• Por Leandro Bertoldo Silva

    “Você já foi à Bahia, nêga? Não? Então vá!”

    Assim perguntou Dorival Caymmi, inspirando, posteriormente, Lenine em sua emblemática canção Lá e Cá. E é parafraseando esses dois ícones da música popular brasileira que eu inicio este artigo-entrevista, perguntando:

    Você conhece Elisa Augusta de Andrade Farina? Não? Então conheça…

    Elisa Augusta… A menina da Fazenda Tabatinga, em Teófilo Otoni, Minas Gerais, que aprendeu a magia de juntar palavras e sonhava em ser ouvida…

    A mulher que tem na escrita o seu oxigênio e alimento…

    A escritora que aprendeu com Clarice, Cecília, Adélia, Rachel, a essência de ser mulher das letras e dar voz à luta compartilhada e nunca dissociada de gêneros…

    A menina, mulher, escritora que é hoje a Presidente da Academia de Letras da cidade onde nasceu, mostrando que os sonhos é o caminho da construção…

    Foi sobre essas vertentes e verdades, entre poesias e memórias, lembranças e sonhos – sempre filtrados por um profundo senso de carinho nas palavras e no trato com elas – que Elisa Augusta de Andrade Farina nos falou nesta entrevista à Árvore das Letras.

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    Árvore das Letras:   Quem é Elisa Augusta de Andrade Farina?

    Elisa Augusta de Andrade Farina:   Nasci em Teófilo Otoni. Sou a quarta filha de dez irmãos. Tive uma infância feliz e cheia de peripécias, a maior parte dela vivida no campo, entre brincadeira e muito exemplo de trabalho e disciplina. Até os sete anos, morei na Fazenda Tabatinga, lá pras bandas de Valão. Depois mudei para Teófilo Otoni onde fui alfabetizada aos 8 anos no Grupo Escolar Teófilo Otoni. Sempre estudei em escola pública, do ginásio ao clássico, no Colégio Estadual Alfredo Sá. Prestei vestibular na UFMG, graduando-me em Filosofia. Morei em Belo Horizonte até 1999, retornando a Teófilo Otoni até os dias de hoje.

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    AL:   Você sempre teve inclinação para a escrita? Fale um pouco da sua trajetória até chegar à presidência da Academia de Letras de Teófilo Otoni.

    EAAF:   A maior conquista da minha vida foi quando consegui juntar sílabas e formar palavras. Foi mágico e essa magia se arrasta até hoje. Sinto um prazer incrível em produzir conhecimento, seja através dos meus escritos ou histórias que eu conto. A minha trajetória cultural não foi fácil… Tudo que conquistei foi com muito empenho e esforço. Sempre acreditei que um dia eu seria ouvida, que as minhas ideologias seriam respeitadas e serviriam de influência para aqueles que gostam das palavras. Ser membra da Academia de Letras de Teófilo Otoni foi a realização de um sonho que sempre acalentei, e acreditava bem distante da minha realidade. Quando surgiu a oportunidade de criar uma Academia de Letras, trabalhei arduamente, juntamente com alguns companheiros de sonho para a sua concretização. Sou membra fundadora da ALTO. O amor, compromisso e dedicação foram as molas propulsoras para a minha conquista à presidência dessa ilibada Instituição Cultural. Como bem disse Clarice Lispector: “Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outras pessoas. E outras coisas.”

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    AL:   Para você, qual a responsabilidade do escritor diante da realidade presente do país? O que a preocupa?

    EAAF:   Como disse anteriormente, nós escritores fomentamos ideologias, que podem ser acatadas ou refutadas de acordo com o interesse daqueles que estão sendo formados. O Brasil de hoje é muito complicado de se analisar sobre o ponto de vista do conhecimento ideológico, social e político. O nosso papel como formadores de opinião é de suma importância. Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos. Temos que ter a consciência de que não podemos perder o foco dos valores que servem para humanizar uma sociedade narcísica e consumista.

    AL:   Essa atitude de falar sobre questões do seu tempo, remonta ao Romantismo. Castro Alves fazia isso ao proclamar a respeito da liberdade dos escravos, o que demonstra uma participação social muito grande do escritor. Você acha que o escritor de hoje está omisso?

    EAAF:   O tempo vivenciado acarreta consigo implicações na vida intelectual de um povo. A vida transforma as palavras e as palavras transformam o mundo. E no centro dessas transformações estão os escritores, esses artífices da linguagem que, em acaloradas discussões, descobrem identidades e diferenças, unem-se em grupos e criam então os chamados movimentos literários. Dessa forma, sempre estão atuando, não importa se no passado ou na atualidade sempre encontram uma maneira de se expressarem disseminando, assim, as mais diversas formas de expressão e ações conscientes.

    AL:   Historicamente, o número de escritores sempre foi maior do que o número de escritoras, embora todas as pesquisas mostram que o número de leitoras é muito maior que o número de leitores. Como você enxerga a linguagem feminina na literatura brasileira hoje?

    EAAF:   Em uma sociedade machista, a mulher sempre terá que lutar para conseguir alcançar a sua meta, não importando em que área atue. Na literatura não foi diferente. Somente no século XX que o povo viu surgir as grandes escritoras. Graças a elas, muitas mulheres hoje podem escrever seus veros, seus sonhos e seus livros sem serem julgadas injustamente. As estatísticas comprovam que existem mais leitoras que leitores e a única explicação plausível é o fato de a mulher estar mais propensa a mudar seu estilo de vida e estar mais aberta para ideias novas.

    AL:   No seu livro ANTES DE TUDO, MULHER, você diz que “ser mulher é, antes de tudo, uma visão que envolve todas numa luta tão própria do sexo feminino”. Que luta é essa? É possível mensurá-la?

    EAAF:   Esse livro nasceu da minha experiência ideológica de enfrentamento ante a posição de inferioridade intelectual da mulher e sua luta de coibir essa defasagem. Mostro, de forma poética, que essa luta pode ser compartilhada sem distinção de gênero através do amor, companheirismo e, acima de tudo, do respeito.

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    AL:   Você também escreveu o livro infantil REINO FELIZ. Como foi a experiência de escrever para criança? O que a motivou?

    EAAF:   Sempre sonhei com um mundo melhor e priorizei a imaginação como forma de minimizar o sofrimento e a injustiça. Por que não caminhar pelas veredas da magia e da criatividade como forma de educação e do resgate literário? Foi gratificante a minha experiência porque “podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos”, e o produto que colhi foi edificante e me move a investir na área literária infantil.

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    AL:   Escrever é algo diferente para cada escritor/escritora. Para alguns, curiosamente, é árduo, insano, torturante; para outros é altamente prazeroso. Para você, como é? Por que você escreve?

    EAAF:   Sempre amei escrever, faz parte do meu dia a dia. Através das letras, vou construindo um mundo mais justo, com mais ética e humanidade. Sinto a vida, vejo as pessoas e as formas… A magia se instaura e o amor explode de todas as formas detalhando toda a diferença. Escrever é o meu oxigênio, meu alimento, minha força, meu refúgio…

    AL:   A tecnologia ajudou muito o surgimento de novos escritores e escritoras. Muitos jovens estão indo por esse caminho, o que é bom, porque nunca se escreveu tanto como agora. Um dos caminhos utilizados por eles são aplicativos e redes sociais, como o wattpad, onde o usuário pode publicar histórias, contos, romances e poemas online. Porém, curiosamente, o número de escritores cresce proporcionalmente ao número de não leitores, ou seja, estamos vivendo uma geração de contrastes, onde quem deveria ler cada vez mais para escrever, está lendo cada vez menos. Especialistas chegaram a dizer que se as pessoas lessem apenas um terço do que deveriam para escrever, estaria resolvido o problema do mercado editorial brasileiro. O que você tem a dizer sobre isso? Você também acha que para escrever bem é preciso ser um bom leitor, ou uma coisa não tem nada a ver com a outra?

    EAAF:   A tecnologia é uma realidade irrefutável. Temos que ter em mente de que ela nos favorece se usada corretamente. Estamos num mundo mediático, vivemos uma relação de aldeia global. Tudo é exposto, natural… Mas para escrever dentro dos preceitos gramaticais e cultos temos que ler os clássicos, até mesmo como forma de analisar a época que foi vivenciada e sua influência na ideologia expressada. Não quero dizer que temos que abandonar as formas literárias populares como a de cordel, contações de histórias, quadrinhos. O respeito por essas formas literárias tão prazerosas e ricas de conteúdos é fundamental num país como o nosso tão diversificado e multifacetado.

    AL:   Mia Couto, um escritor moçambicano, diz que os escritores nascem de outros escritores. Isso nos leva a crer em pais escritores e mães escritoras. Quem são os seus pais literários?

    EAAF:   Eu tive uma formação acadêmica clássica. Bebi, em várias fontes, as águas do conhecimento. É claro que sofri influência literária de Clarice Lispector, Rachel de Queiroz, Adélia Prado, Cora Coralina, Cecília Meireles, dentre outras. Emergi-me nos seus ditos, absorvi os seus versos numa troca de mulher para mulher. A minha vida literária sofreu influências diversas: dos filósofos que tive que estudar e entender, perpassando por todas as Escolas Literárias até os dias atuais. Cada autor que lia era uma paixão que se tornava amor e me levava a produzir e a sonhar no mergulho da imaginação.

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    AL:   Num mundo tão degradado por consumismos desenfreados, qual seria a importância, ou a função, ou o sentido da literatura, da poesia, da narrativa?

    EAAF:   A sua função primordial seria de humanização. Estamos em um mundo de consumo exacerbado, em que o ser humano se coisificou. Precisamos da poesia como forma de minimizar essa triste realidade que é expressa a todo o momento, daquilo que vemos, sentimos e nunca vamos entender.

    AL:   Vivemos num tempo em que parece que as pessoas buscam o tempo todo a perfeição: o corpo perfeito, o trabalho perfeito, a casa perfeita… Como você lida com o erro?

    EAAF:   Apesar da sensibilidade humana de oposição ao erro e ao mal, na verdade não podemos dizer que o homem se incline naturalmente a assumir uma posição de luta contra os erros. A luta pela verdade deve ser positiva. E deve ser verdadeira, isto é, inteligente. A inteligência é a faculdade de aprender o real. O real é concreto, é singular. Devemos, portanto, realizar o esforço de apreender e circunscrever o caso particular. Se existem erros, na ordem prática é necessário cuidar dos que erram. E quem somos nós, em nossas deficiências, para pontuar erros e mais erros? Se os mesmos sempre foram relativizados? E a perfeição é uma questão de visão? E se estivermos míopes? Eis a questão…

    AL:   O que é memória para você e quais são as suas memórias?

    EAAF:   Em consonância com o dicionário Aurélio, memória é a faculdade de reter as ideias, impressões e conhecimentos adquiridos. Um povo sem memória não constrói sua história. A mesma é uma prática social, construída na vida real por homens e mulheres. As minhas memórias são constituídas por reminiscências alegres ou tristes que fizeram e fazem parte da minha vida. São tantas as minhas memórias que estou estruturando-as e em breve serão apresentadas num livro que será lançado este ano, aguardem…

    AL:   Do que você tem saudade?

    EAAF:   Tenho saudade dos tempos idos da minha vida, dos momentos que se perderam, quer por fragilidade ou desconhecimento de fazer uma leitura de que a felicidade preenchia todas as lacunas que eu pensava estarem vazias… Tenho saudade do aconchego de colo de mãe, do amor que, como chama, queimava dando-me forças para buscar o desconhecido… Ah, são tantas… Se fosse enumerá-las dariam páginas e páginas perdidas no tempo…

    AL:   Nesse mundo de hoje, você acha que ainda há lugar para os sonhos?

    EAAF:   Sim. Sem os sonhos não construímos. Se pararmos de sonhar nos perdemos em nós mesmos.

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    Gostou de conhecer a escritora Elisa Augusta de Andrade Farina? Então comente, compartilhe essa entrevista e ajude a divulgar os seus livros, a sua história, as suas ideias. Principalmente você, professora, diretora de escola, coordenadora pedagógica, construa uma relação de proximidade entre escritores contemporâneos e seus alunos, dê a eles a oportunidade do encontro. Como muito bem disse Elisa: “A magia se instaura e o amor explode de todas as formas detalhando toda a diferença..”

    Leve um escritor, uma escritora em sua sala de aula e verá essa magia acontecer…

    Obrigado, Elisa!

  • Por Leandro Bertoldo Silva

    Você consegue definir?

    Imagine um mundo formado por pedaços coloridos de vidro, sendo estes refletidos por espelhos, ocasionando, por meio de sua movimentação, imagens coloridas e diferentes em contínuas transformações…

    Certamente, você associou essa descrição a um caleidoscópio, correto?

    Correto. Mas não estou falando de um caleidoscópio comum, este do objeto cilíndrico, embora seja cilíndrico o mundo em que vivemos… Tudo bem, calma… O mundo não é cilíndrico, mas o cilíndrico é redondo… (rsrsrsr).

    O que quero dizer?

    Bem, imagine que você tenha olhos de vidros multifacetados, suas opções são inúmeras e o simples fato de saber que você pode mudar a realidade o fascina. Seu espírito é inquietante, corajoso e determinado, um desbravador de sentimentos que tem na palavra sua força de transformação.

    Você sente as ideias fervilharem dentro de você. Sabe que o seu trabalho é libertá-las, pois o mundo depende disso e um dia o reconhecerá, mas, mesmo não reconhecendo, você precisa escrever… E cada palavra, cada frase, cada pensamento constrói uma época, um estilo, uma era…

    Suas palavras ganham os livros, suas ideias ganham o mundo, às vezes aplaudidas, às vezes contestadas, e as páginas, manuseadas, se transformam num gigantesco caleidoscópio da humanidade…

    Sabe do que estou falando?

    Simplesmente de uma das artes mais fascinantes da humanidade, exatamente porque, como os pedacinhos de vidro que mudam o tempo todo, vai se formando nas indefinições, nos contrastes, nas inquietações… E são desses estímulos, alimentados por mentes talentosas e um profundo senso crítico e estético de sua época – e são muitas – que ela surgiu desde os primórdios de nossa descoberta: a literatura!

    Essa arte magnífica, responsável por pensamentos como de Oswald de Andrade, ao afirmar, que “antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.”

    E isso nos impulsiona a pensar, a refletir… E a devida inserção desses pensamentos vai, como foi, construindo nossa realidade e moldando nossa existência.

    Parece interessante?

    Então veja abaixo, no infográfico, um panorama geral da literatura brasileira, de 1500 até os nossos dias, e perceba como a nossa história é formada por conceitos e (des)conceitos que vão se construindo num verdadeiro caleidoscópio cultural, o que faz da nossa existência uma arte extraordinária.

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    Gostou de acompanhar essa evolução histórica das letras? Veja, então, uma seleção (nada fácil de fazer) de 10 obras – cada uma retratando uma época específica. Esta é a “minha” lista, você pode fazer a sua.

    A propósito, que tal mencionar logo abaixo nos comentários quais obras e escritores fariam parte da “sua” lista? Isso irá aumentar ainda mais as indicações e o nosso panorama literário. Vamos lá?

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  • Unhappy - Happy

    Por Leandro Bertoldo Silva

    Você já passou por essa situação?

    O dia da prova está chegando e você ainda nem começou a ler o livro.

    Você finalmente vai à biblioteca e descobre que todos os livros já estão emprestados.

    Para piorar, a prova vale 10 pontos…

     Pois é, vamos falar de leitura.

    Mas calma! Não estou falando da leitura que você pensa ou, infelizmente, está acostumado, ou seja, essa leitura obrigatória, maçante da escola que o professor te obrigou para fazer uma prova. Fala a verdade: Ou você passa por isso ou já passou… E hoje, salvo um milagre, você tem horror a ler!

    Aliás, deixe-me falar uma coisa: se este é o seu caso, você tem toda razão em não gostar de ler!

    Estudos comprovam que 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro.

    Ou seja, embora o índice de leitura no Brasil, segundo a fonte de pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada no ESTADÃO, em sua 4º edição, tenha alcançado uma ligeira melhora de 2011 para cá (afinal, em 2011 os leitores representavam 50% da população e até 2016 atingimos 56%), o que dá, mais ou menos, uma média de 4 livros por ano, isso ainda é pouco.

    O que isso significa?

    Que, teoricamente, um pouco mais da metade dos leitores desse artigo já pararam de lê-lo… (rsrsrsr) Ponto. Final? Nem tanto… Calma lá! Há salvação!

    “Teoricamente” porque uma boa notícia é que de 2011 para cá, aumentou o número de leitores na faixa etária entre 18 e 24 anos de 53% para 67%. Isso é fantástico! Talvez os motivos sejam o boom da literatura para este público. Nunca se leu tanto como agora em plataformas e redes sociais específicas. Isso é realmente bom. Agora, quanto a qualidade dessas leituras, bem, isso fica para um outro artigo…

    Por hora, continue lendo para saber mais sobre:

    • Por que nunca se deve dar “provas de livro” nas escolas?
    • Por que ler NÃO é chato e que isso é uma coisa que, definitivamente, FOI feita para você?
    • E um presente… Saiba como deixar de ser um “leitor de escola” e conheça 10 hábitos poderosos que farão de você um leitor verdadeiro.

    Se você se identificou, aproveite para enviar este artigo para um amigo ou amiga que, às vezes, como você, também passa pelos mesmos questionamentos. Ao final dele, você entenderá como pode ser mágico o mundo da leitura.

    POR QUE NUNCA SE DEVE DAR “PROVAS DE LIVRO” NAS ESCOLAS?

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    Eu também sofri, e muito, com isso. Sofri tanto que quando me tornei professor, a primeira coisa que decidi foi: “NUNCA darei uma prova de livro na minha vida!” E sabe por quê? Porque essa é uma das razões que mais destroem leitores no mundo, fazendo com que eles tomem horror ao que poderia ser extremamente prazeroso.

    Todo mundo nasce gostando de livros! Isso é, portanto, natural. Dê um livro a uma criança de colo e observe o prazer, a curiosidade, o encantamento que ela fica. “Ah, mas ela está encantada são com as gravuras, os desenhos…”

    E quem disse que lemos só palavras?

    Elas virão a seu tempo, acompanhadas do gosto das imagens, quando passamos a perceber que existe algo a mais que complementam e até ultrapassam aquelas cores e formas.

    Infelizmente, sinto em dizer que o que lhe faltou foi um professor ou professora para lhe estender a mão e o conduzir a um mundo mágico e não a um mundo de terror – por mais que lhe apresentasse livros de bruxas e monstros – de provas e notas.

    Literatura não é disciplina, pelo menos não deveria ser. Por quê? Lembra-se da pesquisa? Pois vamos a outros dados que todo professor deveria conhecer:

    Entre as principais motivações para ler um livro, entre os que se consideram leitores, estão gosto (25%), atualização cultural (19%), distração (15%), motivos religiosos (11%), crescimento pessoal (10%), exigência escolar… (7%)!

    Ou seja, a atual (e quase unânime) forma de “obrigar” uma pessoa a ler na escola para fazer prova, é um verdadeiro “tiro no pé”. É preciso entender, de uma vez por todas, que literatura não é disciplina escolar; literatura é ARTE e é como ARTE que deveríamos lê-la.

    Há muitas maneiras de avaliar uma leitura que não a temida e “Inútil” prova. Sim, Inútil mesmo, com I Maiúsculo! Mas em outra oportunidade, menciono aqui algumas ações que testei e obtive muito sucesso com meus alunos e leitores, ações que ficaram na memória, principalmente deles, e o resultado foi “resgatar” alguns leitores perdidos que “achavam” que não gostavam de ler.

    POR QUE LER NÃO É CHATO E POR QUE ISSO É UMA COISA QUE, DEFINITIVAMENTE, FOI FEITA PARA VOCÊ?

    Em meio a todo esse senário, só há uma forma de resolver a questão:

    É preciso “discutir a relação”.

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    A boa notícia é que sim, é possível mudar a sua relação com os livros e com a leitura; a má notícia (pelo menos para a grande maioria das pessoas) é que você vai ter que querer… E isso demandará força de vontade, amor e compromisso.

    Acontece, que muitas são as pessoas que querem colher novos frutos, mas não estão dispostas a abrir mão das velhas sementes, ou seja, querem mágica! Aí, meu amigo e minha amiga, é melhor desistir antes mesmo de começar… Não estou sendo duro, estou sendo realista. Colhemos o que plantamos!

    MAS VOCÊ É UMA PESSOA QUE QUER COLHER NOVOS FRUTOS E SABE QUE EXISTE DENTRO DE VOCÊ UM LEITOR EM POTENCIAL!

    Sabe e quer libertar este leitor, ou mesmo acariciá-lo ainda mais e descobrir novos hábitos, novas formas de ler, de se envolver com as páginas e com as letras. Um destes é o seu caso? Viva! É só começar…

    Veja, abaixo, algumas dicas bem úteis que funcionam muito comigo, pode ser que funcione com você também, e se souber de outras que venham complementá-las, não excite em compartilhar, comentar, divulgar. Saiba que você pode estar resgatando outros leitores…

    10 HÁBITOS PODEROSOS QUE FARÃO DE VOCÊ UM LEITOR VERDADEIRO
     Dica # 1 – Identifique o que você gosta

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    Esse é o PRIMEIRO passo! Identificar o que você gosta, vai fazer você ler com mais interesse, com mais vontade. A lista de opções é imensa: romance, biografia, contos, espiritualidade, fantasia… E lembre-se: PERMITA-SE GOSTAR! Conheço muitas pessoas que falavam que não gostavam de ler, tinham preguiça, mas que quando se davam a oportunidade de forma realmente entregue, só paravam de ler ao término da última página… O segredo é só começar!

    Dica # 2 – Visite uma biblioteca ou livraria

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    Se você já entrou em uma livraria sabe do que estou falando! Se não, experimente! O clima é altamente favorável, com muitos livros à disposição. Hoje, muitas investem no bem-estar e permitem que você folheie os livros e até leia-os, além de servir café, chá, sucos… Mas há também as bibliotecas municipais e de bairros que disponibilizam os livros e você nem precisa pagar por eles. O importante é estar entre eles!

    Dica # 3 – Crie um espaço de leitura

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    O espaço é muito importante, afinal, você não vai querer ler em um ambiente barulhento, desorganizado… Encontre um local que seja limpo, iluminado, confortável. Pode ser que você gosta de ler na rede, ou mesmo debaixo de uma árvore no quintal ou no banco da praça, quem sabe à beira mar… Eu, quando criança, gostava de ler em cima da árvore… Só você saberá o que lhe agrada mais. No sofá da sala também é bom. Seja onde for, o importante é que você o prepare e se prepara para isso, sem televisão ou qualquer coisa que venha atrapalhar sua atenção.

    Dica # 4 – Descubra o seu horário

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    Todos nós temos um horário mais propício à leitura, seja por questão de tempo e trabalho, seja por questão até mesmo fisiológica. Alguns preferem ler à noite, outros de manhã. Isso vai depender da sua disponibilidade. O importante é que, dentro do tempo disponível, não importa se muito ou pouco, você o obedeça e leia. Verá que, gradativamente, você vai querer ler mais e mais…

    Dica # 5 – Converse sobre os seus livros

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    Conversar sobre o que você está lendo com amigos, professores e familiares fará você aprimorar o seu gosto pelos livros – eu garanto! Esse é um hábito saudável que aumenta e massageia a sua autoestima, além de estreitar laços de amizades e, por que não, criar novos amigos que, como você, também lê, aumentando o seu círculo de convívio, além de trocar sugestões de leituras. Para este tópico específico, conheça aqui neste blog a Vivência online Novos Leitores, uma vivência literária 100% gratuita. É só clicar AQUI.

    Dica # 6 – Leia a contracapa e as orelhas do livro

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    Nestes locais está a essência do livro sem que ela seja inteiramente desvendada. É o primeiro contato que temos com o que vai ser lido e com o autor do mesmo. Se o assunto lhe agradar, vá em frente; se não, abra outros e se divirta nessa procura.

    Dica # 7 – Pesquise sobre o autor ou autora e descubra sobre sua época e sua história

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    Essa é uma dica que eu sempre dou. Pesquisar sobre o autor e sua época, além de aumentar a sua cultura e conhecimento, irá fazer você entender melhor a obra, pois saberá o porquê de muitas passagens, estilo de escrita e relacioná-los ao contexto histórico, fazendo você absorver muito mais o conteúdo da história.

    Dica # 8 – comece devagar, sem pressa, curtindo o que está fazendo

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    A melhor coisa é estar sempre sentindo prazer na leitura. Para isso, se você ainda não tem este hábito e costume, comece devagar… Não inicie com autores muito complexos; eles chegarão ao seu tempo. Comece com pequenas histórias e vá aumentando, aos poucos, o seu repertório. Lembre-se: Tem que valer a pena! Ler é prazer.

    Dica # 9 – Ande sempre com o seu livro e, na hora de dormir, deixe-o na cabeceira da cama perto de você.

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    Andar sempre com o livro irá fazer você se habituar a ele. Mesmo na era tecnológica de hoje, que você pode ter centenas de livros em um aplicativo de celular, experimente andar com um livro físico em sua bolsa, mochila, enfim. Quando estiver na fila de um banco, naquela horinha da sobremesa em um restaurante e em outros momentos, pegue seu livro, abra e leia. Verá que começará a ter outra relação de proximidade com ele, além de massagear também o seu ego, pois as pessoas o olharão como pessoa culta e polida. E não se esqueça de, na hora de dormir, colocá-lo perto de você, afinal, ele já vai ter se tornado seu grande amigo.

    Dica # 10 – Faça anotações sobre a sua leitura e, no final, indique-a a um amigo.

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    Fazer anotações sobre o que você lê favorece a compreensão e a interpretação, além de fazer você ficar mais íntimo com o livro e o que ele está te contando… Indicar uma leitura, além de ser um ato altruísta, demonstra sua cultura e cidadania. O país necessita de mais leitores e uma ação puxa a outra. Essa é uma corrente que vale a pena!

    E então, gostou das dicas? Espero que elas tenham sido úteis para melhorar a sua vida leitora e que tenha se conscientizado de que ler é um prazer altamente possível de alcançar.

    Você conhece alguém que adoraria receber essas dicas?

     Então faça um favor para ela (e para mim) e compartilhe esse artigo.

    Você pode compartilhá-lo no facebook, Twitter, Goggle+ ou até mesmo copiar a URL desse artigo e enviar para quem é importante para você.

    E, para finalizar, eu adoraria saber a sua opinião sobre esse artigo.

    Deixe um comentário logo abaixo sobre o que você mais gostou, ou sobre alguma dica que não esteja aqui e você deseja compartilhar ou até mesmo alguma crítica sobre esse texto.

    Ah, e não se esqueça: agora é a melhor hora para você criar uma nova relação e comprometimento com a sua leitura.

    Há um mundo inteiro a ser desvendado pelas páginas dos livros…

    Permita-se!

    Boas leituras…

  • coaching

    Por Leandro Bertoldo Silva

    Você está ávido por conteúdos literários. Sabe que seu tempo é escasso, pois está em seu horário de almoço, e gostaria de encontrar rapidamente sites que realmente valessem a pena.

    Mas…

    Ao buscar no google, uma centena deles aparecem em sua pesquisa. E agora, o que fazer?

    Você abre logo o primeiro, afinal deve ser bom, mas não é bem aquilo que esperava…

    Você então vai para o segundo, terceiro, quarto… E o resultado é sempre o mesmo, e você não tem mais tempo…

    Isso já aconteceu com você? Comigo muitas vezes!

    Por isso, resolvi listar aqui no blog  8 SITES DE LITERATURA QUE VOCÊ DEVE CONHECER PARA ONTEM!

    Ah, uma coisa!

    Eu poderia simplesmente pegar aqueles mais procurados. Mas sabe por que eu não faço isso? Primeiro, porque nem sempre os mais procurados ou famosos são os melhores. Isso é um mito. Existem muitas pérolas escondidas dentro de muitas ostras “comuns”, que, às vezes, não contam com um mar assim “tão recheado” de recursos… Segundo, porque quis fazer uma lista daquilo que eu realmente conheço e uso.

    Mas devo lhe dizer uma coisa…

    Não sei se estes sites são os melhores, mas os caras mandam muito bem! 😉

    Vamos lá!

    # 1 – Clube de Autores – https://www.clubedeautores.com.br

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    Se você é escritor e sonha em publicar o seu livro em alta qualidade, com segurança e confiança, você precisa conhecer este site! Uma grande porta de acesso para escritores. A maior comunidade de autopublicação da América Latina. O Clube de Autores é o primeiro site brasileiro que permite a publicação de livros de forma 100% sob demanda. Nele, o autor é o verdadeiro “dono” do seu trabalho, determinando quanto deseja ganhar por venda e disponibilizando seu livro na loja sem pagar absolutamente nada por isso. Conheço o que estou dizendo, pois meu primeiro livro publicado – Entrelinhas Contos mínimos – foi publicado pelo Clube, e você pode conferir clicando AQUI!

    # 2 – Academia de Letras de Teófilo Otoni – http://letrasto.com/

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    Site da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG, fundada em 20 de dezembro de 2002. O site conta a rica história da arte literária de Teófilo Otoni e região dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha, além de trazer, entre outras informações, o espaço do escritor com obras literárias contemporâneas produzidas por seus membros titulares e correspondentes. Uma rica oportunidade de se inteirar do que é produzido nesta belíssima região de Minas Gerais.

    # 3 – Estante virtual – https://www.estantevirtual.com.br

     

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    Site específico para leitores. Um dos maiores portais de compra e venda de livros novos, seminovos e usados do Brasil. A Estante Virtual conecta milhares de vendedores para, juntos, oferecerem a maior diversidade literária para todos os tipos de leitores. Valoriza o consumo consciente e, desde 2005, já venderam mais de 16 milhões de livros. Os preços dos livros são extremamente em conta e a qualidade dos mesmos é incrível.

    # 4 – Tag Literário – www.taglivros.com

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    Um mimo de site! Um clube online de assinatura de livros, em que o assinante recebe todos os meses, mediante pagamento, um kit cuidadosamente preparado com um livro acompanhado por uma revista literária e de outros materiais exclusivos. A cada mês, a Tag conversa com alguma referência do cenário cultural para recomendar o livro que será enviado aos associados.

    # 5 – Ler é criar asas – http://bit.ly/2jWBEce

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    Não é bem um site, mas um canal no youtube que tem como intuito divulgar o trabalho do Educador e Contador de Histórias Paulo Fernandes que, além de contar histórias, realiza, semanalmente, uma indicação de leitura para crianças. Já são mais de 6 mil visualizações e mais de 98 livros indicados, que agora, em fevereiro, completará 2 anos ininterruptos de indicações aos domingos, em parceria com a Editora Ática!

     # 6 – Recanto das Letras – https://www.recantodasletras.com.br

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    O Recanto das Letras é uma comunidade com milhares de escritores que publicam, diariamente, poesias, crônicas, contos, frases, pensamentos, haicais e outros gêneros literários, compartilhando-os gratuitamente. Todas as pessoas podem ler e contribuir com seus próprios textos, sendo um excelente espaço de divulgação literária.

    # 7 – Nota Terapia – http://notaterapia.com.br/

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    O Nota Terapia nasceu da ideia de compartilhar frases e citações preferidas de seus idealizadores Luísa Bertrami D’Angelo e Luiz Antonio Ribeiro, com todas e todos que são amantes dos livros. Também compartilha poesias, trechos de filmes, vídeos… No site você pode ver matérias literárias, frases, citações, poemas, dicas, resenhas, listas, vídeos e muito mais.

    # 8 – Domínio Público – http://bit.ly/1cone9q

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    Não poderia terminar essa lista sem um dos sites mais úteis, e infelizmente pouco acessado, para quem procura por downloads de livros. Trata-se de um site governamental com uma imensa biblioteca virtual totalmente gratuita. O site foi criado em 2004 e, além de disponibilizar obras clássicas dos mais variados e importantes escritores brasileiros e mundiais, permite que pessoas sejam voluntárias traduzindo obras, cedendo direitos autorais e digitalizando obras.

    E então, gostou da lista?

    Você, certamente, conhece alguém que adoraria conhece-la também!

    Então compartilhe esse artigo e deixe a literatura “navegar” por outros mares…

    Ah, e se tiver alguma indicação, escreva aqui nos comentários para que eu procure conhecer e indicar aqui no blog! 😉

    Um forte abraço!

  • O CORVO

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    Por Rafaela Caires

    O célebre poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, teve releituras escritas em diversos países e por diversos escritores renomados, entre eles Machado de Assis e Fernando Pessoa. Pois uma ex-aluna da Árvore das Letras, e agora colaboradora do blog – Rafaela Caires –, nos brinda com sua releitura cheia de alto teor poético de quem sabe o que escreve. Confiram!

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    Em certa noite gélida, solitária e sombria do mês de Dezembro, estava a ler alguns artigos sobre doutrinas de tempos transcorridos. Exausto, o sono estava quase a exercer total domínio sobre mim. Foi quando, subitamente, identifiquei um efeito sonoro que aparentemente representava alguém a bater sobre a minha porta, vagarosamente. Para mim era apenas isso e nada mais.

    O ruído misterioso trouxe-me a imaginação de sombras fantasmais e, ainda, a lembrança de minha bela amada, que vivia nos céus e lá recebera o nome de Lenora, mas que nome aqui já não tem mais.

    Manifestado pelo medo, imaginava mentalmente consistir em uma simples visita que solicitava abrigo em minha casa. Era apenas isso e nada mais.

    Decidi praticar a ação de abrir a porta, mas antes disso, solicitei as desculpas do senhor ou senhora que lá fora estava, pois mal havia identificado as suas suaves batidas à porta. Mas ao observar a parte exterior do local, fui surpreendido pela escuridão da noite e nada mais.

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    Inicialmente, considerei aquela noite um verídico sinônimo de trevas, um medo cada vez mais agudo que exercia um controle sobre o meu ser. Naquele momento, apenas um nome ouvi: “Lenora”. Posteriormente, o eco repetiu-o também. Em seguida, silêncio e nada mais.

    Retornei ao meu quarto e o ruído recomeçou ainda mais forte. Deduzi que estivesse na minha janela, pesquisei e constatei ser apenas o vento e nada mais.

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    Abri a janela e eis que, em desordem, um Corvo de eras ancestrais penetrou àquele ambiente. Sem notar meu susto, pousou sobre o busto de uma escultura de Minerva. Conservou-se ali, naquela região elevada e nada mais.

    Ao observar a estranha e escura ave, obtive para mim um leve riso diante de toda a minha melancolia. Solicitei-lhe que não sentisse medo e pronunciasse o nome que apresentava nos ambientes infernais. E o Corvo disse: “Nunca mais”.

    Maravilhou-me ter presenciado o claro pronunciamento de uma ave. Certamente, nenhum outro alguém já experimentou surpresa igual: a de encontrar uma ave em sua porta, com o nome de “Nunca mais”.

    Além dessa frase, nada mais dissera. Encontrava-se ali inerte, enquanto a mágoa consumia-me lentamente. Certamente, assim como a esperança, ele iria embora. E disse o Corvo: “Nunca mais”.

    Expressava repetidamente esta mesma frase. Deduzi que a tivesse aprendido através de um suposto dono que lhe gerou grande sofrimento. Sempre em posse da intensa repetição de: “Nunca, nunca, nunca mais”

    A ave ainda obtinha o êxito de fazer-me sorrir, mesmo diante daquela intensa amargura. Girei-me sobre uma poltrona e de frente para ela, passei a questionar o seu secreto fim, o que realmente pretendia ao gritar sempre: “Nunca mais”.

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    Com o olhar fixo sobre mim, insistia em aplicar distintas deduções sobre a missão da ave à minha frente. Descansava-me sobre a almofada da poltrona de veludo e adormecia suavemente. Mas não repousaria, “Nunca mais”.

    Repentinamente, o ar adotou um estado pacífico, perfumado, supliquei-lhe o esquecimento de Lenora; que levasse consigo essa mortífera lembrança.

    Sem discernir o que verdadeiramente era, chamei-lhe de “Profeta” e questionei-o se veria Lenora no Éden da reencarnação. E o Corvo disse: “Nunca mais”.

    Ordenei-o que partisse em direção de onde veio: à tempestade ou ao inferno; que levasse consigo todos os seus vestígios e retirasse de mim aquele sofrimento que estava a me consumir. E o Corvo disse: “Nunca mais”.

    O Corvo junto a Lenora constituía a morte que veio com o intuito de buscar-me. Continuei a vê-lo para sempre. Aquela partícula que estava inclusa à sombra da minha alma, não me libertaria nunca mais!

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