Sempre gostei de histórias. Os primeiros livros que li foram os clássicos “Cinderela” e o “Caso da Borboleta Atíria”, da antiga coleção vaga-lume. Hoje as coleções são mais modernas, melhoradas... Mas aqueles livros transformaram a minha vida. Lia-os de cima de um pé de ameixa, na casa de minha avó, e lá passava a maior parte do meu tempo sempre na companhia de outros livros que, com o tempo, foram ficando mais “robustos”. A partir de José Lins do Rego e seu “Menino de Engenho” fui descobrindo Graciliano Ramos, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Henriqueta Lisboa, Fernando Sabino, Murilo Rubião... Ainda hoje continuo descobrindo escritores, muitos se tornando amigos, outros pelas páginas de seus livros, como Mia Couto, Ondjaki, Agualusa. Porém, já naquela época sabia o que queria ser. Não tinha uma formulação clara, mas sabia que queria fazer parte do mundo das histórias, dos poemas, dos romances e das crônicas, pois aquilo tudo me encantava, me tirava o chão, fazia a minha imaginação voar. Hoje sou um homem feliz; casado, eterno apaixonado e pai da Yasmin. As duas, ela e a mãe, minhas melhores histórias... Mas também sou formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC/MG, com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, sou Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG, título que muito me responsabiliza e sou um homem das palavras. Mas essas palavras tiveram um começo... O meu encanto por elas fez com que eu começasse a escrever, inicialmente para mim mesmo, mas o tempo foi passando e pessoas começaram a ler o que eu produzia. Até que a revista AMAE EDUCANDO me encomendou um conto infanto-juvenil, e tal foi minha surpresa que o conto agradou! Foi publicado e correu o Brasil, como outros que vieram depois deste. Mais contos vieram e outros textos, como uma peça de teatro encenada no SESC/MG, poemas, artigos até que finalizei meu primeiro romance - Janelas da Alma - em fase de edição e encontrei uma grande paixão: os Haicais! Embora venho colecionando "histórias", como todo homem que caminha por esta vida, prefiro deixar que as palavras falem por mim, pois escrever para mim é mais do que um ofício que nos mantém no mundo. Escrever me coloca além dele... E é por isso que a minha vida, como a de um livro, vai se escrevendo – páginas ao vento, palavras ao ar.
Levantou cedo. Enquanto a água fervia para o café, se arrumou e verificou se estava tudo certo com o material da escola. Era o seu primeiro dia de aula e não tinha a menor ideia do que encontraria, principalmente após a recomendação da diretora dias antes: “Não vá puxar muito dos alunos, professor. Eles não estão acostumados. Além dos mais, estamos no interior…”.
O fato de ter vindo da capital nunca fora para Isidoro preceito de ser diferente. E daí estar no interior? Muito estranho. Mas lá foi Isidoro com uma diferença, sim, ao menos estrutural. Ele não tinha uma pasta ou bolsa, como os outros professores; ao contrário, ele tinha uma mala repleta de livros e carregava às costas um violão. E foi assim que adentrou pela primeira vez aquele portão escuro como o novo professor de Português.
Embora a escola estivesse toda pintada e com panos esticados em formato de grandes triângulos em tons diferentes, a falta de cor era evidente, não uma cor física, mas uma cor de alma, de falta de sorrisos reforçada pelo cinza do piso o qual gritava aos seus olhos. Sempre pensou: “As escolas nunca deveriam ser cinza, nem mesmo onde pisamos.” No entanto, estava ele ali em meio a uma a esperar pacientemente o seu momento de conhecer os alunos.
Feitas as apresentações, os alunos foram para as suas salas desanimados e desbotados, enquanto os professores, em desmaio de cores a reclamarem do fim das férias, foram pegar os seus pincéis. Isidoro não precisava deles, a não ser para pintar o chão, onde um rolo seria mais adequado.
Nem pinceis e nem rolo. Adivinhou-se na entrada de cada turma o que Isidoro trazia de novidade. No lugar do “bom-dia, vamos sentar nos seus lugares”, o novato professor sentava-se em cima das carteiras junto aos alunos, ou no chão os convidando a fazerem o mesmo, sacando o violão e contando-lhes histórias.
Os dias foram passando e o professor seguiu a sua tentativa de colorir a escola. Entendia agora o porquê em tempos meninos, ainda no jardim da infância, quando seus pais perguntavam o que ele havia feito, ele respondia: “Eu só coloro”. Essa sempre foi a sua missão, ainda mais do que ensinar as próprias letras.
Porém, o empreendimento era árduo. Não contava com os outros professores e muitos alunos não compreendiam nem o vermelho, nem o azul ou qualquer outra cor de suas palavras. Sentia-se na superfície, não havia profundidades. Lembrou-se da sentença da diretora ao recomendá-lo cautelas. Estaria ela com a razão?
Isidoro foi para casa. Pensativo. Queria tanto colorir se não a escola, ao menos o coração daquelas crianças e jovens! Em sua biblioteca buscava nos livros a cor perfeita a salvar do desbotamento contagiante aqueles que se acinzentavam. De repente seus olhos pousaram em um pequeno livro de capa preta, sem atrativos e muito sem graça em meio a tantos outros volumosos. No título lia-se: “O coração escuta pela boca”, de Silvana de Menezes. Tratava-se da biografia romanceada de Freud. Será?… Nunca acreditou em julgar um livro pela capa. Pegou-o e o guardou em sua mala. No dia seguinte o apresentaria para os alunos na berma de um pensamento: “as pessoas são como os livros; algumas serão tocadas, lidas e descobertas enquanto outras permanecerão fechadas”.
Tal pensamento se refletiu na realidade quando, em meio a vários alunos e alunas, Isidoro viu brilhar um amarelo diferente, um ponto de luz nos olhos de uma menina. Nenhum livro havia conseguido tal feito. E fora justamente aquele de capa preta a ganhar variedades de belezas como um caleidoscópio a fazer nascerem alguns anos mais tarde uma profissão.
A menina, miúda ainda de idade, cresceu com o passar dos anos, os mesmos anos que fizeram Isidoro não estar mais naquela escola, pois o tempo não havia colorido os seus despropósitos.
Sentado junto à janela a olhar uma flor prestes a abrir em seu jardim, ouve um toque de mensagem em seu telefone:
“Oi, professor, tudo bem? Hoje é o lançamento do meu trabalho, do meu projeto como psicóloga e eu postei um vídeo explicando o motivo de ter escolhido a psicologia. Obviamente você fez parte disso, fez parte lá das raízes até as folhas e as flores dessa árvore linda que eu construí. E não tem como falar desse projeto sem me lembrar de você. Foi por causa do livro que você passou, “O coração escuta pela boca”, que esse amor nasceu em meu coração. Estou te mandando essa mensagem para te agradecer. Essa vitória não é só minha, essa vitória é nossa. Muito obrigada mesmo por ter feito parte disso”*.
Ao escutar a mensagem e com os olhos marejados, viu que a flor, em um colorido intenso e cintilante, acabara de se abrir.
Um dos filmes mais lindos que já assisti até hoje foi O Carteiro e o Poeta, baseado no romance de Antônio Skármeta. Muito além da história de amor do carteiro pela bela garçonete, insuflado pela poesia de Pablo Neruda, chama atenção algo muito maior: o encontro com a poesia.
É de Neruda que Mario, o carteiro, busca conselhos sobre como conquistar o coração de Beatriz, a garçonete, e é do simples Mario que Neruda recebe os sons de sua casa, quando, doente, pede ao rapaz para gravar os ruídos em torno da Ilha Negra. Ao fazê-lo, o carteiro anda pelos lugares e se depara não apenas com os sons, mas com paisagens comuns do dia a dia ao se tonarem exuberantes pelo simples fato de serem observadas, ou melhor, percebidas. Esse é o momento ápice para mim em que a poesia, em sua essência, se faz presente.
Refiro-me a esse filme e a essa passagem exclusivamente para dizer como é impressionante o fato da poesia estar ao alcance dos nossos olhos, basta nos colocarmos à disposição.
Foi assim, nesse modo receptivo, que em um passeio na casa de uns amigos na zona rural, aqui mesmo em Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, estavam lá, em um espaço de alguns metros quadrados bem perto de nós, muitas poesias a serem vistas, ouvidas e apreciadas, as quais compartilho aqui algumas na minha forma preferida: os haicais.
Se você gostou desses pequenos versos, quero te convidar a seguir o meu novo perfil no Instagram, onde, estimulado pelo filme O Carteiro e o Poeta, irei mostrar os Vales do Jequitinhonha e Mucuri pelos olhos da poesia em haicais, essa arte tão linda quanto sutil e profunda.
É uma forma de evidenciar e agradecer essas terras que me acolheram como filho nesses 15 anos a caminhar por elas.
A ideia é de um perfil focado justamente na arte do haicai, sem apelo comercial ou sequer legenda, somente com a referência do local. Busca-se ser um lugar para encontrar fotos bonitas, sempre autorais, admirar as composições dos versos com as imagens e cores em um ambiente calmo e sereno para trazer sensibilidade e inspiração.
Este conteúdo está disponível em áudio como forma de trabalho inclusivo da Árvore das Letras.Acesse abaixo.
Há mais de 2.500 anos, livros têm sido usados ao redor do mundo para diversos objetivos, desde religiosos, informativos, artísticos, entre outros. Códices maias, papiros egípcios, iluminuras de manuscritos medievais, as impressões de Gutenberg e Aldo Manúcio, cartografias, atlas das grandes navegações, cartilhas, livros para crianças, de cavalaria, de horas, são exemplos de um verdadeiro banquete e inspiração para a humanidade.
Por mais diversos os objetivos, uma coisa é certa: todos eles passaram pela encadernação, essa arte milenar a atravessar gerações. Não é exagero dizer, portanto, que a encadernação é uma das representatividades históricas mais importantes de que se tem notícia.
Não fosse ela, ainda hoje estaríamos a depender das pinturas rupestres feitas com ocre pelos aborígenes australianos ao representarem nas cavernas corvos e bisões.
A escrita como sistema de registro codificado, só aparece muito tempo depois, por volta do início do 4° milênio a.C., onde começam a ser desenvolvidas as estruturas por onde esses escritos tão ricamente ornamentados ganham morada e, consequentemente, preservação e, principalmente, mobilidade. Está aí uma imensa evolução! Duvida? Imagina carregar uma caverna no bolso…
Em cada época surgiram técnicas das mais simples às mais elaboradas. Encadernadores de várias partes do mundo contribuíram com suas criações que, ao longo dos anos, foram se desenvolvendo não apenas no critério documental, mas artístico. Alguém duvida que o Corão, o livro de Kells, os livros hebraicos são considerados verdadeiras obras de arte?
Em fins do século XVIII, o mercado de livros ganhou ainda mais notoriedade agora não com a hegemonia dos livros religiosos, mas também obras clássicas ao lado da ficção de entretenimento. Eram livros muito bem produzidos e de encadernações luxuosas. Todo esse conhecimento foi e ainda é migrado para a produção artesanal de cadernos e muitos são os artesãos que se empenharam e se empenham nessa arte. Cada corte, cada ponto, cada costura repassadas e criadas são histórias sendo contadas. As técnicas são tão variadas quanto a criatividade de quem as realiza.
O melhor da encadernação é quando começamos a fazer os nossos próprios projetos! Estes da ilustração são cadernos em que utilizei algumas técnicas juntas, como a costura francesa, porém aparente, com a abertura tipo Copta a partir da estrutura do Sewn Boards Binding, que é o início da encadernação capa presa. Tudo isso com a nossa tradicional arte da decoração com recortes e colagens.
O resultado é um caderno extremamente elegante, contemporâneo e atraente pelas suas cores e infinitas possibilidades de gramaturas, tipos de papel e combinações. Perfeitos para escrita de memórias, escrita terapia, receitas, poesias, Bullet Journal e muito, muito mais.
Eu como escritor independente sempre desejei que os livros, mais do que o valor literário, pudessem ser vistos, eles mesmos, como objetos de arte. Por isso, escolhi produzi-los e confeccioná-los. Daí para os cadernos foi apenas um passo a partir de fundamentos de uma arte que está longe de acabar, mesmo com o advento da tecnologia. Basta lembrar novamente do princípio, onde muitos dos documentos, iluminuras, livros históricos produzidos pelos escribas em séculos passados, até hoje só existem graças a maior “tecnologia” da existência humana: a escrita à mão.
Portanto, deixo a seguinte reflexão: mesmo que um caderno e um lápis custem um pouco mais de dez centavos, como sugeriu Bob Grinde em uma de suas célebres frases, vale a pena comprá-los e escrever ideias e histórias que valham milhões.
Este conteúdo está disponível em áudio como forma de trabalho inclusivo da Árvore das Letras.Acesse abaixo.
Você certamente já ouviu muito falar dos benefícios da leitura, mas já parou para pensar nos benefícios da escrita?
Engana-se quem acha que escrever é tarefa só para escritores. Certo, eu sou escritor! Mas também utilizo a escrita de outras formas, com outros objetivos e não somente para escrever livros.
A escrita está ao alcance de todas as pessoas. Mais do que contar histórias, escrever pode ser também uma forma de autoconhecimento. Falar sem medo de ser julgado ou mal interpretado, expressar sentimentos de alegria e de apreciação e também colocar para fora as nossas dores e incômodos. Esses são apenas alguns dos benefícios a serem encontrados na escrita, principalmente à mão.
Quantas pessoas você conhece que dizem não saber por onde começar a escrever?… Quantas pessoas você conhece que acham que escrever é muito difícil?… Pois quero desmistificar esse lugar e mostrar outro ponto de vista muito mais acessível, leve e de benefício sem precedentes ao alcance das suas mãos.
(Eu vou apresentar aqui) Veja a seguir algumas dicas de como essa prática pode ser incorporada no seu dia a dia. (e tenho certeza que você vai gostar)
1 – ESCOLHA UM CADERNO PARA CHAMAR DE SEU
Sim! A ideia aqui é escrever usando papel e caneta. A escrita à mão cria uma conexão maior de você com você. Há nessa relação muito mais autenticidade e personalidade. Portanto, escolha um caderno para ser o seu aconchego, te inspirar o desejo da escrita e te fazer feliz. Aqui na Árvore das Letras temos centenas, isso mesmo, centenas de opções onde cada caderno é único, ou seja, nenhum é igual ao outro. A nossa intenção é conseguir fazer um caderno que Já no corte e na costura do papel aflore os melhores sentimentos. E as capas são verdadeiras obras de arte onde se mesclam natureza e poesia, tecidos e colagens de maneira a criar a harmonia necessária para encantar.
2) – ESCREVA LIVREMENTE SEM SE PREOCUPAR COM REGRAS
A proposta é escrever sem medo. Não se preocupe com erros de ortografia, em escrever “certo” ou bonito, nem mesmo se o texto tem coerência. Não julgue. No princípio pode até parecer uma grande bagunça, ideias completamente desconexas; não importa, esse é o caminho. Lembre: ninguém precisa ler o que irá escrever, este é um exercício só seu. E não se surpreenda se no meio de tantos “entulhos” frasais aparecerem verdadeiras pérolas, insights fantásticos a serem aproveitados no futuro. Mas, atenção! Não escreva com essa intenção. Caso aconteça, ótimo! Se não… Ótimo também. O mais importante é escrever, só escrever.
3 – CRIE EM UM AMBIENTE ACOLHEDOR
Acredite: o ambiente influencia e muito a nossa disposição para escrever. Estar de frente a uma janela diante de uma flor ou mesmo em uma rede faz muita diferença. Se for escrever em seu quarto, tudo bem. Cuide para ter perto de você coisas que te tragam acolhimento e conforto. Acenda um abajur perto de você, ele proporciona uma luz aconchegante. Experimente velas ou até mesmo incensos bem suaves, se gostar. Música instrumental ajuda a deixar o ambiente ainda mais propício. Faça tudo que puder te trazer acolhimento.
4 – BUSQUE UMA REGULARIDADE DE ESCRITA, MAS SEJA GENTIL
É importante lidar com a escrita de modo a não torná-la algo obrigatório. Onde entra a obrigação acaba o prazer. Mas manter uma regularidade é necessário para se criar o hábito. Melhor escrever todos os dias, mesmo pouquinho, a escrever muito só de vez em quando. Escreva uma, duas, três páginas… É muito? Escreva meia página, um parágrafo, não importa, o importante é estar em contato com as palavras.
5 – ENCONTRE O SEU TEMPO
Se você não tem o hábito de escrever, no início pode ser um pouco desafiador. Mas você deve procurar conhecê-lo e encontrar o tempo onde você se sinta melhor e possa se entregar a essa prática. Há quem goste de escrever de manhã logo ao acordar, mas há quem prefere a noite antes de dormir. Às vezes durante a tarde seja mais interessante. Só tem uma forma de saber: experimente. Com certeza o melhor tempo irá se mostrar para você. Como irá saber? Pelo coração.
Bem, essas foram apenas algumas dicas das inúmeras existentes. Poderia listar outras tantas. Algumas podem funcionar mais outras menos. Mas o mais importante é você buscar, criar, encontrar a sua forma. O importante é não se prender em regras. A vida é bálsamo de inspiração! Até os momentos não tão bons — sim, eles existem — são fontes de crescimento onde a escrita pode tornar tudo muito mais leve e agradável.
O SEGREDO É COMEÇAR!
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Bem, espero que essas dicas tenham sido úteis e que tenham inspirado você a iniciar essa prática e colocá-la como um hábito no seu dia a dia. Tenho certeza que isso trará, de fato, muitos benefícios para você.
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Quem me conhece sabe o quanto os livros e a leitura são importantes para mim. Eles fazem parte da minha existência, movem meu sistema nervoso, são sangue a correrem por minhas veias e artérias e até são responsáveis pelo meu batimento cardíaco.
Exagero?
Não! sem livros eu sinto sede, sem livros eu sinto fome. Fico, inclusive, sem almoçar, mas não fico sem ler. Seria eu um dependente literário? Se for, por favor, não me curem. Prefiro, neste mundo dos avessos e dos conteúdos rasos, estar doente dos olhos, não por deixar de enxergar, mas por enxergar demais através do meu pince-nez, linhas e entrelinhas a tecerem histórias.
Não saberia dizer quantos lugares eu já visitei, por quantos países, catedrais, até oceanos eu já naveguei. Estive entre trabalhadores do mar, entre o ciúme, a loucura e a obliquidade de personagens inseguros e corajosos, subi Bahia e desci Floresta tantas vezes a caminho de um encontro marcado. Quantos fidalgos, quantas vidas secas a revelarem crimes e castigos, mas também a me levarem entre a razão e a sensibilidade às ilusões de um bosque perdido.
Minha vida é estar entre os livros, ora no exercício da escrita e muitas vezes neste prazer arrebatador da leitura.
Ao contar dos meus 7 anos de idade, quando ganhei das mãos de minha mãe o meu primeiro livro – Cinderela, depois O caso da borboleta Atíria, A ilha perdida, Menino de engenho e tantos outros -, aos meus até então 52 anos de agora, já não saberia dizer quantas páginas passaram por meus olhos. Evitarei citar nomes de autores e autoras para não cometer injustiças de esquecimento, e nem também caberia aqui, mas foram umas boas centenas sem dúvida.
O melhor é que mesmo com tudo isso, muitas são as histórias ainda não conhecidas, algumas delas a descansarem por anos nas estantes à espera de leitura. É comum ao término de um livro eu dizer: “mas como foi possível você estar aqui há tanto tempo sem que eu o tivesse lido?”
Pois é, isso acontece. O motivo? Sempre tem um livro a ser lido — às vezes dois ou três ao mesmo tempo — e alguns ficam na espera gostosa do depois e do momento mais adequado.
Por isso, neste ano resolvi fazer uma experiência: desci alguns livros dos galhos da minha árvore-biblioteca para finalmente poder lê-los, um após o outro.
Chegou o momento! E aqui, sim, vou citá-los com seus criadores; afinal, me aguardaram pacientemente.
Fiz uma pilha com eles e cheguei até a sentir a vibração de suas páginas já folheadas e namoradas. Fiquei a pensar: o que me espera em Corda bamba, da Lygia Bojunga, presente da minha madrinha literária, da Academia de Letras de Teófilo Otoni, quando nos encontramos em uma barbearia cheia de livros, ao me apresentar ao proprietário, seu amigo? O que dizer de Claro enigma, do nosso poeta maior Carlos Drummond de Andrade, uma das minhas aquisições nascidas daquela vontade de sorver poesia? E a Poesia completa de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, o meu poeta maior, e o meu grande preferido dentre eles, companheiro de memórias felizes, luzes e palco? O palhaço e o psicanalista, do Cláudio Thebas e Christian Dunker, certamente me alimentará e contribuirá muito para o meu trabalho de Biblioterapia. O Livro do Desassossego, também de Fernando Pessoa, mas através do ajudante de guarda-livros Bernardo Soares, o qual pode ser aberto aleatoriamente em qualquer página, mas que eu resolvi lê-lo do início ao fim para só depois retornar dessa forma apaixonante e algumas vezes já experimentada. Na lista também está O cão dos Baskervilles, de Sir Arthur Conan Doyle, com um clássico de Sherlock Holmes a demonstrar versatilidade de estilos. Múltipla escolha, da Lya Luft e Amor que faz o mundo girar, de Ary Quintella, representantes da nossa literatura contemporânea e histórica, as quais gosto muito. E O vermelho e o negro, de Stendhal, ao marcar a minha leitura preferida: a clássica.
Aí estão alguns dos meus livros para 2025. Há outros, alguns já lidos neste início de ano, como O corcunda de Notre Dame, do Victor Hugo, e De mãos dadas, de novo do Cláudio Thebas, porém com coautoria de Alexandre Coimbra Amaral, ao me conduzir literalmente pela mão no momento mais delicado da minha vida até aqui… Sim, livros são fontes salvadoras a nos darem colo também! Outros ainda estão nos galhos da Árvore à espera da descida. Mas para que melhor possam saber do que se tratam estes, transcreverei a sinopse de cada um deles para, quem sabe, ter a sua companhia na leitura. Caso isso aconteça ficarei feliz. Se não, também fico feliz em poder plantar uma semente no coração de quem se prontificar e germiná-la.
Vamos lá e ótima escolha.
CORDA BAMBA (LYGIA BOJUNGA)
Lygia Bojunga se aventura pelas veredas da imaginação infanto-juvenil e arma sobre o jovem e respeitável público a lona de seu circo de surpreses e encantamento, apresentando-lhe esta CORDA BAMBA, através da qual Maria, filha de equilibristas, e ela mesma artista de circo, resolve viajar para dentro de si mesma. Viver na corda bamba — é como o imaginário popular define a existência de quem tem que enfrentar desafios diários para sobreviver. Assim caminha Maria em busca de seu próprio equilíbrio, abrindo as portas do passado e recompondo-se dos dramas que marcaram sua infância circense.
CLARO ENIGMA (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)
“E como ficou chato ser moderno. / Agora serei eterno”, escreveu Drummond em um poema do livro Fazendeiro do ar, de 1954. Mas esse distanciamento da atitude poética modernista — com tudo que ela continha de euforia, rebeldia e otimismo — vinha de antes. Mais precisamente, deste Claro enigma, publicado em 1951, quando o autor se aproximava dos 50 anos de idade. Daí a obra ser considerada um marco de sua maturidade filosófica e poética. Os recursos da poesia moderna passam a conviver com formas fixas, entre elas os sonetos, e com esquemas de rimas e metros clássicos na língua portuguesa, como a redondilha, o decassílabo e o alexandrino. O tom jocoso, muitas vezes presente nos livros anteriores, se trona aqui predominantemente grave e elevado. Como a contradição dos termos no título do livro já sugere, Drummond não buscava um simples retorno à ordem. Um sentido de incompletude, de insolvência, presente em vários poemas, corrói qualquer ilusão de estabilidade. Claro enigma demonstra, acima de tudo, qual a naturalidade, longe de representar um ponto de vista fixo e seguro, recoloca em outro patamar as inquietações e angústias da juventude.
POESIA COMPLETA DE ALBERTO CAEIRO (FERNANDO PESSOA)
Alberto Caeiro configura uma verdadeira revolução na trajetória de Fernando Pessoa. O heterônimo, que surgiu em março de 1914, quando Pessoa tinha 25 anos, se consagrou pelo estilo singular e bucólico, capaz de aliar pelos aparentemente opostos como simplicidade e profundidade. Em versos que surpreendem pela clareza, Caeiro nos conduz por um universo composto de pedras, árvores, flores e montanhas, e defende que as sensações provocadas pelo contato com a natureza são indiscutivelmente superiores ao pensamento lógico e racional.
O PALHAÇO E O PSICANALISTA (CLÁUDIO THEBAS E CHRISTIAN DUNKER)
Se de médico e louco todo mundo tem um pouco, de psicanalista e palhaço todo mundo tem um pedaço. Christian Dunker e Cláudio Thebas abordam neste livro, com bom humor e profundidade, um tema comum para ambos os ofícios: como escutar os outros? Como escutar a si mesmo? E como a escuta pode transformar pessoas? Mesclando experiências, testemunhos, casos e reflexões filosóficas, os autores compartilham o que aprenderam sobre A ARTE DA ESCUTA, um tema tão urgente no mundo atual, onde ninguém mais se escuta.
LIVRO DO DESASSOSSEGO (FERNANDO PESSOA)
O narrador principal das centenas de fragmentos que compõe este livro é o “semi-heterônimo” Bernardo Soares. Ajudante de guarda-livros em Lisboa, ele escreve sem encadeamento narrativo claro e sem uma noção de tempo definida. Os temas não deixam de ser adequados a um diário íntimo: a elucidação de estados psíquicos, a descriação das coisas através dos efeitos que elas exercem sobre a mente, reflexões sobre a paixão, a moral, o conhecimento. Nesta nova edição, o pesquisador Richard Zenith estabelece nova ordem, acrescenta trechos recentemente descobertos e descarta outros que só depois da digitalização do acervo do autor puderam ser corretamente compreendidos — a caligrafia difícil dava margem a inúmeros equívocos. “O que temos aqui não é um livro, mas sua subversão e negação”, escreveu Zenith na introdução. Livro fundamental para a compreensão da extensa influência de Pessoa na criação da noção contemporânea de indivíduo, suas páginas revelam o gênio de um autor no seu auge.
O CÃO DOS BASKERVILLES (SIR ARTHUR CONAN DOYLE)
Entre as aventuras de Sherlock Holmes, poucas atingiram o nível de popularidade de O cão dos Baskervilles, várias vezes filmado. Mais que uma história de detetive, é uma profunda incursão no terror — e assim tem sido encarada pelos inúmeros leitores, que releem incansavelmente estas páginas magistralmente elaboradas. Neste romance, além da perfeita caracterização dos personagens e de sua psicologia, Sir. Arthur Conan Doyle preocupou-se em criar toda uma atmosfera de pavor e mistério. O cão gigantesco, que parece saído do próprio inferno para executar a maldição dos Baskervilles, é uma criação verdadeiramente inesquecível. Por as vez, Sherlock Holmes tem de lançar mão de toda a sua capacidade de raciocínio e dedução para encontrar a solução do enigma. A velha mansão, a paisagem lúgubre e desolada, o perigoso pântano, tudo contribui para situar o jovem herdeiro dos Baskervilles num ambiente de pesadelo. Ao apaixonar-se pela irmã do naturalista Stapleton, está ele, sem saber, envolvendo-se ainda mais numa trama sinistra. Do pântano chegam os uivos do cão, que, à noite, ronda ameaçadoramente a casa, cercado de uma luz sobrenatural. A qualquer momento, o último dos Baskervilles sucumbirá ao peso da maldição, enquanto Sherlock Holmes, que deveria salvá-lo, estranhamente não dá sinal de presença. O cão dos Baskervilles é leitura imprescindível para os iniciados no gênero.
MÚLTIPLA ESCOLA (LYA LUFT)
A vida é um cenário com um palco e com muitas portas, e diversas maneiras de encarar esse jogo: como um trajeto, um naufrágio, um poço, uma montanha. Somos, em parte, resultado das nossas próprias decisões. Em Múltipla escolha, Lya Luft pondera sobre alguns mitos enganosos da nossa cultura, que, embora criados por nós, dificultam nossa tarefa existencial. Os homens desde sempre criaram mitos para explicar o que não poderiam entender: nascimento e morte; nossos impulsos mais sombrios; o desejo de eternidade. No entanto, Lya Luft mostra que muitos desses mitos fundadores se modificaram na nossa sociedade moderna e faz neste ensaio uma profunda reflexão sobre o que ela chama de “nossos enganos”, os mitos modernos criados para abafar a angústia e disfarçar a futilidade do nosso dia a dia. Um exemplo disso é a suposta liberdade que alcançamos. Longe de uma sociedade livre, somos, nessa nossa cultura impositiva tão cheia de obrigações, prisioneiros padecendo do que a autora chama de síndrome do “ter de”. Da busca pela eterna juventude à ética na política, passando pelas transformações de família, Lya Luft mostra quanto estamos enredados em práticas opressoras e que é importante assumir as rédeas de nossa vida e o caminho da nossa sociedade e cultura.
AMOR QUE FAZ O MUNDO GIRAR (ARY QUINTELLA)
Cento e cinquenta anos se passaram desde que Anita Garibaldi se tronou heroína de dois mundos. O tempo, longe de apagar sua memória, se encarrega de engrandecê-la. Neste texto forte de Ary Quintella, a filha do tropeiro da pequena Laguna vai crescendo como se fosse uma bola de neve capaz de encher, com sua vida, uma das mais belas páginas da história. Amor e guerra ocupando o mesmo espaço e o mesmo tempo, eis a curta e eterna trajetória de Anita Garibaldi.
O VERMELHO E O NEGRO (STENDHAL)
Publicado em 1830, O Vermelho e o Negro é apontado como um dos pioneiros do realismo mundial. Nesta obra-prima, Stendhal nos apresenta Julien Sorel, um humilde carpinteiro cheio de ambições, entre as quais integrar o Exército de Napoleão. Seu sonho, no entanto, cai por terra junto com o império napoleônico. A partir daí, sua luta pela ascensão é impulsionada por um misto de engenhosidade, carisma e hipocrisia, o que de fato faz com que Sorel passe a viver com a burguesia e a aristocracia. Nesse novo mundo, sua vida se transforma em uma torrente impelida pelo amor, pela traição e pelo espírito de vingança.
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Bem, aí estão alguns dos livros a serem lidos por mim neste ano. Espero que eu tenha contribuído um pouco para o seu interesse e que eles os incentivem também à leitura. Escreva nos comentários se já leu algum deles e o que achou. Se quiser, indique outros de sua escolha e vamos ampliando essa grande paixão pelos livros e seus autores e autoras.
Só tem! Biblioterapia é uma forma de cuidar das emoções por meio das histórias literárias. Uma das maneiras de potencializar esse encontro em nós é a prática da dinamização. Um excelente recurso para isso é a escrita à mão, tamanha sua capacidade de libertação dos sentimentos. E é aí que entra a encadernação. Escolher um caderno que combine com você, que tenha a sua personalidade ajuda muito nesse processo.
Vamos explicar melhor!
Um dos componentes biblioterapêuticos existentes é a catarse. Trata-se de uma reação inconsciente do indivíduo considerada uma espécie de limpeza profunda seguida de um estado de leveza que gera um sentimento de alívio.
É possível alcançar esse estado de catarse ao entrarmos em contato com uma poesia, um conto, uma crônica. É por esse motivo, inclusive, que muitas histórias nos fazem chorar, rir e, a partir delas, nos identificamos com personagens, sensações e situações vividas.
Mas não fica por aí…
Para tudo isso acontecer de forma ainda mais profunda, é salutar exteriorizar essas percepções. É onde a escrita exerce profundamente o seu papel transformador, porque, além de movimentar áreas do cérebro e estimular a criatividade, escrever à mão é também uma forma de demonstrar carinho e guardar lembranças. Essa prática tem muito a dizer sobre o que somos e como enxergamos o mundo, a partir do momento que a nossa caligrafia reflete não apenas a nossa personalidade, como nossa trajetória e até mesmo aquilo que sentimos.
Dito isso, você bem pode escrever em qualquer lugar, até mesmo em guardanapos… Mas eu garanto que a experiência será completamente outra se você escrever em um caderno especialmente reservado para isso. Duvida? Experimente beber o melhor dos vinhos em um copo de plástico… É exatamente essa a correlação.
Se essa sintonia entre o escrever à mão e o caderno se faz presente, imagina escrever em um caderno feito por você! Na nossa vivência de Biblioterapia e Arte, na Tenda Literária, na Árvore das Letras, você pode confeccionar o seu próprio, dando ainda mais sentido a sua escrita. Separar os papéis, as cores das linhas para combinar, furar, costurar e decorar torna-se um complemento das descobertas vividas nas histórias lidas e nos momentos de fala e escuta afetuosa.
Neste mês de fevereiro estaremos a promover mais um encontro presencial de Biblioterapia e Arte, onde associaremos a leitura, a importância da palavra e do que verbalizamos, a escrita e a confecção de um caderno artesanal onde você poderá expressar toda a sua individualidade e compartilhar esse momento com outras pessoas.
Caso você não more em Padre Paraíso, mas gostaria de apoiar o projeto Biblioterapia e Arte na Tenda, entre em contato.
Você também pode clicar AQUI e ter mais informações.
Imagine um lugar onde as suas ideias e pensamentos são respeitados…
Um lugar acolhedor onde as palavras são ouvidas com carinho sem qualquer tipo de preconceito…
Onde é possível falar de sonhos, desejos, alegrias, mas também de dores e se sentir abraçado e compreendido…
Um lugar, enfim, onde é permitido se emocionar pelo simples fato de expressar sentimentos, não apenas verbalmente, mas artisticamente, com confiança e segurança…
A Árvore das Letras, por meio de sua Tenda Literária, na cidade de Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, se transformou nesse lugar. Realizamos um encontro de pessoas onde, por 4 horas, vivenciamos a Biblioterapia e Arte na prática. Este mês de janeiro de 2025 realizamos o primeiro de uma série de 6 eventos presenciais.
Falaremos sobre isso mais adiante, inclusive em como você pode participar e ser um apoiador dessa ideia e iniciativa. Mas antes, você sabe o que é Biblioterapia?
Segundo a professora e especialista Clarice Fortkamp Caldin, Biblioterapia é o cuidado com o desenvolvimento do ser humano por meio das histórias literárias, sejam elas lidas, narradas ou dramatizadas. Isso quer dizer que Biblioterapia é uma forma diferente de lidar com a literatura ao ampliar muito o seu olhar para além da intelectualidade e do didatismo. O foco aqui é o cuidado consigo e com o outro.
Segundo Clarice, BIBLIO não diz respeito ao livro em si, mas ao conteúdo ficcional que ele representa como se fosse a “capsula” que contém o “medicamento”, ou seja, as histórias, cujos princípios ativos são as metáforas que nos levam à reflexão. Lindo, não é? E TERAPIA? Ah, essa quer dizer o cuidado com o outro, ou “a arte de cuidar do ser”.
É importante dizer uma coisa: existem algumas formas de abordagem biblioterapêutica, mas duas delas se evidenciam, uma clínica e outra chamada de desenvolvimento ou educacional. A Biblioterapia clínica é uma ciência que auxilia a medicina psicoterápica. Portanto, seu agente é um profissional de saúde, como um psicólogo, que após diagnósticos clínicos e específicos individualizados indica leituras como tratamento.
Não é esse o trabalho que realizamos na Árvore das Letras. Nós atuamos na Biblioterapia de desenvolvimento, ou seja, a Biblioterapia de grupo, na qual a literatura é vista como progressão humana a partir do momento onde é possível viver e contemplar, através das histórias e personagens variadas, a plenitude da sua condição. Um lugar onde é possível transformar-se integralmente no outro a partir das personagens fictícias ao vivenciar outros papéis e se identificar com situações a refletirem as suas próprias experiências e examinar os seus pensamentos e atitudes, o que auxilia no processo de autodescoberta.
Mas como isso é possível na prática?
Bem, primeiro é preciso enxergar como a arte se relaciona no meio de tudo isso. Apesar da Biblioterapia se servir predominantemente da literatura para se manifestar, há nela a correlação de outras artes, como a pintura, a música, a dança, a colagem, entre outras, mostrando que há entre todas essas expressões pontos intrínsecos e comuns em um mesmo espaço de manifestação.
Basta levarmos em conta que em cada conto lido, em cada poesia apreciada, seja pela leitura ou audição, em cada crônica ou lenda descoberta, há uma imagem que a traduz e uma musicalidade que melhor a representa.
Dito isso, é exatamente aqui que o nosso processo de Biblioterapia atua, com o objetivo de proporcionar aos participantes o contato com a literatura, retirando dela componentes que, a partir da inserção de outras artes, permite trabalhar as emoções, ativar a imaginação ou fazer uma reflexão.
Novamente citamos Clarice Caldin: “Uma história lida, contada ou dramatizada, deve, antes de tudo, ter uma boa composição dos fatos, isto é, um enredo que propicie o despertar e o apaziguamento das emoções. Para isso, é necessário escolher textos de qualidade estética, em que predomine o literário e não apareça o didático”.
Dito isso, passamos a relatar de forma objetiva como é uma prática de Biblioterapia e Arte, como a ocorrida na Árvore das Letras neste início de 2025, onde trabalhamos com a temática “Sonhos e objetivos: qual o nosso lugar no mundo?”
A CHEGADA
A Biblioterapia já inicia na recepção com um acolhimento afetuoso e um olhar carinhoso. Busca-se envolver os participantes a compreenderem esse lugar de cuidado, onde todos se encontram no mesmo grau de atenção. Na Biblioterapia não existe obrigatoriedades ou preferências, preconceitos ou julgamentos. Para isso iniciamos de forma a proporcionar fluidez, relaxamento e familiaridade nas apresentações.
A HISTÓRIA COM POTENCIAL TERAPÊUTICO
A partir de uma temática proposta e do exercício da escuta, os textos são escolhidos buscando sempre a presença da metáfora e da linguagem simbólica. A partir da leitura, busca-se elaborar perguntas para estimular a discussão e provocar a interação do grupo. Utilizamos muito em nossa abordagem, mesmo com adultos, textos da literatura infantil repletos de significados.
O EXERCÍCIO DA ESCUTA
Busca-se nesse momento escutar não apenas com os ouvidos, mas com o coração, sem exercer nenhum tipo de poder ou verdade. O que interessa não é nunca o que o autor quis dizer ou a visão dos facilitadores, mas o que cada um sentiu ao ler ou ouvir a história apresentada, sem se sentir ameaçado por qualquer natureza, fortalecendo os sentimentos, histórias pessoais e memórias que foram despertadas.
A DINAMIZAÇÃO
A dinamização acontece na medida em que se utilizam atividades que vão potencializar o efeito terapêutico do texto e favorecer a interação das experiências compartilhadas. A partir da temática do encontro, são pensadas atividades lúdicas ou outro tipo de intervenção que possa ser feita de forma criativa. Para a nossa abordagem sobre sonhos e objetivos de vida trabalhamos com a pintura orgânica em cerâmica.
FECHAMENTO
Após a conclusão das atividades e de uma breve roda de comentários, é interessante que o participante possa levar uma lembrança do encontro, algo produzido por ele mesmo, a fim de reforçar a sua experiência e fortalecer positivamente as suas emoções e sentimentos.
E AGORA?
Agora é prepararmos para os próximos encontros. Uma vez a cada mês, a Árvore das Letras irá proporcionar uma tarde como essa, onde será possível abordarmos diferentes assuntos sempre com uma história a ser lida ou contada e uma expressão de arte confeccionada.
Veja na sequência os dias, meses e temas a serem trabalhados sempre de 14h às 18h.
15 de fevereiro: O poder da palavra e do que verbalizamos;
22 de março: Lembranças e memórias;
26 de abril: mudança e transformação;
17 de maio: crença e autoconfiança;
14 de junho: desapego.
Você pode participar. É só entrar em contato conosco pelo email arvoredasletras@hotmail.com ou pelos números de WhatsApp (33)984627055 / (33)98404-2243 e saber das condições.
É de outra cidade e quer levar a Tenda Literária da Árvore das Letras e essa abordagem para o seu evento, escola ou ação? Entre em contato! Teremos muito prazer em conversar sobre isso.
SEJA UM APOIADOR / APOIADORA
Deixamos para o final uma parte muito importante. Você, seja uma empresa ou mesmo pessoa física de qualquer cidade ou estado, pode ajudar ao aderir uma das nossas cotas de patrocínio. Existe um valor individual para que o trabalho possa acontecer. Sempre disponibilizamos algumas vagas destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social ou que não possuem no momento condições de arcar com os custos da Vivência. Isso porque acreditamos no poder transformador da arte, da palavra e da literatura e temos o desejo de beneficiar o maior número possível de pessoas. Nem sempre é possível atender a todas que gostaríamos e é aí que você entra.
Você pode apadrinhar uma ou mais pessoas de acordo com as vagas disponíveis, seja uma criança, jovem ou adulto. O seu investimento proporcionará a pessoa ter a oportunidade de ser inserida nesse trabalho e se beneficiar de um momento de desenvolvimento pessoal e social.
Aproveitamos para agradecer ao Supermercado Caires Martins, à Farmácia Central e a Mundial Preço Fácil, ambas na cidade de Padre Paraíso, que contribuíram para que alguns jovens pudessem participar do primeiro encontro de 2025 e também dos próximos.
Ficou interessado? Deseja contribuir? Entre em contato que passaremos para você o nosso plano de marketing com todas as cotas e benefícios de patrocínio.
Finalizamos com as palavras de PETIT, 2013, p.47:
“A leitura às vezes faz surgir palavras no leitor, fecunda-o. Nesse diálogo, ele ou ela pode começar a dizer “eu”, a formular um pouco suas próprias palavras, seu próprio texto, entre as linhas lidas”.
Essa é uma pergunta recorrente hoje em dia. Como não estou sozinho nesse ofício — muito antes pelo contrário e ainda bem, tamanha a quantidade de pessoas boas a compartilhar dessa paixão — fui atrás de alguns dados que pudessem sustentar a importância desse trabalho e responder a essa pergunta.
Todos os seres vivos se comunicam de alguma forma, mas somente os seres humanos possuem o que chamamos linguagem, podendo essa chegar há mais de 50.000 anos. O que iniciou com uma linguagem gestual, evoluiu para a fala e depois para a escrita.
Mas você sabia que a atual geração está lentamente perdendo essa capacidade?
Está certo, tudo evolui! Hoje existem automóveis e não mais carros puxados a cavalo; não é mais preciso acender lampiões, basta acionar o interruptor de luz, ou mesmo a Alexa. A tecnologia está aí para melhorar tudo, não é isso?
Então… Precisamos conversar!
Com a era digital, a maioria das pessoas, principalmente os jovens, está perdendo o conhecimento de regras básicas de escrita. O problema não seria tão sério se esses conhecimentos, cada vez mais atrofiados, segundo estudos da Universidade de Stavanger, na Noruega, apontar que 40% vêm perdendo a fluência na caligrafia.
Só isso?!
Não! Além da caligrafia ilegível, do desconforto físico cada vez maior em escrever à mão, as pessoas estão possuindo pouca familiaridade para elaborar ideias mais complexas em textos e sequer conseguem construir frases coerentes e parágrafos significativos.
Ah, então você está a dizer que devemos abandonar a tecnologia e voltarmos aos tempos das pinturas rupestres?
É claro que não! A tecnologia é algo presente e é benéfica nas nossas vidas, veio para ficar e somente um louco a ignorá-la. Inclusive, ela é de muito auxílio a pessoas com algum tipo de limitação motora nesse campo mesmo da própria escrita e em outras atividades. O problema é quando fazemos uso abusivo dela sem necessidade justificável, tornando-a o único caminho e privando-nos de nós mesmos. Não é por acaso que especialistas (nem precisava ser) defendem e essencialidade de reservar um tempo para a prática da escrita à mão sempre que possível, alternando-a com a digital. Essa simples atitude pode nos salvar da extinção motivada pela preguiça cada vez maior de simplesmente “pensar”.
“Pensar para quê se a IA faz isso para nós”?
Bem, a Inteligência Artificial até pode resolver também esse problema cognitivo, mas a custo de ver perder algo que nos acompanha há milhares de anos: a nossa própria capacidade humana de criar, de nos comunicarmos e existirmos. É isso que queremos?
Deixo aqui essa pergunta, mas quero dizer o seguinte: sou um defensor da tecnologia. A utilizo, e muito, em meus trabalhos, inclusive na encadernação. Onde vocês acham que faço os meus projetos, desenhos de cadernos e livros? Estamos aqui neste blog, não estamos? Também possuo redes sociais…
Apenas defendo a possibilidade de caminharmos de mãos dadas com todos os recursos tecnológicos, sem perder a nossa condição de ser gente, a nossa habilidade de pensar, de sentir, por nós mesmos, o mundo maravilhoso que nos cerca.
E como é bom registrá-lo não apenas em selfie… Podemos fazer isso em algo saído de nós, com a nossa individualidade e personalidade. E isso a escrita à mão nos proporciona. Duvida? Experimente!
Não por acaso coloquei na ilustração desse texto imagens dos nossos cadernos costura Copta com diferentes revestimentos e estampas. Lindos, duráveis, resistentes e perfeitos para as suas criações, além de ajudarem a resolver esse sério problema.
Caso queira aprimorar a experiência da escrita à mão e ter um dos nossos cadernos, é só entrar em contato com a gente. Podemos ajudar.
Sabe de uma coisa? Decididamente eu não queria ser você! Puxa, como deve ser difícil carregar o mundo nas costas! Bilhões e bilhões de pessoas em todos os cantos e recantos do nosso globo terrestre depositam na sua conta todas as suas esperanças, pedidos de sucesso, alegria, paz, luz, muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender. Se bem que as coisas estão tão esquisitas ultimamente com tanta correria, stress, comidas enlatadas, refrigerantes e excessos de todos os tipos que fazer uma reservinha de saúde não faz mal para ninguém…
De toda forma, você é muito incompreendido. Se as pessoas estão sem tempo, te culpam por passar rápido demais; se estão deprimidas ou passando por algum mau momento, te responsabilizam pela lentidão dos seus dias. Haja paciência! Para uns você é maravilhoso, para outros você é só o pó da rabiola… (ainda vou verificar a origem desse termo).
Sabe, 2025, eu fico aqui a pensar como você é paciente. Eu não aguentaria um terço do que você aguenta. Credo, como as pessoas são inconstantes! Inconstantes e contraditórias, para não dizer ingratas. É isso mesmo! Veja: no último dia do ano velho, as pessoas já te saúdam, se vestem para te esperar, a maioria de branco, soltam fogos (infelizmente para os cachorros), bebem, comem, cantam e dançam tudo para você. Mas, 2025… Desculpe a sinceridade, mas como diz Fernando Pessoa, “tudo isso é falso, tudo isso não quer dizer nada”! Tão logo os seus dias passam e, sem que se perceba, é você a ser ignorado. E aí não tem jeito. Todo aquele glamour, todas as taças, todos os brindes já era. E você, 2025, como vai ficar? Você que recebeu todos os pedidos, todas as promessas, todas as flores, até ondas pularam em seu nome… Pois é, vai ser chamado de ano velho, vai caducar e ficar na história.
Sabe o que é pior disso tudo? É o fato das pessoas depositarem em você a responsabilidade que são delas. Veja bem, muita gente não planeja os seus dias, as coisas se acumulam e a culpa é sua. Essa mesma gente faz mais promessas do que podem cumprir nas intermináveis listas de “ano novo”, você, 2025! Daí, lógico, não cumprem e quem é o culpado? Você de novo… Quem mandou ser tão curto? Outros até não fazem listas, pedem pouca coisa, querem ser objetivos, mas vivem numa procrastinação medonha e quando finalmente resolvem cumprir as promessas já não têm mais tempo. Quem é o culpado? Você, lógico! Sempre você.
É, 2025, eu realmente não queria estar no seu lugar. Oh, e agora? Quem poderá te defender??
Eu!
Ahá!! Pensei tanto no seu problema, que eu criei o Caderno de planejamento semanal, uma forma de ajudá-lo a ajudar as pessoas a se organizarem. É preciso fazer uma revolução! Abaixo o comodismo! As injúrias contra o ano, os xingamentos, as decepções criadas pelas próprias pessoas ao não gerirem bem o seu tempo! Iurru!!
Veja, 2025, a minha criação e a maneira que irei me dirigir às pessoas.
Vou dizer assim:
2025 já iniciou e junto dele uma jornada de boas ideias, projetos, eventos, encontros nos esperam. Para que tudo isso possa acontecer de forma prazerosa e satisfatória é preciso planejar, organizar os momentos com criatividade e clareza.
É por isso que gostamos tanto nessa época de oferecer o Caderno de planejamento semanal, que esse ano ganha opções de cores para a vida ficar mais alegre.
Olha só os benefícios que encontrará!
– Eficiência: economize tempo organizando sua semana de forma simplificada, clara e objetiva em páginas minimalistas e intuitivas.
– Criatividade: libere seu potencial criativo ao decorar sua própria capa que, dessa vez, deixamos em branco, apenas com uma tarja fantasia, para você, se quiser, fazer do seu caderno algo realmente só seu. Além disso, você pode utilizar as páginas em branco (Sim, também tem!) para registrar impressões, sentimentos, receitas, fazer colagens, desenhos e tudo que desejar.
– Leitura: o caderno possui um calendário do leitor para você marcar os dias que você ler e fazer dessa prática um hábito em 2025.
Os cadernos são feitos sob demanda e enviados para o seu endereço com frete grátis! Faça o seu pedido o quanto antes para aproveitar ao máximo o que ele pode oferecer.
O que você achou, 2025? Está persuasivo? Acha que as pessoas irão gostar? Eu espero que sim. Tanto porque, se elas gostarem e comprarem o caderno, vai aliviar muito o seu lado e eu vou até ganhar dinheiro, o que me fará um bem danado. Se bem que “ganhar” e um modo de falar. Na verdade dá um trabalho e tanto fazer os cadernos e o que acontece no frigir dos ovos (mais um termo a pesquisar) nada mais é que a lei do retorno. Mas, 2025, eu vou te contar um segredinho… Eu gosto “pra caramba” de fazer os cadernos. Enquanto corto, dobro, furo e costuro, fico a pensar em quantos sonhos, desejos, esperanças serão depositadas ali naquelas folhas que passam pelas minhas mãos. Daí sou eu que deposito votos de sucesso e alegria para quem os tiver.
E assim os seus dias vão passar e todos ficarão felizes.
Você só está no começo, mas já quero te agradecer por ser maravilhoso! Desculpe a sinceridade das palavras, tá? Mas a vida é assim.
Fico por aqui. Feliz ano novo, 2025!
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E aí, gostou do que leu? Então, que tal ajudar 2025 a ser um ano incrível e pedir o seu caderno de planejamento semanal? Ok… Vai ajudar a mim também, claro! Mas eu prometo uma coisa: vou fazer o seu caderno com muito carinho e ele também vai te ajudar bastante e, assim, será bom pra todo mundo. É só entrar em contato comigo aqui mesmo por esse blog ou pelo WhatsApp 33 98462-7055 que eu te digo quanto é e como podemos fazer, está bem?