O PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

Por Luciana G. Rugani

Em 1970, na pequena cidade de São Pedro da Aldeia, Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, vivia o garoto Nilo, então com oito anos de idade. 

Nilo era um garoto ativo, que se deliciava simplesmente por poder usufruir a liberdade dos garotos daquela época, quando podiam correr e brincar livremente pelas ruas da cidade, tomar banho na lagoa (até então de águas límpidas) e colocar em prática suas invenções, ideias criativas e mirabolantes de criança. 

Os pais de Nilo possuíam um comércio com as mais variadas utilidades domésticas. Sua mãe, D. Ivone, era encantada principalmente com as porcelanas. Era o setor do qual ela mais cuidava e organizava com primor a exposição das peças. Em sua casa, possuía uma coleção de pratos com pinturas variadas, herança dos tempos de sua avó e que ela guardava como relíquia. 

Naquele tempo, vivia também na cidade o Sr. Gabriel, dono da hoje famosa “Casa da Flor”, patrimônio cultural do estado. Seu Gabriel, como era conhecido, passou toda a vida decorando a casa com cacos, ornamentando-a com desenhos de lindas flores feitas por cacos de louça, cerâmica, conchas, vidros, etc. Filho de escravo com índia, homem simples, trabalhador, era um sonhador que, apesar das tantas dificuldades enfrentadas no seu dia a dia, não perdeu a fé de que no futuro prevaleceria a sensibilidade, a valorização da arte, da criatividade, o senso de preservação e cuidado. Foi com essa certeza que ele passou a vida toda construindo sua obra de arte, materializando seu sonho. Certamente este homem tinha “olhos de ver” além do tempo e das aparências. 

Nilo era encantado com a casa de Seu Gabriel! Via a casa como se fosse um tesouro composto de “histórias de vida” de cada caco. Gostava de ir até lá e observar cada detalhe do trabalho. Em suas brincadeiras e andanças pela cidade, Nilo catava tudo que encontrava e que achava que traria beleza ao trabalho de Seu Gabriel, e assim, toda semana levava para ele o material que havia recolhido e sentia-se importante por estar contribuindo para a construção daquela casa. Era até um pouco relapso no uso dos copos e pratos em sua casa e torcia para que algo se quebrasse, pois, quando isso acontecia, prontamente recolhia os cacos e os levava para Seu Gabriel. Gostava de ver os materiais que recolhia tomando forma de flores coloridas! Para ele, era como se ali estivesse também uma parte de si mesmo. 

Chegou o mês de maio. Era o mês de aniversário de D. Ivone. Nilo queria dar um presente para sua mãe, mas não sabia o que. Além disso, a situação financeira de sua família andava um pouco apertada. O comércio estava vendendo pouco. O lucro auferido dava para manter a família de três pessoas (Nilo era filho único), mas gastos extras tinham que ser programados com bastante antecedência. Nilo pensou, pensou, e teve mais uma de suas ideias geniais! Iria fazer para sua mãe a maior das homenagens que alguém poderia fazer! Imortalizar seu amor e carinho nas paredes da casa de Seu Gabriel por meio dos cacos de um dos pratos da coleção de sua mãe, o prato do qual ela mais gostava! Assim, imaginava ele, ela terá meu carinho e a lembrança de sua avó gravados para sempre na casa de maior sucesso na cidade, a casa do futuro, onde todos poderão apreciar o trabalho, em especial uma flor desenhada com cacos de um belíssimo prato pintado com desenhos coloridos e raros. Os visitantes conhecerão a história dessa flor especial, e conhecerão também o amor grandioso de um filho por sua mãe! 

E assim saiu correndo, rumo ao armário da cozinha, onde ficava a preciosa coleção de sua mãe. Escolheu aquele que sabia ser o preferido dela e pronto: jogou-o ao chão e os cacos se espalharam. Prontamente os recolheu e foi correndo à casa de Seu Gabriel. Chegando lá, pediu a ele para desenhar a mais bela flor, grande, colorida, linda, pois era uma flor que eternizaria o amor que tinha por sua mãe. Ela certamente iria ficar muito feliz por saber que ali, entre tantos desenhos com cacos, aquele mais bonito que se destacava era a flor feita com os cacos de seu prato preferido. Seria o desenho que mais chamaria a atenção de todos os visitantes, seria o mais famoso deles! 

Após Seu Gabriel terminar o desenho, Nilo voltou para casa todo contente e chamou sua mãe. Com os olhinhos brilhando de felicidade, disse a ela que tinha um presente lindo de aniversário para ela. Algo diferente, maravilhoso, que permaneceria para toda a vida sendo admirado por pessoas do mundo inteiro! D. Ivone ficou feliz com a espontaneidade do garoto e muito curiosa para saber que presente era aquele. 

Nilo então a pegou pela mão e levou-a até a Casa da Flor. Chegando lá, levou sua mãe de olhos fechados até onde estava a linda flor criada com os cacos do prato da coleção de D. Ivone e do qual ela mais gostava. Nilo então disse a ela que ali estava o presente! Todos poderiam admirar para sempre a flor símbolo do seu amor por sua mãe, feita do seu prato preferido! 

D. Ivone então abriu os olhos e, quando viu a flor formada com os cacos do prato de sua coleção, sua fisionomia mudou drasticamente. Sem medir palavras, gesticulando e falando alto, expressou toda sua revolta e decepção. Chamou a atenção de Nilo na frente de todos. O garoto, surpreso com a reação de sua mãe, começou a chorar copiosamente, como nunca havia chorado em toda sua vida. D. Ivone pegou-o pela mão com toda força e arrastou-o para casa. Durante o trajeto até em casa, Nilo escutou todo tipo de impropérios. Suas lágrimas desciam sem parar. Ao chegarem em casa, foi colocado de castigo. Por uma semana estava proibido de sair de casa, a não ser para ir à escola. Nada de brincadeiras e, quando ficasse em casa, ficaria somente dentro de seu quarto. D. Ivone parece que perdera totalmente o bom senso. Ficou muito magoada com Nilo. 

Os dias foram passando. Nilo, antes um garoto espontâneo e alegre, simples, sem maiores complicações emocionais, tornou-se um garoto mais fechado com sua família. Perdeu muito de sua alegria em casa, principalmente junto à sua mãe. Afastaram-se emocionalmente um do outro. 

O tempo correu ligeiro e chegou o ano de 1985. Nilo era agora um belo rapaz de 23 anos. A introspecção que adquirira desde o triste episódio fizera dele um rapaz com certo ar melancólico que o fazia parecer um pouco misterioso, deixando-o ainda mais belo. Chega até sua residência a notícia de que Seu Gabriel acabara de falecer. Na mesma hora, Nilo se arruma para ir até a Casa da Flor e, quando está saindo, seus pais pedem para que ele os espere um instante, pois também queriam se despedir de Seu Gabriel. E assim foram todos para a residência daquele senhor, artista nato, mestre da criatividade na arte de reciclar, e que infelizmente acabava de partir. 

Ao chegarem à casa, já havia uma multidão de pessoas querendo prestar a última homenagem àquele homem que, em toda sua simplicidade, construíra uma das mais belas obras da arquitetura popular brasileira. Tanto D. Ivone como Nilo, depois daquele dia fatídico, nunca mais voltaram na Casa da Flor. 

Eis que de repente D. Ivone vê ao longe aquela flor, a mais bela de todas as flores da casa, em localização bem visível, chamando a atenção de muitos que ali apreciavam a obra de Seu Gabriel. Ao redor daquela flor havia um grupo enorme de pessoas. D. Ivone aproximou-se do grupo e começou a escutar a fala de uma moça que contava aos demais membros do grupo a história daquela flor especial. A moça dizia que a flor havia sido feita com os cacos do mais belo prato de rara coleção, doados por um garoto no intuito de presentear sua mãe com o símbolo do seu amor que ali ficaria eternizado para todos verem e saberem que o amor é para brilhar, para ser vivido e para servir de inspiração para que outras pessoas também possam senti-lo. 

De repente, as palavras daquela moça tocaram fundo o coração de D. Ivone. Ao ouvir a história, veio em sua mente um insight. Ela caiu em si e percebeu o quanto havia errado ao ter sido tão ríspida e dura com Nilo. Captou a essência da mensagem daquela moça e compreendeu que, muito mais importante que um prato guardado em bela coleção, era a demonstração de amor e carinho de seu filho. Percebeu o quanto seu filho era muito mais sábio que ela, pois, ainda garoto, ele soube perceber que de nada vale acumular tesouros na terra, de nada adianta sufocar com apego as nossas maiores preciosidades. O amor cresce, transforma-se e multiplica-se somente se cultivado livre, sem aprisionamento. E que a lembrança que tinha da sua avó, antes retratada pelo prato guardado no armário, estava ali muito mais viva, pois agora era alimentada por um amor inspirador e contagiante. 

Nilo estava um pouco mais afastado, perdido em seus pensamentos em um canto da casa. D. Ivone foi até ele com os olhos marejados. Abraçaram-se. Ela pediu perdão com todas as suas forças. Relatou tudo que ouviu e disse que somente ali, naquele momento, que conseguiu compreender a nobreza da atitude de Nilo, há 15 anos. Nilo também chorava. Parecia que, naquele instante, tirava um peso de seu peito e rompia-se de vez a barreira emocional que ficara entre eles todos aqueles anos. 

A alegria espontânea voltava a brilhar na face de Nilo. D. Ivone parecia rever em seu filho aquele garoto feliz, entusiasmado, ativo e cheio de energia. 

Voltaram felizes para casa. Nunca mais houve distanciamento entre eles, e a alegria voltou a reinar no coração de Nilo. Aquele dia, com certeza, houvera sido o primeiro dia de sol do resto de suas vidas.

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Luciana Gonçalves Rugani é escritora e poeta. Natural de Belo Horizonte (MG), tornou-se também cidadã cabo-friense ao receber, da Câmara Municipal da cidade, o Título de Cidadania Cabo-friense. É membra fundadora da Academia de Letras e Artes de Cabo Frio – ALACAF e membra da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA. Colunista da Revista Digital Aldeia Magazine e do Blog do Totonho. Participou de diversas antologias lançadas no Brasil e em Portugal. Foi selecionada, pelos curadores da Lura Editorial e entre autores de todo o país, para participar da antologia “Leituras à Beira-mar”. Recebeu o “Prêmio Cidade São Pedro da Aldeia de Literatura” concedido pela Associação Internacional de Escritores e Artistas – Literarte, o Prêmio Cultural Caiçara, concedido pela ALACAF e pela ALSPA e o título de “Doutora Honoris Causa em Literatura”, concedido pela ALSPA. Possui publicado um livro de poesias e crônicas intitulado “Mar de Palavras”, que originou o audiolivro de mesmo nome, disponível nas principais plataformas digitais de streaming. Idealizadora dos projetos “Sarau 15 Minutos” e “Arte na Rede”, promovidos em suas redes sociais. É autora do blog “Cantinho das Ideias”. Expôs seu livro na 21ª Festa Literária Internacional de Paraty – 21ª FLIP. Foi vencedora do 3º lugar do Prêmio Teixeira e Sousa de Literatura, da Prefeitura de Cabo Frio, ano 2023, gênero “poema”. Recebeu o troféu “Destaque Cultural 2024” da ALACAF e o Certificado de Excelência Cultural 2024 da ALSPA. Possui obras em antologias lançadas na XV Bienal Internacional do Livro do Ceará e na Bienal do Livro Rio, ambas em 2025.

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“PARA SEMPRE, AMANHÔ: O TRABALHO ARTESANAL E A ESCRITA COMO ESSÊNCIA FEMININA

Por Leandro Bertoldo Silva

Está chegando o dia!

Aqui no meu ateliê, durante esse processo e a cada livro feito, venho percebendo como o trabalho artesanal e a minha escrita é uma existência essencialmente feminina.

Escrever é mais do que produzir palavras sobre o papel; é abrir o ventre das histórias e ser eu a ser fecundado por elas, como um parturiente a dar à luz a cada momento. Meu fazer literário é, portanto, essencialmente feminino ao se organizar em três movimentos distintos, mas sobrepostos a se completarem em um ciclo vital.

Para sempre, amanhã é mais um fruto desse tempo, onde esses movimentos serão não apenas revelados, mas mostrados em uma festa literária — a FLIM — na cidade de Teófilo Otoni/MG, organizada pelo Instituto In-Cena que, não por acaso, trará a temática do feminino. Falta pouco, apenas um mês para o lançamento desta que é uma obra de afetos, memórias e presenças…

Atenção!!
A campanha de pré-venda com preço promocional está chegando ao fim. Estará aberta até o dia 17 de setembro/2025. Quem desejar adquirir, presentear e receber este livro autografado, ou durante o evento de lançamento ou em casa, é só acessar o link abaixo e preencher o formulário.

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Um forte abraço e até lá!

A LUTA DE CLASSES

Por Hairon Herbert de Freitas

Uma das maiores dificuldades que percebo em um governo que, verdadeiramente, preocupa-se com o social e em fazer política pública, para tentar melhorar a justiça social no país, é a falta da comunicação com a base da pirâmide (maioria do povo).

Os ricos são donos das redes sociais (google, facebook, instagram, twitter e outras), os ricos são os detentores da mídia (jornais, tv´s e rádios) e, assim, acabam tendo controle do Congresso Nacional que prioriza suas pautas em detrimento dos projetos que buscam corrigir a injustiça social.

As redes sociais foram pensadas e construídas para defender os ricos que comandam o mundo político e financeiro.

A base da pirâmide não entende como funcionam as ferramentas utilizadas nas redes sociais que direcionam até mesmo pessoas mais informadas rumo aos seus argumentos em defesa dos ricos. Assim também acontece nos rádios, jornais e tv´s que deixam reportagens pela metade que induzem o pensamento de quem está assistindo para defenderem os ricos.

Neste nosso mundão, não existe nada de inocente em nenhum destes canais. Qualquer postagem e reportagem tem algo por trás para induzir e direcionar um argumento que justifique e defenda um rico.

Hoje mesmo, vi no ICL Notícias uma matéria sobre a reunião dos ricos na casa de João Dória, com Henrique Meireles e outros 46 empresários ricos que fazem de tudo para continuarem ricos. Fico imaginando a seguinte cena: eles reunidos para continuarem a sugar os pobres e os pobres trabalhando e assistindo a si mesmos sendo roubados cotidianamente, e ainda aplaudindo os ricos.

Se o pobre pensasse bem, não votaria em um rico que pode até prometer fazer algo, mas, em relação a justiça social, ele jamais irá se bancar.

A meu ver, no planeta não deveria existir bilionários, pois esses são frutos desse sistema desigual e falido chamado de capitalismo. Que o governo procure ao menos acabar com um pouco da injustiça social, cobrando tributos na mesma proporção para pobres e ricos.

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Hairon Herbert de Freitas é apreciador de arte: poética, musical e desenhos abstratos. É membro da Academia de Letras e Artes de Cabo Frio – ALACAF e da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA. Participou de projetos, antologias, varais poéticos e saraus, entre eles: Projeto Poesia na Escola, do professor Gilberto Martins, de Brodowski (SP); antologias “A Aldeia de Pedro”, em São Pedro da Aldeia; antologias “Flores Literárias” em Cabo Frio; antologias, varais poéticos e saraus da ALACAF e da ALSPA. Recebeu o “Prêmio Cultural Caiçara”, concedido pela ALACAF e pela ALSPA, e o Título de Doutor Honoris Causa em Artes e Literatura, concedido pela ALSPA. É colaborador da Árvore das Letras.

QUEM SÃO OS SEUS HERÓIS?

Por Leandro Bertoldo Silva
Narração: Pierre André

Na infância é comum as crianças terem os seus heróis preferidos, como Batman, Super Homem, Mulher Maravilha e tantos outros, todos eles com super poderes. Mas e quando o herói escolhido não voa, não usa capa, não usa máscara, não manda raios e nem sequer é valente?

Essa é uma das histórias contadas no livro “Para sempre, amanhã”, que hoje eu trago aqui pela narração de um grande amigo: o escritor e contador de histórias Pierre André.

Essa história já está aqui no blog, mas não assim narrada. Inclusive, ela é a primeira a fazer parte do audiobook “Para sempre, amanhã” que está sendo preparado…

Ótima história e até a próxima!

JOGOS DE RELAÇÃO

Por Elisa Augusta de Andrade Farina

O século XXI caminha a passos largos, em seu bojo as tecnologias vão cada vez mais se aprimorando. A era da informação dos multimeios é a realidade que leva as pessoas a procurarem se informar a seu respeito. Por mais incrível que pareça, nunca tivemos uma situação tão caótica na comunicação interpessoal.                  

O que se falava “face a face”, hoje se clica na Internet, sem o famoso “olho no olho”, uma verdadeira simulação de sentimentos, ocultando a verdade que hoje é quimera dos “sentimentalóides” (aqueles que prezam a ética e a boa convivência).

Os relacionamentos vão de mal a pior entre homem e mulher, silêncio doloroso e persistente entre pais e filhos, clima pesado entre alunos e professores. Todos nós desastrados, ora tolhidos, ora dissimulados e, na maior parte do tempo, mentindo uns aos outros. Estamos assistindo impassíveis à agonia da verdade, deixando a falsidade campear livre, fazendo vitimas entre os inocentes e ingênuos. A civilização pós-moderna se firma cada vez mais no egoísmo, na vaidade numa total indiferença: tudo para mim, para a satisfação do meu ego e o próximo que se dane!

 O ser humano é incapaz de manter uma relação de amizade verdadeira. Em compensação a maior relação se dá em sua tela de computador, seu ciclo social resume-se no Facebook, Instagran, WhatsApp, etc. As fofocas, o exibicionismo, a falta de privacidade, as imaturidades virtuais vilipendiam o tempo e as verdadeiras emoções do encontro face a face. A verdade, onde se encontra? Nesse mundo de faz de conta está cada vez mais marcada a dependência psicológica e afetiva, de ciúmes desvairados, de insegurança e traições virtuais, de promiscuidade e baladas regadas a bebidas, sexo, tirando a sanidade mental de Todos. Nunca fomos tão frágeis, carentes e inseguros. A angústia é o marco das nossas relações inter e intrapessoais.

Cadê o olho no olho e a sabedoria de dizer: “errei”, “não quero”, “não posso”, “não sei”, “me perdoe”? Quanto mais roupas de grife, tatuagens, corpo sarado, imagem narcísica, maior a baixa autoestima, menos a paz de espírito, maior a nossa fragilidade. A espontaneidade faz parte de um passado, a nossa sociedade nos imputa uma “respeitabilidade” falsa, nos adestra como animais de circo para falar o que não pensamos, expressar o que não sentimos e fazermos o que não desejamos.

Vivemos em contraposição, uma era conflituosa nas nossas relações matrimoniais, na criação e no cuidado dos nossos filhos, nas escolas, no trabalho e entre as demais nações.

Dia virá em que as pessoas buscarão de fato a capacidade de descomplicar os atos que as impedem de pensar, amar, sentir e agir, tendo a aptidão de na maior parte do tempo, falarem o que pensam, expressarem o que sentem e de fazerem o que desejam, resgatando desta forma a busca da verdade.

O sonho de um tempo em que a energia do pensamento seja transmissível, nos tornando mais honestos, habita o recôndito do nosso ser nos impulsionando a viver em paz, sem dissimulações, simplificando a nossa vida e as nossas relações de fato.

Você já pensou nisso? Se não…

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Elisa Augusta de Andrade Farina é escritora, presidente da Academia de Letras de Teófilo Otoni – ALTO, colaboradora e integrante da turma Manoel de Barros, da Árvore das Letras.

POR TRÁS DA PORTA

Por Carolina Bertoldo

Tinha cabelos brancos, pele enrugada, alguns dentes a menos, olhos claros e muito tristes. Ninguém sabia muita coisa a seu respeito, mal cumprimentava os vizinhos, poucas das vezes que ouviram sua voz foi para xingar algumas crianças do bairro que pisaram no gramado da sua calçada. Possuía um semblante sofrido, morava sozinho e sua única companhia era um cachorro caramelo. Nunca recebeu uma visita, nunca ficou dias fora de casa, nem mesmo nos feriados. Passava aniversários, Natais e viradas de ano, ali, sozinho. Alguns vizinhos deixavam, por vezes, pratos de doces e salgados na varanda, mas lá ficavam por dias, até que fossem jogados fora. Quando alguém batia em sua porta, ele não abria. Pelas janelas, nada se via, as cortinas eram escuras e tampavam toda a visão de maneira proposital.

Certo dia a rua se encheu de viaturas, curiosos e ambulância. Uma denúncia anônima informara que alguém havia tirado a própria vida e era na casa do vizinho solitário. De lá ele foi tirado, da mesma forma que todos os outros dias, da mesma forma de sempre, em silencio e sozinho. Seu único amigo, o caramelo, foi levado pelos policiais.

Assim que a rua se esvaziou, os garotos da vizinhança, que sempre foram interessados em saber mais sobre aquela casa que vivia toda fechada, pisaram sem dó na calçada gramada, passaram pelas fitas de segurança que haviam colocado na porta da frente e entraram na residência. Ao entrar, se assustaram, porque por trás da porta não encontraram nada cinza, escuro, triste ou sujo. Mas sim, uma casa alegre, florida, cheia de vida, livros, quadros nas paredes e toda arrumadinha. Na mesa de centro da sala, o telefone sem fio tinha na tela o registro da última chamada – 190 –  e ao lado de um lindo arranjo de flor, encontraram um papel escrito à mão:

“Eu devia sorrir mais

Abraçar meus pais,

Viajar o mundo e socializar.

Nunca reclamar, só agradecer,

Fácil de falar, difícil fazer…”

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Carolina Bertoldo é escritora, estudante de pedagogia, colecionadora de livros e integrante da turma Manoel de Barros, da Árvore das Letras.

NEM TUDO SÃO HOSES, EXISTEM GUNS N’ TAMBÉM

Por Leandro Bertoldo Silva

Já ouviu a frase do título acima “nem tudo são Roses, existem Guns N’ também?” A ouço constantemente de uma pessoa que gosto muito. É uma variação divertida de “nem tudo são flores…”

Sim, isso acontece em tudo, inclusive na delicada arte de fazer livros artesanais. Hoje quero compartilhar uma das muitas situações que vivo ao realizar esse ofício lindo e encantador, que mistura beleza e criatividade, mas também muita paciência e desafios.

Uma das diferenças entre um livro em série e um livro artesanal é a quantidade de matéria-prima necessária para sua feitura. Um livro em série dispõe de uma enorme quantidade de material, pois é feito, de uma só vez em máquinas e prensas automáticas, 1000, 2000, 3000 exemplares e até mais. Muitos desses livros, quando não vendidos e/ou distribuídos são devolvidos ao autor e muitos são estocados e até mesmo perdidos.

O livro artesanal é feito em pequenas tiragens e também sob demanda, em que o material como linha, cola, tinta e papéis não são estocados, tanto porque, se assim fossem, perderia o conceito de sustentabilidade.

Porém, entre a compra de um lote e outro de matéria-prima acontece da mesma vir com pequenas ou até mesmo grandes diferenças de fabricação, sem contar quando determinado material se encontra em falta no mercado ou sai de linha, o que influencia no projeto e exige uma dose extra de criatividade e desprendimento.

Uma parte disso aconteceu comigo no livro “Para sempre, amanhã”.

Inicialmente, a capa do livro era de um vermelho cereja, bem forte. Mas eis que a mesma tonalidade não se encontrava mais à venda em lojas físicas. Eu, particularmente, não gosto de comprar papéis pela internet, pois esse é um tipo de produto que, para quem trabalha com o ofício da encadernação, é preciso pegar, tocar, sentir a gramatura, é uma espécie de “degustação espiritual”… rsrsrs. Pelo menos é assim comigo.

Do vermelho cereja, portanto, passei ao vermelho plus como projeto padrão. Como nem tudo são flores, mas tudo caminha para a luz, amei o resultado, pois essa tonalidade deu ao livro uma suavidade muito mais condizente com o seu conteúdo. O livro ficou, assim, mais tênue e doce.

Com isso aprendi a não resistir, a enxergar os obstáculos como oportunidade de se reinventar e de criar algo único a revelar uma parte da nossa essência. É aqui que reside a magia do livro artesanal, onde o ofício de dar forma às nossas ideias com as próprias mãos descortina uma jornada de desafios e encantos repleta de beleza e significado.

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Já estamos quase no mês de agosto. Faltará pouco mais de um mês para o lançamento do livro a acontecer na FLIM – Festa Literária Vale do Mucuri, na cidade de Teófilo Otoni/MG. Eu estou aqui em plena produção e confecção e até lá tem muito a mostrar a vocês.

A campanha de pré-venda continua aberta até o dia 17 de setembro. Quem desejar receber este livro no conforto de casa, autografado e ter a experiência de possuir e ler um livro totalmente feito à mão, com muito carinho e dedicação é só acessar o link abaixo e preencher o formulário.

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Aproveite para presentear alguém querido, uma pessoa amiga. Basta, no formulário, indicar o nome e endereço dela.

Terei muito prazer em estar com vocês!

Forte abraço.

EXPECTATIVAS…

Imagine um livro o qual você ouve falar. Vê a capa, tem acesso a algumas informações e fica na expectativa de leitura.

Eu como leitor sei bem como isso funciona e sei das minhas expectativas.

Mas… E como escritor?

Bem, como fiquei curioso, perguntei a 3 pessoas para saber o que elas esperam do meu livro “Para sempre, amanhã”. O que elas disseram compartilho aqui com vocês!

Luciana Rugani

Tenho acompanhado as postagens de Leandro Bertoldo sobre o processo de confecção do seu livro “Para sempre, amanhã”. Cada postagem desperta em mim uma curiosidade gostosa que me leva a pensar: “que bom, amanhã tem mais!”. E é essa mesma expectativa que tenho para conhecer o livro em sua totalidade, pois percebo que Leandro vem construindo esse trabalho com muita sensibilidade, com muito cuidado e até mesmo com um carinho muito especial, talvez pelo fato de que o livro será o depositário de algumas de suas preciosas memórias. Imagino que “Para sempre, amanhã” possa nos levar, por meio dessas memórias, a uma reconexão com as nossas próprias vivências, mas não apenas como lembranças por um momento, mas sim como uma reconexão que nos leve a perceber que o ontem e o amanhã constituem o nosso presente. Eu sou hoje fruto de cada uma das vivências passadas, e posso, por exemplo, reconstruir em mim a sensação de proteção e aconchego do passado, quando, criança, eu observava o sol da tarde entrar pela casa. E o meu amanhã será o somatório de toda essa vivência que eu escolher e decidir levar comigo. Acredito que “Para sempre, amanhã” me propiciará momentos de reflexão e entendimento sobre o fato de sermos seres em infinita e constante construção, sempre em busca de um melhor amanhã.

Lucienne Bispo

Estou contando os dias para o lançamento do livro Para Sempre Amanhã. Só o título já me faz pensar em esperança e recomeços. Tenho certeza que será uma obra sensível, intensa e cheia de emoções.

Ricardo Albino

Caro amigo e irmão do coração Leandro, ao conhecer seu trabalho e o quanto ele é feito com amor, carinho, gratidão e respeito aos leitores, à arte e aos seus familiares, já sinto no meu coração que o seu mais novo filho de palavras “Para sempre, amanhã” será para você e também para todos nós um grato, gostoso, sincero e feliz abraço com os sentimentos de todos que constroem com você tudo de melhor e mais bonito que você é na vida e no coração de cada um que também sente o Leandro como ele é: um ser Humano de Amor, com H e A maiúsculos.

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Que delícia saber dessas expectativas!

E como realmente o livro valoriza a importância de contar histórias e guardar memórias que viram sempre outras possíveis histórias, domingo que vem, dia 20, estarei sorteando um mini álbum de fotografias em concertina, feito à mão, cuja capa traz a temática do livro Para sempre, amanhã.

Para participar é só fazer parte da “Lista de Transmissão Para sempre, amanha” no WhatsApp e acompanhar cada passo do processo de produção e confecção deste livro. para entrar, envie mensagem para o WhatsApp (33)98461-2688 e fale diretamente comigo.

Ao longo dessa semana darei mais informações de como acontecerá o sorteio.

Se quiser participar da pré-venda do livro e recebê-lo autografado com valor promocional até o lançamento no dia 17 de setembro deste ano, que será na FLIM – Festa Literária Val do Mucuri, em Teófilo Otoni, é só clicar no link abaixo.

https://forms.gle/7F5WRyu7GttX7Tk28

Forte abraço e até a próxima.

ALGUMA VEZ VOCÊ JÁ PAROU PARA PENSAR?

Por Leandro Bertoldo Silva

Alguma vez, ao entrar em uma livraria e pegar um livro exposto na estante, já se perguntou de onde ele veio? Considere estar diante de uma seção que goste muito, seja literatura brasileira, estrangeira ou até mesmo autoajuda. Muito provavelmente você passeia por eles escolhe uma obra em meio a centenas delas influenciado pela beleza da capa e perfeição de sua aparência e o leva para casa.

Dificilmente ou quase nunca você pensa em quem o fez, e eu não estou a falar do autor ou autora. Refiro-me, além deles, de quem cortou os papéis, de quem uniu e alinhou suas páginas, preparou a lombada, colou e costurou, entre tantas outras etapas. Talvez você pense agora ser isso uma bobagem, pois aquele livro foi feito em série e, sendo assim, nada que uma gráfica não possa resolver.

É exatamente aqui o ponto da questão, ou melhor, o ponto de onde existe algo muito especial: alma!

Um livro artesanal feito à mão tem alma porque é muito além de um objeto, muito além de um amontoado de papéis impressos colados mecanicamente; é uma peça única, por mais que tenha mais deles, pois todos foram feitos um a um com dedicação e autenticidade. Cada detalhe de um livro artesanal é cuidadosamente pensado, executado com a máxima paciência e destreza, tornando cada exemplar uma verdadeira obra de arte. Desde a escolha dos papéis até a encadernação final, passando pela costura, pela elaboração e ousadia artística e estética, muitas vezes genuínas e longe do puramente convencional, confere ao livro feito à mão um valor emocional não encontrado nos demais.

Nesses livros floresce uma experiência sensorial incomparável. Folheá-los é entrar em contato não apenas com as histórias ali escritas, mas viver uma profunda conexão com o fazer humano. Um livro artesanal não é um produto, é algo exclusivo onde o leitor e a leitora são partes primordiais do processo, pois tudo é feito para dar-lhes significado.

É com esse sentimento que o livro Para sempre, amanhã é feito, assim como todos os livros da Árvore das Letras. Não por acaso utilizamos como selo editorial o nome Alforria Literária, para saborear o prazer da liberdade.

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E você já sabe!

Se desejar fazer parte da “Lista de Transmissão Para sempre, amanha” no WhatsApp e acompanhar cada passo do processo de produção e confecção deste livro, participar de sorteios e ter acesso a muito material interessante do mundo da encadernação é só enviar mensagem para o WhatsApp (33)98461-2688 e falar diretamente comigo.

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Forte abraço e até a próxima.

UM LIVRO, UMA TRAVESSIA

Por Leandro Bertoldo Silva

Imagine um livro a transpor fronteiras…

Imagine um livro a viajar pelos continentes…

Imagine histórias a serem lidas além mar…

“Para sempre, amanhã” está a me proporcionar não somente essas experiências ao chegar em Angola, mas principalmente em viver o prazer da amizade selada e eternizada pelo amor às palavras.

Aqui neste vídeo apresento a todos Emílio Cinco Reis, a quem a poesia acolheu pelo nome de Nasapulo Kapiãla.

Nasapulo está nesse livro de forma sutil, delicada, mas com a força de uma afeição a construir novas possibilidades.

O livro será lido lá como sua poesia conhecida aqui, juntamente com uma obra carregada de sentimentos.

Afetos, abraços, surpresas, descobertas… São muitas histórias forjadas nas vivências que trazem por trás das mesmas outras histórias a contar, como a que vai neste vídeo.

Disponha, Nasapulo. Vamos juntos.

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Aqui vão dois convites:

Quem desejar fazer parte da “Lista de Transmissão Para sempre, amanha” no WhatsApp e acompanhar cada passo do processo de produção e confecção de um livro artesanal, participar de sorteios e ter acesso a muito material interessante do mundo da encadernação é só enviar mensagem para o WhatsApp (33)98461-2688 e falar diretamente comigo.

Para quem quiser saber mais a respeito e receber o livro “Para sempre, amanhã” autografado com valor promocional até o lançamento no dia 17 de setembro deste ano, que será na FLIM – Festa Literária Val do Mucuri, em Teófilo Otoni, é só clicar no link abaixo.

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Forte abraço e até a próxima.