Será que a Carolina ama gatos porque eles têm sete vidas pra recomeçar?
Por falar nelas, certa noite a moça encontrou um casal, ainda filhotes bem no lugar onde, teoricamente, vida não tem mais: O cemitério!
Fiquei eu daqui a pensar o que os felinos de bigode foram fazer lá… Será que marcaram um encontro secreto para espiar a lua sem ninguém vê? Será que foram visitar algum amigo que partiu para as Catacumbas do Miado? Se for esse o motivo, será que o possível defunto já gastou as sete vidas? Foi morte matada ou morrida?
Então é bem provável que os amigos do morto foram enganar a Dona Morte e ressuscitar o parça que até o momento, não sabemos se era gato Persa.
Como era o nome do felino que partiu daqui para a terra dos pés juntos? Seria Gasparzinho? Talvez seja exatamente por isso que os outros chegaram tão depressa. Devem se chamar Fantasminha e Camarada. Quem sabe um deles seja Zumbi, o miador da meia noite?
Mas, e a Carol, o que fazia ali naquela hora? No interior, quando morre alguém é costume se despedir bebendo o morto. Sendo assim, Carolina deve ter ido levar leite no pratinho para Fantasminha e Camarada darem um tchau para o amigo.
Aproveitando o passeio inusitado para que os dois gatinhos não ficassem com fama de meliantes na redondeza, Carol levou suas novas crianças de patas para casa e deu os nomes de Pastel para o amarelo e Sushi para o preto e branco.
É por essas e outras que, reza a lenda, o pastel de feira mais gostoso é feito com carne de gato. Eu continuo comendo, até que a morte nos separe!
_______________________
Sou Ricardo Flávio Mendlovitz Albino. No mundo da contação de história todos me conhecem por Ricardo Albino. Tenho 47 anos, nascido e criado em Belo Horizonte, jornalista formado em 2006, pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI BH, contador de histórias formado pelo Instituto Cultural Aletria, em 2015, criador da página Ricontar Histórias, em 2017, e do canal de mesmo nome no You Tube, em 2021. Cadeirante, idealizei no canal o podcast Ricontar para unir histórias, meu amor pelo rádio, acessibilidade e inclusão.
Descubra mais sobre Por uma literatura de identidade própria - Escrever é costurar ideias com as mãos
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
Sempre gostei de histórias. Os primeiros livros que li foram os clássicos “Cinderela” e o “Caso da Borboleta Atíria”, da antiga coleção vaga-lume. Hoje as coleções são mais modernas, melhoradas... Mas aqueles livros transformaram a minha vida. Lia-os de cima de um pé de ameixa, na casa de minha avó, e lá passava a maior parte do meu tempo sempre na companhia de outros livros que, com o tempo, foram ficando mais “robustos”. A partir de José Lins do Rego e seu “Menino de Engenho” fui descobrindo Graciliano Ramos, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Henriqueta Lisboa, Fernando Sabino, Murilo Rubião... Ainda hoje continuo descobrindo escritores, muitos se tornando amigos, outros pelas páginas de seus livros, como Mia Couto, Ondjaki, Agualusa. Porém, já naquela época sabia o que queria ser. Não tinha uma formulação clara, mas sabia que queria fazer parte do mundo das histórias, dos poemas, dos romances e das crônicas, pois aquilo tudo me encantava, me tirava o chão, fazia a minha imaginação voar. Hoje sou um homem feliz; casado, eterno apaixonado e pai da Yasmin. As duas, ela e a mãe, minhas melhores histórias... Mas também sou formado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC/MG, com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, sou Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG, título que muito me responsabiliza e sou um homem das palavras. Mas essas palavras tiveram um começo... O meu encanto por elas fez com que eu começasse a escrever, inicialmente para mim mesmo, mas o tempo foi passando e pessoas começaram a ler o que eu produzia. Até que a revista AMAE EDUCANDO me encomendou um conto infanto-juvenil, e tal foi minha surpresa que o conto agradou! Foi publicado e correu o Brasil, como outros que vieram depois deste. Mais contos vieram e outros textos, como uma peça de teatro encenada no SESC/MG, poemas, artigos até que finalizei meu primeiro romance - Janelas da Alma - em fase de edição e encontrei uma grande paixão: os Haicais! Embora venho colecionando "histórias", como todo homem que caminha por esta vida, prefiro deixar que as palavras falem por mim, pois escrever para mim é mais do que um ofício que nos mantém no mundo. Escrever me coloca além dele... E é por isso que a minha vida, como a de um livro, vai se escrevendo – páginas ao vento, palavras ao ar.
Ver todos os posts de leandrobertoldo