O COLECIONADOR DE INFINITOS

Você já colecionou alguma coisa?

Bem, eu já colecionei álbum de figurinhas (nossa, quantos!!), chaveiros e até tampinhas de garrafa…

Hoje eu coleciono livros, mas eu nunca havia colecionado… Bem, o que esse menino da história coleciona. Depois de ler essa história e me encantar com ela, vi que as coleções podem ser diferentes e ter outras perspectivas…

Está curoso para saber o que é? Veja o vídeo…

Linda essa história, não é?

Que tal ver de novo e cantar a música junto?

Eu vivo olhando pro céu

e vejo os animais pulando amarelinha e brincando de pião.

Eu, colecionaor

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Sou um pequeno grande sonhador.

Você já assinou o meu canal do Youtube?

Se sim, eu agradeço muito, mas, se ainda não, corra lá! Assine, curta os vídeos, ative o sininho e vamos juntos nesse universo maravilhoso das histórias!

Forte abraço!

 

 

COMO NASCEM OS PÁSSAROS AZUIS

Livros de imagem despertam enorme fascínio. Talvez muitos de nós tenham se iniciado na leitura e nesse universo tão maravilhoso da literatura através deles. E muito longe pensar que eles só existem para crianças…

Tenho em minha biblioteca uma coleção deles e sempre que vou a livrarias ou mesmo em feiras de livros – o que neste momento não está sendo possível devido a pandemia – sempre me dou de presente horas e horas folheando essas pérolas que é um conjunto de artes bem ali ao alcance dos nossos olhos. E é isto mesmo que eles são, como diz Paulo Fernandes, um amigo e ativista literário: “o livro de imagem educa o olhar para a arte”.

Sim, e mais do que isso! Podemos dizer que lemos palavras, mas também lemos imagens e elas nos transportam para mundos incríveis.

Estas em especial de “Como nascem os pássaros azuis”, de Walter Lara, mostram a transformação dos pássaros por meio do pincel, da tinta e da sensibilidade de um menino. E no meu trabalho de mediador de leitura já estava na hora de inserir esses livros tão belos como encantadores, tão artísticos quanto literários.

Então… Assista ao vídeo e boa leitura!

 

Linda essa história, não é mesmo?

Aproveite para conhecer outras histórias e se increver no meu canal! Isso é muito, muito importante para que eu possa continuar nesse trabalho de formação de leitores.

Posso contar com você?

Forte abraço!

Leandro.

O PESCADOR, O ANEL E O REI

Eia mais uma história que me encanta…

“Viva Deus e ninguém mais, quando Deus não quer ninguém nada faz…”

Um velho pescador, que vivia cantando sem perder a alegria, é desafiado por um rei para provar sua fé. Este lhe entrega um anel e um desafio…

Se o pescador ficasse com o anel durante 15 dias, o rei lhe daria tanta riqueza que ele seria dono da metade do reino. Mas se depois dos 15 dias o pescador não devolvesse o anel, o rei manaria os guardas cortarem a sua cabeça…

O que será que irá acontecer?

Embora Bia Bedran – maravilhosa contadora de histórias e uma das precursoras desse trabalho – tenha feito o livro dessa história, ela se baseou em um conto popular recolhido por Luis da Câmara Cascudo e está em seu livro “O Folclore Brasileiro”, com o título “Via Deus e ninguém mais”.

E agora eu conto pra vocês…

Vocês sabem o que são os mediadores de leitura?

São as pessoas que constroem ponte entre o livro e os leitores, ou seja, que criam as condições para fazer com que seja possível que um livro e um leitor se encontrem. Isso se dá de diversas maneiras e o sucesso desse encontro é a formação de leitores apaixonados.

É este o trabalho que estou fazendo através das contações e principalmente leituras de histórias no Youtube.

Aproveite para conhecer outras histórias e se increver no meu canal!

Se inscrevendo e também curtindo os vídeos, o Youtube entende que este é um assunto relevante e assim mais pessoas podem ter acesso aos livros, autores, editores e todo universo da leitura.

Peço seu apoio se inscrevendo no canal para que eu possa continuar nesse trabalho de formação de leitores.

Posso contar com você?

Forte abraço!

Leandro.

ALFORRIA LITERÁRIA: A “ARTESANIA” DO LIVRO

Começo esta apresentação com um pensamaento de Mia Couto…

“O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar, a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro”.

CONHEÇA A ALFORRIA LITERÁRIA, UMA NOVA FORMA DE FAZER LITERATURA

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O meu nome é Leandro Bertoldo Silva e eu sou escritor independente. Sou o criador da Árvore das Letras – um espaço de linguagem, leitura e escrita – e do selo Alforria Literária pelo qual publico os meus livros.

Durante o ano de 2017 e já início de 2018, recebi alguns contatos de leitores interessados em adquirirem os meus livros. Curioso que todas as pessoas, e isso já vinha acontecendo há algum tempo, queriam comprar os livros diretamente comigo, embora estejam disponíveis para venda na maioria das lojas online espalhadas pela internet e em plataformas de autopublicação. Isso é totalmente compreensível, uma vez que no final o livro sai a um preço muito alto para o leitor, e estamos falando do livro físico, que é a preferência de 10 a cada 10 leitores que me procuram…

Isso reforçou o meu posicionamento e a minha escolha de ser um escritor independente, a partir do momento que, por outro lado, eu recusei a proposta de contrato de duas editoras por não achar vantagem ao analisar todas as condições, e me ver preso simplesmente ao ego de ter os meus livros expostos em livrarias.

Foi assim que ganhou força a ideia da “Alforria Literária”, um selo criado por mim e pelo qual publico os meus livros, decidido a trilhar um caminho diferente, onde eu possa assumir todas as etapas do meu trabalho – da escrita à distribuição dos livros.

Nada tenho contra as editoras e as plataformas de autopuplicação; apenas acredito em outras possibilidades, ainda mais na realidade de hoje em que a vida exige mais consciências. Por isso, na minha natureza de enxergar propósito em tudo o que faço, desenvolvi a minha própria publicação sob demanda, na qual os meus livros são impressos em papel ecológico, inteiramente personalizado com fibras de material orgânico e tinta natural, numa verdadeira artesania literária, sendo o miolo do livro de papel reciclado, demosntrando um valor importante na preservação do meio ambiente, através do uso de recursos renováveis.

Esse processo é desenvolvido através de uma verdadeira “máquina de fazer livros”, em que a sintonia entre literatura e ecologia está presente, como se verá.

Faça a sua parte sem medo de ser simples

MEU PROPÓSITO LITERÁRIO

Vivemos no Brasil uma crise editorial muito grande, e essa crise não é somente financeira, mas mercadológica, eu diria, até, midiática. Isso porque a maioria das editoras tradicionais valoriza apenas o que é “vendável”. Não há problema nisso se entendermos que são empresas e, como tais, privilegiam o lucro. Mas a troco de quê? O que elas devolvem ao consumidor-leitor é que é um grande questionamento, pois basta entrarmos em livrarias para nos depararmos com uma imensa quantidade de livros traduzidos e os chamados “best-sellers”. E os novos escritores? Quase sempre ficam sem espaço. Ou escrevem o que as editoras querem vender ou possuem um alto poder de investimento, o que nem sempre é possível. As consequências são terríveis, pois isso contribui, entre outras coisas, para o sumiço de uma literatura genuinamente brasileira que ficou no passado.

MiaO escritor moçambicano Mia Couto, em uma entrevista, diz que até às décadas de 60/70 a literatura brasileira ainda era vista como referência para os próprios brasileiros e para outros países, como em África, por exemplo. Ele cita Jorge Amado e todo o seu universo místico, de religiosidade, capoeira, que tem raízes africanas. Cita, ainda, em outro contexto, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, entre outros. Hoje já não há mais essas referências. Segundo ele, “chegam as novelas, mas não chegam os livros”. Ora, se não chegam os livros, não chegam os autores. E para um momento em que, através das inúmeras plataformas de autopublicação existentes, surgem a cada dia tantos “escritores”, onde eles estão? É claro que quantidade não é sinônimo de qualidade, mas em meio a tantos há de ter alguém, e esse alguém não é um só, são muitos.

É neste contexto que surge a Alforria Literária com o claro propósito de liberdade.

POR QUE ALFORRIA LITERÁRIA?

Alforria Literária é mais do que um selo ou uma marca editorial, é o caminho que eu escolhi para mim enquanto escritor. E sabe por quê? Porque escolhi ser livre! Porque decidi assumir que eu sou, assim como você também é, criador da sua própria realidade. Se há uma expressão que possa definir a Alforria Literária, é: POR QUE NÃO?

Por que aceitar o que boa parte das pessoas diz sobre o caminho que a escrita e a carreira literária deveriam trilhar? Não posso ser o criador da minha própria experiência? Não posso eu definir o que eu quero e “como” eu quero? Sei que muitos pensarão: “porque é assim! Porque se você estiver fora das editoras e das lojas você estará fora do jogo”. Será?

encontro direto com leitores

encontrando amigos

‘Se milhares de pessoas estão indo por aqui, então vá por ali…’

 

 Não me recordo onde eu li essa frase, mas ela tem para mim muito mais sentido, além de dialogar com a minha pergunta: POR QUE NÃO?

Ouço e leio constantemente variações de uma mesma versão que é o seguinte questionamento: ‘o que as editoras querem?’ É incrível como que o sistema com suas redes gigantescas nos pressionam e tenta nos convencer de que a maneira delas é mais do que a melhor, mas a única. E mais impressionante ainda é como boa parte das pessoas acreditam nisso e vai abandonando o prazer de guiar a própria vida e a própria escrita num verdadeiro desejo mimético. Passam a achar que é mais fácil adaptar ao que os outros consideram bom para elas do que tentar descobrir por si mesmas e abrir novas possibilidades e caminhos. E com isso, quantos escritores vão abdicando de um fundamento básico, ou pelo menos deveria ser, que é a total e absoluta liberdade de criar, não apenas o conteúdo, mas a forma…

Deixa eu dizer uma coisa: não há satisfação maior do que ser criador da nossa própria experiência, e a pergunta que eu faço através da Alforria Literária é absolutamente o contrário em relação à variação acima. Mais importante do que pensar de que há lugar para todos, é saber que esse lugar nunca será o mesmo.

O SIGNIFICADO DA MARCA ALFORRIA LITERÁRIA

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O desenho representa um pince-nez, modelo de óculos utilizado até início do século XX, que utilizava uma pinça para prender na ossatura do nariz (nez = nariz).

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De modo mais direto e objetivo faz referência, ao mesmo tempo homenagem, ao grande escritor Machado de Assis (1839-1908), que utilizava um pince-nez, presente em quase todas as usas fotografias.

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Indica a perspicácia característica do observador do mundo, que transcreve sua visão em forma de letra. Indica o olhar profundo que enxerga a realidade além das aparências. Enfatiza mesmo o olho, janela para o mundo, espelho da alma. Neste caso, Machado de Assis é um escritor que enxerga longe, lança luz onde havia sombras. Este é um ótimo sentido para melhor compreender a Alforria Literária.

Mas há uma complementação dessa ideia trazida pelo filósofo e psicanalista Angelo Pereira Campos que enriquece muito a Alforria Literária através de uma antiquíssmia simbologia: o Olho de Hórus.

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Símbolo da divindade egípcia, Hórus, filho de Osíris.  Hórus é o deus com cabeça de falcão. Não por acaso, o falcão encontra-se entre os animais de maior acuidade visual. Sua visão alcança uma pequena presa em até dois quilômetros de distância.

Os olhos de Hórus, na mitologia egípcia, sinalizam o Sol e a Lua. Trata-se de uma metáfora da luminosidade, do dia e da noite. Em batalha contra Set, Hórus perde o olho esquerdo, símbolo da Lua.

Neste caso, o olho representado na imagem da Alforria Literária é o direito, símbolo do Sol. Portanto, uma referência direta à luz, à claridade, logo, ao esclarecimento que a literatura nos ajuda a construir ao longo de nossa formação, que, claramente, dura a vida inteira. Desse mesmo modo, encontramos nestas metáforas literárias um sentido maior para a clarividência, que está a nos impulsionar para a liberdade, para a alforria.

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A MÁQUINA DE LIVROS “PAULA BRITO”

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O aspecto fundamental da Alforria Literária é eu ser a minha própria produção sob demanda, ou seja, eu mesmo editar e publicar os meus livros e poder enviá-los para qualquer lugar do Brasil. Para isso, foi confeccionada a minha “máquina de livros”, que carinhosamente chamei de ‘Paula Brito’, em alusão a Francisco de Paula Brito, proprietário de uma livraria no antigo Lago do Rocio no século XIX, atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Mulato, autodidata e oriundo de meio humilde, Paula Brito trabalhou como tipógrafo, impressor de livros e jornais, fundando a Marmota Fluminense numa época em que o analfabetismo era gigantesco em nosso país. Além disso, sua importância foi fundamental para acolher um mocinho acanhado, também mulato, brilhante e que faria história: Machado de Assis…

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Essa máquina foi cuidadosamente feita com madeira de Ipê reaproveitada de sobra de demolição e guardada por muitos anos. As mãos talentosas que a moldaram são de Egídio Souza, um luthier que, para quem não sabe, é um termo derivado do francês ‘luth’, que significa ‘alaúde’. Ele dá nome ao profissional especializado em construir instrumentos de corda, tudo feito de forma artesanal, um a um. Trata-se de uma das profissões mais antigas e que já está em extinção, mas que eu tive a sorte de conhecer um e de ter se tornado um amigo. Ainda sobre o propósito das coisas, não poderia ser maior uma vez que se institui uma parceria entre a literatura e a música, sendo eu um escritor inteiramente musical.

Isso vem mostrar que quando as coisas estão em sintonia com nossos desejos elas ganham força! A Alforria Literária já conta com três máquinas “Paula Brito” e os meus livros já foram enviados para várias cidades, como Belo Horizonte, Pernambuco, Curitiba, São Paulo e outras, além de projetos em escolas no Vale do Jequitinhonha onde alunos estão se tornando autores graças à evolução desse trabalho. Um dos meus objetivos é que o livro em si, além do seu conteúdo literário — que é o meu trabalho de escritor — seja um objeto de arte digno de ser admirado e guardado.

Bem, é isso! Estou pronto para fornecer os meus livros com muita qualidade e segurança, enviando-os a qualquer lugar do Brasil a um valor justo e acessível. Saiba sobre eles clicando AQUI! E lembre-se:

O surgimento de novos talentos passa pela sua permisão de experimentar. Permita-se! Leia escritores independentes.

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Quer saber mais e falar diretamente comigo?

ENVIE UM EMAIL PARA 

leandrobrsilva@hotmail.com

Siga no Instagram: @arv.das.letras

O ESPELHO, A BOTA E A ROSA

Sempre achei que não somos nós que escolhemos as histórias que queremos contar, mas exatamente o contrário; são elas que escolhem a nós!

Assim foi com O espelho, a bota e a roa, do livro Histórias que ouvi contar, da Alaíde Lisboa de Oliveira, publicado pela editora Peirópolis.

Estava eu em uma feira de livro quando de um estande vi uma espécie de facho de luz, alguma coisa que me atraía para lá. Ao me aproximar, bem aos moldes das histórias e causos, estava lá o livro parecendo me chamar e os personagens a dizer: “abra e liberte-nos!” Nessa época, eu estava apenas iniciando as minhas primeiras contações… E quando abri o livro, a primeira história que se apresentou foi esta.

Como na narrativa de histórias acabamos por emprestar um pouco de nós mesmos com todo o respeito e licença poética que nos são permitidos, transcrevo abaixo a história tal qual a li, e no vídeo em seguida como ela se moldou a mim…

Vamos lá?

livro histórias que ouvir contar

Era uma vez um rei que tinha uma filha muito bonita. Muitos príncipes queriam casar-se com aquela princesa tão bonita. Dentre os príncipes, três eram belos, bons e ricos.

O rei não sabia como escolher o melhor dos três para se casar com a filha. Resolveu, então propor aos príncipes que lhe trouxessem três presentes; e o príncipe que conseguisse trazer o presente de mais valor receberia a linda princesa em casamento.

Os três príncipes aceitaram a proposta do rei e partiram.

Na primeira encruzilhada, antes de tomarem rumo, combinaram que na mesma encruzilhada se encontrariam na volta de três meses depois.

O príncipe mais velho dirigiu-se a uma antiga cidade e, por cúmulo da sorte, logo na entrada viu e ouviu um menino gritando:

— Quem quer comprar um espelho mágico? Quem quer comprar um espelho mágico? Quem quer comprar um espelho mágico?

O príncipe aproximou-se do menino e perguntou:

—Qual o poder do espelho mágico?

O menino respondeu:

—O espelho mágico tem o poder de refletir tudo que se passa em qualquer parte do mundo.

O príncipe comprou o espelho e pensou:

— Com esse presente eu me casarei com a linda princesa.

O segundo príncipe dirigiu-se a outra antiga cidade e, por cúmulo da sorte, logo na entrada viu e ouviu um menino gritando:

— Quem quer comprar uma bota mágica? Quem quer comprar uma bota mágica? Quem quer comprar uma bota mágica?

O segundo príncipe aproximou-se do menino e perguntou:

— Qual é o poder da bota mágica?

O menino respondeu:

— A bota mágica tem o poder de levar a pessoa ao lugar que quiser na hora em que quiser.

O segundo príncipe comprou a bota e pensou:

— Com esse presente eu me casarei com a linda princesa.

O príncipe mais novo dirigiu-se a outra cidade, antiga também, e, por cúmulo da sorte, logo na entrada viu e ouviu um menino gritando:

— Quem quer comprar uma rosa mágica? Quem quer comprar uma rosa mágica? Quem quer comprar uma rosa mágica?

O príncipe mais novo aproximou-se do menino e perguntou:

— Qual é o poder da rosa mágica?

O menino respondeu:

— Essa rosa tem o poder de dar vida a quem estiver morrendo.

O príncipe mais novo comprou a rosa mágica e pensou:

— Com essa rosa mágica eu me casarei com a linda princesa.

No dia marcado, os três príncipes se encontraram na encruzilhada.

O príncipe mais velho mostrou aos outros o espelho mágico, e, como desejassem todos ver a princesa distante, o espelho refletiu, na mesma hora, no quarto do palácio, a princesa deitada, como se estivesse para morrer.

O segundo príncipe mostrou a bota que fazia viagens longas rapidamente e convidou os outros a irem com ele para o palácio. Num instante os três príncipes chegaram ao palácio do rei e rodearam a cama da linda princesa quase morta.

O príncipe mais novo aproximou do rosto da princesa a rosa mágica. Ao sentir o perfume, a princesa abriu os olhos, sentou-se e sorriu como se nunca estivesse perto da morte.

Tornou-se difícil escolher o príncipe que deveria casar-se com a princesa. Sem o espelho, sem a bota e sem a rosa, a linda princesa não viveria.

O pai deixou, então, que a filha mesma escolhesse de acordo com o seu coração. E ela escolheu o príncipe mais novo, o príncipe da rosa.

Mas havia também no palácio mais duas lindas princesinhas, sobrinhas do rei. A mais velha casou-se com o príncipe mais velho. A segunda casou-se com o segundo príncipe.

E foi linda a festa dos três casamentos.

Bem, como quem conta um conto aumenta um ponto… segue agora a minha versão da história!

Bem, antes de me despedir, deixe-me perguntar uma coisa:

Vocês sabem o que são os mediadores de leitura?

São as pessoas que constroem ponte entre o livro e os leitores, ou seja, que criam as condições para fazer com que seja possível que um livro e um leitor se encontrem. Isso se dá de diversas maneiras e o sucesso desse encontro é a formação de leitores apaixonados.

É este o trabalho que estou fazendo através das contações e principalmente leituras de histórias no Youtube.

Aproveite para conhecer outras histórias e se increver no meu canal!

Se inscrevendo e também curtindo os vídeos, o Youtube entende que este é um assunto relevante e assim mais pessoas podem ter acesso aos livros, autores, editores e todo universo da leitura.

Venho pedir seu apoio se inscrevendo no canal para que eu possa continuar nesse trabalho de formação de leitores.

Posso contar com você?

Forte abraço!

Leandro.

12 DE JUNHO

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Por Leandro Bertoldo Silva

Imagem: arte Geane Matos Mandalas

Sempre fui otimista,

mesmo nas piores ocasiões.

– Zélia Gattai –

Apresentou-se ao marido de manhã com uma decisão tomada:

            — Quero me descasar com você.

            A sentença seca e inesperada fez com que Eduardo fingisse demorar-se numa risada incrédula, porém nervosa. Tal atitude era a tentativa de defender-se daqueles olhos órfãos de carinho que o miravam profunda e serenamente.

            — O que está querendo dizer? — indagou ainda na retaguarda, já imaginando dissabores.

            — O que você ouviu. Quero me descasar.

            Num instante, lembrou-se do que vinha acontecendo, ou melhor, do que não vinha acontecendo em suas vidas, do tanto que estavam distantes – quase dois estranhos dentro de casa e fora dela – e sabia que isso, um dia, pediria enfrentamento. Mas assim, sem avisar?

Logo, o ego-semprismo compareceu à inesperada reunião trazendo o costumeiro ataque e, sem esperar ou sequer tentar mudar os óculos, lançou a pergunta:

            — Existe outra pessoa?

            — Sim.

            O chão parecia ter sido tirado de seus pés. Seu corpo todo tremeu, seus olhos embaçaram. Sentando para disfarçar o indisfarçável, quis saber quem era. A esposa, sem contra-ataques, mantendo a serenidade no rosto e até um carinho nos olhos, disse, pausadamente, como se estivesse lendo uma missiva: que era alguém que a entendia, que era capaz de adivinhar seus pensamentos e desejos antes mesmo de os terem, que entendia que nada estava garantido e que, por isso, enxergava-a e cuidava dela como uma preciosidade que não queria perder, ocupando, assim, o seu lugar em seu coração; uma pessoa, enfim, que a fazia sentir o lado prazeroso e leve do encontro.

            Parecia não acreditar no que ouvia. Os sentimentos se misturavam entre cólera e desespero. Num impulso, bateu com os punhos na cama, gritando para aliviar o que o explodia:

            — O nome! Diga-me o nome!

            A mulher, já com as lágrimas nos olhos que insistiam em demonstrar afeto, respondeu ao marido, deixando-se chorar:

            — Eduardo.

            Ao dizer o seu nome, tirou debaixo do travesseiro uma folhinha de calendário e lhe entregou. Nela, estava a data bem marcada de vermelho: 12 de junho, dia dos namorados…

A LITERATURA É UMA ESCADA MUITO ALTA

Sempre defendi a ideia de que a literatura é uma escada muito alta, e que para chegar ao topo é preciso subir degraus… Bem diferente do que muitas escolas inclusive fazem, provocando o efeito contrário e se colocando na contra-mão da formação de leitores.

Com tanta diversidade literária e meios de mediação não é mais possível pensar e agir como no século passado. Sim, ainda têm escolas onde os alunos fazem prova de livros! Pensar no AGORA é a melhor maneira de se construir o futuro, fazendo com que a literatura clássica seja mais do que atual, mas desejada. Resta saber se as pessoas – principalmente as que estão na linha de frente, como os professores e suas escolas – estão preparadas ou dispostas a isso.

Nesta entrevista com o ativista literário Paulo Fernandes, este e outros assuntos são tratados de uma maneira incrível, aberta e sincera em um bate-papo à distância nesse momento de pandemia. Assista e aprenda com este amante da leitura e dos livros e se inspire em suas palavras, que é pura literatura…

Gostou desse vídeo? Vá lá no youtube, deixe o seu like, se inscreva em nosso canal e vamos propagar uma nova ideia de formação de leitores.

Aproveite para assistir aos vídeos de leitura e contação de histórias. Tem muita coisa bacana por lá!

Forte abraço!

Leandro.

LITERATURA EM ÁUDIO: A RETOMADA DA ESCUTA E DA IMAGINAÇÃO

Por Leandro Bertoldo Silva

Quem foi criança nas décadas de 60 e 70 há de se lembrar da “Coleção Disquinho” da Gravadora Continental. Eram discos de vinil compactos e coloridos, e cada um trazia uma história cheia de músicas compostas e adaptadas por Braguinha (João de Barro), orquestradas por Radamés Gnattalli e narradas por Sônia Barreto.

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Eram histórias como A Dona Baratinha, Pedro e o Lobo, A Festa no Céu, Soldadinho de Chumbo, entre outras, e até clássicos como Branca de Neve e Chapeuzinho Vermelho.

02-dona-baratinhaO que era mais impressionante é que o que tínhamos de elemento visual era somente as capas dos discos; tudo ficava mesmo para a arte de escutar as histórias e imaginá-las à medida que iam sendo narradas na voz doce e melodiosa de Sônia, o que fazia com que desenvolvêssemos uma enorme capacidade criativa a partir da fantasia.

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Braguinha
Radames-Gnattali
Radamés Gnatalli
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Sônia Barreto

Hoje tenho absoluta certeza que muito da minha formação, primeiro como leitor e depois como escritor, se deve a essa época.

Com o passar dos anos, a capacidade de escutar foi sendo substituída por inúmeros apelos visuais, que também são importantes, mas, às vezes, deixa uma lacuna no imaginário, uma vez que tudo está ali, pronto para ser servido.

A escuta é diferente. Através dela, saímos da passividade e passamos a produzir uma visão autentica de nós mesmos e do mundo que nos cerca, não sendo tão influenciados por visões externas ou, pelo menos tendo mais espaços para as nossas próprias construções e reflexões e resolver nossos conflitos.

Digo isso porque naquela época muitas das histórias continham traços do que hoje chamamos de “politicamente incorreto”, como a Dona Galinha e seus Pintinhos, que abandona os seus ovinhos e vai para uma festa e, quando volta, os filhotes já haviam nascido… Há também o caso do Burrinho Trololó, em que todos riam do seu rabinho, o que hoje seria considerado como bullyng… Não que eu seja a favor desses comportamentos, é claro que não, mas o fato é que isso não influenciava tão negativamente as crianças naquela época da mesma maneira que hoje, onde é preciso, em alguns casos, até de punições, mesmo com todo o nível de informação. Será que a chamada inocência se perdeu? O que será que mudou na nossa sociedade de lá para cá? Talvez seja a própria capacidade de escutar histórias e saber diferenciar o lúdico…

Literatura em Áudio é um resgate dessa escuta, não apenas a partir de histórias infantis, mas também através de textos da nossa literatura clássica e contemporânea e também de minha escrita, tornando-se um grande laboratório de sensações e emoções.

Vocês podem conferir esse trabalho que está sendo criado aos poucos aqui mesmo no blog ou mesmo no canal do Youtube clicando AQUI.

O melhor de tudo é que eu não estou sozinho. Há hoje muita gente boa, como naquela época, muitos artistas gravando suas histórias e de autores consagrados, com a diferença que tudo está mais fácil, tanto tecnicamente por causa da tecnologia, como na capacidade de difusão dessas narrativas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAÉ o caso do escritor e contador de histórias Pierre André (puxando aí a Carroça de Histórias comigo vindo logo atrás com o guarda-chuva colorido), de Belo Horizonte, que, com muita satisfação, é um grande amigo e parceiro de muitos anos nesse mundo das letras, da oralidade e da escrita e que desenvolve um belíssimo trabalho chamado PodContos do Pierre André, que você pode conhecer clicando AQUI e seguir este artista e seu encantador trabalho.

E já que estamos falando de histórias e da arte de escutar, vamos ouvir histórias? Abaixo deixo duas delas, uma minha – “Mapinguari” –, que é parte do meu livro O Menino que Aprendeu a Imaginar, e uma história cheia de intertextualidade belissimamente escrita e narrada pelo Pierre chamada “Vamos brincar de roda?” em seu canal do Youtube.

E como ele mesmo diz…

“E essa história entrou pela porta da sala e saiu pela janela. Se você gostou, aguarde a próxima… Quem sabe mais bela?”

 

SABER SE REINVENTAR É NÃO TER MEDO PARA FAZER AS MUDANÇAS QUE A VIDA PEDE

 

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Por Leandro Bertoldo Silva

 

Há 7 anos venho ministrando ininterruptamente o curso Vivenciando a Linguagem, Leitura e Escrita na Árvore das Letras.

Muitos foram e são os alunos de todas as idades que se beneficiaram e se beneficiam desse trabalho.

Mesmo agora com o que estamos passando, vivendo esses momentos de grande incerteza e angústia diante de uma crise econômica e de saúde mundial sem precedentes, que testa a nossa capacidade de adaptação, reinvenção e resiliência, não deixei os nossos alunos. Eles continuam os seus estudos de leitura e escrita através de videoaulas, audioaulas que passei a produzir, gravar e editar e também em aulas on-line, onde nos encontramos todos em horários específicos de estudo. Até a nossa meditação inicial não deixamos de fazer.

Esse é o verdadeiro poder do amor, onde é preciso se reinventar em uma proporção jamais vista. E isso é o que nos faz ser seres vivos, como a própria língua, mutável em sua natureza.

Será isso o prenúncio de uma nova abordagem?

O fato é que eu não quero mais voltar… É como se o que estamos vivendo fosse um grande divisor de águas. O que está acontecendo não me permite simplesmente voltar ao que era antes, ter a mesma rotina, o mesmo padrão de pensamentos e fazer tudo exatamente da mesma maneira, tanto porque acho que não será mais possível nos posicionarmos perante as coisas do mundo da mesma forma.

No que concerne ao meu trabalho de educação, o meu pensamento está daqui para frente; para trás não cabe mais. Não me vejo nos mesmos padrões repetitivos de uma sala de aula comum muitas vezes engessada em conceitos ultrapassados. Isso é velho ciclo, velha cultura. O mundo está pedindo mudanças e o novo está pedindo passagem. Só assim viveremos a pureza da nossa natureza em prol de criarmos um mundo mais fraterno, justo e igualitário a começar por nós mesmos e com as nossas verdades.

Neste momento, o mais importante é pensar em nos cuidarmos, tanto fisicamente quanto emocionalmente e fortalecer a nossa espiritualidade acreditando que tudo isso é uma mudança necessária. O mal vai passar e acredito que irá levar com ele tudo o que é velho e ultrapassado, seja nas relações humanas seja nos nossos trabalhos e a maneira com que enxergamos a vida. É claro que ainda continuarão existindo escolhas…

É preciso pensar que novas abordagens não são mais apenas um desejo, mas uma necessidade e que é preciso muita coragem para fazê-las com leveza, sim, mas com força e propósito.

Sigamos em frente. Sigamos atentos. Mudanças estão sendo feitas.

Enxerguemos.

O TOCADOR DE SILÊNCIO

O tocador de silêncio

Todo silêncio é música em

estado de gravidez.

 – Mia Couto –

Desferir é fazer vibrar… Vibrar o silêncio de nós próprios é alcançar o voo perfeito do que desejamos.

Tinha chegado ao máximo da execução que pensava poder possuir. Tocava acariciando as cordas do seu violino retirando delas o som preferido dos anjos e dos deuses. Mas, mesmo com os frenéticos aplausos, sabia que não havia alcançado a música que desejava. Isso só aconteceu quando, num dia de descuido, roubaram-lhe o instrumento, e ele, despojado do que sustentava sua ilusão, passou a tocar no ar, ouvindo, inalterado no silêncio, a essência de suas notas. Tornara-se música…