SIM, EU TAMBÉM JÁ ESCREVI CARTAS DE AMOR

Por Leandro Bertoldo Silva

Como diz Fernando Pessoa:

“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, como as outras, ridículas”.

Mas deixa claro…

“Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”.

Concordo tanto com Fernando Pessoa que já me dava por escrevedor de cartas de amor antes mesmo de conhecê-lo. Não porque elas eram direcionadas a alguém, pois as escrevia para que alguém tomasse posse delas e preenchesse o que faltava. Assim, andava a escrever aos ventos, às árvores, aos pássaros e algo curioso aconteceu: ninguém veio ocupar o seu lugar. Com isso, elas se perderam. Mas o tempo, seja lá o que ele for, é generoso, e no dia 18 de março do ano 2000, um mês após estar com quem estou há 23 anos, descobri que todas as cartas viraram poesia. A diferença é que elas, sim, tinham um destino: Geane Matos. Deixo aqui o que foi dito naquele dia, não sem antes uma advertência!

Poderia muito bem fazer várias emendas de linguagem e outras alterações para darem às palavras um estilo mais afeito ao que hoje se tornou a minha escrita. Mas iria junto a feição do sentimento o qual tive no momento em que as compus. Por isso, perdoem-me pelo que achardes ridículo, mas as manterei tal qual as fiz, pois, se assim não fosse, não seria uma carta de amor…

E assim escrevi:

Nem o sol, nem as flores ostentam maior beleza.
Por mais que tentasse dissimular, já não mais conseguiria.
Meus pensamentos me traem ao perceber que são os seus olhos e sorriso
que os conduzem a um mundo de sonhos e cores,
tal qual o sonho do artista que o induz à chama medrosa de encontros coloridos
ao coração que aquece palavras graciosas.

O que dizem os sábios a respeito das paixões?
O que dizem os cavalheiros e até mesmo os menestréis?
Cantaram as rosas de todos os corações,
viveram seus poemas de amor com doçura e imaginações,
e escreveram metáforas, lindas e inesquecíveis metáforas.

Ah, o amor…
Corda de mil nós, música de mil tons!
Renasceste de entre as linhas,
ressurgiste ébrio de encanto
e brilhaste como um arsenal de fogos induzindo o céu a chorar, feliz,
lágrimas de mil anos.

E eu, de baixo, olho, absorto em pensamentos, o céu afoguear.
E sorrio como uma criança ao imaginar, inocente, um corpo de mulher,
lívido de alvura e livre a voar…
Até se encontrar com as águas,
até se misturar com o mar.

________________________

Essas palavras foram entregues em um cartão há 23 anos (o mesmo da foto), um mês após nosso encontro, o qual esperei por 10 anos que acontecesse… Hoje temos 21 anos de casados.

E você, já escreveu cartas de amor?

Forte abraço!

Até a próxima.


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Um comentário em “SIM, EU TAMBÉM JÁ ESCREVI CARTAS DE AMOR”

  1. Ahh… As cartas!!! As cartas de amor que decridicuki tem muito aqueles que n7nca as escreveram e se desidrataram pela secura de seus corações! Que lindo meu amigo! Se não fosse um triste incidente em minha casa, faz alguns anos, teria muitos e muitos cartões e cartas que guardava com muito zelo e amor! Algumas consegui salvar por sorte! Sempre fui uma apaixonada pelas palavras escritas, sentidas, expressadas através das letras! Parabéns por não ocultar do mundo mais um de seus preciosos dons! Também sigo a escrever cartas…deixando rastros de amor pelo mundo que anda muito ridículo pir sinal!!!! Um abraço!

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