou Pronto Socorro das enfermidades desconhecidas.

Tesouro guardado dos remédios da alma, receptáculo de emoções sentidas.

Cartório de registros das inspirações dos mortais.

Sou hospedeira daquilo que o mundo viveu.

Olhos impressos do que a vida não viu, uma farmácia com bulas de indicação de cápsulas vocálicas e exclamações diluídas.

Biblioteca, um cenário de papel, ou simplesmente casa contada

para aqueles que almejam o conhecimento e desejam, entre vírgulas e interrogações, o aprendizado.

“Aspas” em negrito para a mestra sabedoria.

Sou “Biblion e Theca” vindas do grego e dos primórdios de uma era.

Dos primeiros registros impressos da Bíblia, por Gutemberg.

Guardo diversos contos bem contados, amores revelados no calor da poesia.

O mundo dentro de um livro, uma ilustração cravada na capa.

A história da vida enciclopedista.

Hospedo pessoas simples e célebres nesse paraíso de histórias que bailam no papel.

E autores diversos disputam um lugar nesse céu.

Sou aconchego bem alojado dos escritores, dos simplórios aos mais conceituados.

Ainda que não sejam observados, lidos, folheados, compreendidos,

identificados ou bem interpretados.

Títulos renomados buscam sobreviver em meio à ignorância pagã do conhecimento universal.

Dos destaques nas prateleiras da informatização, dos rebuscados aos anônimos ou independentes.

Vitrines terapêuticas nos convidam a saltar, abrir os olhos e admirar essa farmácia, emblemático cenário de papel.

Absorver a essência curativa das letras, sentar e se deliciar, não ver o tempo passar.

Curar almas doentias por desconhecimentos e, por tudo isso, seguirei sendo esse relicário de registros dos autores de hoje e do passado, como mostruário cognitivo de cada imaginação.

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Maravilhoso, não é? Com esse lindo texto da Valéria te convido a vir ler conosco. Venha fazer parte do nosso Clube, seja presencial ou on-line, ou mesmo os dois, por que não? O mundo precisa de mais leitura, de mais poesia, de mais histórias edificantes. O mundo não é um lugar de guerras como estamos vendo, porque esse sim é um lugar de ilusões. O mundo é um lugar onde a literatura nos dá o caminho da paz, porque quem lê verdadeiramente entende a essência da alma humana e de todas as coisas da natureza. E se assim é, somos paz. Vamos lá? Te espero no Clube.

Forte abraço!

Até a próxima.