MEDIAÇÃO AFETIVA DE LEITURA EM UMA ABORDAGEM BIBLIOTERAPÊUTICA

“Uma história pode ser cem vezes mais lembrada do que mil explicações.”
(Jorge Bucay)

Afirmo que gostar de ler é algo absolutamente natural. Isso porque somos seres humanos e, como tais, temos a necessidade de contar e ouvir histórias. Fazemos isso tanto pela escrita como pela oralidade, como também pelas cores, pelos cheiros, pelos sabores, pelo tato e, principalmente, pelos sentimentos.

O que estou querendo dizer é que não lemos somente palavras; lemos a natureza a partir das nossas percepções, das nossas alegrias, expectativas e também das nossas dores, saudades e frustrações, ou seja, lemos e somos lidos, pois fazemos parte das sensações. Uma vez que todos esses sentimentos podem ser interpretados pelas palavras e absorvidos pelos poetas, pelos romancistas e contistas através de tantas obras maravilhosas, infantis e adultas, não há nenhum motivo para não gostar de ler.

“Uma leitura bem levada nos salva de tudo, inclusive de nós mesmos.”
(Daniel Pennac)

Por sempre defender a literatura como uma das formas mais autênticas de desenvolvimento humano, é que me encantei pela Biblioterapia e busquei potencializar um trabalho que já vinha acontecendo desde 2014 na Árvore das Letras, um espaço de linguagem, leitura e escrita, por meio da mediação afetiva de leitura.

Mas o que é Biblioterapia?

Biblioterapia é uma área de pesquisa que enxerga a literatura como um enorme potencial afetivo, no sentido de acolher as pessoas e contribuir com o seu desenvolvimento, não apenas intelectual, mas principalmente emocional, uma vez que as histórias desviam o caminho da razão e vai para o espaço da sensibilidade. Para a professora Clarice Fortkanp Caldin, referência em Biblioterapia no Brasil, podemos defini-la como “o cuidado com o desenvolvimento do ser humano por meio das histórias, sejam elas lidas, narradas ou dramatizadas”.

Tal abordagem não tem como objetivo simplesmente incentivar a leitura; ela acontece como consequência do processo, que busca de forma mais abrangente a conexão, a reflexão, a leveza e o equilíbrio. São esses os benefícios da literatura que ajudarão um pensar e viver autênticos e, com isso, melhorar gradativamente essa relação, desenvolvendo a criatividade e agindo na pacificação das emoções.

“Para transmitir o amor pelas obras literárias é preciso tê-lo experimentado.”
(Michele Petit)

Com base em minha experiência como leitor, mediador de leitura, contador de histórias e escritor, apresento como foi uma prática de leitura realizada com crianças na Árvore das Letras em parceria com a Terra do Sol, na cidade de Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, que se constituiu em uma verdadeira prática biblioterapêutica, inclusive com um lindo processo de dinamização, processo esse de fundamental importância no contexto da abordagem. O encontro aconteceu em 2019, antes da pandemia.

Abro aqui um parêntese para mencionar que o termo “dinamização” está emprestado da homeopatia não por acaso. O processo de leitura se faz em pequenas doses passo a passo, e nunca de uma só vez sem que a criança se envolva sentimentalmente com a história. Portanto, dinamização é “o conjunto de operações de diluir e agitar soluções com o objetivo de potencializar o medicamento”. Aqui, segundo Carla Sousa, especialista em Biblioterapia, os “medicamentos” são as histórias vindas das “capsulas”, ou seja, os livros, cujo princípio ativo são as metáforas.

A PRÁTICA

A prática em questão foi realizada com 3 crianças entre 4 a 6 anos de idade e seus pais. Tivemos o acompanhamento da artista-artesã Geane Matos e da psicóloga Wal Sabino. O livro utilizado foi “A semente – SOS florestas”, de Eduardo Albini. Todo o encontro foi realizado em um tempo de 1 hora. A temática foi a natureza e a sua preservação, porém as questões abordadas transcenderam a natureza física e versaram também para a natureza pessoal, uma vez que somos todos partes de um mesmo sistema de vida.

O local escolhido para essa prática foi a Terra do Sol, um espaço aberto, onde as crianças e os pais que acompanharam a atividade, puderam estar em contato com plantas, árvores, algumas frutíferas, em um ambiente totalmente acolhedor.

O LIVRO

“A semente – SOS florestas” é um livro de imagens que conta uma história muito simples sobre um menino, sua irmã e uma semente. O plantar uma semente de feijão ou lentilha, regá-la, cuidar dela e vê-la crescer em um germinador é uma das tarefas legais da escola. Mas… que tal se trocarmos os feijões e as lentilhas por outras sementes? Aquela, a daquela árvore que está na calçada, na frente de casa… Ou a que está no quintal da vovó… Ou até mesmo que está no pátio da escola? Fazendo isso, a gente descobre um pouco mais sobre as florestas…

A apresentação do livro para as crianças  iniciou com um momento de conversa e relaxamento. O local foi cuidadosamente preparado com esteiras para se sentar em círculo e, no meio, foi disposto um cesto com pinhas, também conhecida como fruta do conde em algumas regiões.

Como o livro é de imagem, iniciamos cantando com as crianças uma música versando sobre árvores, pássaros e demais elementos da natureza. A seguir, a história foi sendo contada oralmente com a ajuda das crianças à medida que as imagens iam sendo mostradas.

Logo após à leitura, as crianças foram ouvidas em seus sentimentos e sensações a respeito da história e questões sobre preservação, respeito, crescimento, cuidado foram trazidas pelas crianças e cuidadosamente potencializadas.

A DINAMIZAÇÃO

A dinamização se iniciou com os frutos sendo oferecidos às crianças, que os pegaram e os partiram com as mãos depois de higienizadas. Algumas crianças gostaram do sabor, enquanto outras tiveram estranheza com a textura e não quiseram comer, o que reforçou a ideia do amadurecimento das nossas próprias sensações e escolhas. E está tudo bem.

Na história, um garoto, ao passear com seu cãozinho, encontra uma semente na rua. Ele então a leva para sua casa e, com a ajuda da irmã, planta a semente em um recipiente com algodão. Sem saber do que se tratava, vão fazendo várias suposições enquanto, ao longo dos dias, a plantinha vai crescendo. À medida que o tempo passa, a planta cresce cada vez mais enquanto os dois sonham com um lugar cheio de árvores. Ao ver da janela do seu apartamento um jardineiro plantando uma muda de árvore, percebe que se parecia muito com a sua e resolve comparar as duas plantas. Ao ver que se tratava da mesma espécie e que ela crescia muito, telefona para os seus amigos e resolvem plantá-la na floresta, voltando para casa feliz.

Foi neste contexto que as semente de pinha foram distribuídas para as crianças, assim como vasos, terra e água. As sementes foram plantadas pelas crianças, deixando que elas mesmas fizessem todo o processo de fazer as covas, colocar as sementes na terra, tapar e regar com água.

Todo o processo foi feito de forma muito lúdica, conversando com a terra e abençoando as sementes  para que crescessem saudáveis.

O FECHAMENTO

Feito o plantio das sementes, os vasos foram colocados na sombra e todos se reuniram novamente para falar das suas próprias experiências no processo, com a proposta de voltarem dias depois para acompanharem o crescimento da planta e, consequentemente, os seus em termos de vivência e consciência com a natureza e consigo mesmos.

E assim, a atividade foi finalizada.

E foi dessa forma que realizamos um verdadeiro encontro de Biblioterapia em que foi possível a companhia de todos, crianças e pais. Porém, com o momento pandêmico, não é possível tal prática presencial, o que não inviabiliza o processo que pode ser realizado de forma on-line com perdas de alguns recursos, mas ganhos de outros.

O que importa é que as histórias literárias estão repletas de potencialidades de crescimento humano e que a criatividade, o querer, a vontade e, principalmente o amor, nos leva ao cuidado do outro com acolhimento e carinho. O que advém disso é o surgimento de pessoas melhores e um mundo muito mais justo e humano.

ALFORRIA LITERÁRIA – LIVROS FEITOS PARA VOCÊ, SÓ PARA VOCÊ!

Dando continuidade ao nosso mês de eventos que preparam o lançamento do livro Histórias de um certo Aarão e outros casos contados – das histórias e lendas de Belo Horizonte recontadas por um segurança que recebia, em seu serviço, a visita ilustre do fantasma de Aarão Reis, no dia 6 de maio, hoje venho carinhosamente apresentar a Alforria Literária.

Quando me perguntam o que ela é, só tem uma forma de responder… Vejam o vídeo para saber!

E já convido todos e todas para a live do dia 09 de abril, próxima sexta-feira, às 19 horas, com a professora do Colégio Nossa Senhora das Dores, de Belo Horizonte, Conceição Franco. Estaremos batendo um papo sobre o conto “Uma certa Dona Nicinha”, que está em meu livro “O menino que aprendeu a imaginar”, um dos livros da Alforria. Venha ouvir este conto e ela, a professora que inspirou essa escrita.
Será pelo Youtube da Árvore das Letras. Aguardamos vocês!

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

EU SOU A ÁRVORE E A ÁRVORE SOU EU

Árvore

Por Leandro Bertoldo Silva

Você já passou pela experiência de desejar algo ardentemente e, de repente, perceber que já a possuía há tempos e não se dava conta disso? Pois é, isso aconteceu comigo…

Sempre admirei as pessoas cuja forma de vida se assemelha intimamente com aquilo que acreditam. Isso pode parecer simples e óbvio, mas não é tanto assim. Quantas pessoas você conhece que vivem uma vida que não querem? Seja no trabalho, no casamento, na família, ou com elas mesmas… Acontece que isso é muito comum.

Eu sempre quis ser escritor sem saber ao menos o que isso, de fato, significava. E é exatamente aqui que a minha vida se funde com um pé de ameixa…

Eu tinha 7 anos quando a minha brincadeira preferida não era jogar bola ou brincar de carrinho, como os outros meninos da minha idade, mas subir em um pé de ameixa que ficava ao lado de um pé de goiaba na casa da minha avó, e lá ficar horas viajando pelas páginas dos livros que levava comigo, usando os  galhos da árvore como estantes. Era a minha primeira biblioteca. Eu não tinha uma ideia muito clara do que aquilo representava, mas eu também queria inventar histórias. Foi assim que se deu o meu contato com a literatura.

Sítio

Naquele tempo passava um programa na televisão: O Sítio do Picapau Amarelo e, igualmente, de todos os lugares do Sítio, como o poço dos desejos da Emília, a cabana do Tio Barnabé e dos inesquecíveis Zé Carneiro e Malazarte, a cozinha da Tia Nastácia, a gruta da Cuca, a casa de bambu do Saci, a venda do Seu Elias no Arraial dos Tucanos, o que eu mais gostava, o que fazia mesmo os meus olhos de criança brilharem era a biblioteca da Dona Benta, quando o Visconde – o meu herói – aparecia lendo aqueles fantásticos livros de histórias e contos da Carochinha. Novamente, o pé de ameixa transformava-se naquele lugar e de lá eu ia à lua e dela aos corredores assustadores do labirinto do Minotauro, protegido por Teseu e Pedrinho. O pé de ameixa era, portanto, um portal onde eu desnudava-me de mim mesmo e ali eu sonhava nas páginas dos livros, inicialmente da Coleção Vaga-lume que, por intermédio de uma professora – Dona Marieta – a qual sou muito grato eternamente, incentivou-me a ler “O Caso da Borboleta Atíria” e “A Ilha Perdida”… Hoje as coleções são mais modernas, mas aqueles livros transformaram a minha vida, que, com o passar do tempo, foram ficando mais robustos…

A partir de José Lins do Rego e seu “Menino de Engenho”, fui descobrindo Graciliano Ramos, Machado de Assis, Drummond, Clarice Lispector, Fernando Sabino e uma infinidade de vozes que tornaram a lista imensa. E ainda hoje continuo descobrindo escritores, muitos se tornando amigos, outros pelas páginas dos seus livros, como Mia Couto, Valter Hugo Mãe, Conceição Evaristo, entre outros e outras.

Entre as muitas coisas que estes escritores e escritoras me ensinaram, está o fato de eu querer profundamente estar entre eles, fazendo parte do mundo das histórias, dos poemas, dos romances, dos contos, pois aquilo tudo me encantava. Hoje sou escritor e devo dizer que nada disso teria acontecido se não fossem muitas pessoas – os meus pais, claro, os primeiros a me contarem histórias, a Dona Marieta, e a tanta gente que entendeu o meu amor pelos livros e começaram a me presentear com eles. Mas essa história só foi possível existir por causa do pé de ameixa. Acredito mesmo que se não fosse ele eu não estaria aqui escrevendo essas lembranças. Essa árvore me acolheu como um fruto, cuidou de mim e dos meus sonhos, afagou a minha imaginação e moldou a minha existência de tal maneira que digo sem hesitação que eu sou essa árvore e essa árvore sou eu.

Recentemente, fui até o local onde ela estava para, depois de tantos anos, pois minha avó se mudara para outra casa, vê-la e abraçá-la, mas… O pé de ameixa já não existe mais. As nossas histórias não são as histórias dos outros e é por isso que devemos escrevê-las – para salvá-las… O pé de ameixa foi arrancado para, em seu lugar, ser construído uma casa. Não cheguei a entrar. Preferi voltar. Mas… Eu disse que ele não existe mais? Não é verdade!

Em uma dessas noites, sonhei que voltei lá onde ele ficava. E no meu sonho ele estava onde sempre esteve, no mesmo lugar. Quando apareci no portão da casa e ele me viu, os seus galhos balançavam tanto, mas tanto, que eu cheguei a ver um sorriso em toda a árvore. Corri a abraçá-la e a acariciá-la e esse acontecimento foi tão real que ficamos os dois assim por um grande tempo. Acordei em meio ao abraço dessa árvore que até agora, quando escrevo, é possível sentir.

Pois é, o pé de ameixa existe sim! Não apenas em meu coração, mas até no meu corpo, pois, uma vez, ao escorregar da árvore, os seus galhos, na iminência de salvar-me, amparou-me na queda deixando uma cicatriz em meu braço. Mais do que isso, ele existe onde hoje é a minha forma de viver e cuidar da minha família e de tantos alunos e leitores, fazendo com que essa história continue. Sua lembrança em mim é tão marcante e sua importância tão grandiosa, que anos depois, já formado, casado e pai – afinal, lembre-se que eu tinha apenas 7 anos de idade – recriei o mesmo pé e dei a ele o nome de Árvore das Letras… Tenho certeza que esse sonho, esse abraço foi um pedido de agradecimento.

Mas mesmo assim, mesmo fazendo existir essa Árvore, senti-me no dever de devolver a ela o acolhimento. Assim, na cidade onde hoje eu moro, a 550 Km de Belo Horizonte, vi um pé de ameixa na casa de uma senhora… Fui até essa casa, chamei a senhora e contei para ela toda essa história. O pé estava cheio de frutas, que ela, entendendo a importância do momento, me deu um cachinho, que levei para casa. Nunca o sabor da fruta me fora tão delicioso! Sabor de lembrança… Das sementes que sobraram, plantei-as em vasinhos e de todos os vasinhos um germinou. Estou cuidando dele com muito carinho, mas todos sabem que um pé de ameixa é uma árvore de grande porte, com raízes bem profundas. Eu não tenho um local para plantá-lo definitivamente… Mas uma pessoa tem! E sei que essa pessoa entenderá perfeitamente o sentimento que aí existe e saberá cuidar muito bem dele.

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Pois é, mano velho, estou cuidando da Árvore das Letras enquanto ela é essa mudinha e preparando-a para viajar até sua chácara em Curitiba. Cuida dessa árvore para mim, sabendo que ela é a minha história e, sendo assim, é uma parte minha que estará plantada aí… Fico muito feliz em saber que assim essa história estará transpondo fronteiras e esse pé de ameixa ficará enorme para, quem sabe, um dia uma outra criança suba nele para ler um livro…

PRÉ-VENDA DO LIVRO HISTÓRIAS DE UM CERTO AARÃO E OUTROS CASOS CONTADOS

Olá!!
Venha participar deste encontro no dia 01 de abril às 19 horas pelo Youtube e descobrir como nasce um livro artesanal na Alforria Literária a partir de um de seus momentos de confecção, e o quanto “Paula Brito” é importante neste processo. É só acessar este link no horário da live: https://youtu.be/a9XGLdYxNYU

Teremos também Valéria Gurgel cantando, ao vivo, a música que está no vídeo!

Você saberá tudo sobre a pré-venda do livro “Histórias de um certo Aarão e outros casos contados” e ainda poderá ganhar um exemplar do livro, que será sorteado ao vivo no final da live, e recebê-lo autografado em sua casa.

A live é no dia 1º de abril, mas é verdade, não é mentira não!! Estou esperando você.

REGRAS DO SORTEIO:

1. O período de participação terá início no dia 26 de março de 2021 e se encerra às 23h59 do dia 30 de março de 2021.

2. Para participar basta marcar duas pessoas, curtir e comentar no post de pré-venda no Instagram @arv.das.letras, respondendo à pergunta: “você tem medo de fantasmas? Sim ou não?”

3. O livro será sorteado ao vivo no final da live pelo aplicativo Sorteio Go  somente para as pessoas que seguirem as regras acima. Além disso, para ganhar o livro, a pessoa deverá estar presente na live e se manifestar caso seu nome seja sorteado. Não havendo manifestação, outra pessoa será sorteada.

4. O resultado será divulgado nos stories do Instagram @arv.das.letras.

5. O ganhador deverá entrar em contato informando o endereço para recebimento. O envio do livro será feito pelos Correios na sexta-feira, dia 02 de abril, sem custos para o ganhador.

Boa sorte! Nos encontramos na live!

RELICÁRIO PESSOAL – HAICAIS

RELICÁRIO PESSOAL – HAICAIS é um livro diferente. Não se trata de um livro apenas para ler, mas para sentir. Isso porque é um livro de poemas, mas não quaisquer poemas, são pequenas doses de silêncio escritas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas, respectivamente, totalizando 17 sílabas gramaticais e poéticas para serem refletidas e guardadas em nosso coração.

Ler os poemas é um mergulho que você leva para a sua vida no dia a dia, ao passar pela LEITURA, não para aumentar conhecimento, mas para encontrar você mesmo na palavra; pela MEDITAÇÃO, ao deixar a palavra cair no coração, aceitando-a simplesmente; GESTAÇÃO, que, através da meditação, faz com que a palavra germine e frutifique; e por último a CONTEMPLAÇÃO, para não mais raciocinar a palavra, mas vivê-la no silêncio.

Para isso, você irá encontrar em cada página um haicai que, por si mesmo, já proporciona tudo isso através da sua simplicidade.

Portanto, abra aleatoriamente uma página do livro. Leia e desfrute cada palavra do poema, procedendo aos passos descritos: leitura – meditação – gestação – contemplação. Dê-se um tempo e perceba para onde os versos levam você. Às vezes te fazem revisitar um passado e lá encontrar respostas ocultas… Mas também podem te fazer presente do agora ou mesmo parente do futuro… Volte às outras páginas após se sentir satisfeito(a) com suas reflexões. Não tenha pressa, o importante é abrir-se para as possibilidades.

É assim que eu sugiro que você leia este livro, que ainda traz mais uma sensação: nele, você pode escolher uma essência entre lavanda, menta ou canela que será carinhosamente inserida na capa do livro assim que ele sair da prensa. Dessa forma, você terá uma experiência que vai além da leitura e se conectar ainda mais com a natureza.

Experimente. Este é um livro que eu faço ouvindo música e colocando as melhores intenções para quem o possuir e se aventurar em abrir suas páginas cheias de encontros…

Se você achou interessante e sentiu um chamado para esse livro, entre em contato, faça seu pedido e eu o envio onde quer que você esteja.

Você pode saber mais sobre esse livro, valor e como adquiri-lo, clicando AQUI ou falando diretamente comigo, me enviando uma mensagem por este site ou pelo Whatsapp (33)98461-2688.

Esse é um trabalho que estou realizando nesse momento delicado que estamos vivendo e acredito que pode ser útil a você e outras pessoas por oferecer momentos de paz, fé, introspecção e coragem. O mundo está precisando de afetos e este é um livro que nos abraça e nos acolhe.

Um forte abraço e estou à disposição.
Leandro Bertoldo Silva.

O MUNDO MUDA QUANDO UMA CRIANÇA LÊ UMA HISTÓRIA

Cuidar de uma criança é dar a ela carinho, atenção e nutri-la de todos os cuidados necessários. Tudo isso e muito mais, as histórias possuem e, quando facilitamos esse encontro e entra o “Era uma vez…”, o mundo agradece.

É preciso saber que gostar de ler é e sempre foi natural. Repare no encantamento e no semblante de uma criança ao folhear um livro pela primeira vez. São os pais quem oferecem essa oportunidade, e são eles os responsáveis por manter os corações pulsando pelas palavras.

Quando essas palavras vêm acompanhadas por livros feitos um a um, costurados manualmente, chegam, junto com elas, o princípio ativo da valorização. É assim que os encontros acontecem.

Um lindo dia (seja ele qual for) e boas histórias para você 🙂

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.

CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

Sempre gostei de crônica, essa maneira deliciosa de falar da realidade por caminhos literários. A propósito, é comum nos vemos em volta da seguinte pergunta: afinal, o que é realmente uma crônica?

Bem, recebi de presente do amigo Ricardo Albino essa resposta em forma de… Crônica! Assim, com a sua permissão, publico aqui no blog esse texto “muito gostoso de ler”.

***

Outro dia alguém me perguntou o que era uma crônica e eu disse apenas que era um texto muito gostoso de escrever, pela sua liberdade. No entanto, na tarde de 12 de março último, a caminho de mais um treino de bocha, acho que encontrei uma resposta criativa para essa pergunta.

Em minha opinião, a crônica é tudo aquilo que se enxerga e não apenas vê; é tudo que se escuta e não apenas ouve; é o colorido que todos nós damos a um quadro pintado em tela transparente, com letras escritas em linhas tortas que ganhamos de presente ao nascer.

 Portanto, a crônica nada mais é do que a representação da arte de viver. Dizem que tudo se cria nada se perde tudo se transforma. Para o jornalista posso dizer que não há nada mais verdadeiro, chega a ser até engraçado. É só colocar o pé na rua e é como se um radar fosse ligado, para nossa sorte, nosso radar, não costuma ter limite de velocidade, no meu caso funciona até parado no sinal de trânsito.

O cenário, desta vez, não era um barzinho da capital, mas, uma loja de esquina. Quatro pessoas, supostamente amigos, conversavam. A curiosidade surgiu quando ouvi a frase:

— Ocê viu, ele pegou!

O outro retruca:

— Não pegou nada!.

Pensei que falavam da paixão nacional do brasileiro, o futebol. Mas, logo percebi que o assunto em questão era a paixão nacional do homem, ou ao menos da maioria deles, as mulheres.  Um ser humano abençoado. Coisa mais linda, por Deus, ainda não foi criado. Dizem até que ele tentou, mas, ficou desanimado, pois, percebeu que era difícil criar algo tão iluminado.  Por elas de A à Z sou um cara apaixonado.

Ah! Os outros dois entraram na conversa. Um dizia assim:

— Ocê tá falando que chegou na loira?

E o quarto rapaz grita de lá:

— Eu duvido!

E o primeiro, todo orgulhoso, reage rápido:

— Ela me deu até o telefone dela!

O segundo ri e o terceiro completa:

— Ela é muito areia pro seu caminhãozinho.

O outro diz:

— Ocê ligou? Aposto que deu ocupado ou ela deu o número errado.

Foi gargalhada geral. Nesse momento, o sinal de trânsito abriu e fui eu dentro do carro imaginando onde foi parar aquela crônica nossa de cada dia.

Ricardo Albino é formado em Comunicação Social – Jornalismo, pelo Centro Universitário de Belo Horizonte – UNI-BH. Contador de histórias, formado pelo Instituto Cultural Aletria, Ricardo participou de inúmeros projetos, como a “Semana Nacional de Museus”, participou no quadro “Os Contadores de Histórias” no programa Revista da Tarde, na Rádio Inconfidência e vários outros projetos e festivais.

POR UMA LEITURA MAIS AFETIVA

Por Leandro Bertoldo Silva

A leitura para mim sempre foi algo arrebatador e fascinante, mesmo antes de saber juntar letras e formar palavras. Quando criança, lá pelos meus 4 ou 5 anos de idade, pegava livros e revistas em quadrinhos e inventava as histórias que não estavam ali, mas em minha alma de menino. Sim, antes de formar palavras eu juntava sonhos e as escutava dentro de mim enquanto folheava as páginas daqueles objetos mágicos. Gostar de ler, portanto, é e sempre foi natural, ou pelo menos deveria ser. Por que então tantas pessoas dizem ter horror à leitura?

Antes de tentar responder essa pergunta, reforço a minha declaração de que gostar de ler é algo absolutamente natural. Isso porque somos seres humanos e, como tais, temos a necessidade de contar histórias. Fazemos isso tanto pela escrita como pela oralidade, como também pelas cores, pelos cheiros, pelos sabores, pelo tato e, principalmente, pelos sentimentos. Não há como negar a subjetividade da vida, o olhar de carinho da mãe que nos faz ter a certeza da sua alegria por nós, o amparo do pai ao sentir sua mão protetora ao nos jogar para cima quando criança, o medo da perda quando da presença dos avós mais idosos, mesmo sabedores do quanto isso também é natural. O que estou querendo dizer é que não lemos somente palavras; lemos a natureza a partir das nossas percepções, das nossas alegrias, expectativas e também das nossas dores, saudades e frustrações, ou seja, lemos e somos lidos, pois fazemos parte das sensações. Uma vez que todos esses sentimentos podem ser, aí sim, interpretados pelas palavras e absorvidos pelos poetas, pelos romancistas e contistas através de tantas obras maravilhosas, não há nenhum motivo de correr daquilo que apreciamos tanto, porque simplesmente faz parte de nós mesmos. O que acontece então?

Acontece que em algum momento essa conexão não é bem feita, primeiramente pelos pais ao permitirem um certo distanciamento dos filhos a julgarem, muitos, que a responsabilidade é da escola, e essa devolve aos pais a falta de presença e incentivo. Assim, tudo vira cobrança. A propósito, sempre que ouço a expressão “incentivo à leitura”, algo me incomoda, embora eu também já a tenha usado. E não é o incômodo de admitir a necessidade de incentivar alguém a algo que eu tanto aprecio, mas principalmente por saber que de incentivo já estamos cheios. Somos todos super estimulados à leitura, temos hoje livros interativos, eletrônicos, que falam, tocam música e uma série de outras coisas mirabolantes. Portanto, o que falta não é incentivo, o que falta é saber o que fazer com tudo isso e, principalmente, falta afeto literário, e isso dificilmente os pais estão sabendo dar aos filhos, como, mais difícil ainda, as escolas sequer estão aptas a essa tarefa, pois agem na obrigatoriedade e não na esfera do acolhimento. Deixe-me falar uma coisa: onde entra a obrigação expulsa-se o prazer. Acontece que as pessoas não sabem fazer de outra forma e preferem continuar em um infinito jogo de passa ou repassa. Os pais não querem admitir as suas distâncias, assim como as escolas não querem admitir a incapacidade de pensarem fora da caixa e vivemos, todos, essa fragilidade absoluta.

Com tudo isso que foi exposto, resta-nos uma alternativa: a coragem de acreditar que a leitura transcende, e muito, todos os espaços e que em algum lugar de nós mesmos existe aquele menino, aquela menina que um dia se encantou com o primeiro livro que ganhou, mesmo sendo ele de borracha para não estragar ao leva-lo para o banho… Um dia nossos olhos brilharam ao ouvir uma história e nos surpreendemos ao saber que ela veio daquele mesmo objeto mágico que nos fora dado a folhear até que descobrimos que nós mesmos podíamos fazê-la sair de lá, sem cobranças, sem provas, sem atividades para mostrar ao mundo o quanto somos inteligentes. Aliás, inteligência é olhar o mundo com afetividade, é lê-lo em sua inteireza e simplicidade, é sentir grato por aqueles que traduzem os nossos sentimentos e permitem que os modifiquemos a partir das nossas próprias vivências, e isso não tem certo nem errado, tem existência. Inteligência é saber que não precisamos percorrer sempre os mesmos caminhos, porque existem outros, e, se não existirem, podem ser construídos. Quando compreendermos isso, veremos diminuir os horrores em detrimento dos prazeres. Não sei se respondi à pergunta, talvez nunca venha a conseguir, e está tudo bem. Cada um tem o seu momento de descoberta. Apenas sou grato pelo meu ter sido, com o auxílio dos meus pais, desde cedo lá naqueles livros e revistas que me deixaram folhear e um pouco mais tarde em cima de um pé de ameixa, onde levava os meus livros, usando os galhos como estantes, lendo, absorvido pelo encanto, o mundo que se me abria com acolhimento e carinho.

CONTA MAIS UMA

Livro de Nye Ribeiro, com ilustrações de Ana Terra.

Vovó Milota já tinha lido todos os livros de história, mas seus netinhos queriam mais: “Conta mais uma, vovó. Só mais uma!” Um dia, vovó acorda bem cedo, pega sua cesta mágica e vai para o bosque em busca de inspiração para inventar histórias. Ali, andando por entre as árvores e observando os movimentos, barulhos, cheiros, formas e cores da natureza, vovó descobre diferentes personagens para tecer uma nova história.

Nesta história de Nye Ribeiro, com ilustrações de Ana Terra e publicado pela roda e cia editora, vovó Milota nos leva a um passeio por um bosque encantado, reunindo imagens e ideias em sua cesta mágica.

Despertar na criança e no adulto o encanto pela natureza e o respeito pelo meio ambiente é algo que encontramos nesta mediação de leitura que eu, carinhosamente, preparei para vocês.

Assista o vídeo, curta, assine o canal. Ficarei muito feliz!

Forte abraço!
Leandro Bertoldo Silva.