LIBERDADE SEM MEDO DE EXISTIR

Por Leandro Bertoldo Silva

Em conversa com um casal amigo meu, falávamos sobre o quanto neste mundo atual perdemos a nossa capacidade de escolha. Se observarmos todo um contexto de vida, ou seja, tudo ao nosso redor, enxergaremos uma padronização massificada e profundamente incômoda para quem cresceu na diversidade.

Sou do tempo onde até os carros eram coloridos e tinham cada qual a sua originalidade pelo formato e desenho próprios, bem diferentes das caixas quadradas ou abaloadas monocromáticas de hoje.

Fala-se tanto em pluralidade e estamos cada vez mais imersos no indivisível, na obrigatoriedade de ser igual. Há coisas e situações que a igualdade é necessária, é um direito e um dever, mas eu me refiro à liberdade de se sentir diferente, de poder, como eu disse, escolher o próprio caminho como quem escolhe a própria roupa, a própria comida, a próxima leitura. Mas sabe de uma coisa? A situação é muito mais séria quando pensamos que nem roupa, nem comida e nem leitura podemos escolher hoje em dia; o mercado, a economia e o sistema comportamental escolhem por nós. Nós até escolhemos, mas apenas o que é permitido, ou seja, é tudo ilusório.

Sair desse lugar é tarefa árdua, é viver na corda bamba da resistência. É preciso muita disciplina e força de vontade para estar em um meio sem ser afetado por ele. Sinceramente, acho quase impossível.

Um dos exemplos disso são as redes sociais.

Por muito tempo acreditei que precisava habitar o lugar das redes para existir na memória das pessoas, mas, pouco a pouco, fui percebendo que a minha própria memória pedia descanso. A constância delas me cobrava uma escrita que não era minha, um ritmo que não era meu e me afastava do que eu realmente queria oferecer.

Então decidi buscar outras maneiras. Maneiras mais profundas, mais lentas, mais alinhadas com o que pulsa em mim. Espaços como esse, onde a escuta é mais ampla e a presença não precisa ser performada, apenas escrita e vivida. Para mim, é bom pensar, mesmo que seja utópico, mas é a “minha” utopia, que não estar nas redes da forma que elas querem não significa ausência, significa presença escolhida, aquela que nasce do silêncio, da intenção e do cuidado com o que venho construindo com as mãos e com a palavra.

Mas não quero desviar o foco apenas nisso. Como eu disse, as redes sociais são só um exemplo, embora dominador ao extremo. Existem outras curvas nessa estrada.

Prefiro seguir inteiro a partilhar ideias, acolher conversas e oferecer o meu trabalho, porém em lugares onde o tempo corre em outra direção, onde a relevância não depende de métricas, mas de encontros verdadeiros e os textos vão muito além de legendas.

Por isso estou aqui, desejoso de uma comunicação mais honesta e direta, de uma forma que não desagasta, mas nutre, em busca de abrigo a me recolher mais profundamente.

Essa é a minha escolha.

Qual é a sua?

_______________________

Leandro Bertoldo Silva é o criador deste blog. Formado em Letras, pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MG e membro titular da Academia de Letras de Teófilo Otoni. Escritor independente, Leandro é artesão de palavras e criador de livros feitos à mão. Sua obra transita entre a literatura e a arte manual, explorando uma nova forma de escrever, produzir e compartilhar histórias, onde cada livro é único, feito com tempo, valorizando a experiência e afetividade da leitura.


Descubra mais sobre Por uma literatura de identidade própria - Escrever é costurar ideias com as mãos

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário