REINVENÇÕES: A NECESSIDADE DA SOBREVIVÊNCIA EM UM MUNDO QUE PEDIU PARA PARAR

Black, Blue and Orange Earth Hour Instagram Post

Que momento estamos vivendo! É engraçado (sim, há “graça” em tudo isso) pensar que a única certeza que temos são as incertezas.

Sou do tipo de pessoa que sempre acreditou naquele ditado: “se a vida te deu um limão, faça uma limonada”. Pois é, a vida não nos deu um limão, mas uma plantação inteira.

Estou falando dessa medonha pandemia que em momento algum da humanidade a história registrou algo tão surpreendente. Mas não quero ficar falando aqui mais do que os jornais, os especialistas e as autoridades já estão noticiando; quero ir além do medo, se é que é possível, e pensar nisso tudo como um grande presente, uma grande oportunidade de uma mudança absurdamente necessária em nossas vidas, pelo menos na minha.

Há tempos vinha sentindo uma angústia por não conseguir expressar o que sentia ao olhar para as coisas do mundo, a maneira que as pessoas, e até mesmo eu, iam dispondo suas vaidades, suas “certezas” e opiniões em um mundo que me parecia tão superficial. De repente a felicidade passou a ser medida pela nossa popularidade, pela quantidade de “amigos” que possuímos e, depois, nem isso – bastam as curtidas, o resto não interessa.

Num mundo onde tudo virou marketing – e da pior espécie – ao ponto de nos vermos invadidos por uma onda de propagandas de produtos e serviços que sequer necessitamos ou temos interesse, num mundo em que até os sorrisos são vendidos por uma camuflada onda de “gatilhos mentais” para capturar a sua atenção e vender felicidade de forma fácil, para não dizer mágica, a custo da inocência do desejo, vem a vida e nos obriga a parar com tudo isso e a pensar unicamente em sobreviver.

Mas sobreviver para quê?

Para voltar ao que era antes? Voltar ao trabalho da mesma maneira como se nada tivesse acontecido ou simplesmente termos tirado umas férias inesperadas? Voltar às enxurradas de postagens marqueteiras e à vida superficial das redes sociais? Voltar a tratar o outro como inimigo porque pensa diferente, embora também não sejamos obrigados a ser cordiais com quem nos faz mal e termos o direito de nos afastar? E por que não fazemos? Porque temos medo de sermos sinceros com nós mesmos e, por isso, suportamos o insuportável? Sabe aquele pensamento de que “eu te respeito, mas isso não significa que eu tenho que ser seu amigo?” Sabe aquele trabalho (novamente o trabalho) que você realiza porque é obrigado a ganhar dinheiro, pois se não fosse isso você não o faria? Sabe tantas outras coisas que acreditamos ser verdade pelos olhos dos outros?

Pois é… Para esse mundo eu não quero mais voltar.

Quero o mundo onde eu continue escrevendo, porque escrever é a minha sobrevivência, mas sem me ver preso nas correntes ocultas que me diz que é preciso divulgar para todo mundo. Deixa-me falar uma coisa: estou compreendendo que o que fazemos não é para todo mundo… Este blog não é para todo mundo, os meus livros não são para todo mundo, nem mesmo este texto é para todo mundo, mas para quem, por alguma razão, se alinha com o meu estado de espírito e com a minha energia, que não é melhor e nem pior do que a de ninguém, é simplesmente minha e nossa para quem nos irmanamos. Acredito que quando fazemos algo por paixão, isso, de alguma forma, se comunica com alguém e encontra seus caminhos. E isso basta.

Quero o mundo onde a obrigação de trabalhar não destrua o prazer que o trabalho me traz e nem mesmo faça parte da minha vida, e que as pessoas entendam que eu tenho o meu jeito de fazer as coisas, que pode não ser o delas, e está tudo bem.

Quero o mundo onde eu tenha menos amigos virtuais e mais amigos reais. O mundo que a tecnologia seja usada a meu favor e não o contrário. O mundo que não seja preciso me afastar das pessoas que amo para dizer o quanto gosto delas e futuramente eu me arrepender de não tê-lo feito. Quero um mundo tão diferente… Mas na mesma proporção do que ele sempre foi, mas eu simplesmente não estava enxergando.

Sabe o que eu mais penso de tudo isso?

Que para esse mundo que eu tanto quero poder existir eu terei que me reinventar dentro dele. Não é ele que precisa mudar, mas eu na minha ignorância de me fechar em meus medos por achar que não daria conta dos desafios que é não pertencer a lugares, relacionamentos, formas de trabalho que há muito não acreditava e não acredito.

E aqui está a “graça”, não hilária, mas da permissão de sermos autênticos e fazermos diferente, pois, embora a palavra mudança traga calafrios gigantescos em nossos corações, nos colocamos nessa situação de ter nela a única forma de salvar a nós mesmos e os outros, nos olhando de verdade e transformando as incertezas em possibilidades.

E VOCÊ, QUAL O MUNDO QUE VOCÊ QUER?

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