VOCÊ AINDA ESCREVE CARTAS? NÃO SABE NEM O QUE É ISSO? SERIA BOM SABER…

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Por Leandro Bertoldo Silva

Bem, aqui estou eu no primeiro dia do ano de 2018… Passadas as festas de Natal e Réveillon e ver as timelines das pessoas lotadas de mensagens e felicitações (sim, eu também enviei muitas), fiquei pensando mais do que nos velhos e saudosos cartões de Natal, mas tentando imaginar se houve alguém nesse fim de ano que tenha escrito uma carta… E se sim, imaginando também o outro alguém que a tenha recebido naquele quase ritualístico processo da surpresa, ao constatar a presença do envelope na caixinha do correio, abri-lo após ter escolhido a melhor hora para fazê-lo e lançar-se à leitura com os olhos marejados de saudades…

Sim, eu sei… Cartas são coisas antigas, ainda mais nos dias de hoje onde tudo são messengerwatts e face; # pronto, falei. Até o e-mail já se sente meio vovô! Mas para quem acha que as cartas já não têm dias contados, por não terem nem mais dias para serem escritas, engana-se! Digamos que as cartas, essa missiva dos tempos dos dinossauros, têm um lugar de honra na inquestionável beleza de ser… As cartas, diferentes das mídias ceifadoras de palavras e até de expressões inteiras, falam com o coração; elas deslizam em nossas memórias e alcançam o patamar da delicadeza e da elegância.

            Costumo comparar as cartas com fusquinhas, e todos sabem que criança não mente. O que isso tem a ver? Tudo! Faça a experiência e veja como uma criança que não esteja “contaminada” pela mídia – coisa infelizmente rara – vai preferir o fusquinha à Ferrari… Por quê? Simples! Fusquinhas se parecem com joaninhas; e as Ferarris? Com Ferraris mesmo. Ah, mas isso é coisa de criança! Será mesmo? Uma vez colocaram um fusquinha 76 original, impecável, rodas pintadas, uma beleza, ao lado de uma Ferrari dentro de um shopping para ver a reação das pessoas. De cada dez pessoas que paravam, oito contemplavam o fusquinha por mais tempo que a Ferrari… Ou seja, o fusquinha, o chamado popopósaboneteiravai-que-eu-fico, e tantos outros nomes e apelidos, é como a nossa carta: antiga, mas de uma beleza incomparável, de uma elegância inquestionável e que expressa mais do que palavras, mas a sabedoria de quem dignifica a escrevê-la, pois ali se cravam histórias.

Escrever cartas hoje é sinônimo de coragem, de pessoas que não têm medo de expressar, além de sentimentos, sua capacidade para tal. Reparem nas pessoas que escrevem cartas – tudo bem, eu sei que é difícil encontrá-las, mas elas existem, sim, em resposta à imaginação do que disse acima – e só o fato de serem difíceis demonstram especialidades raras. Verá, quando as encontrar, que são pessoas polidas, que jogam o jogo das singularidades e não dos plurais, que fomentam encantamentos e nos deixam perplexos pelo diferencial de um gesto, de uma fala ou da própria escrita elaborada, bem cuidada, articulada até o último fio da gramática, digo, das palavras. Escrever cartas é mais do que uma questão de escolha; é uma questão de estilo. Num mundo onde as pessoas parecem ser feitas em série, ser diferente é um perigo. Mas, às vezes, esse risco, ou a falta dele, é o que deixou a vida sem graça, sem cor, sem movimento, apesar de tantos atrativos. O que acontece é que as pessoas são como as cartas: algumas têm conteúdos e, por isso, continuam existindo fazendo a diferença no meio de milhões, enquanto outras… Bem, as outras, por sofrerem tantas mutilações ao longo da vida, é o que todo mundo vê… O que não podemos deixar de pensar é que a vida é um ciclo. Uma vez se está por cima, outra vez se está por baixo. O que hoje é considerado antiquado, ultrapassado, amanhã será um ouro, não o de tolo, esse já sabemos onde se encontra.

            Como diz uma ex-aluna minha, “de acordo com os fatos supracitados”, nada melhor que os ditados populares que muito nos ensinam pela sutileza de suas ideias. Por isso, termino estas palavras com um desses ditados que vem bem a calhar e tão usado em cartas antigamente: “Em terra de cego quem tem olho é rei!”. Pense nisso…

Aproveito para desejar a todos um 2018 repleto de realizações! Que cada projeto, que cada planejamento possa ser cuidado com o mesmo carinho com o qual você os fez…

Vamos em frente!

2 comentários em “VOCÊ AINDA ESCREVE CARTAS? NÃO SABE NEM O QUE É ISSO? SERIA BOM SABER…

  1. LEANdro, lindo texto….belas palavras….infelizmente, o hábito de escrever cartas tem sido extinto…o correio só noscentrega contas p pagar…não há mais aquela esperança, aquela ansiedade pela carta que possa chegar às nossas mãos…algumas vinham até perfumadas….ah! Tempo que não volta!

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    1. Engraçado isso… Quanto mais o tempo passa, parece que as coisas evoluem na mesma proporção que perdem os sentidos… É, voltar exatamente como era antes é muito difícil, ou impossível, mas uma carta que seja enviada a alguém (e quem sabe até com perfume…rssss) é aquela gotinha de água no bico do passarinho durante um incêndio. Ele não vai apagar, mas vai deixar viva a lembrança de uma floresta linda…

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