RECORTES

Recortes

Não podemos exigir o amor de ninguém.

Podemos apenas dar bons motivos para que

gostem de nós, e ter paciência… para que a vida

faça o resto.

 (Clarice Lispector)

Desiludido, escreveu num pedaço de papel: “Meu amor não tem rosto nem nome…”. Aquilo o incomodou até que o tempo anestesiou sua dor. Por alguns anos, até que procurou a dona daquelas palavras que saíram de si. Já tinha uma pequena caixa de recortes, na qual moravam imagens de mulheres sem nudez ou sequer sensualidade. Vestidos em bustos, braços, pernas, todas elas comuns e sem rosto, faziam-se companheiras dos papéis já amarelados e esquecidos, quase que com suas letras desbotadas. A inércia daquele encontro e a insistência da sua impossibilidade fizeram com que desistisse de vez e aposentasse suas imaginações por anos, vivendo apenas em sua companhia. Já idoso, porém, ao limpar sua estante, deparou com aquelas lembranças e quis jogá-las fora. À porta de sua casa, abriu a tampa do coletor e, no derradeiro movimento, ouviu uma voz que lhe disse:

“Meu nome é Judite. Preciso de uma informação…”.

Ao fitar a senhora que sorria, seu rosto se desenhou em cada pedacinho de papel que segurava e, junto com o nome, preencheu o que faltava…

Ouça o conto narrado:

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