Por Pierre André
Hoje eu acordei era cedo
Com alguém cantando lá fora.
Mas quem poderia ser
Justamente àquela hora?
Fui olhar pela janela
Com uma preguiça danada.
Tinha que saber quem era.
Não me custava nada.
De repente, o canto parou.
Então fiquei ali quietinho.
Mas não demorou muito
Começou de novo, baixinho.
Depois foi aumentando.
Eu não estava entendendo.
E minha curiosidade, ai, ai, ai…
Começou e foi crescendo.
Tive então que me decidir
E resolvi me levantar.
Estava ainda sonolento.
Fui andando devagar.
Aquele cantado não parava,
Mas como era desafinado
Pensei em voltar pra cama
Deixando aquele canto de lado.
Voltei pra cama pensando:
Deito lá e me esqueço…
Mas de quem seria a voz?
Deve ser de quem conheço.
Mas por que não chama?
Fica lá fora só cantando!
Então levantei e fui decidido.
Mas fui devagar, andando.
E o danado daquele canto
Continuou foi cantando.
E a minha curiosidade
Ia só é aumentando.
Abri então a janela…
Aquela voz engraçada.
Meu Deus, que surpresa!
Era dela, da Emengarda.
Disparado, batia acelerado
Dentro do peito, meu coração.
E ainda estava ao seu lado
Seu marido, o Sebastião.
Emengarda, acreditem!
Vestia sete saias de filó…
Quem acreditou, acreditou,
Mas ela vestia era uma só.
E no dedo de uma patinha,
Desta vez pode acreditar!
Tinha um lindo e belo anel,
Aquele que recebeu no altar.
Os sapatos, a saia encobria.
Não deu para eu reparar.
Desses então, lamento,
Mas não posso comentar.
Vocês devem querer saber
Da cama dela e de Sebastião.
Eu também estou curioso.
Será que é de marfim, ou não?
Tinha um carrinho ali ao lado…
– Que carrinho é esse, hein?…
Perguntei pra Emengarda.
– Ora, é o carrinho do nosso neném.
Ao ver no carrinho uma baratinha,
Meu Deus… Que coisa mais linda!
– Emengarda, qual é o nome dela? Perguntei.
– Ela se chama Emerlinda!
E viemos lhe trazer um convite
Com todo amor e carinho.
Quer ser de Emerlinda,
Como já é nosso, padrinho?
Fiquei até sem palavras
Naquele lindo momento.
Se tiver mais surpresas
Sinceramente, não aguento.
Contar pra vocês essa história
Foi tanta emoção que nem acreditei.
Mas que virei padrinho
De uma baratinha, isso eu virei.
E a partir daquele dia
Emengarda, Sebastião,
Emerlinda e o padrinho “babão”
Continuaram muito felizes.
É verdade, não é mentira não.
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Pierre André e seu suposto texto de apresentação…
Vê se pode… O menino queria fazer de conta que o faz-de-conta se desfez. Vou deixar não… Pensei. E tentei desfazer essa ideia maluca dele. Ainda bem que dei conta. Agora faz de conta que eu num dô conta… Não teria escrito esses escritos para vocês. Quero falar de mim não. Meus textos já falam…
Descubra mais sobre Por uma literatura de identidade própria - Escrever é costurar ideias com as mãos
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