AS CATACUMBAS DO MIADO

Por Ricardo Albino

Será que a Carolina ama gatos porque eles têm sete vidas pra recomeçar?

Por falar nelas, certa noite a moça encontrou um casal, ainda filhotes bem no lugar onde, teoricamente, vida não tem mais: O cemitério!

Fiquei eu daqui a pensar o que os felinos de bigode foram fazer lá… Será que marcaram um encontro secreto para espiar a lua sem ninguém vê? Será que foram visitar algum amigo que partiu para as Catacumbas do Miado? Se for esse o motivo, será que o possível defunto já gastou as sete vidas? Foi morte matada ou morrida?

Então é bem provável que os amigos do morto foram enganar a Dona Morte e ressuscitar o parça que até o momento, não sabemos se era gato Persa.

Como era o nome do felino que partiu daqui para a terra dos pés juntos? Seria Gasparzinho? Talvez seja exatamente por isso que os outros chegaram tão depressa. Devem se chamar Fantasminha e Camarada. Quem sabe um deles seja Zumbi, o miador da meia noite? 

Mas, e a Carol, o que fazia ali naquela hora? No interior, quando morre alguém é costume se despedir bebendo o morto. Sendo assim, Carolina deve ter ido levar leite no pratinho para Fantasminha e Camarada darem um tchau para o amigo.

Aproveitando o passeio inusitado para que os dois gatinhos não ficassem com fama de meliantes na redondeza, Carol levou suas novas crianças de patas para casa e deu os nomes de Pastel para o amarelo e Sushi para o preto e branco.

É por essas e outras que, reza a lenda, o pastel de feira mais gostoso é feito com carne de gato. Eu continuo comendo, até que a morte nos separe!

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Sou Ricardo Flávio Mendlovitz Albino. No mundo da contação de história todos me conhecem por Ricardo Albino. Tenho 47 anos, nascido e criado em Belo Horizonte, jornalista formado em 2006, pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI BH, contador de histórias formado pelo Instituto Cultural Aletria, em 2015, criador da página Ricontar Histórias, em 2017, e do canal de mesmo nome no You Tube, em 2021. Cadeirante, idealizei no canal o podcast Ricontar para unir histórias, meu amor pelo rádio, acessibilidade e inclusão.


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